Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Nordic Union - hard rock melódico de alta qualidade!

O Nordic Union é a junção dos músicos Ronnie Atkins (vocal, Pretty Maids), Erik Martensson (guitarra, baixo, teclado, membro do W.E.T. e Eclipse) e Magnus Ulfstedt (bateria, também do Eclipse) para formarem uma banda de "melodic hard rock", mais conhecido como AOR.

O resultado está no debut lançado recentemente, intitulado apenas Nordic Union. O nome provavelmente vem do fato dos músicos serem divididos entre suecos e dinamarqueses.

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A faixa de abertura, The War Has Begun, é uma das melhores; extremamente empolgante e no segundo refrão você já está cantando junto. A pegada se mantem em Hypocrisy e Wide Awake.

A bela balada Every Heartbeat dá uma acalmada nos ânimos. 21 Guns é ótima e é mais rockão, direta. Falling tem melodias açucaradas, prato cheio para os fãs do gênero, assim como Point of No Return, que apesar de tudo tem um riff mais heavy metal.

A principal característica deste disco é que ele não perde o ritmo em momento algum. Não tem uma sequência de faixas ruins e fracas que quebram o andamento. Se você for fã do gênero pode ouvir do começo ao fim. Prova disso é a última faixa, Go, que é uma das melhores de todo o trabalho.

Ótimo.

8.0

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Bruno Sutter impressiona em primeiro disco "sério"

Não que o Massacration e Detonator não sejam sérios. O são. São sérios na arte de fazer zueira. Agora Bruno Sutter, alter ego de Detonator, lança seu primeiro trabalho como cantor solo, intitulado apenas como Bruno Sutter.

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O próprio cantor brinca que o "disco é uma mistura de Cannibal Corpse, Roupa Nova, Iron Maiden e Death" e que, tirando o Roupa Nova, a gente ouve de tudo um pouco realmente.

Antes de mais nada é preciso dizer que muita gente torce o nariz para o Sutter pelo fato de ele ser humorista e ter satirizado o próprio heavy metal com o Massacration e o personagem Detonator; porém, Bruno não é só realmente um grande fã como também é um excelente vocalista.
Bruno inclusive brinca com o lance de sempre vencer as enquetes do Whiplash! como melhor vocalista e compôs a sensacional The Best Singer in the World, uma das melhores do disco com um refrão memorável e belas frases de guitarra.

Falando nisso, o cara cantou, tocou guitarra (exceto a maioria dos solos que ficaram a cargo de diversos convidados como o conceituado Michel Leme) e baixo; a bateria ficou por conta de Bruno Valverde (Angra).

Esse disco mostra como o vocalista é um excelente compositor; a maioria das canções tem melodias memoráveis e estrofes e refrãos marcantes; pegue por exemplo My Boss Is a Corpse, GrAttitude, Troll e Stalker.

Na faixa Haters Gonna Hate é onde ouvimos mais claramente como até o metal extremo influenciou na composição do álbum; a faixa é uma porrada e tem direito até a guturais.

Outras porradas merecem destaque como Facing Temptation, Rebuilding Destruction, Provoke Yourself e a genial versão de Galopeira para encerrar.

A única coisa que senti falta foi de uma banda de suporte; se por um lado é admirável ouvir aquilo e saber que o cara gravou a maioria dos instrumentos, por outro torna-se algo mais dinâmico e fica mais com cara de banda.

Mas o disco foi feito graças a um crowdfunding (onde os fãs contribuem com um valor estipulado para ajudar o artista a realizar sua obra) e montar uma banda custaria muito mais grana.

A produção ficou a cargo do próprio Bruno, além de Renato Tribuzy e Wagner Bernardes.

Muita gente vai ter que dar o braço a torcer: o cara realmente lançou um puta disco e canta muito.

8.0

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Last in Line - antiga banda de Ronnie James Dio lança primeiro álbum


Em 1983, depois de já ter passado pelo Elf, Rainbow e Black Sabbath, Ronnis James Dio decidiu partir para a carreira solo e para isso juntou músicos de competência clara para tocar seus clássicos e novas composições: Vivan Campbell na guitarra, Jimmy Bain no baixo e Vinny Appice na bateria, a formação que gravou o debut Holy Diver (1983);  Claude Schnell entrou como tecladista para o álbum seguinte, The Last In Line (1984) e essa formação se manteve ainda em Sacred Heart (1985) The Dio E.P. (1986).

Aos poucos a formação da banda de Dio foi mudando e após a morte do vocalista, em 2010, os membros "originais" resolveram se juntar ao vocalista Andrew Freeman para tocar covers do Dio ao vivo sob o nome de Last in Line.

LAST IN LINE

Antes do lançamento do primeiro disco Heavy Crown, Schnell abandonou o grupo fazendo com que a formação "mais" original, a que gravou Holy Diver, é que entrasse em estúdio com a produção de Jeff Pilson (ex-baixista de Dio também). O futuro da banda ainda é incerto devido ao repentino falecimento de Jimmy Bain em meio à divulgação disco novo em uma turnê com o Def Leppard.

Musicalmente, Heavy Crown obviamente tenta resgatar aquela sonoridade clássica dos primeiros discos de Dio, e isso fica evidente em faixas como Devil In Me, com aqueles riffs característicos de Campbell. Martyr faz o papel daquelas composições mais rápidas à lá We Rock.

Algumas outras boas canções como I Am RevolutionStarmaker Orange Glow fazem o disco soar bom (apenas isso) de maneira geral; mas dada a expectativa criada em torno da ex-banda de Dio se reunir, acaba sendo um pouco decepcionante ao término das 12 faixas. Talvez se o disco fosse mais curto, com 8 ou 9 canções, a audição seria mais prazerosa.


6.0

Full Metal Jacket: Resenha de "Lugnet" -... Viva a Suécia!

Nas minhas pesquisas por bandas que ainda não conheço sempre que vejo que o grupo nasceu na Suécia eu já sei que as chances de me desagradar serão pequenas, independendo até do gênero. A Suécia tem uma cena forte de bandas de metal extremo melódicas e até mesmo de hard rock e melodic hard rock, porém o que o Lugnet pratica é um hard rock setentista, aquele som vintage que está em certa moda no meio do rock/heavy metal.

Formado por Roger Solander (vocais), Marcus Holten (guitarra), Fredrik Jansson (bateria), Lennart Zethzon (baixo) e Danne Jansson (guitarra), o Lugnet soltou o seu disco de estreia, autointitulado, e o disco é uma pedrada onde a banda toda mostra muito talento, tanto na execução como na composição.

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São 8 faixas pesadas que vão do hard rock básico e passam pelo blues, que é o mais próximo que tem de uma balada, como é o caso da linda Tears in the Sky. Os riffs rápidos de All The Way abrem o disco de forma impressionante; Sails lembra alguma coisa do Thin Lizzy (com mais peso). Em Veins os teclados pavimentam o terreno para uma das canções com mais feeling do álbum.

A segunda metade do trabalho tem a rápida It Ain't Easy, a roqueira Gypsy Dice (uma das melhores do disco), a pesadaça In the Still of the Water e o encerramento com a longa e viajante Into the Light, pouco mais de 10 minutos onde a banda passeia por um pouco de tudo que mostrou nas canções anteriores.


Excelente.

8.5

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DeWolff - Mais uma banda que resgata o passado com brilhantismo

Recentemente escrevi sobre o disco novo da banda The Temperance Movement, White Bear, e comentei como é bom ver bandas como essa ou como o Black Keys, o Blues Pills ou o Vintage Caravan, que soam modernas e atuais e ao mesmo tempo prestam uma bela homenagem à sonoridade psicodélica dos anos 60. E o grupo holandês DeWollf é mais uma grata surpresa nesse sentido. Eu não conhecia a banda e olhando em seu website vi que Roux-Ga-Roux já é o sétimo trabalho da banda, entre eps e discos ao vivo desde 2008, o que é um número considerável.

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A mistura de psicodelia, blues, hard rock e timbres sessentistas/setentistas nunca vai soar de mais para este que vos escreve.

Eu não passei impune ao órgão de Baby's Got a Temper, à introdução suingada de What's the Measure of a Man, ao blues de Black Cat Woman ou ao simples e eficiente solo de Easy Money. E dá-lhe fuzz e blues Outros temas como Love Dimension ainda destacam-se pelos belos vocais de apoio ou pelos longos improvisos blueseiros como Tired of Loving You.

Se está na moda tentar resgatar o rock psicodélico dos anos 60, eu espero que seja uma moda dessas bem duradouras. O DeWolff é formado por Pablo Van de Poel (vocal e guitarra), Luka Van de Poel (bateria) e Robin Piso (teclados, vocais).

Nota 8.5

sábado, 30 de janeiro de 2016

Dream Theater ousa com disco duplo e distópico

Resenha de fã é complicada... como diz o professor Regis Tadeu, todo fã é um idiota. Eu sou fã do Dream Theater, logo sou idiota? Tentarei não ser... 

Eis que o quinteto de metal progressivo lança seu novo álbum, The Astonishing, o terceiro consecutivo com a atual formação (James LaBrie no vocal, John Petrucci na guitarra, John Myung no baixo, Jordan Rudess nos teclados e Mike Mangini na bateria) e que foi mais uma vez produzido por John Petrucci, que desta vez além da produção cuidou das letras do trabalho, que é o primeiro disco conceitual do Dream Theater em quase quinze anos. The Astonishing é duplo e possui uma quantidade enorme de faixas, são 20 no primeiro cd e mais 14 no segundo. Fica impossível fazer uma resenha do tipo "faixa a faixa" até mesmo porque um disco dessa magnitude merece algumas boas e focadas audições antes de qualquer coisa. 



A história é interessante - apesar de um pouco clichê -, trata-se de uma distopia que se passa em 2285 onde a música não é mais praticada por seres humanos e somente por máquinas, e um grupo de rebeldes tenta derrubar o Grande Império do Norte, que controla o lugar. Ao longo das 34 faixas em pouco mais de 2 horas você escuta as aventuras de personagens como Gabriel, Evangeline, Arhys, Imperador Nafaryus, Faythe, entre outros.
Quando a lista de canções do álbum foi totalmente divulgada eu imaginei que ao menos umas 15 dessas 34 faixas seriam aqueles prelúdios e interlúdios que duram menos ou pouco mais de 1 minuto e que geralmente são passagens instrumentais climáticas ou diálogos, mas para a minha absoluta surpresa, das 34 faixas apenas umas 5 tem essas características. O restante são canções completas mesmo; nada de grandes suítes desta vez. A canção mais longa tem 7 minutos e 40 segundos. 
Musicalmente tem a melhor sonoridade dos discos com Mike Mangini, o bumbo está mais nítido aqui e a timbragem dos demais instrumentos está melhor também. Ficou claro ao ouvir o disco de cabo a rabo que Jordan Rudess teve um papel importante na composição e falar da execução é chover no molhado, Rudess é de fato um dos grandes tecladistas da história; John Myung dispensa maiores comentários, o cara é um monstro; o já citado Mike mangini teve uma performance absurda e está muito mais solto dentro da banda e eu já o imagino fazendo aquelas caretas engraçadas tocando alguns temas desse disco ao vivo; deixo para o final os dois destaques individuais: James LaBrie fez um disco perfeito. Além de interpretar todos os personagens (é bom lembrar que isso aqui é uma ópera rock, com diversos personagens, teoricamente parecido com o que faz o Avantasia com 10 vocalistas diferentes, por exemplo), LaBrie não exagerou nas notas altas como tem costume e gravou um disco absolutamente correto. E John Petrucci... o grande idealizador da história, do conceito, o produtor e líder. Um monstro sagrado do instrumento (calma, fã! calma!) fez em The Astonishing alguns dos seus riffs e solos mais marcantes da carreira.
Como eu já escrevi, impossível aqui comentar faixa a faixa, o que digo é: se você gosta da banda, gosta de rock e metal progressivo, tire um tempo e escute o disco do início ao fim. 
A minha favorita? Our New World. Um hard rock melódico com um riff delicioso, as linhas de bateria são excelentes (old school, estilo Portnoy) e um refrão marcante. 
Outros destaques: a instrumental Dystopian Overture é um show à parte, com seus altos e baixos e clima circense. The Gift Of Music foi uma ótima escolha para primeiro single e The Answer é tão linda que dá até pena que ela não tenha nem 2 minutos. Eu gostei dessa abordagem mais circense também em Lord Nafaryus. As melodias iniciais the A Savior in the Square são emocionantes. A New Beginning também é um dos destaques do disco 1.
No disco 2 tem a já citada Our New World, a faixa que dá nome ao álbum, o segundo single Moment of Betrayal, a pesada The Walking Shadow e a emocionante Losing Faythe.
Meu lado fã daria uma nota 9 porque, como nem tudo é perfeito, 34 faixas é MUITA coisa e uma ou outra canção sempre acaba não sendo tão empolgante assim; nada que tire os méritos da história, dos músicos ou que arruine o andamento do disco. Meu lado blogueiro dá nota 9 também, pelos mesmos motivos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A Dystopia do Megadeth: que bom que a formação clássica não se reuniu!

O Megadeth andava um pouco desacreditado após o fraco Super Collider, de 2013, e apesar de eu considerar Thirteen (2011) e Endgame (2009) ótimos álbuns, muitos fãs achavam que a banda estava no piloto automático lançando discos razoáveis e com uma formação que, apesar de competente, não demonstrava tanto sentimento.
Mudanças ocorreram: Chris Broderick (guitarra) e Shawn Drover (bateria) se mandaram no fim de 2014, restando os membros originais Dave Mustaine (voz e guitarra) e David Ellefson (baixo) sendo acompanhados por uma sombra da imprensa afirmando que a formação clássica da banda, um dos pilares do thrash metal, com Nick Menza (bateria) e Marty Friedman (guitarra) se reuniria. Até houve o contato e alguns ensaios, mas não deu certo.
E quando todos esperavam que Mustaine contrataria mais dois bons músicos, mas que nada acrescentariam no som da banda, eis que surgem os boatos - mais uma vez verdadeiros - de que a formação seria um verdadeiro dream team de músicos competentes: Chris Adler, o monstruoso baterista do Lamb of God, e Kiko Loureiro, o incrivelmente habilidoso guitarrista do Angra.
O fruto desta união é Dystopia, o tão aguardado novo disco do Megadeth, lançado em 20 de janeiro, que foi produzido pelo líder Mustaine e por Chris Rakestraw.
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Apesar de composto quase inteiramente por Mustaine, três excelentes faixas recebem créditos também do brasileiro: Post American WorldPoisonous Shadows e a instrumental Conquer or Die! Curiosamente são as 3 composições mais "diferentes" do álbum. Não saem do padrão da banda, mas apresentam alguns sintetizadores, passagens de piano (executadas por Kiko) e em geral um clima tenso marcam essa trinca de maneira especial.
As melhores faixas do disco já estão logo na abertura com a paulada The Threat is Real, cheia de riffs e solos maravilhosos, Dystopia com seu ritmo crescente, uma canção que te leva a algum lugar, na mesma pegada da clássica Hangar 18, e Fatal Illusion, tecnicamente perfeita e uma linha de baixo marcante; todas mostrando um novo Megadeth, não em sonoridade mas em vigor, energia e até em técnica. Kiko pode não ter participado ativamente da composição, mas a execução é ótima, os solos são memoráveis, daqueles que os fãs vão decorar as notas, e Chris Adler é, repito, um monstro e o melhor: o Megadeth é uma de suas bandas favoritas da adolescência. O cara além da técnica traz a paixão de um fã tocando em uma de suas bandas favoritas.
Uma curiosidade mórbida: fiquei um pouco aliviado ao ouvir o disco que a partir da terceira faixa, a menos que tenha passado batido, não se escuta a palavra câncer, que marca presença nas duas primeiras faixas do álbum.
A minha favorita é Lying in State, uma porrada de 3 minutos e meio com ótimos riffs e letra idem. Aliás, Dave Mustaine é um dos melhores letristas de thrash metal e suas canções continuam tratando sobre os temas de política mundial, violência, o cotidiano de um cidadão e, claro, distopias. O próprio título do disco, segundo o próprio líder da banda, foi inspirado por distopias como Os 12 Macacos, O Planeta dos Macacos, Minority Report, Total Recall, 1984 A Revolução dos Bichos.
Dave Mustaine é diferenciado. E tem outros 3 caras diferenciados trabalhando com ele. É o melhor disco da banda em muitos anos. Talvez seja uma das poucas ocasiões na história do heavy metal que podemos dizer: "que bom que a formação clássica não se reuniu".
8.5

domingo, 24 de janeiro de 2016

O novo hard n' blues de Londres: The Temperance Movement

O The Temperance Movement chegou ao seu segundo disco, White Bear, agora em janeiro de 2016, quase três anos após seu debut homônimo de 2013, que mostra mais uma banda apostando na nostalgia da sonoridade psicodélica dos anos 60 e 70 e na mistura do blues com o hard rock. Prato cheio para quem gosta desse tipo de som e também parece quem gosta de southern rock, embora a banda seja de Londres, na Inglaterra.

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A banda foi formada em 2011 e hoje conta com o vocalista Phil Campbell, o guitarrista Paul Sayer, o baixista Nick Fyffe (que já tocou no Jamiroquai) e pelo baterista Damon Wilson, que trazem um som coeso e com cara de experiente; nada em White Bear soa como uma banda praticamente novata. A mistura de belas melodias vocais com a timbragem antiga e o blues fazem desse um disco gostoso de ouvir do início ao fim.

Three Bullets e Get Yourself Free mostram a que a banda veio. A Pleasant Peace I Feel é uma balada que explora a psicodelia da banda enquanto Modern Massacre traz algo mais agressivo (sem sair do gênero praticado pelo grupo). Battle Lines é suingada e ótima, uma das melhores do trabalho. A faixa título não fica atrás e é uma das mais southern aqui presentes.

Destaque ainda para The Sun and Moon Roll Around Too Soon, uma das mais gostosas do disco, e pelo encerramento com a lindíssima balada I Hope I'm Not Losing My Mind. É muito bom perceber que, em meio a um dos piores momentos da história do rock no mainstream, ainda há bandas como o The Temperance, ou o The Black Keys, o Blues Pills ou o The Vintage Caravan honrando o passado sem soar datado e com cara de novidade.

Nota 8.0

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Lost Society - a porradaria em "Braindead"

O Lost Society vem da Finlândia, foi formada em 2010 e chega a 2016 já lançando o terceiro disco completo, Braindead. A banda aposta no thrash metal com influências fortes das bandas dos anos 90 como Machine Head.

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Formada por Samy Elbana (vocal e guitarra), Mirko Lehtinen (baixo), Ossi Paananen (bateria) e Arttu Lesonen (guitarra), os caras acertaram em cheio na porradaria e algo que eu achei bastante legal foi terem colocado uma faixa mais cadenciada na abertura: I Am The Antidote, que mantem a pegada por mais de 6 minutos. Riot é dessas mais influenciada pelo thrash moderno, já Mad Torture volta à velha escola com aqueles riffs cavalgados e aquela bateria rápida de bumbo e caixa que todo thrasheiro se amarra. Uma das coisas interessantes desse disco é que os caras resolveram fazer uma homenagem ao Pantera e saíram completamente do lugar-comum: gravaram P.S.T. '88, do álbum Power Metal, de 1988, um dos discos que o Pantera fazia questão de não lembrar que existia. E a canção é ótima, sempre foi uma das minhas favoritas do Pantera.

Se algo próximo do que podemos chamar de balada neste disco é a faixa Only (My) Death is Certain, que de balada mesmo não tem nada, mas são 8 minutos de tensão e emoção em meio a momentos de calmaria e nervosismo.

O disco ainda tem Terror Hungry, uma versão meio feita para a rádio; não é ruim mas definitivamente não está dentre as melhores do disco. Sai completamente do clima e encerra de forma ruim.

Nota 8.0

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O som da semana: Fleshgod Apocalypse, Witchcraft e Ignite



Fleshgod Apocalypse

Marcha Royale abre o caminho para a destruição que se segue pelas 11 faixas seguintes deste quarto disco lançado pelos italianos do Fleshgod Apocalypse, King,que praticam um death metal técnico (desculpe a redundância)/ sinfônico. In Aeternum é a perfeita faixa de abertura após a introdução; épica ao estilo do grupo e tem o andamento certo para ser marcante e fazer o ouvinte não querer parar mais até o fim. Logo após vem Healing Through War, a melhor do disco, com riffs thrash em meio aos pandemônicos arranjos de orquestra. The Fool acelera um pouco mais enquanto a excelente Cold as Perfection dá uma quebrada no ritmo. O disco ainda tem as ótimas Syphilis, Gravity e a porrada Mitra. Um ótimo lançamento desses caras que com menos de 10 anos de existência já conquistaram uma base sólida de fãs e uma discografia correta.

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Witchcraft

Nucleus é o novo trampo do Witchcraft, banda sueca de hard/doom/stoner/psicodélico e qualquer outra coisa boa e similar que você queira nominar. Quinto trabalho dos caras, o segundo pela Nuclear Blast, o disco já abre com uma das melhores composições da banda, Malstroem, que tem quase 9 minutos, 3 deles dedicados à bela introdução que é seguida por vocais melódicos mas ao mesmo tempo melancólicos em uma base arrastada. Sensacional. A curtinha Theory of Consequense talvez seja um contraponto à primeira faixa pela duração e é igualmente boa. A quase dançante The Outcast, com diversas mudanças de clima, é outra que se destaca. A faixa-título é um épico de quase 15 minutos que é seguido pela carregada An Exorcism of Doubts. Aos que preferem os temas mais curtos e melódicos, a banda trouxe as ótimas To Transcend Bitterness e Chasing Rainbows. Excelente.

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Ignite 

Após 10 anos, os californianos do Ignite soltam um novo disco, A War Against You, que mantém as características da banda: o hardcore melódico característico daquela região da América. O vocalista Zoli Téglás é um excelente compositor tanto liricamente quanto melodicamente, criando refrãos marcante durande todo o disco. Begin Again, Nothing Can Stop Me, This Is a War e The Suffering são exemplos disso. O Ignite pode se orgulhar porque depois de fazer seus fãs esperarem 10 anos por um disco soltou um trabalho que de forma alguma não faz jus à sua discografia passada.


domingo, 10 de janeiro de 2016

Primal Fear: resenha de "Rulebreaker"

Uma das banda mais constantes do heavy metal, o Primal Fear chega ao seu 11° disco em 18 anos. Uma marca importante considerando que os intervalos entre lançamentos estão cada vez maiores desde os anos 90 em todos os gêneros do rock, incluindo o heavy metal. 


O nome do álbum é Rulebreaker, e tem o lançamento previsto para fins de janeiro. A banda liderada por Mat Sinner (baixista e produtor do disco) e Ralf Scheepers (vocal) continua praticando aquele power/speed metal característico, cheio de riffs pesados, grooves empolgantes e melodias interessantes, tanto do ponto de vista melódico quanto do aspecto técnico. As duas faixas que abrem o álbum são o perfeito exemplo de tudo isso: Angels of Mercy e The End is Near.

Bullet & Tears tem riffs pesadíssimos; a faixa-título tem um refrão memorável e belos fraseados de guitarra, já dá para arriscar que nasce um novo clássico da banda; In Metal We Trust tem todas as características para se tornar um dos pontos altos do show: tem a parte da galera cantar junto, tem solos de guitarra dobrados, tem o solo de bateria antecedendo o último grande refrão e tudo o mais.
Um dos maiores destaques do trabalho é  We Walk Without Fear, um épico de pouco mais de 11 minutos com bela performance de todos os músicos em uma canção que passeia por uma verdadeira montanha russa de emoções: tem as partes pesadas, rápidas, lentas, dedilhadas, trechos com teclados e o final com belas melodias de guitarra.

The Sky Is Burning é a balada do álbum, tem uma pegada diferente do usual da banda e tem um excelente refrão.

A banda conta ainda com o baterista Francesco Jovino (que substituiu o brasileiro Aquiles Priester) e os guitarristas Tom Naumann e Magnus Karlsson.

Excelente trabalho.

Nota 8.5


sábado, 9 de janeiro de 2016

Nas novas manifestações pelo passe livre a última coisa que os movimentos querem é o povo na rua

Muita gente boa se perguntando o porque de fazer manifestações pedindo um "bem comum para os trabalhadores e pobres" [pfff] descambando para a violência e e depredação onde justamente os mais prejudicados pela ação dos vândalos são os trabalhadores na volta para casa.

Isso obviamente tira deles o apoio popular que a causa necessitaria para ter sucesso, como teve em 2013 quando os governos decidiram cancelar o aumento das passagens.

E ainda tem quem acredite que as manifestações de Junho de 2013 começaram espontaneamente. O MPL, PSTU, PSOL e o Black Blocs agradecem pela sua boa vontade. O objetivo é manter nas ruas manifestações totalmente partidarizadas, com uma agenda politica e estatista.

Lembrem que em 2013 as manifestações do movimento passe livre deixaram de ser sobre os 0,20 centavos passando a ter reivindicações mais genéricas como mais saúde, educação a partir do momento que o aumento foi cancelado, ou seja as pessoas continuavam pedindo aquilo que o MPL queria: Mais estado.

Num determinado ponto as manifestações passaram para um motivo que tirou o foco do que pretendia o MPL: Corrupção no governo federal (algo que afetava diretamente o PT) e consequentemente abria passagem para pedidos de redução do estado. Criando um novo personagem na politica brasileira, o manifestante Coxinha.



As manifestações organizadas pelo MPL quase se tornaram um tiro que saiu pela culatra, pois ao invés de os protestos seguirem pela cartilha marxista contra os 0,20 centavos os protestos tomaram um rumo antipartidário. Reflexo da insatisfação do cidadão com toda classe politica e todo o sistema de democracia representativa, mas é óbvio que a população sequer entende esses conceitos. Os resultados são bastante questionáveis.

Preciso lembra-los que tão logo as manifestações se tornaram apartidárias, onde militantes de partidos de esquerda eram expulsos aos pontapés pelos "coxinhas", surgiu o segundo grande personagem de 2013: Os black blocs - pessoas mascaradas que surgiam infiltradas para causar tumulto, violência, e trazendo a tona novamente a truculência (agora justificada da policia) e dispersando as pessoas com medo da selvageria.

O resultado foi o esvaziamento das manifestações tendo somente o foco no vandalismo e o retorno de pedidos " de mais estado" por ditos "anarquistas" e "infiltrados".

O objetivo não é apoio popular. O objetivo é desde já controlar o foco das manifestações para que não saia da pauta de interesse esquerdista.

A última coisa que eles querem é o povo na rua. O que eles querem é o monopólio perdido da mobilização nas ruas e pautar a indignação das pessoas.


Mais: 

Black Blocs: Qual a necessidade de justificar a baderna?
http://shogunidades.blogspot.com.br/2013/10/black-blocs-qual-necessidade-de.html

2011 - O uso das aspas para desabonar manifestação legitima escancara a cara-de-pau governista...
http://shogunidades.blogspot.com.br/2011/10/o-uso-das-aspas-para-desabonar.html

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Full Metal Jacket - Axel Rudi Pell: 2016 começou, "Game of Sins" é bom

O primeiro disco vazado de 2016, ainda no final de 2015, foi o do guitar hero alemão Axel Rudi Pell que chega ao seu 16° álbum solo, Game of Sins.

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Desnecessário pontuar a qualidade do cara como guitarrista, que neste disco é acompanhado pelo vocalista Johnny Gioeli, tecladista Ferdy Doernberg, baixista Volker Krawczac e pelo já lendário baterista Bobby Rondinelli (que já passou por Black Sabbath e Rainbow).

Após a intro Lenta Fortuna, segue a excelente Fire, uma perfeita e explosiva faixa de abertura, cheia de riffs pesados e um refrão de arena. Perfeito o caminho aberto para a ótima e old school Sons in the Night com sua letra à lá "Sons of Anarchy". Essa dobradinha na abertura caiu muito bem e pavimentou para a épica faixa-título, quase 9 minutos muito bem trabalhados e empolgantes.

Um disco do Axel Rudi Pell sem baladas não soa bem. Por isso não existe... e aqui elas estão representadas com a bela 'Lost in Love', além de 'Till the World Says Goodbye' e 'Forever Free', que se não chegam a ser baladas propriamente ditas, possuem aquele elemento obscuro, pesado e lento.

'Falling Star, The King of Fools' e 'Breaking the Rules' são três excelentes porradas, com ótimos riffs e que se destacam também pela performance do vocalista Johnny Gioeli.

O disco termina com um ótimo cover de 'All Along the Watchtower', clássico de Bob Dylan/Jimi Hendrix.

Axel vem mantendo um bom nível em seus discos e Game of Sins é um ótimo sucessor para Into the Storm, outro bom trabalho lançado há 2 anos.

Nota 7.5

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)