Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Chester Bennigton e o sexto fosso de malebolge

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Chester Bennigton, mais uma alma torturada que não aguentou essa agonia que é viver. 

Há exatos um mês da chocante morte de Cris Cornell (Soundgarden, Audioslave) após suicidar-se por enformamento após consumir uma alta dosagem de antidepressivos e tranquilizantes o rock mundial precisa novamente passar por um trauma com o trágico fim de Chertes Bennigton, vocalista do Linkin Park. A banda que no inicio dos anos 2000 foi um sucesso estrondoso mundial e, à sua maneira, mantiveram a chama acesa numa época em que o Rock havia sido declarado morto.

Você tem todo o direito de não admirar ou torcer o nariz para o trabalho de Chester ou de sua banda. Assim como eu não gosto e sempre fiz piadas os chamando de "metal nutella". Mas é inegável que o Linkin Park foi a porta de entrada para o rock de muitos jovens que hoje estão curtindo os mesmos artistas que você.

E se você há exatos um mês atras estava lamentando a morte de Cris Cornell, porque a morte de Chester, que sou o mesmo método que Cornell para por um fim a sua vida agora lhe parece engraçado e digno de piadas?

Pessoas que lamentaram a morte de Chris Cornell fazendo piadas ou atacando a morte de Chester Bennigton. O inferno imaginado por Dante Alighieri tem um lugar especial dedicado a vocês: O sexto fosso de Malebolge:


"Os hipócritas estão vestidos com roupas brilhantes, atraentes, porém pesadas como o chumbo. Este é o peso que não sentiram na consciência ao fazerem maldades. No inferno, sentem o peso de seu falso brilho" 

Lá estarão vocês, os justiceiros sociais e todos os outros falsos moralistas.

Mas então você riu da morte de ambos. Deixe eu te dizer que isso não melhora em nada a situação e papel de idiota que está fazendo. É triste a postura dos próprios bangers ou rockeiros. Ninguém começa a ouvir rock/metal pra ser popular na escola, pra ser 'cool'. O rock é desde sua origem a música dos rejeitados, dos renegados, dos problemáticos dos que se sentem excluídos ou dos que veem algo errado no mundo ao seu redor. Abençoados sejam aqueles que entraram nesse meio de vida por uma herança que se passa de pai ou mãe pra filho, mas esses são à exceção da regra.

Nós somos 'Nietzscherianos', para nós todos "Deus está morto" e não há esperança. Não é a toa que tantos de nós se foram de forma precoce porque não souberam lidar com seus demônios. O Rock é a musica que nos apaziguá, nos desconecta do mundo e as vezes da vida de merda que vivemos. Só nos resta a irmandade. Ou deveria restar.

O "rock morreu", sentenciaram muitos anos atrás. Sim ele morreu, suicidou-se. Se entupiu de antidepressivos, teve uma overdose de heroína, cheirou cocaína até cair, se enforcou, morreu afogado no próprio vômito, deu um tiro na própria cara. Se matou após ver tantos de seus seguidores se tornando exatamente a imagem daquilo que ele nunca quis ser e nem se adaptar.

Ver "nossa gente" sacaneando a morte de "um dos nossos". É extremamente deprimente e repugnante.

Suicídio é uma tragédia que faz com que os familiares se sintam assassinos de seu ente. Você se considera insignificante, dispensável um estorvo aos seus familiares e acredita piamente que por fim a sua vida vai ser melhor para todos eles.

Mas talvez eu entenda vocês. É uma característica muito comum nas pessoas que vi fazendo piadas sobre a morte de Chester e de tantos outros, é que são todas pessoas sabidamente rancorosas, amargas tidas pelo seu meio como frustradas exatamente como eu era. Talvez vocês também precisem de ajuda.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Editorial: Chega de Messianismo

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Capa do Jornal Extra (o mais descaradamente esquerdista da grande mídia do Rio) Lula se corrompeu "pelo dinheiro dos ricos".

Antes ele era "puro" e foi a "elite capitalista" que o corrompeu? Não, isso é apenas uma desculpa esfarrapada para assumir o crime ao mesmo tempo tirando o peso da culpa dos ombros do "grande líder". É o bom e velho "duplipensar" de Orwell sendo bem usado por jornalistas mais comprometidos com uma ideologia que com a noticia.

Isso também é fruto do messianismo presente neste pais desde Vargas e que é um eterno câncer que não conseguimos eliminar da mente do Brasileiro. Prova disso que se fosse candidato a presidente Lula teria como maiores adversários outros dois políticos banhados desse messianismo Varguista populista: Ciro e Bolsonaro.
E isso precisa acabar, pro bem do pais o Brasil precisa parar de crer em messias e precisa compreender que todo humano é corruptível e que nenhum ideal é perfeito, principalmente aqueles que pregam uma sociedade perfeita.

Ideias como o socialismo, comunismo, até anarquismo (o qual eu admiro) não sobrevivem sem uma ótica Rousseana de que "todo mundo é bom", não é. O teste da REALIDADE sempre puseram essas ideias em terra quando colocadas em prática. Se pessoas não são boas, não será um estado formado por pessoas que será bom. Mas um estado mínimo, com uma força reguladora externa (seja a monarquia ou o parlamentarismo) livre da figura messiânica do presidente cheio de poderes será incapaz de conceder trocas de favores e benesses a "amigos do Rei" e consequentemente pode ser o melhor sistema para nosso pais extremamente corruptível e "Gersoniano".

Se liberais, conservadores e demais ramos da direita perceberem que essa narrativa do "se corrompeu pelo dinheiro dos ricos" é benéfica para defender o estado minimo e sobretudo os conservadores abandonarem o messianismo, essa narrativa pode ser bem usada contra aqueles que acham que um estado inchado e cheio de poderes é o sistema ideal, mesmo com provas irrefutáveis que isso deu certo em nenhum lugar onde foi implantado.

A esquerda não sobrevive sem o messianismo da pureza do socialismo e da sociedade ideal. E conservadores precisam também para de idolatrar "mitos".

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O MESTRE E A MARGARIDA – BASTA ME CHAMAR DE LÚCIFER




Depois de um longo hiato – provocado por razões profissionais (e algumas pessoais) – caro leitor deste humilde colunista, estou de volta com muitas obras para falar e muita música para indicar na já cativa coluna: Livros Para Ouvir.

Como os leitores desse blog sabem, essa coluna se propõe a mostrar livros que inspiraram canções de rock ‘n roll, gênero que me agrada e faz parte da minha formação cultural na origem e a obra abordada hoje é um clássico que inspirou uma das maiores bandas de rock do mundo e que é tema de um dos maiores clássicos desse gênero tão controverso. A banda? Rolling Stones. A canção? Simpathy for the Devil. O livro? O Mestre e a Margarida.

Escrito pelo autor ucraniano, Mikhail Bulgákov, o livro é considerado a maior obra da literatura russa no século XX e levou doze anos para ficar pronto, além de só ter sido publicado em 1966. Considerado satânico, foi proibido em vários países durante muitos anos, inclusive na então URSS por conta de seu conteúdo extremamente crítico ao regime comunista – do qual o autor era crítico ferrenho e opositor.

E toda essa polêmica foi causada a partir do próprio enredo. Nele, Lúcifer (sob a alcunha de Woland, um mago) chega à Moscou junto com um estranho séquito de demônios: Koroviev, Azazello e Behemoth, um gato que anda sobre duas patas e joga xadrez e provoca um grande estrago na vida dos habitantes da cidade durante a sua estadia. Em paralelo a isso, é narrado o enredo de um livro, cuja a história se passa em Jerusalém, no dia da crucificação de Jesus mostrando o diálogo inusitado entre Jesus e Pilatos.

Tendo o romance entre o Mestre e a Margarida, ele um escritor frustrado e autor do romance em questão, que tem sua obra recusada pelo governo para ser publicada; ela, uma jovem rica, casada e infeliz como pano de fundo para a narrativa, o texto é uma impactante crítica ao regime soviético (sem contar que durante muitos anos foi considerado uma obra satânica). E essa crítica é feita através da passagem de Woland (o Diabo em pessoa).

Através das mortes e punições promovidas por Woland, o autor do livro expõe toda a hipocrisia e problemas provocados pelo regime de Stalin. Ao levar a plateia do teatro ao extremo ridículo de brigar por pedaços de papel ou fazer com que mulheres saíssem nuas pelas ruas da capital russa, Bulgákov – através da personagem – mostra o quanto era gananciosa e sem escrúpulos a população do país. Passagens como o coral que começa a cantar sem vontade e sem se controlar ou o funcionário público que desaparece e sua roupa continua executando a sua tarefa mostram como era nocivo à sociedade a repetição de comportamentos forçada e a burocracia estatal.

O próprio personagem do Mestre é uma espécie de alter ego do autor. Por sua oposição ao regime stalinista, Bulgákov teve suas obras cerceadas pelo governo e colocado em ostracismo (por stalin apreciar suas peças, ele não foi morto pelo regime) pedindo ao ditador para sair do país para que pudesse publicar suas obras. Assim é com o Mestre (seu nome não é citado). Seu livro é recusado e ele entra em depressão, indo parar num hospício ao se ver sem sua amada, Margarida – inspirada na terceira esposa do autor – e sem o reconhecimento da sua obra.
Um livro que explora bastante o realismo fantástico, algo pouco comum na literatura russa de então, a obra deve ser apreciada tanto por sua narrativa inventiva e dinâmica quanto por sua crítica a um regime nefasto que dizimou milhões de pessoas durante as décadas em que foi mantido naquele e em outros países. Sua narrativa foi tão importante para a literatura mundial que não só os Rolling Stones foram inspirados pelo romance, até mesmo nomes de bandas, como o caso da banda de Black Metal, Behemoth, nome esse inspirado no gato infernal. Um abraço e até a próxima.


terça-feira, 6 de junho de 2017

Estado sendo Estado: Acredite se quiser. Customizar moto sem aprovação será crime


Por M.V Shogun, editor do Blog


Uma honda modificada para o estilo Café Racer

Se você como eu, é um apaixonado por motos e pela cultura de moto clubes, customização e "café racers" trago más noticias.

Vai entrar em vigor  a portaria do Contran 060/2017 que regula as 'modificações permitidas' em motos (LER OS ITENS 31 E 32. ANTERIORMENTE O ITEM 24 DA PORTARIA DE 2016 TRATAVA DISSO). Esta nova portaria, em sua amaldiçoada redação, dificulta - praticamente PROÍBE - toda a customização em motocicletas, exceto o sistema de iluminação, pneus e rodas. Basicamente usuários e oficinas de customização ficarão reféns de motos originais ou no máximo com um ou outro acessório.

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Esse tipo de transformação poderá ser crime

A portaria entra em vigor este mês - aparentemente prorrogado para agosto -, ou seja, salve-se quem puder. Se você está com um projeto de customização na reta final, é recomendado entrar com a papelada o quanto antes. Pra quem não tiver tempo de legalizar até a entrada em vigor da nova resolução do CONTRAN, uma boa estratégia a seguinte: Até o dia da entrada em vigor, ir ao Detran e pedir senha para o CSV. Em tese se ganha 2 meses.

Após entrar em vigor modificações visuais, iluminação e sinalização precisaram autorização do detran ou aprovação do inmetro. Não se trata somente de informar a modificação, ela precisará ser APROVADA. Ou seja, um mar de burocracia para que você possa fazer o que bem entender com aquilo que te pertence.

Nossas autoridades realmente não tem nada melhor para fazer ou com que se preocupar - além de ter seu nome envolvido em alguma delação - e decidiram criar uma portaria que proíbe customizações em motos, ignorando completamente a existência de toda uma cultura e mercado de nicho.

De qualquer forma, prepare-se para ser um infrator. Pois é assim que o governo nos trata. Tudo em nome da sua segurança.

Já corre um abaixo assinado pedindo a mudança no texto:

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=74582

sábado, 20 de maio de 2017

A DISTORÇÃO DA MORAL

O que é um relativismo moral.
Alguém justifica o escandaloso esquema perpetrado pelo Lulopetismo dizendo que em outros governos também houve corrupção, ilustrando inclusive governos de 40, 50, 100 anos atrás.
Ora, desde que o homem se organizou em sociedade e formou os primeiros Estados, há corrupção, alegar que outros foram corruptos é o mesmo que dizer que o sol é quente ou a água é molhada.
O que está em pauta não é o fato em si, mas sua moralidade. O PT sustentou seu nome com um discurso de superioridade moral, a figura do Lula carregava um ar mítico de alguém impoluto, o pobre que venceu. E o que aconteceu, ao assumirem o poder, foi o maior caso de corrupção da História moderna do Ocidente, de proporções pornográficas.
Então, comparar esse estupro da sociedade brasileira com qualquer outro caso na história do Brasil ou em qualquer país, é como comparar a Capela Sistina com um puxadinho do seu Zé Qualquer.

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)