"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores"- (Platão)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cada Cachorro que Lamba a sua Caceta

A frase-síntese de Tropa 2, “cada cachorro que lamba sua caceta”, é feia, pesada e obscena. Foi dita pelo Major Rocha (Sandro Rocha) – o mesmo que explicitou, numa aparição relâmpago no primeiro Tropa, a metáfora do conchavo: “Quem quer rir tem que fazer rir”.

Mas o que significa “cada cachorro que lamba sua caceta”?

Significa o paulista que vota em quem favoreceu São Paulo; o carioca que vota em quem favorece o Rio; o nordestino que vota em quem ajuda nordestino; o professor que vota em quem deu aumento para os professores; o PM que vota em quem deu aumento à PM; o médico que vota em quem deu aumento para os médicos; o camelô que vota em quem sustenta a prática dos camelôs.

Significa o seguinte: “O deputado Paulo Pilantra é bandido, mas mandou asfaltar a minha rua, então meu voto é dele.” “O deputado Paulo Pilantra é corrupto, mas é meu irmão, é meu amigo, então meu voto é dele.”

Portanto, a frase significa que não interessa quem é a pessoa ou o que ela representa para o País a médio ou longo prazo. O que interessa é o que essa pessoa pode fazer por mim, para que eu alcance os meus interesses pessoais, de preferência o mais rápido possível!

Significa o seguinte: “Paulo Pilantra não foi bom para a saúde. Que se dane! Eu não trabalho na saúde.” “Paulo Pilantra não foi bom para a educação. Que se dane! Eu não trabalho na educação.” “Paulo Pilantra alimentou uma das maiores redes de corrupção de que se tem notícia. Que se dane! Mesmo corrupto, ele me deu aumento.”

Ou seja, “cada cachorro que lamba a sua caceta” – versão grosseira para “farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

Uso esse texto para tentar fazer enxergar que quando alguem diz: "Fulano não é santo, mas fez muito pelo Rio". De alguma forma está assumindo que votou em um corrupto; porque de alguma forma foi beneficiado.

É esse tipo de raciocínio que faz com que existam no Congresso e no Senado as "bancadas religiosas", "bancadas dos cartolas do futebol", "bancada gay", "bancada militar" e assim por diante. Aqui no Rio ainda convivemos com uma "bancada do funk".

Eu tenho preferido anular meu voto na maioria dos cargos.

Um governante, um representante da sociedade deve governar para todos, mas não é isso que acontece. Me parece que se esquece que todos pagamos imposto, todos temos os mesmos direitos e deveres. Mas, preferimos nos dividir em sub-categorias.

No fundo, estamos todos lambendo nossas próprias cacetas. Procurando beneficio próprio e imediato. E é preciso entender que quando você esta fazendo isso, possivelmente alguem está saíndo prejudicado. E amanhã ele fará o mesmo, e o prejudicado será você.


Idéia e Texto Parcialmente Retirado do blog: Lingua em Transe

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