Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Nordic Union - hard rock melódico de alta qualidade!

O Nordic Union é a junção dos músicos Ronnie Atkins (vocal, Pretty Maids), Erik Martensson (guitarra, baixo, teclado, membro do W.E.T. e Eclipse) e Magnus Ulfstedt (bateria, também do Eclipse) para formarem uma banda de "melodic hard rock", mais conhecido como AOR.

O resultado está no debut lançado recentemente, intitulado apenas Nordic Union. O nome provavelmente vem do fato dos músicos serem divididos entre suecos e dinamarqueses.

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A faixa de abertura, The War Has Begun, é uma das melhores; extremamente empolgante e no segundo refrão você já está cantando junto. A pegada se mantem em Hypocrisy e Wide Awake.

A bela balada Every Heartbeat dá uma acalmada nos ânimos. 21 Guns é ótima e é mais rockão, direta. Falling tem melodias açucaradas, prato cheio para os fãs do gênero, assim como Point of No Return, que apesar de tudo tem um riff mais heavy metal.

A principal característica deste disco é que ele não perde o ritmo em momento algum. Não tem uma sequência de faixas ruins e fracas que quebram o andamento. Se você for fã do gênero pode ouvir do começo ao fim. Prova disso é a última faixa, Go, que é uma das melhores de todo o trabalho.

Ótimo.

8.0

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Bruno Sutter impressiona em primeiro disco "sério"

Não que o Massacration e Detonator não sejam sérios. O são. São sérios na arte de fazer zueira. Agora Bruno Sutter, alter ego de Detonator, lança seu primeiro trabalho como cantor solo, intitulado apenas como Bruno Sutter.

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O próprio cantor brinca que o "disco é uma mistura de Cannibal Corpse, Roupa Nova, Iron Maiden e Death" e que, tirando o Roupa Nova, a gente ouve de tudo um pouco realmente.

Antes de mais nada é preciso dizer que muita gente torce o nariz para o Sutter pelo fato de ele ser humorista e ter satirizado o próprio heavy metal com o Massacration e o personagem Detonator; porém, Bruno não é só realmente um grande fã como também é um excelente vocalista.
Bruno inclusive brinca com o lance de sempre vencer as enquetes do Whiplash! como melhor vocalista e compôs a sensacional The Best Singer in the World, uma das melhores do disco com um refrão memorável e belas frases de guitarra.

Falando nisso, o cara cantou, tocou guitarra (exceto a maioria dos solos que ficaram a cargo de diversos convidados como o conceituado Michel Leme) e baixo; a bateria ficou por conta de Bruno Valverde (Angra).

Esse disco mostra como o vocalista é um excelente compositor; a maioria das canções tem melodias memoráveis e estrofes e refrãos marcantes; pegue por exemplo My Boss Is a Corpse, GrAttitude, Troll e Stalker.

Na faixa Haters Gonna Hate é onde ouvimos mais claramente como até o metal extremo influenciou na composição do álbum; a faixa é uma porrada e tem direito até a guturais.

Outras porradas merecem destaque como Facing Temptation, Rebuilding Destruction, Provoke Yourself e a genial versão de Galopeira para encerrar.

A única coisa que senti falta foi de uma banda de suporte; se por um lado é admirável ouvir aquilo e saber que o cara gravou a maioria dos instrumentos, por outro torna-se algo mais dinâmico e fica mais com cara de banda.

Mas o disco foi feito graças a um crowdfunding (onde os fãs contribuem com um valor estipulado para ajudar o artista a realizar sua obra) e montar uma banda custaria muito mais grana.

A produção ficou a cargo do próprio Bruno, além de Renato Tribuzy e Wagner Bernardes.

Muita gente vai ter que dar o braço a torcer: o cara realmente lançou um puta disco e canta muito.

8.0

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Last in Line - antiga banda de Ronnie James Dio lança primeiro álbum


Em 1983, depois de já ter passado pelo Elf, Rainbow e Black Sabbath, Ronnis James Dio decidiu partir para a carreira solo e para isso juntou músicos de competência clara para tocar seus clássicos e novas composições: Vivan Campbell na guitarra, Jimmy Bain no baixo e Vinny Appice na bateria, a formação que gravou o debut Holy Diver (1983);  Claude Schnell entrou como tecladista para o álbum seguinte, The Last In Line (1984) e essa formação se manteve ainda em Sacred Heart (1985) The Dio E.P. (1986).

Aos poucos a formação da banda de Dio foi mudando e após a morte do vocalista, em 2010, os membros "originais" resolveram se juntar ao vocalista Andrew Freeman para tocar covers do Dio ao vivo sob o nome de Last in Line.

LAST IN LINE

Antes do lançamento do primeiro disco Heavy Crown, Schnell abandonou o grupo fazendo com que a formação "mais" original, a que gravou Holy Diver, é que entrasse em estúdio com a produção de Jeff Pilson (ex-baixista de Dio também). O futuro da banda ainda é incerto devido ao repentino falecimento de Jimmy Bain em meio à divulgação disco novo em uma turnê com o Def Leppard.

Musicalmente, Heavy Crown obviamente tenta resgatar aquela sonoridade clássica dos primeiros discos de Dio, e isso fica evidente em faixas como Devil In Me, com aqueles riffs característicos de Campbell. Martyr faz o papel daquelas composições mais rápidas à lá We Rock.

Algumas outras boas canções como I Am RevolutionStarmaker Orange Glow fazem o disco soar bom (apenas isso) de maneira geral; mas dada a expectativa criada em torno da ex-banda de Dio se reunir, acaba sendo um pouco decepcionante ao término das 12 faixas. Talvez se o disco fosse mais curto, com 8 ou 9 canções, a audição seria mais prazerosa.


6.0

Full Metal Jacket: Resenha de "Lugnet" -... Viva a Suécia!

Nas minhas pesquisas por bandas que ainda não conheço sempre que vejo que o grupo nasceu na Suécia eu já sei que as chances de me desagradar serão pequenas, independendo até do gênero. A Suécia tem uma cena forte de bandas de metal extremo melódicas e até mesmo de hard rock e melodic hard rock, porém o que o Lugnet pratica é um hard rock setentista, aquele som vintage que está em certa moda no meio do rock/heavy metal.

Formado por Roger Solander (vocais), Marcus Holten (guitarra), Fredrik Jansson (bateria), Lennart Zethzon (baixo) e Danne Jansson (guitarra), o Lugnet soltou o seu disco de estreia, autointitulado, e o disco é uma pedrada onde a banda toda mostra muito talento, tanto na execução como na composição.

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São 8 faixas pesadas que vão do hard rock básico e passam pelo blues, que é o mais próximo que tem de uma balada, como é o caso da linda Tears in the Sky. Os riffs rápidos de All The Way abrem o disco de forma impressionante; Sails lembra alguma coisa do Thin Lizzy (com mais peso). Em Veins os teclados pavimentam o terreno para uma das canções com mais feeling do álbum.

A segunda metade do trabalho tem a rápida It Ain't Easy, a roqueira Gypsy Dice (uma das melhores do disco), a pesadaça In the Still of the Water e o encerramento com a longa e viajante Into the Light, pouco mais de 10 minutos onde a banda passeia por um pouco de tudo que mostrou nas canções anteriores.


Excelente.

8.5

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DeWolff - Mais uma banda que resgata o passado com brilhantismo

Recentemente escrevi sobre o disco novo da banda The Temperance Movement, White Bear, e comentei como é bom ver bandas como essa ou como o Black Keys, o Blues Pills ou o Vintage Caravan, que soam modernas e atuais e ao mesmo tempo prestam uma bela homenagem à sonoridade psicodélica dos anos 60. E o grupo holandês DeWollf é mais uma grata surpresa nesse sentido. Eu não conhecia a banda e olhando em seu website vi que Roux-Ga-Roux já é o sétimo trabalho da banda, entre eps e discos ao vivo desde 2008, o que é um número considerável.

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A mistura de psicodelia, blues, hard rock e timbres sessentistas/setentistas nunca vai soar de mais para este que vos escreve.

Eu não passei impune ao órgão de Baby's Got a Temper, à introdução suingada de What's the Measure of a Man, ao blues de Black Cat Woman ou ao simples e eficiente solo de Easy Money. E dá-lhe fuzz e blues Outros temas como Love Dimension ainda destacam-se pelos belos vocais de apoio ou pelos longos improvisos blueseiros como Tired of Loving You.

Se está na moda tentar resgatar o rock psicodélico dos anos 60, eu espero que seja uma moda dessas bem duradouras. O DeWolff é formado por Pablo Van de Poel (vocal e guitarra), Luka Van de Poel (bateria) e Robin Piso (teclados, vocais).

Nota 8.5

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Full Metal Jacket: Dave Mustaine - Memórias do Heavy Metal (livro)

Quase cinco anos após seu lançamento tive a oportunidade de ler a autobiografia do criador e líder do Megadeth, Dave Mustaine, que foi lançado no Brasil pela editora Benvirá em 2013.
De facílima leitura - além de agradável - o livro é certeiro: Mustaine escreve sobre tudo o que o leitor quer saber. Não tem papo furado sobre infância, contos de avós, pais e tios, nada. Foca na música e na personalidade e vida pessoal de Dave de quando começou a se tornar um músico até os dias em que foi escrito.
Apesar de muitas vezes se colocar em uma posição de "o fodão" da história (inúmeros casos em que Dave se coloca como o cara que dá porrada em todo mundo, que era o mais corajoso da turma, que dava pontapé e soco em não sei quem, que viu James Hetfield ser covarde em ocasião que ele - Dave - se ferrou sozinho, etc, etc), ao mesmo tempo o próprio mostra como nunca, até os dias de hoje, aceitou bem sua saída do Metallica e que a maior parte da carreira do Megadeth foi baseada em superar o Metallica. Seja na qualidade da música, na agressividade, velocidade, como em vendas e reconhecimento.
Dave detalha como foi a traumática expulsão que sofreu no Metallica, assim como fala um pouco sobre como foi se encontrar com Lars na gravação do fatídico documentário "Some Kind of Monster", do Metallica. Também passa por suas internações, problemas com membros da banda, problemas pessoais, opiniões sobre política, polêmicas com bandas anticristãs e uma série de fatos que são interessantes para todos os fãs.
De um jovem drogado (e traficantezinho), briguento, que foi expulso da banda de sua vida e teve que encarar uma viagem de 4 dias de volta para casa sem um dólar no bolso a líder de uma das maiores bandas de heavy metal da história, criada pelo puro ódio ao acontecimento anterior, cuja vida foi recheada de polêmicas, das internações em clínicas de reabilitação até o momento de sua conversão ao cristianismo, Dave Mustaine faz de Memórias do Heavy Metal um desabafo sincero e acima de tudo um exemplo de superação.
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sábado, 30 de janeiro de 2016

Dream Theater ousa com disco duplo e distópico

Resenha de fã é complicada... como diz o professor Regis Tadeu, todo fã é um idiota. Eu sou fã do Dream Theater, logo sou idiota? Tentarei não ser... 

Eis que o quinteto de metal progressivo lança seu novo álbum, The Astonishing, o terceiro consecutivo com a atual formação (James LaBrie no vocal, John Petrucci na guitarra, John Myung no baixo, Jordan Rudess nos teclados e Mike Mangini na bateria) e que foi mais uma vez produzido por John Petrucci, que desta vez além da produção cuidou das letras do trabalho, que é o primeiro disco conceitual do Dream Theater em quase quinze anos. The Astonishing é duplo e possui uma quantidade enorme de faixas, são 20 no primeiro cd e mais 14 no segundo. Fica impossível fazer uma resenha do tipo "faixa a faixa" até mesmo porque um disco dessa magnitude merece algumas boas e focadas audições antes de qualquer coisa. 



A história é interessante - apesar de um pouco clichê -, trata-se de uma distopia que se passa em 2285 onde a música não é mais praticada por seres humanos e somente por máquinas, e um grupo de rebeldes tenta derrubar o Grande Império do Norte, que controla o lugar. Ao longo das 34 faixas em pouco mais de 2 horas você escuta as aventuras de personagens como Gabriel, Evangeline, Arhys, Imperador Nafaryus, Faythe, entre outros.
Quando a lista de canções do álbum foi totalmente divulgada eu imaginei que ao menos umas 15 dessas 34 faixas seriam aqueles prelúdios e interlúdios que duram menos ou pouco mais de 1 minuto e que geralmente são passagens instrumentais climáticas ou diálogos, mas para a minha absoluta surpresa, das 34 faixas apenas umas 5 tem essas características. O restante são canções completas mesmo; nada de grandes suítes desta vez. A canção mais longa tem 7 minutos e 40 segundos. 
Musicalmente tem a melhor sonoridade dos discos com Mike Mangini, o bumbo está mais nítido aqui e a timbragem dos demais instrumentos está melhor também. Ficou claro ao ouvir o disco de cabo a rabo que Jordan Rudess teve um papel importante na composição e falar da execução é chover no molhado, Rudess é de fato um dos grandes tecladistas da história; John Myung dispensa maiores comentários, o cara é um monstro; o já citado Mike mangini teve uma performance absurda e está muito mais solto dentro da banda e eu já o imagino fazendo aquelas caretas engraçadas tocando alguns temas desse disco ao vivo; deixo para o final os dois destaques individuais: James LaBrie fez um disco perfeito. Além de interpretar todos os personagens (é bom lembrar que isso aqui é uma ópera rock, com diversos personagens, teoricamente parecido com o que faz o Avantasia com 10 vocalistas diferentes, por exemplo), LaBrie não exagerou nas notas altas como tem costume e gravou um disco absolutamente correto. E John Petrucci... o grande idealizador da história, do conceito, o produtor e líder. Um monstro sagrado do instrumento (calma, fã! calma!) fez em The Astonishing alguns dos seus riffs e solos mais marcantes da carreira.
Como eu já escrevi, impossível aqui comentar faixa a faixa, o que digo é: se você gosta da banda, gosta de rock e metal progressivo, tire um tempo e escute o disco do início ao fim. 
A minha favorita? Our New World. Um hard rock melódico com um riff delicioso, as linhas de bateria são excelentes (old school, estilo Portnoy) e um refrão marcante. 
Outros destaques: a instrumental Dystopian Overture é um show à parte, com seus altos e baixos e clima circense. The Gift Of Music foi uma ótima escolha para primeiro single e The Answer é tão linda que dá até pena que ela não tenha nem 2 minutos. Eu gostei dessa abordagem mais circense também em Lord Nafaryus. As melodias iniciais the A Savior in the Square são emocionantes. A New Beginning também é um dos destaques do disco 1.
No disco 2 tem a já citada Our New World, a faixa que dá nome ao álbum, o segundo single Moment of Betrayal, a pesada The Walking Shadow e a emocionante Losing Faythe.
Meu lado fã daria uma nota 9 porque, como nem tudo é perfeito, 34 faixas é MUITA coisa e uma ou outra canção sempre acaba não sendo tão empolgante assim; nada que tire os méritos da história, dos músicos ou que arruine o andamento do disco. Meu lado blogueiro dá nota 9 também, pelos mesmos motivos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A Dystopia do Megadeth: que bom que a formação clássica não se reuniu!

O Megadeth andava um pouco desacreditado após o fraco Super Collider, de 2013, e apesar de eu considerar Thirteen (2011) e Endgame (2009) ótimos álbuns, muitos fãs achavam que a banda estava no piloto automático lançando discos razoáveis e com uma formação que, apesar de competente, não demonstrava tanto sentimento.
Mudanças ocorreram: Chris Broderick (guitarra) e Shawn Drover (bateria) se mandaram no fim de 2014, restando os membros originais Dave Mustaine (voz e guitarra) e David Ellefson (baixo) sendo acompanhados por uma sombra da imprensa afirmando que a formação clássica da banda, um dos pilares do thrash metal, com Nick Menza (bateria) e Marty Friedman (guitarra) se reuniria. Até houve o contato e alguns ensaios, mas não deu certo.
E quando todos esperavam que Mustaine contrataria mais dois bons músicos, mas que nada acrescentariam no som da banda, eis que surgem os boatos - mais uma vez verdadeiros - de que a formação seria um verdadeiro dream team de músicos competentes: Chris Adler, o monstruoso baterista do Lamb of God, e Kiko Loureiro, o incrivelmente habilidoso guitarrista do Angra.
O fruto desta união é Dystopia, o tão aguardado novo disco do Megadeth, lançado em 20 de janeiro, que foi produzido pelo líder Mustaine e por Chris Rakestraw.
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Apesar de composto quase inteiramente por Mustaine, três excelentes faixas recebem créditos também do brasileiro: Post American WorldPoisonous Shadows e a instrumental Conquer or Die! Curiosamente são as 3 composições mais "diferentes" do álbum. Não saem do padrão da banda, mas apresentam alguns sintetizadores, passagens de piano (executadas por Kiko) e em geral um clima tenso marcam essa trinca de maneira especial.
As melhores faixas do disco já estão logo na abertura com a paulada The Threat is Real, cheia de riffs e solos maravilhosos, Dystopia com seu ritmo crescente, uma canção que te leva a algum lugar, na mesma pegada da clássica Hangar 18, e Fatal Illusion, tecnicamente perfeita e uma linha de baixo marcante; todas mostrando um novo Megadeth, não em sonoridade mas em vigor, energia e até em técnica. Kiko pode não ter participado ativamente da composição, mas a execução é ótima, os solos são memoráveis, daqueles que os fãs vão decorar as notas, e Chris Adler é, repito, um monstro e o melhor: o Megadeth é uma de suas bandas favoritas da adolescência. O cara além da técnica traz a paixão de um fã tocando em uma de suas bandas favoritas.
Uma curiosidade mórbida: fiquei um pouco aliviado ao ouvir o disco que a partir da terceira faixa, a menos que tenha passado batido, não se escuta a palavra câncer, que marca presença nas duas primeiras faixas do álbum.
A minha favorita é Lying in State, uma porrada de 3 minutos e meio com ótimos riffs e letra idem. Aliás, Dave Mustaine é um dos melhores letristas de thrash metal e suas canções continuam tratando sobre os temas de política mundial, violência, o cotidiano de um cidadão e, claro, distopias. O próprio título do disco, segundo o próprio líder da banda, foi inspirado por distopias como Os 12 Macacos, O Planeta dos Macacos, Minority Report, Total Recall, 1984 A Revolução dos Bichos.
Dave Mustaine é diferenciado. E tem outros 3 caras diferenciados trabalhando com ele. É o melhor disco da banda em muitos anos. Talvez seja uma das poucas ocasiões na história do heavy metal que podemos dizer: "que bom que a formação clássica não se reuniu".
8.5

domingo, 24 de janeiro de 2016

O novo hard n' blues de Londres: The Temperance Movement

O The Temperance Movement chegou ao seu segundo disco, White Bear, agora em janeiro de 2016, quase três anos após seu debut homônimo de 2013, que mostra mais uma banda apostando na nostalgia da sonoridade psicodélica dos anos 60 e 70 e na mistura do blues com o hard rock. Prato cheio para quem gosta desse tipo de som e também parece quem gosta de southern rock, embora a banda seja de Londres, na Inglaterra.

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A banda foi formada em 2011 e hoje conta com o vocalista Phil Campbell, o guitarrista Paul Sayer, o baixista Nick Fyffe (que já tocou no Jamiroquai) e pelo baterista Damon Wilson, que trazem um som coeso e com cara de experiente; nada em White Bear soa como uma banda praticamente novata. A mistura de belas melodias vocais com a timbragem antiga e o blues fazem desse um disco gostoso de ouvir do início ao fim.

Three Bullets e Get Yourself Free mostram a que a banda veio. A Pleasant Peace I Feel é uma balada que explora a psicodelia da banda enquanto Modern Massacre traz algo mais agressivo (sem sair do gênero praticado pelo grupo). Battle Lines é suingada e ótima, uma das melhores do trabalho. A faixa título não fica atrás e é uma das mais southern aqui presentes.

Destaque ainda para The Sun and Moon Roll Around Too Soon, uma das mais gostosas do disco, e pelo encerramento com a lindíssima balada I Hope I'm Not Losing My Mind. É muito bom perceber que, em meio a um dos piores momentos da história do rock no mainstream, ainda há bandas como o The Temperance, ou o The Black Keys, o Blues Pills ou o The Vintage Caravan honrando o passado sem soar datado e com cara de novidade.

Nota 8.0

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Som da semana: estreia solo de Abbath, tributo ao Metallica e despedida de David Bowie

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O  ex-vocalista e guitarrista do Immortal, Abbath Doom Occulta (me amarro nesses nomes) se aventura em seu primeiro disco solo, autointitulado, após deixar a banda; mas não espere nada diferente de sua ex-banda. É o mesmo tipo de black metal e, sinceramente, é muito foda. Particularmente não sou um apreciador do gênero, mas o Immortal é uma banda que sempre gostei. O grande destaque do disco é Root of the Mountain, que alterna momentos mais lentos com outros mais rápidos, mas completamente cadenciada. To War é excelente e tem alguns riffs mais thrash e death metal por aqui e ali; Winter Bane Fenrir Hunts são outras que merecem uma boa ouvida a todo volume.




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Tributo ao Metallica
Eu tenho um cansaço natural com discos tributo talvez porque uma minoria me agradou de verdade; acho que já vi muito mais discos bons de uma banda que decide gravar um disco de covers do que várias bandas interpretando o som de uma em um disco só. Aqui é meio diferente, em A Tribute to Metallica - Master of Puppets são 8 bandas interpretando somente um disco do Metallica, o clássico Master of Puppets. Destaques: Ensiferum em Battery, Tankard em Damage Inc., Bullet For My Valentine em Welcome Home (Sanitarium) e o Trivium em uma estupenda versão da faixa que dá nome ao disco. Já as outras 4 bandas não me agradaram e infelizmente o Mastodon está entre elas; sua versão de Orion me pareceu muito despretensiosa e deveras mal produzida. O Afflicted assassinou Leper Messiah com um timbre de guitarra horrível. John Garcia em That Thing That Should Not Me e Chimaira com Disposable Heroes não foram um total decepção mas também não fizeram nada demais.


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David Bowie

Agora que já passaram-se alguns dias de sua morte já posso postar algo relacionado a isso sem que as pessoas pensem que é "coisa do momento" ou "oportunismo"; eu já havia me manifestado que não gostei nem um pouco de Blackstar, o último disco do cantor lançado dois dias antes de sua morte. Reescutei o álbum para traçar essas linhas com o pensamento de que o cara já sabia que iria morrer e que, como disse seu produtor Tony Visconti, queria fazer um álbum de despedida. Consegui compreender toda a melancolia que envolve as 6 faixas, mas continuei não gostando do disco como um todo. Faço exceção à faixa Lazarus, que ao ouvir a letra e assistir ao vídeo fica perceptível a mensagem que Bowie quis passar para quem gosta de sua música e é um troço simplesmente emocionante a partir do momento em que você se toca sobre todas as mensagens - já não tão - subliminares da letra, uma verdadeira carta de despedida. O resto do álbum definitivamente não me agradou.
(não sei por qual motivo o link para o clipe original não podia ser postado)




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Lost Society - a porradaria em "Braindead"

O Lost Society vem da Finlândia, foi formada em 2010 e chega a 2016 já lançando o terceiro disco completo, Braindead. A banda aposta no thrash metal com influências fortes das bandas dos anos 90 como Machine Head.

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Formada por Samy Elbana (vocal e guitarra), Mirko Lehtinen (baixo), Ossi Paananen (bateria) e Arttu Lesonen (guitarra), os caras acertaram em cheio na porradaria e algo que eu achei bastante legal foi terem colocado uma faixa mais cadenciada na abertura: I Am The Antidote, que mantem a pegada por mais de 6 minutos. Riot é dessas mais influenciada pelo thrash moderno, já Mad Torture volta à velha escola com aqueles riffs cavalgados e aquela bateria rápida de bumbo e caixa que todo thrasheiro se amarra. Uma das coisas interessantes desse disco é que os caras resolveram fazer uma homenagem ao Pantera e saíram completamente do lugar-comum: gravaram P.S.T. '88, do álbum Power Metal, de 1988, um dos discos que o Pantera fazia questão de não lembrar que existia. E a canção é ótima, sempre foi uma das minhas favoritas do Pantera.

Se algo próximo do que podemos chamar de balada neste disco é a faixa Only (My) Death is Certain, que de balada mesmo não tem nada, mas são 8 minutos de tensão e emoção em meio a momentos de calmaria e nervosismo.

O disco ainda tem Terror Hungry, uma versão meio feita para a rádio; não é ruim mas definitivamente não está dentre as melhores do disco. Sai completamente do clima e encerra de forma ruim.

Nota 8.0

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O som da semana: Fleshgod Apocalypse, Witchcraft e Ignite



Fleshgod Apocalypse

Marcha Royale abre o caminho para a destruição que se segue pelas 11 faixas seguintes deste quarto disco lançado pelos italianos do Fleshgod Apocalypse, King,que praticam um death metal técnico (desculpe a redundância)/ sinfônico. In Aeternum é a perfeita faixa de abertura após a introdução; épica ao estilo do grupo e tem o andamento certo para ser marcante e fazer o ouvinte não querer parar mais até o fim. Logo após vem Healing Through War, a melhor do disco, com riffs thrash em meio aos pandemônicos arranjos de orquestra. The Fool acelera um pouco mais enquanto a excelente Cold as Perfection dá uma quebrada no ritmo. O disco ainda tem as ótimas Syphilis, Gravity e a porrada Mitra. Um ótimo lançamento desses caras que com menos de 10 anos de existência já conquistaram uma base sólida de fãs e uma discografia correta.

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Witchcraft

Nucleus é o novo trampo do Witchcraft, banda sueca de hard/doom/stoner/psicodélico e qualquer outra coisa boa e similar que você queira nominar. Quinto trabalho dos caras, o segundo pela Nuclear Blast, o disco já abre com uma das melhores composições da banda, Malstroem, que tem quase 9 minutos, 3 deles dedicados à bela introdução que é seguida por vocais melódicos mas ao mesmo tempo melancólicos em uma base arrastada. Sensacional. A curtinha Theory of Consequense talvez seja um contraponto à primeira faixa pela duração e é igualmente boa. A quase dançante The Outcast, com diversas mudanças de clima, é outra que se destaca. A faixa-título é um épico de quase 15 minutos que é seguido pela carregada An Exorcism of Doubts. Aos que preferem os temas mais curtos e melódicos, a banda trouxe as ótimas To Transcend Bitterness e Chasing Rainbows. Excelente.

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Ignite 

Após 10 anos, os californianos do Ignite soltam um novo disco, A War Against You, que mantém as características da banda: o hardcore melódico característico daquela região da América. O vocalista Zoli Téglás é um excelente compositor tanto liricamente quanto melodicamente, criando refrãos marcante durande todo o disco. Begin Again, Nothing Can Stop Me, This Is a War e The Suffering são exemplos disso. O Ignite pode se orgulhar porque depois de fazer seus fãs esperarem 10 anos por um disco soltou um trabalho que de forma alguma não faz jus à sua discografia passada.


domingo, 10 de janeiro de 2016

Primal Fear: resenha de "Rulebreaker"

Uma das banda mais constantes do heavy metal, o Primal Fear chega ao seu 11° disco em 18 anos. Uma marca importante considerando que os intervalos entre lançamentos estão cada vez maiores desde os anos 90 em todos os gêneros do rock, incluindo o heavy metal. 


O nome do álbum é Rulebreaker, e tem o lançamento previsto para fins de janeiro. A banda liderada por Mat Sinner (baixista e produtor do disco) e Ralf Scheepers (vocal) continua praticando aquele power/speed metal característico, cheio de riffs pesados, grooves empolgantes e melodias interessantes, tanto do ponto de vista melódico quanto do aspecto técnico. As duas faixas que abrem o álbum são o perfeito exemplo de tudo isso: Angels of Mercy e The End is Near.

Bullet & Tears tem riffs pesadíssimos; a faixa-título tem um refrão memorável e belos fraseados de guitarra, já dá para arriscar que nasce um novo clássico da banda; In Metal We Trust tem todas as características para se tornar um dos pontos altos do show: tem a parte da galera cantar junto, tem solos de guitarra dobrados, tem o solo de bateria antecedendo o último grande refrão e tudo o mais.
Um dos maiores destaques do trabalho é  We Walk Without Fear, um épico de pouco mais de 11 minutos com bela performance de todos os músicos em uma canção que passeia por uma verdadeira montanha russa de emoções: tem as partes pesadas, rápidas, lentas, dedilhadas, trechos com teclados e o final com belas melodias de guitarra.

The Sky Is Burning é a balada do álbum, tem uma pegada diferente do usual da banda e tem um excelente refrão.

A banda conta ainda com o baterista Francesco Jovino (que substituiu o brasileiro Aquiles Priester) e os guitarristas Tom Naumann e Magnus Karlsson.

Excelente trabalho.

Nota 8.5


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Full Metal Jacket: Anthrax - "For All Kings" é o melhor em muito tempo

Cinco anos após o excelente Worship Music, que trouxe o vocalista Joey Belladonna de volta à banda, o Anthrax reaparece no mercado fonográfico com For All Kings, seu melhor trabalho em muitos, muitos anos.

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Repaginado com uma nova formação, agora com o guitarrista solo Jon Donais no lugar de Rob Caggiano, acompanhando o guitarrista Scott Ian, o baixista Frank Bello e o baterista Charlie Benante, a banda apresenta um trabalho sólido e constante, sendo bom por inteiro e não alternando bons momentos com outros "nem tanto" como os discos lançados no meio dos anos 90 e na primeira década de 2000. Por outro lado, chega a ser estranho pensar que este é apenas o quarto disco do Anthrax lançado de 1998 até hoje. Já são quase 20 anos!

Se Worship Music serviu para mostrar que a banda "estava de volta" no sentido de lançar um grande disco, For All Kings veio para consolidar isso.

Riffs, bases e grooves animais, cozinha matadora e um vocalista que sabe colocar sua voz nos tons e momentos certos fazem desse disco um trabalho fácil de ser apreciado do início ao fim.

'You Gotta Believe' abre o trabalho com seus mais de 7 minutos de bateção de cabeça. Monster at the End dá uma desacelerada e prepara o caminho para a grooveada faixa-título.

Suzerain é pesada e melódica, Belladonna conseguiu colocar boas melodias vocais; 'This Battle Chose Us' soa mais tradicional enquanto 'Zero Tolerance' fecha o disco com uma porrada no ouvido.
A excelente 'Evil Twin', com riffs certeiros, teve sua letra inspirada nos ataques à sede da revista Charlie Hebdo, na França.

Valeu a espera, o Anthrax soltou um grande disco que consolida de vez a nova "velha" formação de um dos grandes do thrash metal mundial.

Nota 8.0



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Full Metal Jacket - Axel Rudi Pell: 2016 começou, "Game of Sins" é bom

O primeiro disco vazado de 2016, ainda no final de 2015, foi o do guitar hero alemão Axel Rudi Pell que chega ao seu 16° álbum solo, Game of Sins.

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Desnecessário pontuar a qualidade do cara como guitarrista, que neste disco é acompanhado pelo vocalista Johnny Gioeli, tecladista Ferdy Doernberg, baixista Volker Krawczac e pelo já lendário baterista Bobby Rondinelli (que já passou por Black Sabbath e Rainbow).

Após a intro Lenta Fortuna, segue a excelente Fire, uma perfeita e explosiva faixa de abertura, cheia de riffs pesados e um refrão de arena. Perfeito o caminho aberto para a ótima e old school Sons in the Night com sua letra à lá "Sons of Anarchy". Essa dobradinha na abertura caiu muito bem e pavimentou para a épica faixa-título, quase 9 minutos muito bem trabalhados e empolgantes.

Um disco do Axel Rudi Pell sem baladas não soa bem. Por isso não existe... e aqui elas estão representadas com a bela 'Lost in Love', além de 'Till the World Says Goodbye' e 'Forever Free', que se não chegam a ser baladas propriamente ditas, possuem aquele elemento obscuro, pesado e lento.

'Falling Star, The King of Fools' e 'Breaking the Rules' são três excelentes porradas, com ótimos riffs e que se destacam também pela performance do vocalista Johnny Gioeli.

O disco termina com um ótimo cover de 'All Along the Watchtower', clássico de Bob Dylan/Jimi Hendrix.

Axel vem mantendo um bom nível em seus discos e Game of Sins é um ótimo sucessor para Into the Storm, outro bom trabalho lançado há 2 anos.

Nota 7.5

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Iron Maiden: The Book of Souls faz a espera valer a pena

Uma coisa já é praticamente consenso: The Book of Souls é o melhor trabalho do Maiden desde Brave New World (2000).

O fato é que os anos passam e as bandas antigas ficam cada vez mais tempo sem lançar álbuns novos de estúdio – a indústria fonográfica mudou radicalmente nos últimos 20 anos e o fato de shows terem passado a ser a maior fonte de renda de uma banda ajudou nisso -, e os fãs do Iron Maiden aguardam ansiosos há cinco anos, desde The Final Frontier, por um novo trabalho do sexteto britânico.

O recente diagnóstico de câncer na língua do vocalista Bruce Dickinson assustou a todos, que temeram não só pela saúde do baixinho, mas como por um atraso longo na gravação e lançamento. Porém, a doença foi descoberta após as gravações – o que faz admirarmos ainda mais a performance vocal de Bruce no disco.

Mas eis que após a recuperação do vocalista, o Iron Maiden lançou finalmente The Book of Souls, com produção do “sétimo membro” Kevin Shirley, e gravado em Paris, no mesmo estúdio onde fizeram o já clássico e citado Brave New World.

A capa com o Eddie simples e um fundo preto chamou atenção dos fãs.


If Eternity Should Fail, composição de Bruce, é a abertura. Diferente do que se espera do Iron Maiden, uma introdução climática, com Bruce cantando sozinho, até que depois de um minuto e meio a velha Donzela surge com seus riffs cavalgados e guitarras “gêmeas”. Um refrão que com certeza será cantado por estádios lotados pelo mundo todo. Destaco também Nicko McBrain, um dos bateristas mais reconhecíveis da história. Ele tem o som dele, o tom dele e você sabe exatamente que é ele tocando com no máximo duas batidas. Trabalha para a canção e ao mesmo tempo se destaca.

Speed of Light foi escolhida para primeiro single e não é de se estranhar, uma das faixas mais curtas e diretas do disco; tem boas influências do hard rock setentista nos riffs (um quêzinho de Blackmore aqui e ali). Típica canção que vai entrar para o hall dos clássicos compostos em parceria do vocalista com Adrian Smith, um dos três donos das seis cordas do grupo.

The Great Unknown é a primeira faixa que o baixista – e CEO da banda - Steve Harris assina a aparecer. Parceria com Smith e lembra os tempos de A Matter of Life and Death (2006). Outro refrão que vai soar bem ao vivo e belos solos. É de praxe em todo disco do Maiden ter o grande épico do baixista – e aqui ele vem logo na quarta faixa, com The Red and the Black, que já inicia com acordes de baixo (que se repetem no final) e não há dúvidas que será uma das que marcarão presença no novo set list da banda. Tem tudo para levantar a plateia com seu ôoo-ôoo-ôoo. A sequência de solos é arrebatadora e uma das guitarras seguindo o vocal de Bruce pela canção deu um algo a mais na faixa.

When the River Runs Deep parece ter saído direto da fase Somewhere in Time (1986) e Seventh Son of a Seventh Son (1988), mais uma composição de Adrian Smith – aliás, já deu para perceber que o cara é um dos destaques aqui. Direta, rápida, pesada e com mais riffs setentistas no meio. Tem cara daquelas canções que Steve Harris colocará no show logo depois de algum grande épico para dar aquela agitada no público. O primeiro CD termina com a faixa-título com seus mais de dez minutos de duração. Dramática, tensa, é praticamente dividida em duas partes: a primeira mais teatral e enternecedora, enquanto a segunda parte é o típico Maiden de solos e bases rápidas com Bruce cantando até a alma no final. Ponto para Janick Gers, parte do trio de guitarristas, que assina a canção com Harris.

O segundo CD vem com outra típica composição de Smith/Dickinson: Death or Glory. Uma paulada de respeito, com esse título Manowarzístico e um refrão onde Bruce me faz ter a certeza de que ele é o maior vocalista de heavy metal de todos os tempos. Não é a canção onde ele alcança os maiores tons nem nada disso, é apenas pelo simples encaixe de melodias e performance vocal, aliados a idade do vocalista (é só parar para pensar em como estavam as vozes de outros grandes nomes do heavy metal aos 57 anos). Agora é a vez de Janick Gers aparecer novamente em parceria com Harris para Shadows of the Valley; impossível não lembrar de “Wasted Years” na introdução. Curiosamente, apesar dessa lembrança dos “Golden years”, a faixa como um todo me lembrou o álbum Dance of Death (2003). É boa.

Tears of a Clown é aquela que homenageia Robin Willians (comediante americano que se matou devido à depressão) que não é bem uma homenagem a Robin Williams. A situação de um comediante ter depressão e acabar cometendo suicídio por isso inspirou a composição de Smith e Harris (que dupla!). Musicalmente é uma das canções mais interessantes de toda a discografia do Iron Maiden por explorar um território de tempos mais quebrados e um ritmo lento. O Maiden vem constantemente sendo classificado como uma banda mais progressiva nos últimos 20 anos devido às canções mais longas com longas introduções, que já viraram características da banda. Mas foi com essa canção, a mais curta aqui, que o Iron Maiden realmente abraçou o prog. O refrão dramático com mais uma performance matadora de Bruce – ao mesmo tempo que lembra “Coming Home”, de The Final Frontier (2010), lembra também algo da carreira solo de Bruce – coroa a faixa.

Vamos chegando ao fim dessa grande obra dramática que é The Book of Souls. É como se fosse a trilha sonora de um filme. Eu até agora não consegui escutar as faixas aleatoriamente. Quando começo escutar a primeira vou até a última e uma hora e meia passam como num piscar de olhos. The Man of Sorrows é uma parceria de Dave Murray, mais um dos guitarristas, que raramente assina alguma música nos discos da banda, com Steve Harris. É uma pseudo-balada, que evolui de belas melodias de guitarra e vocal no início para uma levada trágica (no sentido dramático da coisa) que vai até o fim.

E por fim, talvez a mais aguardada, Empire of the Clouds. O álbum começa e termina com composições de Bruce Dickinson sozinho. Com mais de 18 minutos de duração era a mais esperada pelos fãs a ser ouvida, justamente pelo seu tamanho, que já é a maior faixa gravada pelo Iron Maiden. Há quem esperasse algo na linha de “Rime of the Ancient Mariner” (de Powerslave, 1984), mas o que veio surpreendeu a muitos: pianos tocados pelo próprio Bruce dominam a faixa até cerca dos 4 minutos, quando o resto da banda entra de vez. As melodias vocais são incríveis e daquelas que já ficam na cabeça de primeira. A letra é tocante e a interpretação magnânima. O instrumental não deixa a peteca cair em momento nenhum. Seja nas partes lentas, rápidas, nas partes mais progressivas ou épicas. Seria um deleite assistir essa canção ao vivo, mas duvido muito que seja incluída no set list. Encerramento digno de um trabalho sem igual na história da banda.

A capa com o Eddie original foi criado por Mark Wilkinson e chamou atenção pela simplicidade. Nada de grandes desenhos. Apenas Eddie e um fundo preto. Um belo contraste com o disco que é uma verdadeira viagem de grandes emoções.

Nota 9.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Crown of Scorn - Agenda 21

Criado em 2012, em Hartford, Connecticut (EUA), o Crown of Scorn tem hoje em sua formação quatro músicos americanos - Don Dummond e Rob Cadrain nas guitarras, Steve Grayson no baixo e Alan Alsheimer na bateria - e um brasileiro, o vocalista Allyan Lopes. 

Agenda 21 (Black Legion Productions / All Dead Records) é o primeiro disco completo dos caras, foi produzido pela própria banda acompanhada por Steve McCabe.

O trabalho de arte gráfica merece ser destacado. Feito por Gustavo Sazes, que já trabalhou com bandas como Morbid Angel e Angra, o trabalho de capa, encarte e até mesmo da pintura do cd seguem o conceito lírico da banda, que aposta em letras de cunho político e social da cultura americana.



Musicalmente a banda acerta em cheio para quem gosta de um thrash/death metal agressivo, moderno e bem trabalhado, bem composto, com bastante groove e que não deixa a empolgação ir embora em momento algum da audição. A quantidade de canções – são 8, número ideal – ajuda para isso.

A faixa de abertura, Depopulation Process é um dos destaques do trabalho, e mostra bem a capacidade da banda em produzir riffs, solos e mudanças de andamento sem perder a agressividade e a empolgação. Liricamente também é um dos destaques – é desta canção que sai o nome do trabalho – e dá um “sacode” na população, com o vocalista literalmente gritando para as pessoas acordarem e perceberem o mundo que está ao seu redor. Outra que também tem uma letra incrível é Bullets First, que critica a atual “guerra contra as armas” e o desrespeito com a Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos.

Corporatocracy e Earth is no More – sendo esta uma das canções onde o vocalista mostra boa versatilidade, passando do rasgado para o gutural -  são boas demonstrações da aliança do extremo com o lado mais cadenciado da banda, enquanto Sustainable Developments (outra com ótima letra) traz de volta os riffs mais rápidos e certeiros.

Fecham o disco as porradas Blood for Currency, muito empolgante e com ótimas harmonias de guitarra, além de ótimos efeitos no riff inicial que criam um clima para todo o resto da canção; ... Or Be Destroyed com solos matadores e muito bem encaixados; e a canção que dá nome à banda, Crown of Scorn, que mostra ser o encerramento ideal com seus quatro minutos e meio de grooves e riffs infernais.


Não há dúvida alguma de que o futuro que aguarda o Crown of Scorn é bastante promissor e com pouco mais de dois anos de estrada eles já possuem um debut de respeito, que mostra que a banda já se encontrou em uma sonoridade forte e coesa. E mais: consegue a mesma qualidade na parte lírica.


1 - Depopulation Process
2 - Bullets First
3 - Corporatocracy
4 - Earth is no More
5 - Sustainable Developments
6 - Blood For Currency
7 - ... Or Be Destroyed
8 - Crown of Scorn

terça-feira, 27 de maio de 2014

Killer be Killed: estreia em grande estilo do novo supergrupo do metal

Supergrupos sempre chamam a atenção mesmo antes de ter qualquer canção divulgada, e não foi diferente com o Killer be Killed, um projeto que começou a ser formado em 2011 e tem 4 nomes fortes do metal americano dos últimos 15 anos entre seus integrantes. Sim, apesar de ter o (ícone) brasileiro Max Cavalera (vocal e guitarra) em sua formação, não podemos esquecer que o mesmo vive nos Estados Unidos há décadas, lá montou o Soulfly e de lá também comanda sua carreira. Os outros parceiros de crime são Greg Puciato, vocalista do ótimo The Dillinger Escape Plan, Troy Sanders, baixista e vocalista do já grandioso Mastodon e Dave Elitch, baterista de um talento e abrangência enormes, tendo tocado em grupos que vão do The Mars Volta (a principal) até as bandas de apoio de Justin Timberlake e Miley Cyrus. Depois de passarem o mês de setembro de 2013 gravando o primeiro trabalho, agora em 2014 chega as lojas o debut Killer be Killed.



Confesso que na primeira ouvida achei o disco meio confuso, por duas razões: primeiro o lance de ter três caras dividindo os vocais, de início me senti um pouco perdido; segundo porque o álbum apresenta em alguns momentos uma modernidade que eu não esperava. Sinceramente, quando foi anunciado o projeto, para mim viria uma das coisas mais brutais que o metal produziria este ano, e de repente me deparei com melodias que soam como as atuais bandas do chamado metalcore americano. Não foi algo negativo, mas sim uma surpresa.

Porém, a cada audição o disco torna-se melhor e mais compreensível. Quando Max entra na jogada instantaneamente a canção ganha a veia que eu esperava ouvir desde o início. Max é definitivamente a conexão do Killer be Killed com o lado mais brutal, enquanto Troy Sanders é responsável pelos momentos mais tensos e Greg Puciato cuida das partes mais melódicas. A parte técnica e instrumental é muito boa, e meu destaque pessoal vai para o baterista Dave Elitch, que é dono de um groove sensacional – e formou uma cozinha matadora com Troy Sanders. Killer be Killed é repleto de momentos que lembram cada uma das bandas principais dos quatro envolvidos, e segurar essa onda toda instrumentalmente – e por diversas vezes esses estilos todos dentro de uma única faixa – foi de uma competência tremenda, como na sensacional Face Down, por exemplo.



Se o começo do álbum é dedicado às canções mais melódicas, da metade para o fim é só desgraceira: Fire To Your Flag, IED, Dust Into Darkness e a lenta e raivosa Forbidden Fire (destaque para o brasileiro) são as melhores do lado mais agressivo da banda, enquanto Wings of Feather and Wax e Melting on My Arrow representam melhor o, se é que podemos chamar assim, lado mais acessível.

Foi uma estreia com o pé direito. Dificilmente veremos esses caras tocando ao vivo ou fazendo longas turnês (talvez um show aqui, outro ali...), mas fica a esperança de que isso não acabe neste primeiro álbum (como aconteceu com o Nailbomb, de Max, por exemplo, mas isso é outra história).
A produção ficou a cargo de Josh Wilbur, e o petardo sai pela Nuclear Blast no mês de maio.

Nota: 8.0

1."Wings of Feather and Wax"  3:40
2."Face Down"  4:35
3."Melting of My Marrow"  4:38
4."Snakes of Jehova"  4:01
5."Curb Crusher"  3:31
6."Save The Robots"  4:11
7."Fire To Your Flag"  2:31
8."I.E.D."  4:35
9."Dust Into Darkness"  3:57
10."Twelve Labors"  4:29
11."Forbidden Fire"  5:38

terça-feira, 11 de março de 2014

Full Metal Jacket - Conquering Dystopia: o novo projeto de Jeff Loomis e Alex Webster

Na Full Metal Jacket desta semana indico uma banda nova mas com velhos conhecidos, trata-se do Conquering Dystopia.

O que acontece quando músicos de uma extrema competência se juntam e formam um novo projeto? Na maioria das vezes o resultado é de bom para cima.

E em “Conquering Dystopia”, temos mais um exemplo. O autointitulado álbum de estreia do projeto capitaneado pelo excelente guitarrista Jeff Loomis (ex-Nevermore) e pelo músico de estúdio e também guitarrista Keith Merrow, conta com ninguém menos do que Alex Webster (Cannibal Corpse) no baixo, além de Alex Rudinger (The Facelesss) na bateria, e o resultado é excelente.



Apostando no death metal técnico/progressivo, os caras em nenhum momento soam cansativos ou partem para a punhetagem guitarrística/instrumental, como é comum em casos de bandas instrumentais.

Loomis segue insano com seus riffs pesadaços e seus solos sempre coerentes e cheios de feeling, como em Tethys ou Nuclear Justice (ouça clicando aqui), onde o baixo “gordo” de Alex também se destaca.

Autarch e Prelude to Obliteration formam com as acima citadas o conjunto de melhores canções do álbum, que ainda tem pedradas como Inexhaustible Savagery e Destroyer Dreams, além de um belo tema calmo onde Loomis se destaca chamado Lachrymose.



Sei que para muita gente ouvir um disco inteiro instrumental soa chato e cansativo, mas para o outro lado, para quem gosta desse tipo de som, ouvir este álbum é uma viagem do começo ao fim.




1. Prelude To Obliteration
2. Tethys
3. Ashes Of Lesser Men
4. Doomsday Clock
5. Inexhaustible Savagery
6. Totalitarian Sphere
7. Lachrymose
8. Autarch
9. Nuclear Justice
10. Kufra At Dusk
11. Resurrection In Black
12. Destroyer Of Dreams




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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Full Metal Jacket: A resenha de The Satanist do Behemoth (2014)

Como prometido 2014 é o ano em que o 'Shogunidades' dará ainda mais espaço para a musica. Estreia hoje mais uma coluna esta, dedicada e resenha dos principais lançamentos do ano.

Nada melhor que começar com o até aqui, principal lançamento de metal.

 'Full Metal Jacket' por Carlos Henrique.

Behemoth -The Satanist (2014)



No calendário do metal extremo, 2014 é o ano do Behemoth

Bom, amigos, antes de qualquer coisa, é um prazer estrear esta coluna aqui no Shogunidades onde o foco é trocar uma ideia sobre música, especificamente na área mais pesada do rock; o nome “Full Metal Jacket” é uma homenagem a um dos meus filmes favoritos (Nascido Para Matar, de Stanley Kubrick).

Para iniciar os trabalhos, quis escrever um pouco sobre o trabalho novo do Behemoth.

O metal extremo tem um público grande e fiel e um número tão grande quanto de bandas que são aguardadas com discos novos ano após ano. Do mainstream (se é que podemos usar este termo em um gênero como esse) ao underground, 2014 promete mais uma vez uma chuva de grandes lançamentos em todos os subgêneros da música extrema.

Ainda estamos em fevereiro e com mais 10 meses pela frente um nome surge como um dos fortes candidatos às já famosas – e a essa altura clássicas – listas de melhores do ano:

Trata-se de “The Satanist” dos poloneses do Behemoth.

O trio liderado por Adam ‘Nergal’ Darski (vocal e guitarra), que é acompanhado por Tomasz ‘Orion’ Wróblewski (baixo e voz) e Zbigniew Robert ‘Inferno’ Prominski (bateria), retorna com um trabalho inédito cerca de cinco anos após “Evangelion”, de 2009; durante esse tempo a banda foi pega de guarda baixa com um diagnóstico de leucemia no líder Nergal, que o fez passar por um forte tratamento até a sua cura, o que serviu de grande inspiração para a composição deste álbum.

Extremamente bem composto e com uma produção excelente, “The Satanist” dá uma aula de brutalidade sem precisar se render à clichês para soar extremo e impactante; já na abertura com ‘Blow Your Trumpets Gabriel’ podemos notar os ótimos timbres dos instrumentos nessa canção que prima pela morbidez e riffs lentos e instigantes, culminando em um final rápido e sensacional. ‘Furor Divinus’ tem três minutos de duração e é uma paulada do início ao fim, destaque para os vocais de Nergal que soam mais fortes que nunca. A destruição continua com ‘Messe Noire’, a minha favorita, que começa cadenciada e surge com um crescendo épico no final, digno de encerramento de show. Ótimo trabalho também do baterista Inferno – que assim como o baixista Orion, fez um grande trabalho no álbum todo.

‘Ora Pro Nobis Lucifer’ é daquelas canções que já nascem clássicas. Não vai demorar para se tornar mais um dos hinos do Behemoth – se é que já não se tornou. Riffs insanos, instrumental forte, grooves empolgantes com mudanças de tempo que faz com que os quase 6 minutos passem muito rapidamente.


Destaco também a faixa-título que tem um quê grande de Gojira, tanto no vocal como no instrumental, assim como ‘O Father O Satan O Sun!’; a faixa ‘Amen’ é um soco no estômago que vai saciar a parcela de fãs do metal extremo que gosta das bandas mais velozes do gênero. Restam ainda ‘Ben Sahar’ e ‘In The Abscence ov Light’ neste disco que já nasceu como um dos melhores trabalhos do Behemoth.

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)