Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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quarta-feira, 5 de junho de 2019

GAROTA EXEMPLAR E A EXALTAÇÃO À INFÂMIA




A desgraça alheia sempre causou fascínio nas pessoas. A fofoca, calúnia, o disse-me-disse sempre foi o assunto preferido da vizinhança e sempre rendeu histórias interessantes tanto que, com o advento dos reality shows, programas de auditório que exploram as mazelas dos mais humildes e as redes sociais, a infâmia atingiu seu apogeu. E se alguém brilhante, inteligente, que soubesse como ninguém ler a mente das pessoas (um psicólogo, por exemplo) e tivesse paciência e meticulosidade para usar essa máquina da injúria para destruir um desafeto? O que essa pessoa seria capaz de fazer? E se bastasse fazer com que acreditassem que alguém (um homem principalmente) cometesse algum crime, mesmo sem provas, ou provas forjadas, se bastassem as palavras de uma mulher vitimada (mesmo não provada), mas de caráter dúbio e com deliberada intenção de destruir um homem, por puro desejo de vingança? Eis o que nos traz a dica de hoje, Garota Exemplar.

A obra da jornalista norte americana Lillian Flynn, lançado em 2012 e adaptada para o cinema dois anos depois, foi laureado por sua trama surpreendente, cheias de reviravoltas e por mostrar quão extremados podem ser os atos de um casal que passa a se odiar e como pode ser contundente e destrutiva a vingança. Não pretendo falar da obra em si porque teve sucesso tanto no cinema quanto na literatura e a sua narrativa é bem conhecida (ou pelo menos deveria). Um ponto que nenhuma crítica se empenhou em observar na época de lançamento do livro e do filme e que é crucial para o desenrolar da narrativa é como a imprensa e as mídias podem ser o céu e o inferno na vida de alguém e como a justiça e opinião pública, com o avanço do politicamente correto, transformaram uma proteção em máquina de destruir reputações masculinas.

Realmente o livro é impactante. A trama tem a qualidade de agradar a leitores iniciantes e iniciados, vou me explicar: para leitores mais acostumados a tramas de suspenses, fica claro desde o início (um pouco de spoiler) que o marido Nick Dunne é inocente. Com duas vozes paralelas – a dele contando o que aconteceu a partir do desaparecimento da esposa, Amy Elliot Dunne, e a dela através de seu diário que vai contando como se conheceram até seu desaparecimento. Uma vida perfeita, um casal perfeito, uma mulher perfeita. Chegamos a acreditar nas evidências de que ele é realmente o culpado e ver por quanto tempo ele sustentará a farsa. Assíduos desse tipo de narrativa percebem que tudo é uma mentira contada por ela e o que prende ao livro e descobrir como Amy consegue criar uma cena de crime tão perfeita que o seu esposo não consegue se desvencilhar. Para leitores menos experientes, mesmo esses mecanismos não dão a pista de que a jovem é a vilã da história. Ponto para autora que sabe prender vários tipos de leitores, porém esse não o meu ponto de vista e que me chamou a atenção no romance, vamos a ele.

A forma como Amy deixa as pistas leva todos a suspeitarem de seu marido, como já foi dito. Mas a vida de Dunne começa a desmoronar quando cai na mídia e a imprensa começa a acompanhar todos os rumos da história. Acampam na frente de sua casa para manter a atenção dos espectadores, fazem especulações e inflamam a já delicada situação. Apresentadores sensacionalistas se aproveitando de todo o clamor popular começam a tomar partido e o que era a vida pacata de um homem comum vira um inferno de invasão de privacidade e destruição de reputação.

Mesmo quando a esposa volta e muda todo o rumo da narrativa (outro spoiler), a mídia televisiva e da internet tentam tirar proveito. Uma fala que descreve bem o que está acontecendo é a do advogado que, num dado momento, diz que os argumentos de Nick não dão tv boa, ou seja, não jogam a opinião pública e os possíveis juízes no seu provável julgamento a seu favor.

Sendo jornalista, a autora conhece bem esse meio. Nós, como consumidores de mídias também e somos ávidos por histórias empolgantes e sórdidas, faz-nos ver como nossas vidas no fundo são boas. E essa imprensa sensacionalista que vive de escândalos é mostrada de forma como realmente é: não importa quem diz a verdade, o que importa é uma boa fofoca, que venda e dê audiência. A protagonista é uma psicóloga metódica e disciplinada, ela conduz nós, leitores, e jornalistas a acreditar e a odiar seu marido. O advogado, sendo o melhor nesse tipo de caso – conflitos conjugais que terminam em crime – também conhece esses profissionais e faz o protagonista ser admirado e perdoado. Quando Amy volta (mesmo com uma história com furos) e reata com seu esposo, ambos se tornam os queridinhos da América. É uma crítica contundente tudo isso. A autora usa a trama para mostrar como existe e funciona essa indústria da infâmia que alimenta sites e revistas de fofoca, programas que exibem o pior das relações humanas, Flynn expõe o lado negro do quarto poder.

E eu fiquei pensando nesse livro durante esses dias ao ver o filme (confesso que pela primeira vez) e acompanhar um tanto dispersamente o caso do estupro do Neymar. Sem fazer qualquer defesa ou apologia ao menino Ney (nem simpatizo com ele, aliás), acho inclusive que ele foi no mínimo ingênuo – para não dizer burro – de cair numa armadilha dessas. O que me reportou ao caso foi o fato de que ele não é o primeiro a cair nesses golpes oportunistas de mulheres que querem se favorecer às custas de famosos e, ao não conseguirem seu intento (um casamento ou pelo menos um filho – o mais fácil), partem para a vingança usando toda a máquina jurídica e de mídia contra o infeliz.


Ao fazerem uso de maneira premeditada de legislações que protegem as mulheres e do senso comum e politicamente correto de que o homem é a personificação e que qualquer mulher estará sempre acima de qualquer suspeita, elas acabam destruindo a reputação de homens públicos ou nem tão renomados assim. É comum vermos casos de denúncias de estupros ou agressões que levam muitas vezes homens corretos que só não quiseram continuar uma relação, talvez, e só depois de algum tempo, no decorrer do processo, descobre-se que a denúncia foi falsa, mas já tendo destruído a vida do sujeito, seja famoso ou não.

Mas o pior de tudo isso é o efeito colateral dessas denúncias falsas, principalmente as cercadas de sensacionalismo. Devido ao crescente número desse tipo de denúncia, o que passa a acontecer é que essas ferramentas de proteção das mulheres, que são relevantes – não desconsideremos que existem muitos indivíduos merecedores de muita porrada pela forma como tratam suas companheiras, sujeitos que mereciam serem empalados por cada porrada dada numa mulher – perdem a confiança da opinião pública. Para cada denúncia falsa desse tipo (considerando que no momento desse texto, o Neymar ainda está sob investigação) todo o aparato da justiça deixa de ser direcionado a quem realmente precisa e no caso de pessoas públicas, faz com que essas notícias percam sua importância.

Eu poderia ficar horas aqui enumerando casos de denúncias falsas e como isso se assemelha ao enredo do livro, mas por hora, deixo a dica de leitura, o toque para possíveis leitoras para que sejam mais responsáveis e cuidadosas nas suas escolhas – a começar pela escolha do parceiro – e para os possíveis leitores que mesmo não sendo o Neymar, devem ficar espertos com as garotas exemplares que podem cruzar seu caminho. Até a próxima.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

CÂNTICO – O HINO DE LOUVOR AO INDIVÍDUO




Por Kleryston Negreiros

Fui presenteado pelos pais de um aluno essa semana com uma pequena joia da Ayn Rand. Devorei o livro em um dia e aqui estou para falar dessa obra que me impactou bastante e é a primeira que a autora idealizou, ainda em sua adolescência nos primeiros anos do regime socialista na Rússia, e que é um prefácio para o que ela iria defender no decorrer de sua vida e em seus romances mais conhecidos – A Nascente e A Revolta de Atlas.

E o texto é uma joia não pela qualidade da escrita ou rebuscamento do texto, mas pela sua atualidade quase profética acerca de como as pessoas escolhem cada vez mais abrir mão de suas liberdades ou de suas identidades como indivíduos para se tornarem parte de “algo maior”, para vivarem apenas mais uma célula de algum coletivo ou outro termo abstrato da moda.

A narrativa, por ter sido pensada por uma então adolescente, é bem simples e até pueril. Com uma estrutura que (para mim) está mais para um conto do que propriamente um romance, o livro trata de um indivíduo que luta por sua individualidade e a percepção de si mesmo numa sociedade distópica onde o que prevalece é o desejo comum, a vontade da maioria, o mais importante é o todo coletivo e não o desejo individual. Esse jovem luta para ser apenas ele mesmo.

Ambientada num futuro não identificado, a sociedade elimina todos os traços de individualidade, as palavras que carregam esse sentido, por exemplo, foram extintas, não existe EU ou TU, apenas NÓS e ELES. Até mesmo nomes próprios deixam de existir, como pode ser visto desde o início da trama pelos nomes das personagens: o protagonista se chama Igualdade 7-2521.

Igualdade 7-2521 carrega desde cedo o estigma de ser diferente e se perceber diferente numa sociedade que busca igualar a todos. Mais alto que os demais e também mais inteligente, é designado a trabalhar com varredor de rua em detrimento de sua inteligência pois alegam, é assim que ele será mais útil para todos. Só que não é isso que ele quer e por ter uma vontade que é relevante só a ele, Igualdade passa a achar que é amaldiçoado. A trama se desenrola rapidamente desde sua infância até o momento que se torna um proscrito e escolhe viver longe dessa sociedade com a mulher que ama (relacionamentos são proibidos por acarretarem escolhas individuais) e descobre a palavra EU.

Como disse, o texto é bem simplório, mas é um assunto pertinente e que, por trás da simplicidade da escrita, revela algo assustador em nossa sociedade que já era exposto por Rand ainda nos anos 1930 que é a escolha de indivíduos livres preferirem abrir mão de sua liberdade plena, de sua identidade para abraçar ideias ou bandeiras que os anulam como ser e faz com que desejem ser apenas um rosto compondo uma face abstrata ideológica.

Sua atualidade aparece ao percebermos como pessoas passam a lidar com outras através de slogans e reducionismos de características. Quando pessoas, que sarcasticamente chamo de “pessoas do bem” forçam uma conduta coletiva de todos a comerem comida orgânica ou ajudar uma criança faminta na África, quando pessoas te forçam a aceitar aquilo que você (por princípios ou quaisquer que sejam suas razões) acha errado e você passa a ser tido como algum tipo de pária por não seguir o coro dos contentes. São pessoas que passam a medir seus atos não por seus próprios padrões ou juízo de valor, mas porque a sociedade ou a maioria ou o coletivo assim o quer.

E isso é muito perigoso. Perigoso porque a espontaneidade, as escolhas individuais e tudo que é relacionado a uma vontade de apenas um indivíduo passa a ser condenado porque não condiz com o que se espera dele, já que ele faz parte de uma sociedade. É perigoso ao percebermos que tudo, até mesmo a profissão, deve ser pensada e escolhido(a) não porque lhe apetece ou, sei lá, por que você está pensando no próprio lucro e sim pelo bem comum.

É uma sociedade que cobra de cada um a responsabilidade de fazer pelo outro e nunca para si próprio. É um ambiente onde aquele que defende algo é logo interpelado que isso é errado porque não privilegia a todos. É a anulação do esforço, do mérito, do merecimento, o fato de existir já corrobora o direito de ter tudo igual a todos. E se tudo pertence a todos, nada é de ninguém.

Como todos os livros de Ayn Rand, esse também é um alerta. Claro que, sendo distopia, há o exagero típico da ficção, mas a mensagem é clara: não há liberdade ou felicidade dentro de coletivos. Não há prazer ou vida plena quando a vontade individual é anulada para privilegiar a todos, ao grupo, ao coletivo. Tudo parte do indivíduo e sua vontade de ser melhor e proporcionar o melhor para si e assim todos acabam ajudando-se mutuamente por vontade própria. Tudo parte do indivíduo, mesmo essas abstrações que tentam se tornar entidades independentes tendo o homem como célula. O indivíduo é concreto. Sociedade, coletivo, células, grupos, são abstrações que dependem antes de tudo do ser concreto para existir. Até a próxima.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

Também é membro do grupo Biblioteca Liberal-Conservadora

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Full Metal Jacket: Dave Mustaine - Memórias do Heavy Metal (livro)

Quase cinco anos após seu lançamento tive a oportunidade de ler a autobiografia do criador e líder do Megadeth, Dave Mustaine, que foi lançado no Brasil pela editora Benvirá em 2013.
De facílima leitura - além de agradável - o livro é certeiro: Mustaine escreve sobre tudo o que o leitor quer saber. Não tem papo furado sobre infância, contos de avós, pais e tios, nada. Foca na música e na personalidade e vida pessoal de Dave de quando começou a se tornar um músico até os dias em que foi escrito.
Apesar de muitas vezes se colocar em uma posição de "o fodão" da história (inúmeros casos em que Dave se coloca como o cara que dá porrada em todo mundo, que era o mais corajoso da turma, que dava pontapé e soco em não sei quem, que viu James Hetfield ser covarde em ocasião que ele - Dave - se ferrou sozinho, etc, etc), ao mesmo tempo o próprio mostra como nunca, até os dias de hoje, aceitou bem sua saída do Metallica e que a maior parte da carreira do Megadeth foi baseada em superar o Metallica. Seja na qualidade da música, na agressividade, velocidade, como em vendas e reconhecimento.
Dave detalha como foi a traumática expulsão que sofreu no Metallica, assim como fala um pouco sobre como foi se encontrar com Lars na gravação do fatídico documentário "Some Kind of Monster", do Metallica. Também passa por suas internações, problemas com membros da banda, problemas pessoais, opiniões sobre política, polêmicas com bandas anticristãs e uma série de fatos que são interessantes para todos os fãs.
De um jovem drogado (e traficantezinho), briguento, que foi expulso da banda de sua vida e teve que encarar uma viagem de 4 dias de volta para casa sem um dólar no bolso a líder de uma das maiores bandas de heavy metal da história, criada pelo puro ódio ao acontecimento anterior, cuja vida foi recheada de polêmicas, das internações em clínicas de reabilitação até o momento de sua conversão ao cristianismo, Dave Mustaine faz de Memórias do Heavy Metal um desabafo sincero e acima de tudo um exemplo de superação.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

NOVEMBRO DE 63 - E SE KENENEDY NAO TIVESSE MORRIDO?

Eu sempre gosto de indicar livros pra ajudar a entender a realidade e muitas vezes, alguns trecho de obras despretensiosas nos ensinam bastante.

Uma obra com essa característica é o livro Novembro de 63, de Stephen King. Esse romance não é tão novo, de 2013 e segue os típicos enredos do autor: suspense, horror ou algo ligado ao sobrenatural.

A narrativa é bem simples e curiosa: um professor de Inglês descobre que na despensa da lanchonete onde ele costuma comer tem uma passagem que o leva a setembro de 1958. Em cumplicidade com o dono do lugar ele volta no tempo pra impedir o assassinato de Kennedy.

Até aí, nada demais. A trama é ótima, o autor linka com outros livros seus e faz um ótimo inventário de época, com seus costumes e trivialidades.

Mas o que realmente chama a atenção é um pequeno trecho do livro (relevante aos que defendem ideais conservadores e liberais) quando o personagem ao impedir o crime (sim, é um spoiler, mas não estraga a leitura) volta ao ano de 2012, nuns EUA totalmente transformado naquilo que é o maior pesadelo dos que defendem a liberdade: o país vira uma gigantesca Detroit, devido ao fato de que, com a sobrevivência de JFK, ele governa por 2 mandatos e os democratas destroem o país.

Claro que isso foi um exercício de imaginação de King, mas é uma boa forma de vislumbrarmos as variáveis de uma ampla vitória da esquerda, olhemos pro Brasil e temos um bom referente de que o que ocorre nesse trecho da obra não é algo impossível ou improvável, portanto, leiam e tirem suas conclusões.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

LARANJA MECÂNICA - O QUE O ECA NOS RESERVA


Hoje vi uma postagem de uma briga entre duas adolescentes numa sala de aula. O que me espantou nao foi a luta ou a omissão dos presentes, mas sim sua frequente normalidade e me lembrei de um texto que escrevi sobre a atualidade do livro Laranja Mecânica e esses fatos. Esse texto é de 2014 e esta cada dia mais próxima a realidade da obra. Leiam a resenha e tirem suas conclusões.

Num domingo desses, li uma notícia que me chamou a atenção sobre formaturas de alunos do ensino médio. Falava sobre o excesso de bebidas nessas festas e a total inércia dos pais. Antes disso, já havia acompanhado o caso dos “rolezinhos” e sempre procuro acompanhar casos de brigas e atos violentos cometidos por essas crianças. O que parece ser uma novidade, aqui nestas paragens e também lá fora, na verdade já havia sido contado de forma explícita e visionária na obra Laranja Mecânica, e esse é o livro da semana, abrindo uma série de Best-Sellers que viraram clássicos na literatura e no cinema.
Uma das razões de eu ser um apreciador de distopias é o fato desse tipo de obra antecipar acontecimentos com margem de anos de diferença, porém não como profecias, mas como uma descrença no ser-humano, seus autores baseiam-se no pior da humanidade e na consequência de seus atos, esse é o caso da obra de Anthony Burgess.
Lançado no início dos anos de 1960, o livro conta (em primeira pessoa) a história de Alex, garoto de 14 anos e líder de um grupo de adolescentes arruaceiros nuns EUA distópico onde garotos dominam as ruas ao cair da noite praticando roubos, espancamentos e estupros. Ele narra suas andanças noturnas regadas a leite com drogas, até ser traído por seus comparsas e preso virando cobaia num programa de conversão de marginais.
Há dois pontos a observar na obra. O primeiro deles é a antecipação do comportamento hedonista, agressivo e ditatorial desses meninos filhos de pais permissivos que não conseguem impor limites a esses jovens. Quem pensou nos rapazes que queimaram o índio em Brasília, há anos, ou os jovens que foram para shopping centers fazer arruaça assustando clientes e sendo justificados por seus pais, não está equivocado. Os personagens parecem saídos dos jornais atuais: violentos, vaidosos, sem qualquer noção de limites ou valores.
O segundo ponto também tem relação com os novos tempos. Quando vai preso, Alex é usado como cobaia em um experimento do governo que promete acabar com o instinto mal e violento dos criminosos. Submetido a tortura e infusão de drogas em seu sangue, o rapaz passa a sentir-se mal diante de atos violentos ou libidinosos. Ele passa a não ter opção entre agir correta ou incorretamente, ele é obrigado a ser bom para não sentir dor. A questão moral da escolha, do livre-arbítrio é levantada pelo fato de que a recuperação passa não pela percepção do erro e escolha em agir diferente e sim pela obrigação de ser bom.
O que isso tem a ver com nossos tempos? Muito simples, caro leitor. A cada gesto de altruísmo midiático, a cada exposição da própria felicidade, a cada comentário superficialmente profundo em redes sociais, obriga a todos nós a sermos também bons, generosos, altruístas e felizes. Não há escolha. Todos são bons, cultos e têm vidas perfeitas. Há uma ditadura da felicidade, um bom mocismo que impõe frases de efeito e clichês que todos seguem sem questionar ou refletir. A mesma obrigação de Alex em ser bom, aparece nas hastags diárias de campanhas benevolentes criadas por agências publicitárias.
Alex se recupera. Todos nós podemos também salvar nossas crianças desse futuro sombrio que aparece na obra. As distopias servem para mostrar o quanto podemos ser ruins para nós mesmos. Quando saímos da bolha, quando não nos deixamos levar por essas imposições conseguimos escolher e educar e isso é que importa no fim: o poder da escolha e a melhor escolha que não prejudique ninguém.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

SOBRE LER O MUNDO ATRAVÉS DOS LIVROS

Eu sempre li o mundo através dos livros, por isso, inclusive, fiz Literatura. E não consigo pensar no país, em particular, e no mundo, de forma geral, sem pensar em algumas distopias e romances referenciais. Sei que ando repetitivo, mas as coisas ruins vêm se repetindo apesar de sucessivos fracassos e hoje comecei a ler mais uma obra de ficção distópica bastante relevante: Submissão, de Michel Houellebecq.

Ambientado numa França daqui a alguns anos e governada por um partido muçulmano, traz um panorama do que pode acontecer na Europa dentro de pouco tempo.

Sua atualidade e olhar realista e até certo ponto assustador me levaram a essa leitura, quando terminar pretendo escrever algo sobre ele, mas enquanto não acrescento esta obra a minha lista particular de obras relevantes (espero que seja, várias pessoas de quem respeito a opinião já elogiaram esse romance), há uma lista específica que é relevante pra entender o que anda acontecendo aqui no país e pelo mundo afora:

• Quer entender a delinquência juvenil e declínio educacional aqui e lá fora? O Senhor das Moscas e Laranja Mecânica;

• Quer entender a luta do indivíduo contra o Estado? A Nascente e Um Estranho no Ninho;

• Quer entender o hedonismo dessa era e esvaziamento cultural? Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 541;

• Quer entender como o Estado grande é opressor e manipulador de povos? 1984 e Revolução dos Bichos;

•Quer entender o Brasil e o desdobramento do que está acontecendo agora? A Revolta de Atlas.

Instruir-nos e a maior arma que temos.

sábado, 7 de novembro de 2015

TREMENDAS TRIVIALIDADES - A GRANDEZA DO COTIDIANO




Acredito que para uma completa formação intelectual e maior entendimento do mundo as pessoas devem mergulhar nas palavras dos grandes escritores. A Literatura é fonte de conhecimento e intimidade com a alma humana e por isso, nesse tempos tortuosos, mais do que nunca devemos retomar a sabedoria dos grandes autores. Portanto, passarei a trazer aqui para o blog resenhas de obras e autores relevantes que ajudarão na formação intelectual dos apreciadores dessas paragens e para inaugurar essa empreitada, trago Chesterton a vocês.


Nossa formação nunca está completa ao sairmos da faculdade. No meu caso, por exemplo, ainda passo pelo processo de aprendizado, haja vista que muitos autores ainda estou por conhecer, alguns grandes nomes ainda me são estranhos  por não terem sido citados enquanto graduando. E acaba sendo um duplo prazer quando me deparo com alguns desses gigantes desconhecidos. Duplo porque me alegra descobrir novos nomes (mesmo que sejam antigos) que se soma ao prazer de ler mais um bom livro. Portanto, foi isso que senti ao descobrir recentemente o escritor britânico G. K. Chesterton.

Confesso que não o conhecia até bem pouco tempo, mas, graças às redes sociais, tomei conhecimento de seu nome e me interessei por seus aforismos. Essa curiosidade acabou me levando a uma singela obra que, de tão simples torna-se grandiosa. O livro chama-se Tremendas Trivialidades.

Chesterton foi um escritor que viveu na virada do Século XIX para o XX e, além de romances, publicou crônicas nos principais jornais ingleses. É disso que se compõe o livro: crônicas. É uma compilação delas, publicadas numa coluna homônima à obra em que ele fala de situações banais, cotidianas, porém, com um olhar único que revela toda a grandiosidade da vida através do prisma da vida cotidiana.

Partindo de situações como um passeio ao campo ou um acidente de bonde, o autor faz reflexões profundas sobre a condição humana, sua relação com Deus ou a brevidade da vida. Entretanto, não pensem que os textos são rebuscados, prolixos ou de difícil compreensão. O que encanta em Chesterton é justamente a simplicidade com que ele nos traz esses temas, a forma como o texto flui de maneira suave levando a ideias mais complexas, mas sem o travamento de um texto intrincado.

E simplicidade de texto não quer dizer texto simplório. A obra é composta de crônicas que se destinavam ao inglês comum, que compra o jornal a caminho do Trabalho ou lê na hora do almoço. É para esse leitor que Chesterton escreve o que torna o livro mais interessante já que os temas, além de atemporais, comunicam-se com o homem simples tanto quanto com o homem erudito.

Essa foi minha (tardia) descoberta. Pretendo explorar seus textos e trazer mais dele para vocês. No mais, fiquem com Tremendas Trivialidade e vejam como a rotina nossa de cada dia pode nos reservar lições profundas sobre a vida e sobre nós mesmos. Até a próxima.

Kajotha77@gmail.com
@kajotha

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Letreiro Digital: O MITO DO GOVERNO GRÁTIS – UMA SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS DO PAÍS

Por Kajotha Medeiros,

Estamos no apagar da luzes de 2014. Essa coluna, por exemplo está sendo escrita no fim do feriado do Natal e quando, você leitor amigo, estiver lendo estas mal traçadas linhas, provavelmente estaremos celebrando 2015 ou perto disso, E esse período é sempre destinado a reflexões, resoluções para o ano que virá e inventário dos erros e acertos para entrarmos de forma positiva no ano que virá. Bem, dentre minhas avaliações, não poderia ficar de fora questões políticas (assunto que me interessa bastante), portanto, fechei o ano com uma leitura que faz um balanço do país e do que podemos esperar ou reivindicar para, não só 2015, como os próximos anos que virão. Essa é a dica da semana: O Mito do Governo Grátis.


O autor do livro, Paulo Rabello de Castro, é doutor em economia pela Universidade de Chicago e nome respeitado aqui no país. Sua obra traz, de maneira clara e simples, como funciona um governo assistencialista – ou como ele chama, governo grátis – e de que forma o cidadão comum pode se proteger e fazer com que isso pare de acontecer em seu país.


O Mito do Governo Grátis

Com um texto envolvente e de fácil compreensão até mesmo para quem nunca estudou economia na vida (o meu caso, por exemplo) vamos percebendo como aqui no Brasil caímos nesse armadilha, além de mostrar exemplos de outros países de vários continentes que adotam ou adotaram essa prática. E isso é um dos pontos positivos do livro. Paulo não se prende só ao país e acusa suas falhas, o autor apresenta exemplos de países com culturas histórias diferentes mas que caíram na mesma armadilha estatal.

Da mesma forma que mostra os erros de outras nações, o economista tem o cuidado de mostrar os acertos de outros povos que em algum momento de sua trajetória se deixou levar pelo assitencialismo perdulário, porém soube virar o jogo e recuperar as finanças de suas terras trazendo avanços econômicos e sociais. É interessante isso porque mostra que é possível reverter uma situação adversa por mais que a economia de um lugar esteja desarrumada.

Percebam que a obra é divida, primeiro explica o que é governo grátis, depois como o Brasil se enquadra nesse perfil. Depois apresenta países com a mesma postura e outros que resolveram o problema. Ou seja, ele mostra o quadro completo trazendo o problema e possíveis soluções. No fim, ele ilustra uma série de medidas simples que poderiam de uma maneira eficiente nos livraria desse mal que atrapalha tanto o avanço e a melhora de vida dos brasileiro.

E essa é a minha dica para essa virada de ano. Um livro esclarecedor, que vai levar você a refletir sobre seu papel como cidadão e, principalmente, qual deverá ser sua reivindicadão por um brasil mais justo e avançado. Ajudará até mesmo a rever seus ideais políticos e sociais. Desejo a todos os leitores dessa coluna boas festas, um ano de 2015 repleto de alegria, sucesso e realizações e muita leitura para todos.

Um abraço.


Publicado originalmente: http://vistolivre.xpg.uol.com.br/2014/12/o-mito-governo-gratis-uma-solucao-para-os-problemas-pais

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O Letreiro Digital: Hayek e o "Caminho da Servidão – Quando o povo escolhe a escravidão

Por: K.J Negreiros, direto do blog Visto Livre



Deixei para escrever essa coluna depois das Eleições 2014 e de passar por uma ressaca moral com o seu resultado. Não gostei do que aconteceu, não acho que tenha havido clareza, mas oficialmente a escolha da maioria foi essa. Algo que me chamou a atenção nesse pleito foi a mobilização das pessoas em discutir política, mas será que esse debate foi construtivo, ou pautado por paixões exacerbadas? E esses debatedores já leram ou estudaram as ideologias que defendem? Bem, como educador levo meus alunos a isso e como cidadão procuro fazer o dever de casa, e o livro da semana é para aqueles que querem conhecer a fundo propostas diferentes do que fomos levados a acreditar no nosso país. Vamos a ele.

Escrito em 1944 por Friedrich Hayek, economista austríaco ganhador do Nobel de economia em 1974 e que foi nome de grande importância na educação, política, psicologia e Direito, é uma das principais obras do liberalismo. Nele, o autor mostra os caminhos adotados pelos governos coletivistas e de discurso progressista e socialista para o controle do Estado e total domínio sobre a sociedade. Através de uma comparação do livre mercado adotado na Inglaterra e as políticas socialistas adotadas na Itália e Alemanha no fim do século XIX até a ascensão do Nazi-Fascismo, Hayek faz uma linha temporal e concordante, mostrando como essas ideias de cunho social tendem, inevitavelmente, a um regime totalitário e ditatorial.

Com uma linguagem de fácil compreensão, a obra pode ser lida tanto por alguém ligado a Economia quanto ao leitor comum interessado em saber todos os pontos de vista sobre o assunto. Obra relevante para mostrar como agem os governos através de suas reais intenções e como as nações devem agir para garantir o crescimento do país e enriquecimento do seu povo, O Caminho da Servidão deve ser leitura obrigatória em todas as esferas sociais.

Infelizmente o livro é pouco conhecido fora dos meios acadêmicos e mesmo nos cursos de formação dos principais formadores de opinião, os professores, é completamente ignorado. E a razão disso tudo é o fato de que ser de esquerda no Brasil sempre foi glamourizado, outorgava sempre um ar de intelectualidade e ainda é comum ver, apesar de todos os desastres causados por essa variante política nos últimos noventa anos, pessoas ditas cultas ostentando seus Manifestos Comunistas e obras afins.

Mas, acredito eu, que a única maneira de se conhecer e discutir política e impedir que coisas como o que ocorre na Argentina e Venezuela aconteçam aqui é disseminar cada vez mais livros com ideias novas e relevantes e todos fazerem o dever de casa que é conhecer as reais intenções dos que estão e não querem largar o poder. Então esta é a dica (mais um desabafo) da semana, O Caminho da Servidão, até a próxima e que venham os próximos quatro anos. Que Deus nos proteja.


Kajotha Negreiros, é professor, blogueiro e um apaixonado por livros

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A pergunta que não quer calar, afinal, Quem é John Galt?

Cedido gentilmente por Kajotha Negreiros.
Do blog Letreiro Digital - Visto livre



QUEM É JOHN GALT?


Quem é o motor do mundo? Quem sustenta a economia? Faz o mundo progredir, cria oportunidades? Que é John Galt? São essas perguntas que a filosofa russa Ayn Rand, radicada nos EUA, tenta desvendar com esse que é um dos livros mais influentes e vendidos (depois da Bíblia) na literatura norte-americana e uma das principais inspirações de liberais e defensores do livre mercado: A Revolta de Atlas.

Confesso que não conhecia a obra quando me indicaram há alguns anos e relutei a começar a ler mesmo sendo uma distopia com características típicas desse tipo de texto e que me agrada muito. Outro fator é que é uma trilogia e minhas prioridades de leitura me fizeram adiar. Como me arrependo. Apesar de pouco conhecida (sua repercussão começou recentemente com o grupo Tea Party e fãs da autora nas redes sociais) a indiscutível sua atualidade e relevância principalmente por levar a uma reflexão do papel dos governos de um modo geral e como esse ano é de eleições por essas bandas nada mais oportuno que tratar desta joia escondida.

A trama gira em torno da luta de Dagny Taggart, vice-presidente da principal ferrovia americana e de Hank Rearden, empresário do ramo metalúrgico e criador de um metal mais leve, barato e resistente que o aço e que leva seu nome. Numa época não identificada, mas que pelos costumes e utensílios cotidianos se passa logo após a Segunda Guerra, ambos tentam manter suas empresas numa luta inglória contra o governo que vai impondo medidas para privilegiar um grupo de empresários ao mesmo tempo que toma medidas populistas em nome do bem comum que em médio prazo se mostram desastrosas e que levam o país a falência.

Nesse cenário, muito industriais com valores e posturas similares aos protagonistas começam a desaparecer ou a se aposentar não deixando paradeiro. Com a economia entrando em colapso, resta aos dois manterem-se firmes na tentativa de não serem engolidos pela máquina estatal e tentarem reerguer a nação. Conforme os mais incapazes e improdutivos vão ocupando o lugar dos que produzem – que também somem a exemplo dos industriais – a situação vai ficando crítica até o colapso total.

Obra máxima de Rand, o livro traz todo o cerne de sua filosofia e visão econômica. Ao mostrar o que acontece com um país quando o governo começa a centralizar tudo em suas mãos, começa a explorar aqueles que produzem para garantir o sustento dos que não tem qualquer interesse em crescer e acha que é obrigação do outro mantê-lo vivo, pinta-se aí o retrato de muitas políticas que aconteceram e vem acontecendo ao redor do mundo.

Em seu texto ela deixa evidente quem realmente carrega em seus ombros a economia e por tabela o progresso de uma nação. Mostra como a imposição de distribuição igualitária é nociva a uma determinada região, haja vista que aqueles que trabalham são obrigados a entregar o fruto do seu esforço aos que nada produzem.

No clímax do livro, toda a filosofia da autora é explicada por John Galt, herói e responsável pela greve dos industriais. Com a frieza da objetividade vai mostrando o que acontece de errado e que leva os EUA a penúria. Nessa explicação de seu intento no fundo temos a voz de Ayn Rand explicando o princípio do individualismo, sua linha filosófica, e mostra como o altruísmo e o discurso de luta de massas e minorias é vazio e propício apenas a privilegiar alguns. Comunicando-se com obras como 1984 e Revolução dos Bichos de Orwell, mostra as artimanhas e articulações de quem está no poder no afã de controlar as massas, manter-se no comando e sugado ao máximo o cidadão comum.

Leitura contundente e relevante, deveria ser leitura obrigatória nas universidades em todas as áreas, principalmente nas que formam empreendedores ou formadores de opinião. Ajudará a clarear a visão de muitos que não veem os absurdos que são cometidos em nome do povo, além de tirar a pele de cordeiro de muitos lobos que temos por aí. Um livro político, atual, que se mostra profético em muitas sociedades é a minha dica dessa semana. Leiam, reflitam e votem conscientes, usem a obra como um guia para não se deixarem levar com discursos bonitos mas que favorecem apenas a algum jogando a grande maioria num abismo de pobreza.

Até a próxima.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Bonded By Books: Metallica: All That Matters - Uma biografia jornalística

Tenho que admitir que não sou grande leitor de biografias e autobiografias. No meu histórico posso colocar menos de cinco lidas. Digo isso pra deixar claro que minha opinião não é a opinião de um especialista na área, mas, mesmo assim, tive vontade de falar sobre essa biografia em especial.

Terminei de ler esses dias e tenho que dizer que fiquei bem satisfeito. O livro é de leitura simples e direta. Achei uma biografia bem jornalística, digamos, por que o formato de escrita lembra bem textos e notícias de jornais.


All That Matters foi escrita pelo pesquisador e especialista em entrevistas Paul Stenning. Paul já escreveu mais de 20 livros, incluindo a biografia do Robert Pattinson, o que não é uma referência que considero muito louvável, mas vamos lá... Ele já escreveu diversas outras biografias, incluindo do Guns N’ Roses, AC\DC e Iron Maiden.

O livro é bem interessante. Eu nunca havia lido nada sobre o Metallica e achei rica a quantidade de informações fornecidas no livro, porém senti que careceu um pouco de pessoalidade, mas isso pode ser comum em biografias escritas por pessoas “de fora”. A preferência seria que fosse uma autobiografia. Mas mesmo assim recomendo a leitura.

O livro começa retratando de maneira sucinta e clara a infância e adolescência de James e Lars, cada um em sua realidade (que eram radicalmente diferentes); e, depois, conforme os outros membros foram brotando na história da banda, também é feita a breve descrição sobre a infância e adolescência dos mesmos.

Bem complicada a origem da banda. Os caras enfrentaram uma barra, grandes dificuldades no início da carreira. É muito admirável que eles tenham conseguido passar por tudo que passaram, das dificuldades financeiras à trágica morte de Cliff Burton, que foi um dos momentos mais tristes do livro, para mim.

A abordagem a respeito da criação de cada álbum da banda também é bem interessante. Paul ressalta a importância e o jeito de agir de cada produtor como um dos fatores da mudança de estilo que a banda tomou, diversas vezes, ao longo de sua carreira e também no amadurecimento musical e pessoal de cada um.

Outra coisa que tenho pra criticar nessa biografia foi um certo comedimento e, por que não, uma certa censura sobre determinados aspectos da vida da banda. Paul é um tanto reticente e deixa bem nas entrelinhas o envolvimento da banda com drogas, apenas comentando eventualmente e deixando subentendido. Talvez isso tenha acontecido justamente por que o livro foi escrito por uma pessoa “de fora” e não por uma pessoa que realmente estava dentro da banda.

O que aproxima os relatos do livro da intimidade da banda são os depoimentos de ex-membros, membros atuais da banda, ex-namoradas, produtores, amigos próximos, etc.

Vale a pena a leitura. É uma boa fonte de informação sobre a origem da banda, o movimento musical da época e um pouco sobre o estilo, mas não esperem nada muito denso ou profundo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Bonded By Books: Ficção, Suspense e Terror com Lovecraft.

Saudações, amigos!

No texto de hoje, decidi falar do livro de um escritor de ficção/terror/suspense que não é muito conhecido, porém muito valorizado pelos que já tiveram a chance de conhecê-lo. Trata-se de Howard Phillips Lovecraft, referido habitualmente como H.P. Lovecraft.

Infelizmente, Lovecraft viveu pouco (1890 – 1937) e deixou poucas obras. Entre seus escritos temos contos, romances e muitas cartas destinadas aos seus amigos (vale a pena citar aqui Robert E. Howard – criador de Conan, O Bárbaro – como um de seus correspondentes).

A mitologia lovecraftiana também influenciou muito o meio musical, onde diversas bandas escreveram canções a respeito de seus contos; como, em um dos casos mais famosos, a música do Metallica, “The Call of Cthulhu”, que se refere ao conto “O chamado de Cthulhu”, de Lovecraft. Outras bandas que fizeram referências à obra do Lovecraft são: Black Sabbath, Celtic Frost, Blue Oyster Cult, Deicide, Entombed, Mercyful Fate, Morbid Angel, e muitas outras.

“Off-topic”: Não sei como falar sobre esse conto citado acima, sem indagar: Como se pronuncia “Cthulhu”? Pois então, para os curiosos, aqui segue um link para um vídeo do Youtube, onde o escritor de terror americano C. J. Henderson explica a pronúncia correta do nome. É um segredo oculto, transmitido entre gerações, e pouquíssimas pessoas tem conhecimento. Infelizmente o vídeo está em inglês, mas da pra notar a pronúncia diferenciada perto do final do vídeo.

Mas, voltando ao assunto, o livro que quero citar é o “A Sombra Vinda do Tempo”.

(Nas palavras que se seguem, cito vagamente algumas informações do livro, porém nada que possa ser considerado como SPOILER. Tenho essas palavras mais como uma sinopse, visto que não digo nada além do que existe nas sinopses do livro espalhadas pela rede).

Quando pego algo do Lovecraft hoje em dia para ler, já sei que vou gostar devido ao meu histórico de leituras de obras dele, histórico esse que não é grande.

Não tinha nem ideia de que esse livro falava de viagens no tempo quando o comprei para ler. Me surpreendeu, como um tema "batido" como esse (apesar de na época do Lovecraft não ter sido assim um tema tão freqüente assim) consegue ser tão rico e vasto.

Sou da geração, que quando se fala em viagens no tempo, a primeira coisa que se vem na mente é o filme "De Volta para o Futuro".
Não pretendo desmerecer o filme, é claro, pois se trata de um grande clássico do qual gosto muito; mas, a história de Lovecraft vai além, mergulha fundo em mundos grotescos e hediondos para nós, humanos, sem muitas perspectivas do conhecimento de vidas extraterrestres.

A transferência de mentes entre corpos de diferentes raças, através do tempo, foi algo com o qual não lembro nunca de ter imaginado, mas agora, após a ciência dessa "possibilidade", não soa tão insólito no âmbito literário, mais especificamente na fantasia e ficção científica.

A maneira de escrever, de manter o suspense, o terror, até a última palavra da última frase de seus contos e romances é sempre genial e dispensa comentários. E, o prisma de visão que se abre após a leitura de uma obra dessas, é ilimitado.

Paro pra pensar em quantas coisas desconhecidas que existem no universo, tanto em outras galáxias quanto na nossa e em nosso próprio planeta. O que nós sabemos até hoje talvez seja uma ínfima e ridícula parcela do conhecimento universal praticamente infinito. Quantas raças e criaturas que viveram aqui, cujos fósseis até hoje não foram encontrados? Quantos registros históricos poderão existir nas profundezas dos mares ou das areias dos desertos? Quantos desastres naturais que já ocorreram aqui e que destruíram ou omitiram informações sobre nossas origens ou sobre origens e existências de criaturas diferentes, talvez de mentes pensantes e racionais?

Temos muito ainda o que descobrir e investigar e provavelmente morreremos antes de termos ciência de toda a magnitude de toda a história universal, se é que isso seja um patamar possível de se alcançar. Não há limites. Crio que talvez nossa sociedade não esteja totalmente preparada para lidar com isso.

Recomendo muito a leitura dessa, e de qualquer outra, obra do Lovecraft, para os que gostam de ficção e terror.


Até mais!


Fontes:


"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)