Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Afinal, o que é um revolucionário?

Poucas figuras são tão abjetas, tão desprezíveis, tão arrogantes e tão autoritárias quanto o revolucionário de esquerda.

Agora há pouco, navegando na internet, me deparei com uma imagem de uma "revolucionária" pichando as paredes da universidade, sob a desculpa de defender os "trabalhadores" da "opressão". Adivinha quem terá que limpar esta bagunça?

O mesmo vale para outro caso de feministas escrevendo sobre o "empoderamento" da mulher para a moça da faxina. De certo esperam que a faxineira, que precisa ganhar o pão de cada dia, vá ler algo assim, largar o pano e ir para a rua protestar por um "mundo melhor".

Bom, poderíamos nos perguntar, quem sabe esses revolucionários percebam que estão agindo errado e prejudicando as pessoas que querem ajudar, e percebam que há outras maneiras de fazê-lo? Errado! Eles não pensam duas vezes antes de lutar pelos supostos "oprimidos", e o fazem em nome de toda uma classe social, "raça" ou o escambau a quatro. As massas, coitadas, não são tão iluminadas quanto o revolucionário, e cabe a este mostrar-lhes a luz da razão para que vejam o quanto são oprimidos. Os que não compactuam de sua visão não passam de alienados que devem ser guiados para o "caminho certo" de um mundo perfeito e sem opressão, feito cãezinhos amestrados.

Bom, então talvez eles percebam o quanto a realidade é complexa e vejam que tem que agir com cautela? Errado de novo. Questionar seus métodos seria questionar a própria luta e a própria revolução. Ele precisa da luta assim como um peixe precisa de água. Ele não pode duvidar de si próprio.O revolucionário se crê um messias salvador do universo, capaz de moldar a sociedade como um ceramista é capaz de moldar o barro. Questionar seus métodos significa questionar sua pureza e, no limite, a própria revolução. O revolucionário não tem tempo para perder com autocrítica, dúvidas, angústias ou complicações da realidade. Está ocupado demais melhorando o mundo.

Império da lei? Direitos? Tradições e instituições? Tudo isso são preconceitos burgueses e perpetuadores da opressão, obstáculos a serem superados e criados por seres inferiores. O revolucionário não faz parte dessa ralé, pois sabe como criar um mundo perfeito e fazer um trabalho melhor do que todos os homens que já pisaram na Terra. Quer desempenhar o papel de deus: ao invés de mudar as instituições, busca mudar os próprios homens. Todos aqueles que não concordam com ele são opressores. O revolucionário é aquele, como já disse uma vez nosso ilustre Nelson Rodrigues, que ama a humanidade, mas detesta seu semelhante. E se houver revolucionários de quem discorda? Isso simplesmente não existe para ele. Quem é contra seu projeto de mundo é um inimigo, um opressor, um fascista, um defensor do status quo. O único resultado aceitável é o mundo perfeito de seus sonhos delirantes.

Mas, afinal, o que é um revolucionário? Um lunático? Um esquizofrênico? Um narcisista maníaco? Não meu caro, o buraco é bem mais embaixo.

O revolucionário é aquele ser incapaz de enxergar que o mundo lá fora vai muito além do seu próprio ego.




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