Millor Fernandes:


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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Opinião: Porquê não sou (mais) Libertário



(Por: Thiago Queiroz)

Basta uma maçã podre para estragar uma cesta inteira, já dizia o velho ditado. Há alguns anos graças a alguns amigos conheci os portais IMB, Libertarianismo, e afins. Os textos de Von Mises, Hayek e Bastiat vieram a ser fundamentais para que eu saísse da TI onde eu andava e fosse estudar Economia. Aqueles textos traduzidos pareciam de início não se encaixar perfeitamente em nossa realidade brasileira, porém a mensagem Liberal começava a ecoar e aquele pequeno grupo de pessoas com idéias liberais começou a trocar idéias, se espalhar e diversificar, e tão logo se expandiu.

Há alguns meses o professor e pesquisador do IPEA Adolfo Sachsida publicou um texto chamado " Um Conselho aos Seguidores de Von Mises: Não Se Tornem Seguidores de Karl Marx" que dizia "Von Mises é certamente um dos grandes pensadores de economia. Infelizmente para ele, alguns de seus seguidores abandonaram seu brilhantismo e passaram a defender uma espécie de seita. Para esses seguidores - muito ao estilo da galinha de A Revolução dos Bichos que declarava "duas patas mau, quatro patas bom" -, ou você concorda com TODAS as ideias liberais até sua extensão máxima ou então você é um canalha (novamente se aproximam dos marxistas nos insultos)."

Vieram os radicalismos, apareceram figuras como os "Testemunhas de Rothbard" que usavam o argumento da liberdade de mercado para justificar qualquer coisa ou os "Randroids", que encaravam qualquer dose de compaixão ou altruísmo para com o próximo uma fraqueza a ser exterminada. Até aí tudo parecia bem, mas havia algo de podre no reino da Dinamarca. Alguns dos ditos libertários passaram a se tornar utopistas, se separando dos liberais que fundaram a Escola de pensamento Econômico de Viena, que seguia a visão clássica, escocesa, para tomar ares revolucionários à Francesa.

Com a troca da paternidade liberal, esses libertários passaram a ter um plano, assim como um socialista utópico, ele muda conceitos, cria todo um sistema para a sociedade e sacrifica toda experiência acumulada até então em nome de algo que nem ele sabe o que é, e nem mesmo sabe onde quer chegar. E ele não quer isso para o indivíduo, e sim para toda uma sociedade. Ele pode não perceber, mas é um tipinho coletivista e autoritário. Alguns já começaram a forjar raízes jacobinas para tentar se aliar com todo e qualquer tipo de esquerda e a defender minorias se esquecendo a menor minoria do mundo que é o indivíduo.

"Estar seguros de que tudo a nosso respeito e à nossa volta irá definhar gradualmente, até que, no final, nossos objetivos serão encolhidos à insignificante dimensão de nossas mentes."(Edmund Burke)

Comentário: Esse texto do Thiago foi bem compartilhado nas redes sociais; inclusive por um dos nossos novos pensadores de maior sucesso recente: Flavio Morgenstern. Logo em seguida vieram os ataques.

Preciso citar um em especial pois se trata de algo bem preocupante:

Não vou citar nomes mas, dado o tipo de ideia defendida além da incapacidade de compreender um texto que ataca alguma de suas influências politicas e econômicas, penso eu, trata-se de um futuro torcedor do "Boi Garantido", se é que me entendem, que possivelmente irá querer ganhar um troco a mais com a divulgação não autorizada do seu nome.

"Acho divertido quando chamam libertários de 'esquerda' ou 'marxistas' - apenas ilustra que não entenderam bulhufas. E pelo que entendi deste texto esquisitão o Rothbard e seus seguidores são considerados burros pois defendem que monopólios estatais são contraproducentes e caros - tá certo. Parabéns pela profundidade e erudição. (...)você não compreende pois ele ataca um espantalho que o libertarianismo e a EA não são. A aflição do autor é óbvia - ele não pode admitir que o estado tal qual ele preza seja questionado ('o mercado não pode dar conta') . Por isso, bate nos 'moleques utópicos' que o questionam. Toda a verborragia pretende apenas ocultar a crença cega no monopólio estatal, que para ele assegurará a ordem, a justiça, a virtude, o bem. Se para isso ele tem que desacreditar Mises, Rothbard, a EA, os reconhecidos especialistas libertários, pouco importa. Ele precisa dormir em paz".

Eis o porque da minha preocupação nesse comentário. É preocupante quando o presidente do instituto que deveria ser a maior voz do libertarianismo consegue enxergar no texto do Thiago "crença cega no monopólio estatal".

Essa intolerância a uma ideia a ponto de distorcer TODO o conteúdo de um texto vinda de um marxista eu até compreendo. Mas de Anarco-capitalistas... Sendo muito justo  Conheço marxistas mais sensatos e abertos ao debate que a maioria dos anarco-capitalistas que já vi. Não é a toa que no Brasil um astrólogo se tornou o maior filosofo da direita.



Eu já começava a desistir e pensar numa forma de conseguir uma cota ou uma bolsa-qualquer para sobreviver num pais tomado por uma cegueira ideológica completa. - Socialistas podem ter vários defeitos, mas nunca diga que são desunidos, motivo pelo qual eles são os detentores da hegemonia politica, cultural e ideológica do Brasil - Eis que em seguida surge a luz nas trevas e alguém mata a charada:

"Se você tentar estabelecer um diálogo com um marxista, tendo a economia como pauta, e disser que um simples lampejo de livre mercado pode ser benéfico e necessário, o cara vai cair matando em cima de você como um cão raivoso, e vai demonizar tudo o que possa ser liberdade de mercado. Do mesmo modo, só que de forma oposta (por isso eu disse que os anarco-capitalistas são marxistas com o sinal invertido), se você tenta, em um debate econômico com um anarco, dizer para ele que um vestígio de regulação pode ser benéfico e imprescindível para a economia, ele também cai matando em cima de você como um cão raivoso, demonizando toda e qualquer simples regulação, assim como o marxista vai demonizar toda e qualquer simples desregulação. Ambos vivem no mundo da lua, no mundo das teorizações excessivas e absurdas, onde a realidade é um detalhe que precisa ser solenemente ignorado em favor da ideologia".

Que bom que ainda há esperança, não muita, mas há.

Ainda bem Thiago, que você não falou do lamentável episódio em que alguns "liberotários" tentaram ficar amigos da Lola...

Por isso que eu, ainda, não deixei de ser um Libertário, mas o Thiago é livre para pensar como quiser.

Nunca confie em alguém que acha que tem a formula magica pra resolver o mundo inteiro. Quando alguém fala isso obviamente esta superestimando sua formula e os resultados não serão os melhores.

sábado, 7 de setembro de 2013

Todo o meu ódio e rancor para a Sky, parte II

Isto já está começando a se tornar uma trilogia, o que é uma pena.

Eis o porque eu não acredito que o anarco-capitalismo funcione no Brasil: A Black friday brasileira e o serviço de atendimento da Sky. O empresário brasileiro tem uma visão de merda, igualzinho o povo daqui. Em estado infelizmente é necessário, mas é preciso que seja um estado mínimo.

Abaixo o texto de minha reclamação feita no site Reclame aqui (um bom exemplo de iniciativa privada sendo mais competente que o órgão do estado: PROCON).

Todo o meu ódio e rancor para a Sky, parte II

Possuo duas matriculas com a Sky e estou tentando fazer uma reclamação sobre uma delas no 10611. Fiz contato quatro vezes. Por três vezes os atendentes desligaram na minha cara alegando que não podem atender minhas solicitações, porque a outra matricula estaria em atraso, não está.

1 - Além da argumentação ser completamente bisonha, pois seguindo esse mesmo critério uma companhia de Energia poderia a revelia do assinante cortar a luz de duas residências de um mesmo CPF, mesmo que não estejam no mesmo terreno.

2 - Estou querendo enviar o comprovante de pagamento da matricula que vocês afirmam estar em aberto por e-mail (Não sou obrigado a possuir fax) seus atendentes se recusam a me fornecer um endereço de e-mails para envia-la, se recusam a transferir a ligação a um supervisor e me recusam qualquer solicitação para a outra que está em dia.

Em outras tentativas de contato, sequer completa a ligação. O que me leva a crer que vocês possuem algum mecanismo que bloqueia o número de alguém. Pois bem estou anotando os protocolos de cada ligação. Ou vocês me atendem ou vou ser obrigado mover mais um processo contra vocês. Pois já temos um processo correndo contra a sky. Não tenho problema algum em faze-lo novamente.

Em tempo: Depois de ter que fazer reclamações no site da Sky e no Reclame Aqui, recebi uma ligação de uma supervisora da Sky que finalmente atendeu minha solicitação.

Se tivesse que esperar pela Anatel, eles teriam uns 3 a 5 dias úteis para me atender. Lembrando que a alegação da Sky de que não poderiam atender minhas solicitações, por uma matricula estar em atraso.

domingo, 30 de junho de 2013

Receitas para o fim da corrupção

Não chega a ser uma grande novidade a afirmação de que a corrupção é uma das grandes chagas que ainda insistem em impedir o desenvolvimento do Brasil e a resolução de diversos problemas que ainda nos prendem ao subdesenvolvimento. Estima-se que percamos anualmente cerca de R$82 bilhões para a corrupção, dos quais apenas uma ínfima parcela (0,7%) é efetivamente recuperada.

Também não é novidade o fato de que, entra ano, sai ano, entra governo, sai governo, os casos de corrupção no Brasil parecem somente crescer em frequência e magnitude.

O que a opinião pública parece ignorar solenemente, entretanto, é a estreita ligação entre a corrupção no Brasil e a excessiva abrangência do estado em nossa sociedade.

O gráfico abaixo é composto por dados de 25 países de distintas realidades políticas, geográficas e econômicas. Nele percebemos a forte correlação entre corrupção e liberdade econômica por meio da análise de dois rankings internacionalmente reconhecidos: o Índice de Percepção de Corrupção, da Transparência Internacional, e o Índice de Liberdade Econômica, da Heritage Foundation.

A correlação entre as duas variáveis é visível. É claro que nem toda correlação implica em uma relação de causalidade, mas temos bons motivos para crer que um mercado mais livre afeta, sim, o nível de corrupção encontrado em um país. Isto deve-se fundamentalmente ao fato de que quanto maior a participação do estado na economia e a autoridade conferida a seus agentes para interferirem no processo de mercado, maiores são as oportunidades de corrupção.

Dadas as dificuldades no cumprimento de tarefas tão prosaicas e, ao mesmo tempo, tão vitais ao crescimento e desenvolvimento do país, como a abertura de um negócio, a obtenção de uma licença ou o pagamento de tributos, é natural, e até instintivo, que se busque maneiras de contornar tais obstáculos. Some-se a isso a falta de uma cultura de transparência e prestação de contas por parte dos poderes públicos e um sistema penal permissivo e ineficiente (onde a probabilidade de punição é baixíssima) e temos um ambiente perfeito para o florescimento da corrupção em suas diversas formas.

Parafraseando Nelson Rodrigues, o subdesenvolvimento institucional brasileiro não é fruto de improviso, mas sim uma obra de séculos. Neste contexto de apatia da sociedade civil e hipertrofia de um estado com vocação patrimonialista, não se pode falar em diminuição da corrupção sem antes colocarmos o estado em seu devido lugar. O escritor e satirista político P.J. O’Rourke resume bem a questão: “Quando a compra e venda são controladas por legislação, as primeiras coisas a serem compradas e vendidas são os próprios legisladores”. Ao delegarmos a agentes políticos a autoridade de definir de maneira tão arbitrária, e cada vez mais abrangente, quais bens e serviços serão negociados, e em que termos o serão, estamos não só abdicando da nossa liberdade de escolher, mas também oferecendo um prato cheio para que interesses específicos “adotem” determinadas causas e políticos que as defendam.

“Se os homens fossem anjos”, escreveu James Madison no número 51 d’O Federalista, “nenhum governo seria necessário”. A tragédia é que o processo político estabelece incentivos que parecem garantir que justamente aqueles dotados das características menos “angelicais” cheguem ao poder. Diante deste cenário, é absolutamente necessário que o governo seja tão enxuto quanto possível.

Quanto maior o escopo de atuação do estado e da “sociedade política, menos sobra para o indivíduo e para a sociedade civil. Em síntese: se queremos diminuir a corrupção que permeia e contamina as instituições políticas brasileiras, é preciso reduzir os poderes nas mãos dos políticos. Uma sociedade de homens livres deve reclamar para si o direito de escolher o que fazer com sua vida, liberdade e propriedade sem ter que delegar parte fundamental de sua autonomia a uma autoridade política.
Fábio Ostermann para o Ordem Livre

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)