Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

DOUTRINAÇÃO, INVASÕES E FRANKEINSTEIN – O MONSTRO QUE IRÁ NOS DESTRUIR



Por Kleryston Negreiros

Neste final de semana, 191 mil estudantes estarão impedidos de fazer o ENEM – para muitos, a maior oportunidade de suas jovens vidas até aqui, a chance que ingressarem num curso superior e melhorarem de vida. E serão impedidos devido às ocupações que vem ocorrendo por todo o país (mais especificamente em Estados que se opuseram em algum momento ao governo que saiu) em escolas públicas promovidas por alunos que se declaram apartidários e que lutam por uma melhor educação.

Não vou me ater ao paradoxo irônico que essa turba profere. Na verdade (e é do que pretendo tratar), desde que essas invasões começaram, em 2015, não pude evitar a comparação com o sentido de uma obra que li há muitos anos, antes de entrar na faculdade e que rememoro toda vez que vejo a ordem das coisas sendo invertida e sendo promovido o caos. Sim, a obra é Frankeinstein, e, não, não enlouqueci, como pode achar o leitor dessas mal traçadas linhas.

O que me remete ao livro de Mary Shelley é justamente o ponto que levou a essa insanidade no país: a subversão da ordem natural, um espírito jovem e imprudente tomando as rédeas de algo que não lhe compete, a arrogância juvenil de não aceitar os fatos como são ou como devem ser e, de forma caprichosa e mimada, tentar desenhar o mundo à sua imagem e semelhança – algo barulhento e imprudente.

No livro, temos a história do jovem Victor Frankeinstein. Rico, com uma família feliz e estrutura, uma noiva que o ama e aspirante a médico, uma vida sem atribulações ou sustos. Ao ingressar na Universidade de Viena, toma contato com uma teoria de um de seus professores que o impacta bastante: o uso da eletricidade para reavivar mortos. Como todo jovem estudante, fica empolgado com essa teoria tão inusitada e passa a assistir as aulas desse docente.

Tudo ia bem até que a tragédia bate à sua porta e sua amada mãe morre. Não suportando a dor da perda e tentando vencer a morte de uma vez por todas, o rapaz retorna ao seu quarto em Viena, debruça-se sobre os estudos desse professor e tenta trazer à vida um homem criado a partir de cadáveres. Depois de profanar túmulos, isolar-se de todos e chegar à beira do precipício da insanidade, ele consegue dar vida a um ser grotesco, abjeto e assustador composto por partes de corpos mortos. Victor fica assombrado com o que criou e foge, deixando sua criatura recém acordada dos mortos à própria sorte.

O monstro sobrevive, e com o avançar da narrativa vai tomando consciência do que é e quem o criou. Determinado, vai atrás de seu “pai” para que o reconheça como sua criação e ao ser rejeitado por Frankeinstein ele promove uma carnificina em sua família matando pai, irmão, noiva, deixando atrás de si um rastro de morte e miséria. Na narrativa Victor é consumido por seu maior pecado: subverter a ordem natural, sua desgraça é a criatura que trouxe ao mundo por não aceitar as leis naturais e o preço a pagar foi a sua aniquilação pelas mãos do monstro que criou.

E é assim que eu vejo esses jovens militantes. Assim que eu vejo essas invasões. São pequenos Victors insuflados por professores irresponsáveis que os ensinam que a ordem natural deve ser subvertida e negligenciados por pais omissos e permissivos que criam pequenos tiranos incapazes de lidar com frustrações e a ordem estabelecida. São alçados à categoria de engenheiros de um novo mundo, os baluartes da nova era e são instigados com teorias espúrias de caos e miséria. Assim como Victor Frankeinstein, a arrogância desses meninos e meninas levam-nos a atos impensados que causam mais danos que benefícios.

Olhando as escolas ocupadas é possível perceber o poder destruidor desses garotos. O monstro que vai devorando o patrimônio público, as vidas desses jovens e os que são prejudicados por eles é incomensurável. Da mesma forma que a família Frankeinstein foi uma vítima da vaidade do jovem médico, os alunos que perderam aula e terão que fazer a prova dentro de um mês ou até os que farão agora e perderão a oportunidade de se preparar um pouco mais são tão vítimas quanto a família do livro.

Já esses jovens invasores não. Porque num mesmo ambiente de militância, como são essas escolas, há também aqueles que não se deixam contaminar pela a insanidade. Esses pequenos tiranos fazem uso de um discurso que legitima seus mimos e arrogância e essa minoria de bárbaros se acha no direito de decidir o destino de muitos.

Sim. Há uma relação com a obra. Não na estrutura ou diretamente, mas na loucura, na irresponsabilidade, na arrogância. Há relação no caos provocado por um gesto tresloucado e mimado de alguém que não aceita adaptar-se ao mundo, mas ao contrário, quer adaptar o mundo ao seu universo particular. Há proximidade de narrativas entre alguém que não aceita o fato de que há uma ordem, seja natural, seja social, de que sua imprudência não é isolada. E sim, não isento professores, sindicatos, políticos e toda uma corja que se esconde atrás de crianças para ter seus intentos, mas isso, é assunto para outra coluna. Até a próxima.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

Também é membro do grupo Biblioteca Liberal-Conservadora

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ocupações de escola: Maoismo à brasileira


“No fim de maio de 1966, Mao montou um novo organismo, o “Grupo restrito da Revolução cultural”, encarregado de organizar a purga. (...) “Em junho, Mao estendeu o terror ao conjunto da sociedade, fazendo dos jovens que frequentavam escolas e universidades seus instrumentos primeiros. “Os estudantes foram encorajados a atacarem os professores e a todas as pessoas encarregadas de sua educação, com o pretexto de que uns e outros lhes tinham deformado o espírito com suas “idéias burguesas” (...) as primeiras vítimas foram os mestres e o pessoal administrativo dos estabelecimentos escolares porque eram eles que instilavam a cultura... “Em 2 de junho, colegiais de Pequim afixaram um cartaz assinado por um nome impactante: “os guardas vermelhos” ... “A prosa estava salpicada de fórmulas agressivas “A baixo os ‘bons sentimentos’!”, “Nós seremos brutais!”, “Nós vos derrubaremos e vos esmagaremos aos nossos pés!”. Mao tinha semeado o ódio e ia recolher os frutos desencadeando os piores instintos dos adolescentes que constituíam o elemento mais maleável e mais violento da sociedade”. (p. 556-557) Fonte: Jung Chang e Jon Halliday, “Mao”, Gallimard, Paris, 2005, 843 p.

O Colégio Pedro II realizou evento em homenagem à revolução cultural Chinesa, com a presença do MST e movimentos sociais de esquerda. Pais que protestaram contra isso foram expulsos do evento.


 "A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é um insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra." (Mao Tse Tung).

Nas ocupações de escola, principalmente no Paraná, jovens menores de idade orientados por professores, sindicalistas e universitários ocupam escolas sem supervisão de um maior de idade e não permitem a entrada dos pais dos alunos nessas escolas. Atas assinadas por esses alunos subvertem a realidade, a ordem e as leis. Transformam essas escolas em território onde a constituição inexiste.

Percebam o denominador comum entre as duas situações e também à sua solução. Família.

Eu fui jovem e posso dizer. jovem só faz merda. A ausência de um pai e uma mãe para dar rédeas aos filhos historicamente sempre causou tragédias.

O que a revolução comunista na China tem a ver com os protestos e ocupações de escola no Brasil? Talvez a pergunta certa seja: O que jovens de 16 a 20 anos cheios de ideais e guiados pela pessoa errada podem fazer?

Adultos, sindicalistas pelegos usando adolescentes para fazer o trabalho sujo de uma greve. Isto meus amigos, nada mais é do que um Maoismo à brasileira.

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)