Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Por mais absurda que seja a lei, deve ser cumprida, mas isto não significa que seja moral.

"Quando a lei e a moral estão em contradição, o cidadão se acha na cruel alternativa de perder a noção de moral ou de perder o respeito à lei." (Bastiat)

Torcedor do Fluminense ironiza rivais após decisão do STJD
É o retrato do que qualquer brasileiro faria, se pudesse.


"Dura lex, sede lex" - A expressão em latim diz que a lei é dura, mas deve ser cumprida. E eu concordo.

Não vou entrar no assunto explicando o código e os argumentos de Flamengo e Portuguesa, informação tem por ai e o código pode ser facilmente baixado na internet. Nem criticar a atitude de um HUMORISTA que é, coincidentemente, torcedor do Fluminense. O fato meus caros, é que a Portuguesa cometeu um erro crasso digno da incompetência dos dirigentes e políticos brasileiros. O Flamengo também errou, mas por erro de interpretação do código de justiça desportiva. Ao meu ver o clube passa por uma situação desnecessária pois o assunto já vinha sendo discutido na Gávea. E não custaria nada ter consultado alguém do STJD antes de escalar o atleta André Santos, que não é nenhum Messi, para uma partida que não valia mais nada a não ser a entrega das faixas entre Flamengo e Cruzeiro.

Questionar a lei como o Flamengo está fazendo nos tribunais é sempre válido, visto que o código do STJD é tão cheio de brechas e lacunas que permitem várias interpretações. Mas acho que ele infelizmente deve ser cumprido, por mais estúpido e mal feito que seja. Uma vez que os clubes em algum momento Flamengo e Portuguesa assinaram sua concordância com os termos de cumprimento. E se você concorda com algo tem que cumprir, ou então que fizessem como 87, em que em, momento algum os clubes disseram que cumpririam o regulamento imposto pela CBF.

O Flamengo errou e deve buscar a justiça para se defender, mas caso perca que cumpra a lei.



O fato do Fluminense estar sendo beneficiado só comprova o quanto o tal código é estúpido e mal feito, por eliminar aquilo que deveria ser seu maior comprometimento num torneio esportivo: MERITOCRACIA. Um clube que teve um péssimo desempenho na competição, que não fez nada certo durante todo o campeonato, que merecia ser rebaixado será beneficiado por um erro de um clube que fez tudo certo até antes da última rodada. Isto é extremamente anti ético, mas é a norma.

"Dura lex, sede lex", você pode questionar que se fosse o inverso o tribunal não seria tão rigoroso, pode criar várias teorias conspiratórias, questionar tudo e todos, o céu e o inferno e o mundo de todas as formas que eu irei concordar contigo. Sabemos bem que no nosso mundo a justiça não é cega e que para muitos a lei segue o principio de "Dura lex, sede latex" (Fernando Sabino) - A lei é dura, mas pode ceder dependendo da sua conta bancária ou poder politico. Questionar é sempre válido e lutar para mudar uma lei que se considera injusta é muito importante. Mas a decisão da justiça deve ser acatada.

Agora é preciso dar o nome aos bois. O Fluminense não entrou com o processo, não fez a denuncia, mas está se beneficiando da lei. E seu presidente não pode vir a público dizer que o "Fluminense não tem nada a ver com isso" se está participando ativamente do processo tendo um advogado seu atuando como parte interessada para garantir que o regulamento seja cumprido. Assumam pelo menos isso, que eu irei respeita-los.

Não é nada diferente de nossos parlamentares que ganham salários altíssimos e ainda gozam do direito de diversos tipos de auxílio: Terno, Residencial, Combustível. E ainda podem aumentar seu próprio salário anualmente. 


Pergunte quantos deles abrem mão destes benefícios. Que eu não saberia contar mais que cinco (que abrem mão apenas um ou dois destes benefícios - apenas um, declara, abrir mão de quase todos). Mas é a lei, está no papel e deve ser cumprida se a parte interessada achar que cabe.

Quantos brasileiros abririam mão desse direito se lhe fosse dado este direito? Eu te diria que bem poucos. Então, será que os protestos dos demais torcedores que bradam contra o Fluminense tem alguma moral? Seus clubes abririam mão deste beneficio se fossem eles os rebaixados? Eu duvido muito. Mas eu permito que os senhores mintam a vontade para mim e para si mesmos.

Só não me venham querer descontar sua frustração e falsa moral, por não serem beneficiados ou por terem a opinião contrariada pelo tribunal em cima os torcedores tricolores. Pois um dia os senhores terão a sua chance de provar sua honestidade e ética. E duvido muito que passarão no teste, assim como não abririam mão de terem benefícios como nossos políticos. Seu teto é de vidro. Agredir qualquer pessoa somente porque pensa diferente de você é estúpido, imoral e é crime!

Só não me venham então, tricolores posar de moralizadores, e de arautos do cumprimento das leis e da justiça. Vocês sabem que não tem mérito algum em gozarem da permanência na primeira divisão. E isso será lembrado em todos os jogos que seu time disputar. Mas gozar dessa lei que é dura e ao mesmo tempo anti ética e anti meritocrática é seu direito.  Se pudessem não hesitariam a não cumprir, fossem vocês os prejudicados. Façam uso deste direito. Só espero viver para ver o contrário acontecer e ver muitos dos que estão posando de legalistas pedirem um relaxamento nos rigores da lei.

Nem tudo que é direito é moral.

Como eu queria que os senhores, dos dois lados, virassem essa indignação e essa moralidade para o lado de quem realmente está se beneficiando às suas custas desde sempre.



"A ausência da ética deixa um vácuo onde se propaga a onda da corrupçao" - (Antonio Gomes Lacerda)


Para encerrar compartilho essa palavras do meu amigo, quase irmão João Claudio Villa Gomes que é tricolor de coração:

"Fico realmente triste em ver pessoas que acham normal esse papo de tricolor entrar na porrada por vestir a camisa do seu clube, ou achar natural que o Fluminense seja responsavel por todos os podres de um futebol Brasileiro que a historia nos mostra que é muito corrupto. Mas o que me deixa mais triste é ver pessoas achando um processo natural e ate ficar incentivando que tricolores entrem na porrada. Umas das coisas que mais gosto de fazer é usar cada uma das minhas centenas camisas do Flu e vou continuar usando, e ah daquele que se acharem no direito de colocar a mão em mim, vou fazer valer o direito que tenho de me defender de um animal desses!!!" 

E faço um adendo, ele e outros tantos amigos que, assim como minha própria mãe são tricolores. Ai de quem ousar relar um dedo neles.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Marcelo Freixo e Bebeto criam Ingressos populares a 30%. Quando o cão raivoso do estado morde a mão nada invisível do futebol.

Em nenhum lugar decente do mundo futebol é tratado como politica pública. Justiça social se faz com acesso a educação e saúde de qualidade. Não com acesso fácil a jogo de futebol em detrimento de uma parcela que vai arcar com o custo, pesado, dessa benevolência estatal.

O mesmo estado que privatizou o maracanã após termos pago mais de 1 bilhão nele, sem que esse dinheiro retornasse aos cofres, e ainda causou o encarecimento dos custos de uso do estádio.

O projeto é de 2011, mas honestamente essa quizumba toda há 11 meses de uma eleição fica muito difícil de não chamar de oportunismo

PROJETO DE LEI Nº 1165/2011

"Art. 1° – Os gestores, administradores e concessionários de estádios de futebol, arenas e outros equipamentos esportivos que, em sua construção ou reforma, tenham recebido isenções ou outras modalidades de benefício fiscal, outorgados pela União, Estado do Rio de Janeiro ou Prefeituras, deverão reservar, em cada evento desportivo que sediarem, 30% dos ingressos para serem comercializados a preços populares."

Art. 2º – Os ingressos a preços populares serão destinados as pessoas relacionadas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, regulamentado pelo Decreto Nº 6.135, de 26 de junho de 2007, ou beneficiadas pelo Programa Renda Melhor, instituído pela Lei Estadual N° 6.088, de 25 de novembro de 2011.

Art. 3° – Para aquisição de ingressos a preços populares o beneficiado deverá apresentar, nos postos de venda indicados pelo promotor do evento esportivo, documento de identificação com foto e comprovante de inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal ou no Programa Renda Melhor do Governo Estadual.

Art. 4° – O valor cobrado pelos ingressos comercializados a preços populares não poderá exceder a 30% do valor do ingresso mais barato disponível ao público em geral.

Art. 5° – Esta Lei entra em vigor noventa dias após sua publicação. .

Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 15 de Dezembro de 2011.

MARCELO FREIXO DEPUTADO ESTADUAL

BEBETO DEPUTADO ESTADUAL

JUSTIFICATIVA

O objetivo da presente proposição é preservar o caráter popular do futebol, fazendo-lhe inclusive de modelo para outras modalidades esportivas. Por isso, a defesa de cota de 30% de ingressos a preços populares não apenas para estádios e arenas, mas para o conjunto de equipamentos esportivos. Com inspiração em propostas da Associação Nacional de Torcedores e Torcedoras (ANT), esse projeto de lei versa sobre a democratização do esporte no país, atentando-se ao exemplo do futebol, que é um patrimônio cultural do povo brasileiro, responsável pela criação de um estilo único e inigualável de jogar e também de torcer reconhecidos mundialmente. A exclusão do povo dos estádios impede os inventores deste patrimônio de usufruírem do mesmo e põe em risco a reprodução da relação especial existente entre o povo brasileiro e o futebol. A maior parte dos atletas que participam do espetáculo é proveniente das classes populares: elas fornecem a mão-de-obra principal e portanto devem ter acesso aos estádios. Um jogo de futebol não é uma peça de teatro, no futebol o público também participa, influi e compõe o espetáculo; estádios vazios ou frequentados somente por espectadores passivos empobrecem e põem em risco a cultura do futebol.

Se o estádio, arena ou ginásio foi construído com recursos provenientes de impostos e taxas pagos pelo povo brasileiro é apenas uma questão de justiça que ele possa entrar nos equipamentos que ele financiou.


Querem saber de uma coisa? Isso é um tapa na cara dos dirigentes do futebol carioca para aprenderem a não ficar passando pires pro estado pedindo arrego das merdas que fazem. Querem Timemania, querem ajuda da prefeitura para equipar centro de treinamento pra receber delegação de olimpíada, querem isenção fiscal, perdão das dividas trabalhistas.

BEM FEITO estado não passa de um cão raivoso que te morde a mão na primeira chance que tiver.

Políticos não deveriam se meter em futebol. Geralmente onde eles pisam não nasce grama. Assim como dirigentes de futebol deveriam fugir de qualquer proximidade com o estado. Muito menos interferirem no mercado, sim futebol é mercado.

Isso deveria ser um raciocínio lógico. Mas em um país onde as pessoas não estão acostumadas a exercer seu poder de consumidor, infelizmente a lógica vai para as cucuias. Não é a toa que todo parlamentar brasileiro se acha no direito de legislar como quiser.

Há gratuidades, meia entrada e sócio torcedor. Então na prática quase ninguem irá pagar 250,00. Mas se tem quem pague 500 na mão de um cambista por ingresso falso não vejo porque de o flamengo não poder cobrar 250.

Eu que não sou idoso, não sou estudante, nem estou em dia com meu titulo de sócio optei por nunca mais ir em um jogo enquanto eu não puder voltar a ser sócio.

Como sócio eu nunca mais irei ter que ficar 6 horas numa fila pra comprar ingresso e ainda ficar de fora do estádio como aconteceu em 2009. - Acho justo que o clube procure formas de forçar a adesão ao seu programa de sócio.

Se você acha que um ingresso de um jogo, show, se um videogame está muito caro. NAO COMPRE, NAO CONSUMA, BOICOTE!

Enquanto existir quem pague 600 por um show, 500 na mão de um cambista, 4 mil por um videogame e 30 mil num carro popular. Não há porque de o mercado baixar seus preços.

PS: O MP só entrou na jogada contra os preços pedidos pelo Flamengo na final da Copa do Brasil através do pedido do Capitão Léo. Parabéns bando de iludido.

Adendo: O Art. 1° Não age apenas em cima de concessionárias de estádios privatizados. Ela cria uma situação curiosa para os clubes:

Qualquer clube que administre ou tenha tido isenção fiscal para reformar ou construir um estádio terá que ceder 30% da capacidade para atender esta lei.

Portanto se o Botafogo mantiver seu contrato com o Engenhão terá que ceder 30% da capacidade. Se São Januário no passado tiver contado com ajuda pública para reforma ou construção de São Januário, terá que ceder 30%. Se Flamengo ou Fluminense decidirem construir seus estádios, fatalmente contarão com isenções fiscais para tal.

Ou seja, essa lei morde a mão de qualquer clube que já tenha ou terá um estádio. A menos que ele consiga reformar ou construir com 100% de seus recursos.

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)