Depois de patriotas desfilarem no Sete de Setembro ostentando bandeiras dos EUA, na sincera esperança de que algum general estrangeiro resolvesse nossos problemas internos; depois de uma direita que vivia discursando sobre “bukelização” do país, leis mais duras e punições exemplares votar um projeto que alivia a pena de todos os presos só para libertar um único personagem envolvido em tentativa de golpe de Estado; e, mais recentemente, diante de surtos coletivos de paranoia e esquizofrenia de conservadores cristãos exigindo explicações de uma banda punk por uma letra escrita em 1985 criticando o Papai Noel — sem esquecer o chilique provocado por uma propaganda de sandálias —, fica difícil fingir surpresa.
Diante disso, afirmo com tranquilidade: declarar-se de direita virou um atestado espontâneo de imbecilidade. Dizer-se patriota é assumir o papel de vassalo entusiasmado dos EUA. E se proclamar cristão conservador parece, cada vez mais, um quadro clássico de esquizofrenia paranoide temperada com falso moralismo e uma generosa dose de hipocrisia.

