Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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sexta-feira, 3 de março de 2017

A torcida única no futebol carioca demonstra a preguiça e o descompromisso de nossas autoridades em combater a violência

Nossas autoridades não fazem a menor questão de disfarçar sua incompetência e principalmente sua PREGUIÇA em resolver qualquer tipo de problema que surja, ou seja criado peles próprios.

Tudo se resolve com uma canetada. Ou pior, se joga a culpa na falta de educação e põe a solução num futuro muito distante. Lembrando que a educação é provida e regulada pelo estado.

Torcida única não é sequer uma solução paliativa. É uma decisão tão frágil quanto tratar uma fratura exposta com um band aid.

 - Nada impede que torcedores de um time adversário apareçam nos arredores do estádio.

 - Nada impede que torcedores rivais comprem ingressos e vão para o estádio descaracterizados.

 O que essa liminar estúpida pretende é impor um absurdo toque de recolher às torcidas rivais.

 E lembrando somente: quem quer cometer crimes ou violência geralmente não se importa em descumprir leis e canetadas.

Quem é penalizado é o cidadão pacífico.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O estado pode te proteger?




O evento ocorrido no hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, nos leva a uma reflexão onde alguns fatos precisam ser levantados.

A policia leva um bandido de alta periculosidade a um dos principais hospitais de emergência da cidade:
- A medida descumpre uma decisão do CREMERJ que diz que presos devem ser levados para hospitais penitenciários ou hospitais da policia, onde possam permanecer em vigilância constante;
Segundo site oficial o Rio possui três hospitais penitenciários:
http://www.visitanteseap.rj.gov.br/Visita…/unidadesseap.html
- Nos 6 dias que esteve internado o preso recebeu visita de familiares e advogados, conseguiu falar ao celular. É denunciado que o preso tem PRIORIDADE DE ATENDIMENTO, passando na frente dos demais pacientes para fazer exames de raio X e demais procedimentos;
- A policia civil informa à secretaria de segurança do estado que existia um plano de resgate do preso de dentro do hospital. Portanto o secretário de segurança SABIA QUE HAVIA UM PLANO DE RESGATE EM CURSO;
- O hospital fica numa região central da cidade, próximo a o batalhão de choque da PM, próximo a um batalhão dos bombeiros e próximo a sede da secretaria de segurança do estado.
- DOIS policiais são mantidos no local para vigiar o preso. Um dos PMs desabafa ter informado ao seu comandante que percebeu movimentação estranha que evidenciava que havia gente observando a rotina do hospital o que denunciava que a descoberta da policia civil era real. O PM solicita ao seu comandante reforço de viaturas, armamento mais pesado (fuzis) uma vez que os dois policiais só portavam pistolas e recebe de resposta do comandante que não era necessário transitar no hospital com armamento pesado.
- Nenhuma viatura é enviada para guarnecer o local;
- Há a invasão, o tiroteio, uma pessoa que procurava atendimento hospitalar morre no confronto, funcionários são usados como refêns. Por sorte os dois policiais que guarneciam o lugar não foram mortos, mas acabaram escolhendo entre a própria vida ou lutar os dois usando apenas pistolas contra 25 HOMENS ARMADOS COM FUZIS E GRANADAS;
- Bandido é resgatado e uma vida civil é perdida.
- Nenhuma indignação. Nos acostumamos a isso.

Com todos esses dados vem as seguintes perguntas.

1) Não era para o comandante responsável pela operação; toda a cúpula da PM e o Secretário de Segurança do estado serem EXONERADOS por PREVARICAÇÃO e OMISSÃO por não terem tomado todas as precauções cabíveis mediante a informação prévia?
2) O estado tem alguma condição de proteger a sua população visto que é incapaz de conter um resgate de um criminoso DENTRO DE UMA UNIDADE PÚBLICA DE SAÚDE?
Deixo as perguntas para o governador Francisco Dornelles, uma múmia da politica carioca que hoje ocupa a cadeira do palácio Guanabara e para todos os eleitores do estado.

Agora pense no seguinte, se levarmos a questão para o âmbito nacional. Os fatos ocorridos no Rio de Janeiro não são uma exceção. Vários casos semelhantes onde bandidos são resgatados de dentro de hospitais e presídios ocorrem em todo o pais.

No Brasil vigora o estatuto do desarmamento, onde somente dois tipos de pessoas andam armadas: Policiais (autoridades do estado) e bandidos (marginais ao estado). O cidadão civil não tem este direito. Falta policiamento capaz de coibir o crime, sobram bandidos armados com equipamento melhor aos das forças policiais.

Se tomarmos o exemplo das "Free gun zones" dos Estados Unidos, Locais onde é proibido o porte de armas mesmo para policiais, que são, em geral; onde ocorrem se não todos, mas a maioria dos ataques brutais a civis naquele pais. É seguro afirmar que o estatuto do desarmamento torna o Brasil inteiro uma grande "free gun zone".

Que capacidade tem o estado de prover segurança a população?

quinta-feira, 2 de julho de 2015

As crônicas de um mineiro no Rio de Janeiro

Essa cidade é, de fato, um caso único em todo o mundo.

Por João Luis Jr

"Três coisas que aconteceram comigo nesses meus seis anos no Rio de Janeiro e que talvez não tenham ligação direta com o fato de eu estar no Rio de Janeiro mas eu vou sempre associar com o fato de que eu tava no Rio de Janeiro".

- O ano era 2009, eu era apenas um garoto de óculos recém-chegado do interior e, após me apresentar no meu emprego novo, ali na região da cidade nova, fui pegar, sozinho, meu primeiro ônibus em direção à rodoviária, na intenção de voltar pra juiz de fora e dizer pra minha mãe que tava tudo bem, confirmado, eu ia mudar de cidade, o beliche era todo do Júlio agora. “é muito fácil”, me disseram. “o ônibus pra rodoviária tá escrito rodoviária nele, ele vai te deixar na rodoviária”, me disseram. veio o ônibus, nele tava escrito rodoviária. eu entrei. munido daquela desconfiança praticamente genética que habita o corpo do cidadão mineiro, eu, mesmo vendo que na frente dizia rodoviária, mesmo vendo que do lado dizia rodoviária, mesmo vendo que dentro dizia rodoviária, perguntei pro motorista “esse ônibus vai pra rodoviária?”. ele falou “não”. eu imaginei que fosse ironia, mas na cara dele não se lia ironia, e ele tava me esperando descer. aí eu falei “não? mas aqui diz rodoviária”. aí ele falou “tá falando sério?”. eu falei “tô”. aí ele saiu do ônibus, olhou lá fora e falou “PUTAQUEPARIU, CARALHO” e voltou pra dentro do ônibus. “PUTA MERDA, ele repetiu”. e aí ele gritou lá pra trás “AGORA TAMOS INDO PRA RODOVIÁRIA, PRA RODOVIÁRIA”. no caminho pra rodoviária o ônibus bateu de leve numa kombi mas chegamos bem. eu até hoje prefiro andar de metrô no rio de janeiro.

- Aí o ano já era 2014 e eu tinha decidido fazer meus próprios picolés de coco. não queria comprar picolé de coco, não queria comprar sorvete de coco, eu queria fazer meus picolés. e também não queria usar leite de coco, essência de coco, eu queria viver a experiência de comprar o coco, usar a saborosa polpa do coco, bater essa polpa do coco com leite e açúcar, fazer meus próprios picolés. pra isso eu fui no hortifruti, comprei dois cocos e fui ali, animado, satisfeito, chego até mesmo a dizer, jubiloso, pra casa. chegando lá notei que eu não tinha onde quebrar o coco. não dava pra quebrar na pia, não dava pra quebrar no chão, tentei segurar com uma mão e bater com a outra usando um martelo, depois uma faca, apenas me cortei, o martelo quebrou um prato, não tava legal. saí com o coco. perguntei pro porteiro onde no prédio eu podia quebrar um coco e ele me olhou como se eu fosse um locatário de pijama segurando um coco, uma faca, meio sujo de sangue, perguntando onde poderia quebrar um coco. me sugeriu quebrar o coco na rua. eu saí, fui pra rua. caminhei com o coco pela minha rua, segurando um saco plástico, até achar um beco mais escondido. olhei pros lados, confirmei que eu estava sozinho. coloquei o coco no saco plástico. atirei o coco no chão. uma vez. duas vezes. antes que eu atirasse a terceira uma senhora apareceu na janela gritando TIRO, TIRO, TIRO e um porteiro surgiu na minha frente e algumas pessoas falaram em chamar a polícia. relatei isso pra minha namorada e ela me disse que é possível achar coco fresco ralado pra vender, ela não entendeu por que eu tentei resolver isso assim.

- Acho que isso faz um tempinho. eu tava esperando pra atravessar a rua saindo do metrô, do trabalho pra casa, quando o sinal ficou verde pros pedestres. um carro, mesmo diante do sinal vermelho pra ele, foi acelerando até parar exatamente em cima da faixa. eu, já mal-humorado após um dia cansativo e lembrando que todo dia é dia de ironia no meu coração, resolvi bater palmas acintosamente pro cara que estava estacionado em cima da faixa enquanto passava na frente do carro. aí ele abriu a porta dele e saiu correndo atrás de mim segurando o que parecia ser um pedaço de madeira, deixando o carro pra trás, aberto no meio da rua, com o sinal verde pra ele. eu corri dele mais ou menos até a praia e fiquei lá esperando uns 20 minutos pra ter certeza que ele tinha ido embora, quando eu aí voltei correndo pra casa e tentei não sair até o dia seguinte. 

Babilônia maravilhosa... até parece.

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)