Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Dissonância Cognitiva da Geração mimimi



A polêmica da vez nas redes sociais: alunas de um colégio no RS protestam pelo direito de usar shorts.

A princípio um acontecimento sem importância, isso revela muito sobre a mentalidade da juventude e mesmo do status quo de hoje. Não duvido se logo aparecerem grupos feministas apoiando, alegando "machismo", "opressão", "preconceito" ou "objetificação da mulher" por tal restrição em um ambiente privado. As mesmas feministas, por sinal, que depois querem reclamar e até proibir cantadas na rua.

Liberdade, para essas pessoas, não é simplesmente fazer o que quiser, mas sim fazer o que quiser sem serem julgadas, como se só pudesse haver liberdade caso tiverem o poder de controlar os pensamentos e até o discurso alheio. "Meu corpo minhas regras, mas sua boca é minha" parece ser um lema muito mais honesto.

Liberdade, para essas pessoas, não significa que cada um pode fazer as próprias regras, mas sim que elas podem fazer as delas sem ter que seguir ou respeitar as regras de mais ninguém. Confundem liberdade com a satisfação incondicional dos caprichos de seus próprios egos. É o cúmulo da mesquinharia, isso sim.

Se existe algo mais deprimente do que ver a falta de apreço pela liberdade, é ver o quanto as pessoas não entendem nada sobre o que realmente significa essa palavra. Não se surpreenda se logo vierem pessoas querendo controlar cada aspecto da sua vida enquanto alegam lutar pela "liberdade".

Talvez seja pessimismo demais, mas não vejo nenhuma chance de melhora até que essa geração aprenda não apenas a importância da liberdade, mas também que um mundo realmente livre não gira em torno de seus próprios egos. Até que aprendam esta lição, não passarão de um bando de miniditadores em potencial.

Nota do Editor: A informação oficial é de que o protesto foi incitado por membros de um grupo jovem de esquerda ligado ao PSOL. Não nos surpreende.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Coluna do Vargas: Santa Maria, Produtores em cheque?! Pontos para reflexão

 Bom dia.

Sem querer ser sensacionalista, acho que os ocorridos do último fim de semana em Santa Maria - RS precisam servir de reflexões para os produtores de eventos do underground brasileiro.

Como todos sabem, há tempos falo da qualidade e quantidade dos eventos do underground. Infelizmente, a grande marioria me interpretou até hoje como chato e polêmico e, em alguma situações, eu fui e ainda sou mal falado e boicotado por alguns produtores de eventos justamente por falar algumas verdades que as pessoas não querem ler e ouvir.

Vamos aos fatos: 231 mortos! 

Pergunto: precisava chegar neste ponto?

E se este incidente tivesse acontecido num show de metal, do que seriamos acusados hoje?

Primeiro lugar, falaram que a culpa foi do show pirotécnico. O fator que desencadeou o incêndio foi o efeito sim porém, seriam dos artistas a culpa e dolo? Não. Por que? Não é dever do artista saber se a arquitetura, estrutura e engenharia do local tem suporte para tal procedimento. O artista não é o proprietário e/ou locatário do espaço ou estabelecimento. Portanto, não é ele quem contrata seguranças, firma de iluminação e som. Essas atribuições são dos produtores dos eventos.

Quando um produtor contrata uma banda, ele já sabe o que ela faz ainda mais no mundo de hoje onde a informação está disponível no mundo digital. Quem tinha que fornecer a informação do que deveria e poderia ser feito no palco era a produção do evento. Há algum documento falando sobre isso? Por certo não e, sendo assim, este fato é a maior prova de descaso dos produtores tanto com os artistas quanto com o público. A maioria dos produtores só estão preocupados com os seus próprios bolsos. 

Se uma banda dizer nós não nos apesentaremos neste local pois este não apresenta condições de segurança e higiene para a realização do evento", com toda certeza ouvirá . " banda cheia de frescura e problemática", "se você não quiser tem quem queira" ou " quem está no rock e metal é para se fuder". Mentira? Ainda por cima, há produtores que não chamam bandas para tocar por alguns artistas não irem aos seus eventos. Há produtores que não sabem nem o que é mapa de palco.

Eu, particularmente, não participo de tantos eventos quanto gostaria pois trabalho muito inclusive aos fins de semana. Já fui boicotado por produtores do meu estado muitas vezes para agendar shows para minha banda. Com certeza, uma das coisas que em alguns momentos me desestimula ir a eventos é saber que o local não tem estrutura para funcionar. Contudo, sei que há musicistas e bandas que não participam dos eventos porque não querem compactuar com este tipo de mentalidade vigente.

Que esta tragédia sirva de lição e reflexão para o cenário underground brasileiro repensar a forma de fazer eventos. Fica um aviso para o público:

Público - Headbangers, protestar, somente, não basta. Temos que fiscalizar e denunciar juntos aos órgão competentes o que está de errado. (Procon, Corpo de bombeiros, Polícia, Vara da Criança e Adolescência e Órgãos da Saúde).

Produtores - Sei que muitos de vocês são headbangers e vocês sabem o que precisamos. Procurem se profissionalizar, estarem dentro das leis e tratar o público e bandas com mais profissionalismo, ética, respeito e carinho.

Artistas e bandas - Sejam mais criteriosos para escolherem eventos e produtores e, caso vejam faltas, pendências e irregularidades, não toquem.  

Será que não seria este o motivo implícito do público não pagar por eventos de pequeno e médio porte?

Se este modelo que proponho é utópico eu não sei mas, por certo, se este sistema de autocobrança interna acontecer, a qualidade e quantidade dos eventos irão melhorar significativamente e, todos nós sairemos ganhando com isso.

Abraços


domingo, 27 de janeiro de 2013

A tragédia de Santa Maria ou "A corda arrebenta sempre do lado mais fraco"


E a "imprensa" brasileira já elegeu os culpados dos 232 (ou mais) mortos em Santa Maria: Os seguranças. Até o Milton Neves está comparando os seguranças com policiamento de estádio.

O desabamento do prédio no RJ: O operários foram indiciados junto com os maiores responsáveis. O explosão dos botijões no restaurante: O funcionário que lidava com aquele equipamento foi responsabilizado a prefeitura que liberou tirou o seu da reta; a tragédia de xerém, petrópolis, Teresópolis : os moradores foram responsabilizados por morarem ali os prefeitos que permitiram aquilo por anos tiraram o da reta; Tragédia da boate: A culpa é dos seguranças...

O incêndio ocorreria do mesmo jeito, pessoas morreriam do mesmo jeito, porque a boate estava ILEGAL e não tinha saídas de emergência suficientes pra escoar tanta gente.

Alvará de boate incendiada estava vencido desde agosto, diz bombeiro.

O que eu quero dizer com isso é que sempre focam as responsabilidades naqueles que deveriam ser apenas a cereja do bolo e normalmente são os envolvidos (é vitimas também) com menor grau de instrução e poder econômico.

Na Argentina (que tanta gente gosta de criticar) quando ocorreu uma tragédia semelhante a essa de Santa Maria, mudaram toda a lei que regulamenta este tipo de negócio. Quero ver aqui o que vai mudar, se vão apenas responsabilizar os seguranças. Seguranças só seguem ordens, vários ali morreram por apenas segui-las. Pra mim está claro que os maiores culpados são os donos da boate + quem permitiu a apresentação com pirotecnia + quem liberou a casa com alvará vencido e até infelizmente quem fez a apresentação.

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)