Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

ECOS DE FAUSTO E A HECATOMBE BRAISLEIRA


Por Kleryston Negreiros

O que você seria capaz de fazer para ter o que deseja? Até onde iria? E o que desperta seu desejo? Poder, conhecimento, riqueza, o amor de uma bela mulher? Ou tudo isso junto? Esse é o questionamento que faço hoje, recorrendo à Goethe e sua obra-prima, Fausto, ao ver os últimos acontecimentos no Brasil, mais precisamente na política brasileira. Sou acompanhado nessa reflexão das bandas Agalloch (e sua Faustian Echoes) e Moonspell (com as canções Mephisto e Herr Speiegelmann), músicas essas inspiradas na obra para falar da obra e do que pensei a respeito.

Na obra, Deus e o Diabo apostam para ver se é possível corromper a alma do homem mais virtuoso da Terra. Esse homem é Fausto. Sábio, senhor de diversas ciências e de notório e vasto conhecimento, ele não se satisfaz com o conhecimento que possui e deseja fervorosamente mais conhecimento e melhor aparência, haja vista que já é um idoso e o tempo e a mocidade não são mais seus companheiros.

E para ter o que ele quer, mais tempo para conhecer mais e mais, para dominar mais ainda tudo que a humanidade produziu, Fausto faz um pacto com o mal, vende sua alma a Mefistófeles, demônio que lhe proporciona uma nova juventude para mais aprender. Para saciar seu desejo, Fausto é capaz de perder sua alma, para alcançar aquilo que deseja fervorosamente, ele se corrompe e se deixa seduzir pelo mal.

Mesmo ao se apaixonar por uma jovem virtuosa e fervorosa, que tem sua vida destruída por se envolver com o protagonista, Fausto não busca a redenção. Mesmo que a jovem, aos pés da morte entregando sua alma a Deus, Fausto não abre mão daquilo que tanto desejou, mesmo que isso o leve ao inferno. Não importa, ele conseguiu seu intento, mesmo custando sua alma.

E foi isso que pensei ao acompanhar as últimas notícias sobre a Lava-jato. Ao ver os nomes e a quanto tempo caciques, governantes, principais líderes políticos e todos os ex-presidentes vivos desde a redemocratização (não excluindo o atual) estão envolvidos com um esquema complexo em bem detalhado perpetrado por esses e a empresa Odebrecht desde a década de 1970 e principalmente desde a redemocratização.
Penso em Fausto quando percebo que nomes diversos e com variadas biografias, que provavelmente tiveram formação moral sólida (como o Alckmin, católico notório e praticante) ou outros nem tão devotos assim, foram capazes de vender seu nome, suas reputações, abriram mão de seus princípios por um desejo de poder, por um projeto de controlar vidas e enriquecer o máximo possível.

Penso na família Odebrecht, que buscou a riqueza desmedida e incalculável e para isso corrompeu duas gerações, pais e filhos, aliou-se aos tipos mais espúrios e canalhas, criaram um complexo sistema de roubo e negociatas ilegais em nome do desejo decrescimento da empresa, de poder e de caminho livre para o seu plano de prosperidade e eternização do seu patrimônio.

E quando penso em Margarida, aquela que teve sua vida destruída, que perdeu mãe, irmão, a própria vida, por conta do desejo desenfreado de Fausto. Margarida somos todos nós. Todos aqueles que tiveram suas vidas destruídas ou dificultadas devido aos serviços não prestados ou prestados precariamente, por todo o dinheiro desviado que poderia ajudar a quem realmente precisa, por todos os acachapantes impostos que nos arrancam quase tudo, como Mefisto arrancou a alma de Fausto, e impede que o país cresça, que as pessoas possam buscar uma melhora honesta e digna para si e faz com que sejamos jogados à nossa própria sorte.

Emílio e Marcelo Odebrecht venderam sua alma em nome de riqueza e prestígio. Lula, Dilma, FHC, Sarney e todos os demais que se corromperam, venderam suas almas em nome de um poder perpétuo. Assim como Fausto, foram às portas do Inferno em nome de seus desejos mais mundanos. Ao oposto de Jó, deixaram-se corromper pelo Mal que há entre nós. E nós, os indivíduo que batalhamos por nossa sobrevivência, que não abrimos mão de nossas almas e consciências, que esperamos a redenção no fim, assistimos assustados à hecatombe que assolou o país e o sacrifício da nação no altar da corrupção.


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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

1984 – A PROFECIA QUE SE CONCRETIZOU


Por Kleryston Negreiros

Uma das coisas mais interessantes na cultura é que uma obra, quando se torna relevante para uma geração ou mesmo é eternizada como obra imortal, passa a ser cultuada e vira fonte de inspiração em outras linguagens também. Uma dessas obras é o livro de George Orwell, 1984, um dos romances mais influentes do século XX e o próximo livro da série Livros para Ouvir. (https://play.spotify.com/user/kajotha77/playlist/4no2yNIyJ7YptP3P4iyujA)

Fonte das mais diversas mídias – das histórias em quadrinhos ao cinema (V de Vingança), passando por discos de artistas distintos como David Bowie, Dead Kennedys ou Iced Earth – a obra é uma das maiores distopias do século passado e que, infelizmente, virou uma obra quase profética dos nossos tempos. (trailer dos filmes nos links abaixo)



Escrito em 1948 pelo escritor inglês, a trama narra um longínquo futuro em 1984 onde o mundo passa a ser dividido em três grandes territórios: Oceânia (que engloba a Inglaterra, todo o continente americano, África do Sul e países da Oceania), Eurásia (Europa continental e Rússia) e Lestásia (países dos tigres asiáticos, China e Japão), que vivem em conflitos entre si pelo controle do Oriente Médio a África saariana.

Toda a trama acontece na capital Londres e o país vive sob o regime de um partido único, o INGSOG (sigla para partido socialista inglês) e sob o governo ditatorial do Grande Irmão. Nessa sociedade distópica, não há liberdade ou relações familiares, as pessoas vivem em casas vigiadas a todo instante por teletelas e câmeras nas ruas. A verdade é manipulada, a informação é controlada pelo Estado e até mesmo o significado das palavras está sujeita a mudanças de acordo com os interesses do poder para que as pessoas não consigam refletir.

E é nesse ambiente sufocante que Winston Smith começa a tentar buscar a verdade sobre o Grande Irmão. Funcionário do ministério da Verdade, órgão do governo responsável por reescrever a História (o paradoxo é presente em toda a obra), ele começa a registrar escondido seus questionamentos em um diário, algo proibido, tendo uma polícia do pensamento para tolher qualquer ideia contrária ao que o Grande Irmão deseja. Ao confrontar o poder vigente e cometer uma série de delitos, Smith é preso e torturado por O’Brien, alto funcionário do governo. Ao ser solto, uma lavagem cerebral é feita no protagonista e este passa a amar incondicionalmente o Grande Irmão.

A trama é complexa e dinâmica e seu quadro assustador acabou se concretizando com o passar dos anos. Escrito para ser um alerta, acabou virando um manual de sobrevivência a esses tempos e seu caráter premonitório torna a obra uma das principais já escritas no Ocidente. Muito do que vemos no livro, com o tempo, virou realidade, as teletelas, aparelhos de tv que transmitem e gravam informações (como as smarts tvs, web cams ou smartphones), as câmeras vigiando as ruas (como as de vigilância tanto dos órgãos públicos quanto as privadas) e principalmente, a ideia de um Estado grande que controla os pequenos detalhes da vida de cada indivíduo, está tudo lá e estamos vivendo tudo isso hoje.

Mesmo no cenário político internacional não muda muita coisa. Ao vermos, por exemplo a questão da saída do Reino Unido da União Europeia, está se tornando um bloco da Europa continental (como é a Eurásia) ou mesmo a Inglaterra aproximando as relações com os EUA e países desse lado do Atlântico (como o bloco de Oceânia), percebemos que Orwell é praticamente um profeta dos nossos tempos.

Portanto, essa realidade não poderia levar muitos outros artistas a serem influenciados e criar a partir desse futuro tão sombrio quanto presente em nossos dias. Filmes como V de Vingança – que foi baseado em uma história em quadrinhos homônima – ou álbuns inteiros de artistas tão diferentes como Diamond Dogs, do David Bowie, e Dystopia, do grupo Iced Earth, são vários os exemplos. Mesmo músicas isoladas em discos não conceituais bebe nessa fonte: Califórnia Über Alles, do grupo californiano Dead Kennedys é um bom exemplo.


O livro ainda é atual e sua relevância está no fato de que o mundo acabou, infelizmente descambando para aquilo que Orwell previu como o que poderia acontecer de mais funesto e pelas mais diversas razões o livro não da lista dos mais vendidos em vários países do mundo. Então, leiam o livro antes que seja tarde e ouçam os álbuns que ele inspirou. Até a próxima.




Dystopia - Iced Earth

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, me indica um livro

terça-feira, 4 de abril de 2017

LINGUAGEM – A TRANSCEDÊNCIA DA REALIDADE

Por Kleryston Negreiros
Faz alguns meses, um episódio acontecido comigo em sala de aula ficou retinindo em meu pensamento e me levou a algumas ideias sobre o modo como as pessoas vêm interpretando os fatos e as palavras.

A situação foi a seguinte: numa aula de produção de texto, uma professora de Língua Portuguesa pediu para ser ouvinte. Como a uma colega e está iniciando a carreira, não vi problema em deixá-la assistir. Num dado momento, a mesma puxou uma discussão e fez uma relação entre abandono do filho pelo pai com aborto, usando inclusive o termo “aborto paterno” (o que é uma expressão vazia de sentido e lógica). Quando atentei para a incoerência da afirmação dela e como o termo era nonsense – apelando para a etimologia da palavra – escuto dessa professora a seguinte frase: vamos deixar de lado a etimologia e focar no drama social.

Num primeiro instante fiquei escandalizado com essa afirmação, mas logo após o episódio e refletido sobre ele vi total coerência e sentido no que ela disse. Não que sua afirmação estivesse correta, não estava, a coerência que vi foi contextual. Ela, uma jovem recém-formada num curso de licenciatura em Letras numa universidade pública do Rio de Janeiro, não seria diferente que ela pensasse assim. Considerando o cânone em instituições públicas e privadas desse país, é natural que ela ignore deliberadamente, para justificar uma ideologia e seu argumento caber num discurso social sem sentido, deturpe certos preceitos e sentidos reais das palavras. E que preceitos são esses? É o que quero dividir com os leitores desse blog.

O processo de linguagem é a transcendência da realidade. É através dela que descrevemos o mundo natural e real e o levamos para o mundo das abstrações, o que permitiu nossa evolução, já é sabido, inclusive, que a crença de que o pensamento origina a linguagem está errado, na verdade, a linguagem é que forma o pensamento e quanto maior o domínio do indivíduo sobre ela, maior sua capacidade de reflexão e pensamentos complexos.

E isso já era reconhecido ainda na Idade Média, quando foi desenvolvido o Trivium. Já nessa época, quem se propunha a estudar as artes liberais, tinha que estudar a lógica (aplicada a linguagem primeiramente) para depois aprender a gramática e aí a retórica. Esse encadeamento fazia com que o falante tivesse um profundo entendimento da língua latina (a corrente e erudita) e a sua língua nativa e, por conseguinte, um profundo entendimento do mundo que o cercava.

Porém, isso se perdeu no tempo e o que ocorreu foi que a cada século, principalmente a partir do XIX e maciçamente no XX, a lógica foi sendo retirada cada vez mais do estudo de linguagens e de maneira deliberada houve o empobrecimento do ensino de idiomas, que acarretou o fenômeno que temos hoje: a total incompreensão de conceitos básicos, a nulidade em estabelecer uma simples relação de causa e efeito ou mesmo compreender o sentido mais simples ou uma regra óbvia de gramática. E por que isso aconteceu?

Bem, foi algo deliberado. Qualquer estudante mediano de Letras aprende na graduação que a primeira forma de dominação é a da linguagem, o Império Romano, ao dominar um povo, a primeira coisa que fazia era impor o Latim como língua oficial e proibia o uso da língua local. Além disso, formava pelotões com nativos de regiões distintas ou fazia com que soldados servissem a quilômetros de suas terras. A língua é o mais poderoso agente de dominação.

E qualquer tiranete que queira impor sua doutrina ou seu reinado absolutista precisa primeiramente fazer com que as pessoas pensem como ele quer e a forma mais adequada para isso é através do domínio do ensino da língua materna. Domine a palavra e você domina todo um povo. Tanto isso é pertinente que Orwell, em seu romance 1984, criou a Novilíngua.

Pois bem, e onde quero chegar com tudo isso. A verdade é que o ensino de línguas aqui é feito para que cada vez mais as pessoas percam a capacidade de discernir. Ao adotar pensadores que descontruíram conceitos de certo ou errado e foram transformados em gurus do estudo linguístico- o exemplo mais forte, para ficar só nos brasileiros, cito Marcos Bagno, professor da UnB que defende que a Norma Padrão da Língua é na verdade uma forma de prestígio que oprime o falante menos abastado – que vendem a ideia de que há uma liberdade quase anárquica e que o estudo não deve oprimir o falante, que ele só vai se emancipar se o seu falar for respeitado.

Esse relativismo linguístico (que é visto em outras áreas do conhecimento) permitiu que palavras fossem criadas esvaziadas de qualquer sentido, permitindo-se assim jogar qualquer sentido nelas que convenha ao discurso vigente ou que sentidos novos fossem atribuídos a palavras já usuais criando, assim, uma aleivosia dissonante de sentidos e criando confusão e pouca ou nenhuma compreensão do que é dito ou escrito.

E quem ganha com essa torre de Babel linguística é aquele que usa a confusão para vender um discurso fazendo com que os poucos que ainda têm alguma compreensão do que é dito fiquem atordoados com a incapacidade de correlações, assustados como os termos político-econômicos perdem seu sentido ao serem adotados por essas paragens e até mesmo se desesperam ao ver pessoas algumas vezes esclarecidas sendo incapazes de perceber a lógica ou a relação de causa e efeito entre os fatos.

E tudo isso me veio à cabeça e percebi, como disse acima, que fazia todo o sentido a frase de minha colega. Ela é uma professora que foi instruída em sua graduação por professores que forma antes adestrados nesse pensar tortuoso, que por sua vez, foram também formados pelos que vieram antes deles por duas, três gerações de docentes remontando quase meio século de ensino acadêmico enviesado. E ela é fruto disso. O pior. Ela será a professora do seu filho, como tantos outros que saem anualmente das universidades desse país.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Coluna do Vargas - Brasil: O país dos falsos heróis


            Depois de muito relutar, vi-me na obrigação de manifestar minhas opiniões mediante as manifestações populares que estão acontecendo há uma semana. Tenho acompanhado os  protestos. Embora as causas sejam justas, vi muitos exageros e muitas faltas de argumentos nos protestos. Há muita gente reclamando sem saber porque o faz.

            Este artigo em hipótese alguma tem a pretensão de ser conclusivo. Meu objetivo é apenas mostrar minha descrença nas manifestações populares brasileiras, no sistema democrático em vigor e problemas correlacionados ao despreparo das instituições militares.


a) Sistema democrático

            Prezados, usando a sapiência com serenidade digam-me: quando vivemos numa democracia? Se contarmos que o Brasil Império veio até 1889; que na Republica Velha que veio até 1930 aplicava-se o voto do cabresto; que Getúlio de um Golpe de Estado influenciados pelos ideias Nacionalistas que tinham como pilares o higienismo e eugenismo; que em 1964 houve o golpe militar que veio "terminar" em 1985, vejo que os brasileiros só tiveram o prazer de falarem o que pensam somente por 40 décadas não sequenciais.

            Poder-se-ia chamar de país democrático, um povo que é obrigado a votar? A prova cabal de que nunca vivemos numa democracia é justamente este ponto meus amigos. Sim, pois se não votarmos, temos como punições previstas: pagamos uma multa, ou estar sujeitos a não conseguir tirar passaporte ou estarmos sob a possibilidade de trabalharmos nos dias eleitorais. Isso quer dizer que se não acreditarmos em nenhum dos "cidadãos" que aspiram nos gerir; nós, os pagadores de impostos, é que pagamos a conta de um jeito ou de outro.

            Democracia no Brasil é uma alcunha de muito mal gosto. Para estarmos num estado democrático e laico, não podem haver três coisas básicas: imunidade parlamentar, estabilidade de emprego público e Direito Militar . Por que digo isso?

            A imunidade parlamentar é um ferramenta importante para sistemas de ditaduras militares, onde os que estão no poder precisam de ter liberdade e autonomia de ação para agir contra toda e qualquer oposição ao estado, sem fazer qualquer prestação de contas a população. São punidos caso algum dos membros do governo cometam excessos aí sim faz-se as CPIs para definir o futuro do político intimado. Fica a pergunta: por que a imunidade parlamentar não caiu junto com a ditadura militar? Para eles continuarem no poder fazendo os mandos e desmandos para atenderem única e exclusivamente os interesses individuais e corporativistas dos políticos eleitos por nós.

            A estabilidade do funcionalismo público foi criada para justamente aprovarem os cidadãos civis que estariam aptos a trabalharem junto ao órgãos do Governo Federal, Estadual e Municipal. Para trabalharem nesses locais, precisam estar aprovados em concursos públicos. Se é assim, por que constatamos que há nepotismo nos órgãos públicos? Será que são aprovados os melhores colocados ou os que possuem parentes nos órgãos públicos? Em última análise, a estabilidade de cargos públicos foram criadas para empregar as famílias dos militares que estavam no poder com a finalidade de não ter oposição de pensamento na máquina pública. O pensamento em vigor é: "aos amigos tudo, aos inimigos a lei".

            Direito Militar fica a pergunta: quais são os direitos e deveres dos militares? Tenho certeza que muitos militares, que cometeram crimes e atentados contra a vida de cidadãos que se manifestavam contra ao que estava em vigor, não foram punidos e os que foram julgados estava sobre a tutela do Direito Militar. Por que eles continuam com poderes diferenciados dos civis? Eles são uma raça superior?



b) Despreparo Militar

            Meus caros, essa segunda parte visa trazer mais dados históricos que são relevantes para entendermos a base do despreparo militar.

            Hoje, enaltece-se um herói que é Duque de Caxias. Herói? Há artigos que falam que o Brasil na Guerra do Paraguay estava sendo derrotado. Tendo em vista que o Brasil tinha 42 anos como país independente, um país em construção e insalubre, onde o trabalho escravo estava no auge e a extensão territorial imensa; as instituições militares não receberam investimentos para sua melhoria.  O nosso despreparo militar era tão evidente que para alguns historiadores o Brasil só venceu esta guerra por terem jogado  corpos de milhares de soldados brasileiros mortos nas águas pluviais e, os soldados paraguaios ao consumirem a água contaminada começaram a morrer por conta de epidemia de Tifo e não das batalhas propriamente narradas. 19 anos depois o Brasil tornou-se uma república por ação dos militares.

            Em 1910, com o apoio do Barão do Rio Branco, um grupo de militares brasileiros foram enviados a Alemanha para receberem instruções a serem implementadas no Exército Brasileiro. Esses militares receberam o apelido de os jovens turcos. Em função dos resultados da Primeira Guerra Mundial, esse grupo acabou não implementando a doutrina germânica aprendida. Daí veio a Missão Militar Francesa de 1920 onde começou o processo de modernização do Exército Brasileiro.

            Como a população brasileira era insalubre, fraca, incapacitada para o mercado de trabalho da sociedade industrial e quase semi analfabeta; os militares foram os primeiros "cidadãos modelo" a serem produzidos pelo sistema.

            Ainda sobre esta perspectiva, em 1930 Getúlio Vargas deu o golpe e assumiu o poder. Embora ele não assumisse isso publicamente com medo das sanções internacionais que poderia receber, era claro que comungava dos pensamentos nacionalistas que estavam sendo empregados na Itália, Portugal, Espanha e Alemanha.

            Chegando a uma história mais perto da geração atual, veio a Ditadura Militar de1964 onde ainda sofremos consequências disto. Sendo assim as instituições militares nunca deixaram de estar no poder, nunca deixaram de ser autoritárias, nunca deixaram de confrontar com os civis brasileiros e nunca estiveram prontas para dialogar com o povo.

c) Descrença nas manifestações do povo brasileiro




            Diante dos fatos apresentados nos tópicos anteriores digam-me: qual é o histórico que temos de manifestações populares?

            As únicas manifestações populares que tem aceitação são as culturais como Carnaval, Festas Juninas (que estão ficando escassas) e esportiva no caso o futebol.

            A primeira manifestação popular em que o povo não sofreu tanta retaliação foram os falsos heróis "caras pintadas". Muitos nem sabiam o que estavam fazendo lá e os reais motivos do pedido de impeachment. Por que será que não houve retaliações? Porque o principal motivo foi o Plano Collor ter mexido na grana da classe média que estava aplicada nas Cadernetas de Poupanças. Para os que não se recordam, diante a desvalorização da moeda, esse era o único fundo de aplicação onde perdia-se menos. Para os que não sabem, o Plano Collor foi inspirado no programa alemão pós guerra, que teve como objetivo, reestruturar a economia do país que estava devastada depois da guerra. Curiosamente, 65 anos depois do fim da Segunda Guerra, já era a terceira maior economia do mundo e a maior economia da comunidade européia antes do recente anúncio da Crise do Euro.

            Quando vejo as atuais e recentes imagens da TV , vejo as mesmas cara de jovens que não sabem porque estão lutando assim como as de 1991. Jovens usando a camisa do "CHE" e se nomeando revolucionários. Consequentemente estes novos cidadãos perante a lei não dimensionam os seus atos. Nota-se no discurso deles, que alguém está os regendo. Esses pós-adolescentes não tem a bagagem histórica para entender o que estão fazendo. Está tudo muito orquestrado demais. Invadir os palácios governamentais ao mesmo tempo, em sincronia nas 4 maiores metrópolis do país justamente quando a imprensa internacional está voltada para cá, por conta de um mega-evento esportivo? Certamente, os revolucionários dos vinte centavos não pensariam nisso e estão sendo regidos por alguém que ainda não teve a coragem de se identificar.

            Está claro e nítido que o discurso deles são enlatados e em harmonia com vários locais do Brasil. Só não vê quem não quer ver. Na minha opinião se eles fossem politizados de fato, teriam feito isso não por conta dos R$ 0,20 de aumento das passagens. Por que não fizeram nada para protestar pelo descaso saúde pública? Garanto que muitos não fizeram nada pois pagam uma bi tributação ao ter um plano de saúde e estão pouco se lixando para os muitos brasileiros que morrem nos hospitais públicos todos os dias. Por que não fizeram nada por conta do mal ensino no país? Garanto que muitos destes que estão a protestar nas ruas que fazem um abaixo assinado contra um professor que é exigente. Usando uma causa local do Rio de Janeiro, por que não fizeram isso quando foi colocado ao conhecimento público que o Governo do Estado e a Prefeitura do Município agiram de forma ilegal e arbitrária ao passarem por cima das determinações do IPHAN quanto ao tombamento do entorno do Maracanã e de outros locais históricos com o objetivo de favorecer as empresas do senhor Eike Batista? Eles se revoltam quando aumentam R$ 1,00 quando aumentam a cerveja que bebem?

            Eu teria muitos outros porquês a fazer que justificam a minha dúvida da autenticidade desse movimento, no que se refere a sua ideologia.

            Contudo, o direito de manifestar-se é legítimo, previsto em lei na nossa Constituição e acho isso bonito. Há muita coisa errada acontecendo e que de fato precisa ser argumentada e criticada. Sendo assim isso não dá o direito da Polícia Militar agredir preventivamente para calar o povo. Essa instrução militar de tratar o povo como fizeram na ditadura não é adequada, não pode ser legítima e precisa ser revista. A polícia não tem o mínimo preparo para lidar com o povo mas o nosso povo é muito mal educado em muitos quesitos pois não consegue respeitar as leis de boa convivência nos dias normais.

            O mais interessante e curioso de tudo é que a atual Presidenta da República Federativa do Brasil e os Governadores e Prefeitos, que sem sempre utilizaram nos discursos das campanhas eleitorais de terem sido contra ou sofrido a Ditadura de 1964, hoje tentam aplicar uma em 2013.
            Infelizmente, algumas verdades hão de ser ditas. O povo brasileiro não tem a educação, tradição e cultura para saber manifestar, sustentar e perseverar atrás dos seus ideais. O povo brasileiro não tem o espírito de coletividade. O povo brasileiro não tem o conhecimento da própria história para embasar o que pleiteia e por isso não conhece a sua força.

    Esses jovens que estão nas ruas lutando nunca viveram numa ditadura como eu vivi. Nunca tiveram que ser subversivos porque ouviram uma música que estava proibida pela censura. Nasceram num mundo das relações digitais; da informação livre, rápida e imediatista. Eles clamam pelo direito de se manifestar mas não sabem o que é estar privado de falar o que pensa.

    Conforme pontuei, creio que nunca fomos democráticos na prática e na essência. Pergunto: pelo que estamos lutando? Enquanto não mudarmos a nossa legislação no que se refere a imunidade parlamentar, estabilidade de cargos públicos, voto não obrigatório e direito militar, nada do que pleitearmos dará certo pois quem nos gere não tem sanções. Isto é a base da impunidade no Brasil que nos revolta tanto.

            Há um ensinamento que tive de uma grande mestra: "Se queres ter a razão nunca use o argumento de força e sim a força do argumento". Portanto, nos ocorridos em questão, o povo tem o direito de manifestar e lutar pelos ideiais porém, perde a razão ao quebrar e incendiar o locais públicos. Se não mudarem a estratégia, vão continuar dando motivo aos policiais militares agirem sob a tutela da força e autoritarismo em nome de preservar a ordem e o patrimônio público.

            Sendo assim, tenho poucas esperanças que esses últimos ocorridos surtem em algum resultado. Somos o país que produzimos falsos heróis porque os nossos supostos heróis nem sabem por qual história e causa lutam.

sábado, 6 de abril de 2013

Para Veja casamento Gay é "questão inadiável"



Ao contrário da Veja não considero inadiável a questão. É até justificável.

O Brasileiro tem uma mentalidade 50 anos atrasada em relação a países como Suécia, Noruega, Islândia, Suíça e até, pasmem; Uruguai e Chile.

Estamos falando de um pais em que negro é racista; comediante não tem senso de humor; que o eleitor vota como quem vai ao banheiro fazer necessidades; que um pastor ultra conservador preside uma inútil comissão dos direitos humanos (só servia como cabide de emprego para esquerda); que o povo reclama de corrupção sentado no sofá mas na primeira oportunidade que tem rouba, engana ou tenta tira proveito de alguém.

Então eu não me surpreendo que em 2013 ainda estejamos discutindo isso. E não me surpreendo que tenha gente como o "politizado" que aparece em destaque na imagem comentando; que acha que as suas prioridades ou a da maioria sejam mais importantes que um "detalhe" que afeta diariamente a vida pessoal de alguém.

Pimenta no ... alheio é refresco.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Paralisia do Expectador: Porque o brasileiro é tão acomodado para protestar?

Ideia do artigo extraído deste texto http://espacosevolutivo.wordpress.com/2013/04/02/12-grandes-defeitos-do-brasileiro/
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG79639-6014-492,00.html

O brasileiro é um povo curioso. É fácil você encontrar alguém reclamando do pais, da politica, de preços. Mas é raro vermos protestos nas ruas, que não sejam de cunho politiqueiro controlado por algum partido qualquer, o povo não vai às ruas. Tudo tem se limitado a estudantes guiados por alguma entidade com interesses naquele protesto, mesmo que seja mera oposição cega.

Vivemos, atualmente, em um país onde além do Executivo, Legislativo e Judiciário, existem outros poderes (banqueiros, ONGs, pirataria, narcotráfico, milícias, bicheiros etc.) todos envolvidos e protegidos por algumas autoridades corruptas e parte da imprensa tendenciosa e comprada.

A explicação para o excesso de reclamação e para a falta de reação do povo já virou estudo aqui no Brasil. O resultado não apresentou nenhuma novidade: Não é hábito do brasileiro protestar no cotidiano. E parece pior, o brasileiro além de não protestar ACEITA passivamente decisões e mudanças com as quais ELE NÃO CONCORDA. Não há a menor resistência contra abusos como aumento de preços de transportes, taxas, benefícios exorbitantes a parlamentares, leis claramente autoritárias nem mesmo gastos absurdos com obras que em nada melhorarão a vida do povo. Nada disso parece ser o suficiente para causar uma revolta geral.

A pergunta que faz este blogueiro sofrer é. Por que, o Brasileiro se comporta como mero expectador e comentarista de um enredo no qual ele é o protagonista, por que?



A síndrome do Messias e a Paralisia do Expectador

A resposta a tanta passividade pode estar em um estudo de Fábio Iglesias, doutor em Psicologia e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele, o brasileiro é protagonista do fenômeno “ignorância pluralística”, termo cunhado pela primeira vez em 1924 pelo americano Floyd Alport, pioneiro da psicologia social moderna. “Esse comportamento ocorre quando um cidadão age de acordo com aquilo que os outros pensam, e não por aquilo que ele acha correto fazer. Essas pessoas pensam assim: se o outro não faz, por que eu vou fazer?”, diz Iglesias. O problema é que, se ninguém diz nada e consequentemente nada é feito, o desejo coletivo é sufocado.

Basicamente funciona assim: Estamos em um ônibus que possui 4 assentos destinados a idosos, deficientes físicos  gestantes e mulheres com bebê de colo (se você imaginou isso com a voz da gravação do metro, parabéns! Somos dois). Nos quatro assentos estão pessoas que não são estão nesse grupo descrito. O ônibus está cheio. Entram no coletivo 2 suas senhoras bem idosas. A entrada delas causa uma revolta interna em cada um dos passageiros que estão de pé e nos que estão nos assentos não preferenciais. Mas ninguém se manifesta, porque "tem 4 lugares destinados a essas senhoras e a obrigação de levantar é de um desses 4" e os 4 pensam assim "Não preciso me levantar tem mais 3 ali que poderiam fazer isso -Esses folgados!". E nenhum dos 4 se levanta, eis que algum passageiro se revolta e cede seu lugar a uma das 2 senhoras. Um dos que estão em pé resolve brigar com os 4 folgados. Um deles se levanta e cede o lugar a outra senhora. Problema resolvido? Não! A questão é que precisou que alguém se manifestasse antes, para que a revolta e em seguida a providência fosse tomada.

Isso meus caros eu chamo de "Síndrome do Messias". O brasileiro parece ser incapaz de tomar uma atitude sem que antes ela tenha sido tomada ou iniciada por alguém. O Brasileiro parece necessitar de alguém que faça por ele o que ele não consegue fazer por si só. É como viver eternamente a espera de um salvador, que vai resolver todos os problemas, como nunca antes na história desse pais...

E quando faz normalmente essa atitude vem aliada a um grande egoísmo. O brasileiro não se enxerga como um povo. Ele se vê como parte de um grupo dentro de um total de pessoas que formam o povo. E esse grupo o qual pertence torna os seus interesses mais importantes que os interesses dos outros grupos.

- Não a toa temos representantes de grupos religiosos, gays, negros etc... buscando leis ou benefícios específicos a cada grupo, esquecendo-se de outras causas que merecem maior ou igual importância -

Normalmente o brasileiro faz vistas grossas a pequenos pecados como furar a fila do banco. E quando reclama é porque ele se sente pessoalmente prejudicado por estar atrasado e aquela pessoa entrando na sua frente significa mais espera. O normal é não discutir "para não arranjar briga" quando acontece algum protesto ele acontece porque alguém se sentiu ofendido e ai os demais resolvem protestar também, não houve uma união. O brasileiro só tem hábito de reclamar por assuntos que em nada irão mudar a sua vida.

Deixa que eu deixo ou "Difusão da responsabilidade"

Quantas vezes você deixou de fazer algo esperando que alguém o fizesse? Quando, na sala de aula, o professor pergunta se todos entenderam, é raro alguém levantar a mão dizendo que está com dúvidas. Ninguém quer se destacar

O exemplo do ônibus que dei antes também se aplica perfeitamente aqui.

E quantas vezes achou que seus amigos e/ou colegas eram apáticos porque incapazes de fazer-lhe um favor?
Provavelmente você já passou por isso. Pediu algum favor a vários amigos através de email, onde cada destinatário podia ver a lista dos outros que receberam a mesma mensagem. O mais provável de acontecer nesse caso é cada um recolher-se à sua inércia, porque imagina que alguém resolverá o seu problema. É uma aplicação online do velho ditado "cachorro com dois donos morre de fome". Mas esse não é um problema moderno e muito menos ocorre apenas em casos triviais. Até porque cachorro sem dono algum também pode morrer de fome.

Ocorrido nos EUA Em 1964 um bárbaro crime chocou os moradores da região metropolitana de Nova Iorque:

Catherine Susan Genovese foi atacada por Winston Moseley quando chegava em casa, no Queens, na madrugada do dia 13 de março, sendo apunhalada duas vezes pelas costas. Seus gritos espantaram momentaneamente o agressor que chegou a entrar em seu carro e ir embora. Mesmo ferida, ela tentou chegar em casa. Minutos depois Moseley voltou, procurou por ela e, ao encontrá-la, tornou a esfaqueá-la. Enquanto agonizava, foi estuprada e US$ 49,00 foram roubados de sua bolsa. Ferimentos em suas mãos mostraram que ela lutou por sua vida durante agonizantes 35 minutos, gritando desesperadamente por socorro. Quando finalmente a polícia chegou, dois minutos após ter sido chamada, era tarde demais. Kitty, como era conhecida por seus amigos, morreu a caminho do hospital, aos 28 anos de idade. Apesar de toda a brutalidade do assassinato, foi um outro detalhe que teve avassaladora repercussão na mídia: do seu primeiro grito até o momento em que perdeu os sentidos, Kitty Genovese gritou por socorro e implorou por ajuda por mais de meia hora, em frente a diversos prédios residenciais - inclusive ao que ela própria morava. Nada menos que 38 pessoas presenciaram o ataque em algum momento, de alguma forma, segundo seus próprios depoimentos mais tarde. Mas ninguém chamou a polícia.
Ou seja bastava que uma das 38 pessoas que a ouviu gritar no primeiro instante saísse de casa. Que o bandido com medo tinha fugido. voltou quando constatou que ninguém veio socorre-la. Contou com a impunidade e com a omissão daquela vizinhança.

Comete-se muitos crimes e abusos aqui no Brasil graças a esses fatores: Omissão e impunidade, inclusive mais um favor que irei listar a seguir:

Não vai dar em nada!

O “não vai dar em nada” é um discurso comum entre os “não-reclamantes”. O estudante de Artes Plásticas Solano Guedes, de 25 anos, diz que evita se envolver em qualquer situação pública. “Sou omisso, sim, como todo brasileiro. Já vi brigas na rua, gente tentando arrombar carro. Mas nunca denuncio. É uma mistura de medo e falta de credibilidade nas autoridades”, afirma.

Mesmo quem sofre uma série de prejuízos não abre a boca. É o caso da professora carioca Maria Luzia Boulier, de 58 anos. Ela já comprou uma enciclopédia em que faltava um volume; pagou compras no cartão de crédito que jamais fez; e adquiriu, pela internet, uma esteira ergométrica defeituosa. Maria Luzia reclamou apenas neste último caso. Durante alguns dias, ligou para a empresa. Não obteve resposta. Foi ao Procon, mas, depois de uma espera de 40 minutos, desistiu de dar queixa.

Voltando ao exemplo do crime contra Catherine Suzan Gennovese em 1964:

As explicações da época - negação de afeto, banalização da violência, indiferença, agressividade contida, despersonalização dos habitantes das metrópoles - não satisfizeram os jovens Bibb Latané e John Darley. Como psicólogos e pesquisadores eles acreditavam mais no poder da situação em que a pessoa se encontra do que na sua personalidade. Buscaram entender, então, quais as condições necessárias para que pessoas comuns ignorem pedidos de ajuda - explícitos ou implícitos - e adormeçam sua compaixão, no que se convencionou chamar de Efeito do Espectador (bystander effect) ou Apatia do Espectador (bystander apathy).

(Desse mal eu não morro. Com meus artigos e denuncias eu já provoquei a prisão de um arrombador de carros http://shogunidades.blogspot.com.br/2010/07/apos-denuncia-choque-prende-homem-que.html E estou movendo dois processos um contra a Oi e outros contra a Sky)

A Cultura do Silêncio

A apatia diante de um escândalo público também é frequente no Brasil. Nas décadas de 80 e 90, o contador brasiliense Honório Bispo saiu às ruas para lutar pelas Diretas Já e pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Caso que apenas se concretizou pelo massivo uso da imprensa. Estudiosos acreditam que o Impeachment nunca aconteceria se a mídia não colocasse no ar o ataque massivo ao presidente: 10 das 24 horas de programação das emissoras nas semanas anteriores ao ato divulgavam a ideia das Diretas Já e Impeachment.

Um estudo da UnB constatou que a “cultura do silêncio” também acontece em outros países. “Portugal, Espanha e parte da Itália são coletivistas como o Brasil”, afirma o psicólogo. Em nações mais individualistas, como em certos países europeus e a vizinha Argentina, o que conta é o que cada um pensa. “As ações são baseadas na autorreferência”, diz o estudo. Nos centros de Buenos Aires e Paris, é comum ver marchas e protestos diários dos moradores.

A mídia pode agir como um desencadeador de reclamações, principalmente nas situações de política pública. “Se o cidadão vê na mídia o que ele tem vontade de falar, conclui que não está isolado”, afirma o pesquisador.

O antropólogo Roberto DaMatta diz que não se pode dissociar o comportamento omisso dos brasileiros da prática do “jeitinho”. Para ele, o fato de o povo não lutar por seus direitos, em maior ou menor grau, também pode ser explicado pelas pequenas infrações que a maioria comete no dia a dia. “Molhar a mão” do guarda para fugir da multa, estacionar nas vagas para deficientes ou driblar o engarrafamento ao usar o acostamento das estradas são práticas comuns e fazem o brasileiro achar que não tem moral para reclamar do político corrupto. “Existe um elo entre todos esses comportamentos.

Uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto”, diz o antropólogo.

Apesar das explicações diversas sobre o comportamento passivo dos brasileiros, os estudiosos concordam num ponto: nas filas de espera, nos direitos do consumidor ou na fiscalização da democracia, é preciso agir individualmente e de acordo com a própria consciência. “Isso evita a chamada espiral do silêncio”, diz o pesquisador Iglesias. O primeiro passo para a mudança é abrir a boca.


Fontes:
http://www.administradores.com.br/artigos/administracao-e-negocios/difusao-de-responsabilidade/29147/
http://www.administradores.com.br/artigos/administracao-e-negocios/deixa-que-eu-deixo-terceirizando-a-responsabilidade/44779/

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)