Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

CÂNTICO – O HINO DE LOUVOR AO INDIVÍDUO




Por Kleryston Negreiros

Fui presenteado pelos pais de um aluno essa semana com uma pequena joia da Ayn Rand. Devorei o livro em um dia e aqui estou para falar dessa obra que me impactou bastante e é a primeira que a autora idealizou, ainda em sua adolescência nos primeiros anos do regime socialista na Rússia, e que é um prefácio para o que ela iria defender no decorrer de sua vida e em seus romances mais conhecidos – A Nascente e A Revolta de Atlas.

E o texto é uma joia não pela qualidade da escrita ou rebuscamento do texto, mas pela sua atualidade quase profética acerca de como as pessoas escolhem cada vez mais abrir mão de suas liberdades ou de suas identidades como indivíduos para se tornarem parte de “algo maior”, para vivarem apenas mais uma célula de algum coletivo ou outro termo abstrato da moda.

A narrativa, por ter sido pensada por uma então adolescente, é bem simples e até pueril. Com uma estrutura que (para mim) está mais para um conto do que propriamente um romance, o livro trata de um indivíduo que luta por sua individualidade e a percepção de si mesmo numa sociedade distópica onde o que prevalece é o desejo comum, a vontade da maioria, o mais importante é o todo coletivo e não o desejo individual. Esse jovem luta para ser apenas ele mesmo.

Ambientada num futuro não identificado, a sociedade elimina todos os traços de individualidade, as palavras que carregam esse sentido, por exemplo, foram extintas, não existe EU ou TU, apenas NÓS e ELES. Até mesmo nomes próprios deixam de existir, como pode ser visto desde o início da trama pelos nomes das personagens: o protagonista se chama Igualdade 7-2521.

Igualdade 7-2521 carrega desde cedo o estigma de ser diferente e se perceber diferente numa sociedade que busca igualar a todos. Mais alto que os demais e também mais inteligente, é designado a trabalhar com varredor de rua em detrimento de sua inteligência pois alegam, é assim que ele será mais útil para todos. Só que não é isso que ele quer e por ter uma vontade que é relevante só a ele, Igualdade passa a achar que é amaldiçoado. A trama se desenrola rapidamente desde sua infância até o momento que se torna um proscrito e escolhe viver longe dessa sociedade com a mulher que ama (relacionamentos são proibidos por acarretarem escolhas individuais) e descobre a palavra EU.

Como disse, o texto é bem simplório, mas é um assunto pertinente e que, por trás da simplicidade da escrita, revela algo assustador em nossa sociedade que já era exposto por Rand ainda nos anos 1930 que é a escolha de indivíduos livres preferirem abrir mão de sua liberdade plena, de sua identidade para abraçar ideias ou bandeiras que os anulam como ser e faz com que desejem ser apenas um rosto compondo uma face abstrata ideológica.

Sua atualidade aparece ao percebermos como pessoas passam a lidar com outras através de slogans e reducionismos de características. Quando pessoas, que sarcasticamente chamo de “pessoas do bem” forçam uma conduta coletiva de todos a comerem comida orgânica ou ajudar uma criança faminta na África, quando pessoas te forçam a aceitar aquilo que você (por princípios ou quaisquer que sejam suas razões) acha errado e você passa a ser tido como algum tipo de pária por não seguir o coro dos contentes. São pessoas que passam a medir seus atos não por seus próprios padrões ou juízo de valor, mas porque a sociedade ou a maioria ou o coletivo assim o quer.

E isso é muito perigoso. Perigoso porque a espontaneidade, as escolhas individuais e tudo que é relacionado a uma vontade de apenas um indivíduo passa a ser condenado porque não condiz com o que se espera dele, já que ele faz parte de uma sociedade. É perigoso ao percebermos que tudo, até mesmo a profissão, deve ser pensada e escolhido(a) não porque lhe apetece ou, sei lá, por que você está pensando no próprio lucro e sim pelo bem comum.

É uma sociedade que cobra de cada um a responsabilidade de fazer pelo outro e nunca para si próprio. É um ambiente onde aquele que defende algo é logo interpelado que isso é errado porque não privilegia a todos. É a anulação do esforço, do mérito, do merecimento, o fato de existir já corrobora o direito de ter tudo igual a todos. E se tudo pertence a todos, nada é de ninguém.

Como todos os livros de Ayn Rand, esse também é um alerta. Claro que, sendo distopia, há o exagero típico da ficção, mas a mensagem é clara: não há liberdade ou felicidade dentro de coletivos. Não há prazer ou vida plena quando a vontade individual é anulada para privilegiar a todos, ao grupo, ao coletivo. Tudo parte do indivíduo e sua vontade de ser melhor e proporcionar o melhor para si e assim todos acabam ajudando-se mutuamente por vontade própria. Tudo parte do indivíduo, mesmo essas abstrações que tentam se tornar entidades independentes tendo o homem como célula. O indivíduo é concreto. Sociedade, coletivo, células, grupos, são abstrações que dependem antes de tudo do ser concreto para existir. Até a próxima.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

Também é membro do grupo Biblioteca Liberal-Conservadora

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A DISTOPIA NOSSA DE CADA DIA



Um tipo de narrativa que passei a gostar nos últimos anos foram as distopias. E o que me faz buscá-los é o seu assustador retrato da realidade servindo de alerta (muitas vezes ignorado) sobre os perigos que nos cercam em sociedade. Mas o que são distopias?

Diferentes do mundo perfeito e idílico apresentado na obra A Utopia (Thomas Moore) e referência a algo ideal, as distopias nos apresentam um mundo cruel, totalitário, onde o homem perde sua individualidade e liberdade. Muitas obras, durante o século XX, tornaram-se referenciais nessa seara e quando olho para o que acontece no país – e no mundo em muitos momentos – não consigo deixar de pensar que vivemos aqui no Brasil numa assustadora distopia que abarca o enredo das principais obras do gênero, como se essas fossem não um aviso e sim um manual.

Um primeiro exemplo é o livro 1984, de George Orwell. Ambientado numa Londres no ano de 1984 cujo governo está nas mãos do Grande Irmão, a população vive sob eterna vigilância, num ambiente de total falta de privacidade e liberdade. Toda e qualquer informação é controlada e a verdade é subjetiva, é usada ou criada por interesse dos que detêm o poder. Nesse ambiente, até mesmo as palavras têm seu sentido modificado através da Novilíngua, idioma criado a partir de contradições e supressões de sentidos e expressões para que as pessoas pensem de maneira confusa. Tudo é controlado por essa entidade, O Grande Irmão, e ninguém se dá conta de que é controlado.

Aí, meu provável leitor vai pensar: “qual a relação desse livro com o Brasil? ”. Explico. Ao pensarmos em leis como o Marco Civil da Internet, pensar em como a informação e o sentido das palavras e ideias são deturpados para defender uma ideologia, quando percebemos que estamos nas mãos de uma entidade que deveria nos proteger e legisla contra a população (STF) nos mantendo sob eterno medo e incompreensão, fica claro como vivemos num mundo como 1984. Quando mentiras viram verdades e pessoas subjugadas defendem com afinco os responsáveis por sua miséria – como o pai preso denunciado pelos filhos e mesmo após ser agredido pelos representantes do Estado ainda defende o Grande Irmão – e quando aqueles que tentam mudar esse quadro sombrio são perseguidos, calados e até mortos, fica claro a realidade distópica em que vivemos.

E quanto ao esvaziamento cultural? Pensem na peça dos macaquinhos (aquela em que atores exploram os orifícios alheios em cena), nas músicas cada vez mais pobres, nos programas cada vez mais imbecilizados e afinados com uma agenda política disposta a idiotizar a população no intuito de manter e aprofundar a realidade acima? A cada dia, os que pensam por conta própria, os que buscam conhecimento, são cada vez mais hostilizados, perseguidos. Essa ignorância coletiva planejada, esse entusiasmo em vender livros para colorir, infantilizando adultos, essa produção intelectual que trata adultos como crianças de 12 anos e que faz com que qualquer pensador sério seja um proscrito nos centros acadêmicos está diretamente ligada a outra obra distópica onde o conhecimento é proibido e a ignorância é vista como a verdade maior: Fahrenheit 451.

Na obra de Ray Bradbury, o conhecimento é perseguido. O papel dos bombeiros nessa sociedade é queimar livros. As pessoas vivem em suas casas com telas que levam entretenimento vazio para as pessoas enquanto aqueles que não se conformam com essa realidade, que escondem livros em suas casas, são perseguidos por um Estado totalitário que preza a ignorância do seu povo. Nesse caso, a escravidão do povo – diferente de 1984 – é pelo saber, ou ausência dele. Por desconhecer, o povo é dominado e a máquina estatal usa sua infraestrutura para que continue assim. E essa ignorância, esse entretenimento vazio e deturpação do sentido das coisas, essa distorção de valores morais, leva-nos a outro traço em nossa sociedade que me faz crer que vivemos numa distopia.

Muito foi falado das ocupações escolares em algumas cidades brasileiras. Da mesma forma, fala-se muito de como os mais jovens se tornaram cada vez mais desinteressados e irresponsáveis. Como professor, sou um ferrenho crítico do ECA e de outras leis que protegem jovens indisciplinados ou criminosos. Essas leis criaram uma geração que não respeita a autoridade, não valoriza preceitos morais, ignoram a importância de se adquirir conhecimento. São crianças mimadas criadas por adultos incapazes de puni-los por força de lei.

Essa geração totalmente violenta e desrespeitosa não diferente em nada dos protagonistas de Laranja Mecânica, outra distopia que serve de parâmetro para olharmos o Brasil. No livro, adolescentes enveredam pela delinquência, pais são incapazes de conter seus filhos e as ruas passam a ser dominadas por hordas de garotos arruaceiros que não respeitam nada nem ninguém. Num mundo onde o Estado cria leis que inibem a autonomia dos pais, o protagonista Alex torna-se um marginal violento sendo preso e torturado diante da impotência de seus pais de o educarem. A cada turba de crianças que invadem os ônibus na saída das escolas pichando, gritando, atrapalhando a ordem e depredando patrimônio alheio por puro prazer, fica difícil não lembrar de Alex.

Ainda é possível pensar em mais uma obra ou duas obras. O hedonismo desmedido, por exemplo, a banalização do sexo através de músicas e programas de TV, a busca pelo eterno prazer que leva a uma ditadura da felicidade onde todos devem ser felizes a qualquer preço está no mesmo grau de prisão prazerosa descrita em admirável Mundo Novo. Enquanto nas obras acima mostrarem um mundo opressor, privando o homem de sua liberdade pela opressão estatal ou ignorância mantida pelos que estão no poder, no livro de Huxley, a privação da liberdade é mais perigosa por se travestir de liberdade. Esse mundo libidinoso de eterno prazer embota os sentidos fazendo com que todos pensem que são livres, mas se tornando escravo de seus prazeres e esse estado de coisas mantido de forma deliberada pelo governo.


Até mesmo as obras de ayn Rand (sobre as obras leia nos links: http://meindicaumlivro.blogspot.com.br/2016/07/quem-vai-parar-o-motor-do-mundo-quem-e.html e http://meindicaumlivro.blogspot.com.br/2016/07/a-nascente-e-o-legado-do-homem-ideal.html) possuem um ar de profecia ao olharmos as decisões tomadas pelos 13 anos de governo petista levando a nossa economia ao colapso que nos encontramos hoje. Tanto uma obra quanto a outra mostram como um grupo de formadores de opinião pode ser manipulado para defender uma ideia destrutiva sem que tenha a noção de que estão sendo manipulados (A Nascente) ou como decisões desastrosas podem levar a uma queda profunda de produtividade e dilapidação da riqueza, um estrangulamento daqueles que empreendem levando o país a uma quebradeira generalizada.



Muitos são os exemplos de obras que podem nos fazer entender o nosso mundo, mas as distopias de forma geral servem para abrirmos os olhos para os perigos de certas posturas daqueles que governam e devem ser sempre leituras obrigatórias para aqueles que lutam pelas suas liberdades e por um mundo onde esse tipo de narrativa seja apenas isso: uma narrativa. Até a próxima.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Ineptocracia



Ineptocracia
: Neologismo para governo/instituição regido por pessoas que são incapazes para a função.

O 16º presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln (1809-1865) tinha o seguinte pensamento: “Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.” Entra enfim a questão do mérito. Do grego “merós", parte, porção deriva o latim “merere”, ganhar, adquirir e obter como particípio passado para “meritus” surge “meritum”, mérito, benefício, favor, importância e valorável. Como senso de excelência surge na Idade Média (Século XIV) como condição ou conduta que resulta em recompensa ou punição. O que merece de acordo com o que é realizado. Quando Lincoln questiona o caráter e o poder como medidas para avaliar quem assume o posto, também faz refletir se a pessoa está qualificada para o que está assumindo o poder. O vocábulo “poder” vem do latim “possum” (ser capaz de, posse) e potência vem do latim “potentĭa” com o sentido de autoridade, poder, força e capacidade. Exercer um poder significa que precisa ter a autoridade (capacidade de ser autor, de atuar, agir), de ter força (do latim tardio “fortĭa” forças, plural neutro substantivado de “fortis”, forte tanto física quanto moralmente. ). Ter força para agir de forma sensata e dentro das normas estabelecidas e não desenvolver novas normas para manter-se no poder.

Ineptocracia, na forma como se apresenta em muitos governos é o sistema onde pessoas com menos capacidade são escolhidas (eleitas) por pessoas com menos capacidade de produção e onde os membros de uma sociedade com baixas condições de sustentação ou serem bem sucedidas são recompensadas com bens e serviços pagos pela riqueza confiscada de um número menor de produtores. Ayn Rand descreve: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.” O popular nome para ineptocracia poderia ser “clientelismo”. Trocava-se apoio pela proteção, benesses e apadrinhamentos. Prática existente até os atuais dias tanto em governos como em empresas.


http://www.diariodopoder.com.br/broncas/ineptocracia/

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A pergunta que não quer calar, afinal, Quem é John Galt?

Cedido gentilmente por Kajotha Negreiros.
Do blog Letreiro Digital - Visto livre



QUEM É JOHN GALT?


Quem é o motor do mundo? Quem sustenta a economia? Faz o mundo progredir, cria oportunidades? Que é John Galt? São essas perguntas que a filosofa russa Ayn Rand, radicada nos EUA, tenta desvendar com esse que é um dos livros mais influentes e vendidos (depois da Bíblia) na literatura norte-americana e uma das principais inspirações de liberais e defensores do livre mercado: A Revolta de Atlas.

Confesso que não conhecia a obra quando me indicaram há alguns anos e relutei a começar a ler mesmo sendo uma distopia com características típicas desse tipo de texto e que me agrada muito. Outro fator é que é uma trilogia e minhas prioridades de leitura me fizeram adiar. Como me arrependo. Apesar de pouco conhecida (sua repercussão começou recentemente com o grupo Tea Party e fãs da autora nas redes sociais) a indiscutível sua atualidade e relevância principalmente por levar a uma reflexão do papel dos governos de um modo geral e como esse ano é de eleições por essas bandas nada mais oportuno que tratar desta joia escondida.

A trama gira em torno da luta de Dagny Taggart, vice-presidente da principal ferrovia americana e de Hank Rearden, empresário do ramo metalúrgico e criador de um metal mais leve, barato e resistente que o aço e que leva seu nome. Numa época não identificada, mas que pelos costumes e utensílios cotidianos se passa logo após a Segunda Guerra, ambos tentam manter suas empresas numa luta inglória contra o governo que vai impondo medidas para privilegiar um grupo de empresários ao mesmo tempo que toma medidas populistas em nome do bem comum que em médio prazo se mostram desastrosas e que levam o país a falência.

Nesse cenário, muito industriais com valores e posturas similares aos protagonistas começam a desaparecer ou a se aposentar não deixando paradeiro. Com a economia entrando em colapso, resta aos dois manterem-se firmes na tentativa de não serem engolidos pela máquina estatal e tentarem reerguer a nação. Conforme os mais incapazes e improdutivos vão ocupando o lugar dos que produzem – que também somem a exemplo dos industriais – a situação vai ficando crítica até o colapso total.

Obra máxima de Rand, o livro traz todo o cerne de sua filosofia e visão econômica. Ao mostrar o que acontece com um país quando o governo começa a centralizar tudo em suas mãos, começa a explorar aqueles que produzem para garantir o sustento dos que não tem qualquer interesse em crescer e acha que é obrigação do outro mantê-lo vivo, pinta-se aí o retrato de muitas políticas que aconteceram e vem acontecendo ao redor do mundo.

Em seu texto ela deixa evidente quem realmente carrega em seus ombros a economia e por tabela o progresso de uma nação. Mostra como a imposição de distribuição igualitária é nociva a uma determinada região, haja vista que aqueles que trabalham são obrigados a entregar o fruto do seu esforço aos que nada produzem.

No clímax do livro, toda a filosofia da autora é explicada por John Galt, herói e responsável pela greve dos industriais. Com a frieza da objetividade vai mostrando o que acontece de errado e que leva os EUA a penúria. Nessa explicação de seu intento no fundo temos a voz de Ayn Rand explicando o princípio do individualismo, sua linha filosófica, e mostra como o altruísmo e o discurso de luta de massas e minorias é vazio e propício apenas a privilegiar alguns. Comunicando-se com obras como 1984 e Revolução dos Bichos de Orwell, mostra as artimanhas e articulações de quem está no poder no afã de controlar as massas, manter-se no comando e sugado ao máximo o cidadão comum.

Leitura contundente e relevante, deveria ser leitura obrigatória nas universidades em todas as áreas, principalmente nas que formam empreendedores ou formadores de opinião. Ajudará a clarear a visão de muitos que não veem os absurdos que são cometidos em nome do povo, além de tirar a pele de cordeiro de muitos lobos que temos por aí. Um livro político, atual, que se mostra profético em muitas sociedades é a minha dica dessa semana. Leiam, reflitam e votem conscientes, usem a obra como um guia para não se deixarem levar com discursos bonitos mas que favorecem apenas a algum jogando a grande maioria num abismo de pobreza.

Até a próxima.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

As 10 Estratégias De Manipulação de Noam Chomsky Dissecadas

O Linguista Noam Chomsky elaborou a lista das “10 Estratégias De Manipulação” através dos meios de comunicação largamente utilizadas por governos de ambos os lados da linha politica e corporações.




Normalmente essas 10 estratégias são utilizados como argumento por socialistas como justificativa a suas ideias contra a mídia e contra governos que se opõem. Vamos mostrar como essas 10 estratégias caem perfeitamente como argumento contra o atual governo, que é socialista:


1. A estratégia da distração. 

O Elemento primordial do Controle Social é a estratégia da distração que consiste em descia a atenção do publico dos problemas importantes e mudanças decidias pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do diluvio ou inundação de continuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o publico de se interessar por conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do publica distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o publico ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta a granja como os outros animais (cita o texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

(Ex: Feliciano, Futebol, Passagem Livre, Lutas de classes, raças e gêneros)


2. Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no publico, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo, deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o publico seja o mandante das leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade.

(Sistemas de educação, saúde e transportes sempre falhos. Violência, casos seguidos de um mesmo tipo de crime. Surgem grandes soluções as vésperas de eleições ou quando ocorre alguma revolta da sociedade)

3. A estratégia de gradualidade

Para fazer que se aceite um medida inaceitável, basta aplica-la gradualmente, à conta gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990.

(Várias ideias foram incutidas ao longo dos anos utilizando-se da máquina estatal: Capitalismo é ruim, lucro é ruim; Só o Estado é quem pode prover a sociedade; Melhor futuro é no serviço público)


4. A estratégia de diferir

Outra maneira de aceitar uma decisão impopular é apresenta-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, neste momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Logo, por que o publico, a massa, tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanha” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso da mais tempo ao publico para se acostumar à ideia da mudança e de aceita-la com resignação quando chegue o momento.

(Aumento de impostos para justificar benefícios sociais ou para justificar recuperação econômica após alguma politica errônea do governo)


5. Dirigir-se ao publico como criaturas de pouca idade. 

A maioria da publicidade dirigida ao grande publico utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos a demência, como se o espectador fosse um criatura de pouca idade ou um deficiente mental. Quanto mais se tenta enganar ao telespectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? Se um se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então a razão da sugestionabilidade, ele tendera, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)

NT do Blog: A grande maioria dos programas de Rede Globo, por exemplo, são feitos com o intuito que uma criança de 12 anos entenda e não mais que isso.


6. Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão. 

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na analise racional, e finalmente ao sentido critico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

NT do Blog: Muito usado por movimentos e partidos de esquerda.


7. Manter o publico na ignorância e mediocridade. 

Fazer que o publico seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distancia da ignorância que planeia entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis de serem alcançadas pelas classes inferiores. (ver “Aramas silenciosas para guerras tranquilas”)

(Manter o povo incapaz de pensar e agir: Sem educação, sem cultura, não se forma cidadão. Se não é cidadão, não sabe seus direitos e principalmente, não entende que suas ações ou a falta delas, mandam mensagens claras ao "comando central").

8. Estimular o publico a ser complacente com a mediocridade. 

Promover ao publico acreditar que é moda ser estúpido, vulgar e inculto.

(Ex "Esquenta", "Big Brother" - Rede globo; "Pânico" Bandeirantes; Grande espaço ao Funk, Musica de baixa qualidade, artistas e celebridades de qualidade duvidosa e inteligencia visivelmente questionável)


9. Reforçar a autoculpabilidade

Fazer o indivíduo acreditar que somente ele é culpado da sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, das suas capacidades ou de seus esforços. Assim, no lugar de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, um de cujos os efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não ha revolução! 

(Também há o inverso. Culpar quem tem sucesso pelo fracasso ou miséria alheia. Ayn Rand já tratou disso quando falou sobre a Era da inveja. A culpa é sempre do individuo de sucesso, nunca das más escolhas econômicas do Governo que causam crise e desemprego).

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem.

No decorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência tem gerado um crescente brecha entre os conhecimentos do publico e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças a biologia, a neurobiologia e a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicológica. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que o ele conhece a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que aquele do indivíduos sobre si mesmos.

(Controle de dados, Controle da internet, Controle emocional)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ayn Rand - A era da inveja / O Ataque dos mediocres



Para refletir...

"Sabe o que caracteriza o medíocre? É o ressentimento dirigido às realizações dos outros. Essas mediocridades sensíveis vivem tremendo de medo de que o trabalho de alguém se revele mais importante que o delas (...) Eles invejam a capacidade, e seu sonho de grandeza é um mundo em que todos os homens sejam reconhecidamente inferiores a eles. Eles não sabem que esse sonho é a prova cabal de sua mediocridade, porque esse mundo seria insuportável para o homem capaz. De que adianta receber elogios e adulações de homens por quem não se sente respeito?" (Ayn Rand)


O Ataque dos Mediocres

(Superinteressante- Portugal)


A incapacidade para criar e apreciar a excelência, ou seja, a mediocridade, é necessária para a estabilidade social: um mundo de gênios seria ingovernável. Todavia, possui também uma vertente maligna que procura destruir qualquer indivíduo que se destaque.

Quando surge um verdadeiro gênio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele.” Foi assim que o médico, aventureiro e escritor irlandês Jonathan Swift (1667–1745), autor de As Viagens de Gulliver, resumiu a eterna tensão entre excelência e mediocridade, duas características da psicologia humana que exercem grande influência no funcionamento da sociedade. Cada uma se rege pelas suas próprias leis e ambas são necessárias: uma promove o progresso, a outra assegura a estabilidade social.

Aspirar a ultrapassar-se a si próprio, quer através da própria criatividade, quer apoiando e admirando indivíduos notáveis, constitui uma qualidade intrínseca de um ser humano são. Sem essa tendência natural, não desejaríamos ser melhores como pessoas, nem aprender bem um ofício; não existiria progresso ou desenvolvimento, nem nada de novo à face da Terra. Viveríamos em cavernas.

Todavia, o valor oposto, a mediocridade, não é tão indesejável como pode parecer à primeira vista. De facto, desempenha uma função como parte de uma estratégia altamente evolutiva: proporciona o contraponto de estabilidade ao fator de mudança introduzido pelos gênios (pensadores, artistas, inventores, investigadores...), que são, por definição, inovadores. Se todos fôssemos criadores geniais, o mundo seria um caos. Ninguém iria querer trabalhar nas fábricas, distribuir correio, lavar pratos nos restaurantes. No entanto, há uma variante de mediocridade maligna que tem como único objectivo prejudicar o talento alheio e quem se destaca pelos seus méritos.

Luís de Rivera, catedrático espanhol de psiquiatria, define a mediocridade como a incapacidade para valorizar, apreciar ou admirar a excelência, e distingue três graus. A mediocridade comum é a forma mais simples e inócua. Os seus sintomas são a hiper-adaptação, a falta de originalidade e uma normalidade tão absoluta que poderia ser considerada patológica: a chamada “monopatia”. Os que a manifestam não têm ponta de criatividade e não sabem distinguir a excelência, mas respeitam as indicações que lhes dão e são consumidores bons e obedientes. O conformismo permite que se sintam razoavelmente felizes.

O segundo tipo, a mediocridade pseudocriativa, acrescenta à anterior uma tendência pretensiosa para imitar os processos criativos normais. Enquanto o medíocre comum não se esforça para além do mínimo exigível, o pseudocriativo sente necessidade de aparentar e ostentar poder. A imagem é tudo para ele, mas, como não distingue o belo do feio, o bom do mau, não mostra inclinação para favorecer progressos de qualquer tipo e incentiva as manobras repetitivas e imitativas.

Aqueles que se enquadram na síndrome da mediocridade inoperante activa (MIA) formam o terceiro grupo. Trata-se do mais prejudicial e agressivo, pelo que encaixa no perfil da maioria dos praticantes de assédio. Enquanto as categorias anteriores são simplesmente incapazes de reconhecer o gênio, os MIA também se propõem destruí-lo por todos os meios ao seu alcance. O indivíduo afetado por esta síndrome desenvolve uma grande atividade que não é criativa nem produtiva, e possui um enorme desejo de notoriedade e influência. Por isso, tende a infiltrar-se em organizações complexas, nomeadamente as que já se encontram minadas por formas menores de mediocridade, com o objectivo de entorpecer ou aniquilar o progresso dos indivíduos brilhantes.

Conspiração de néscios

Foi o espírito MIA que esteve por detrás da morte do filósofo grego Sócrates, dos crimes da Inquisição, da perseguição das elites intelectuais pelas ditaduras, do exílio de Freud e de Einstein e de incontáveis outros judeus, da queima de livros, da marginalização e absoluta pobreza em que morreram tantos artistas, da censura, do assédio e do abandono que vitimaram personalidades notáveis de todas as épocas e cantos do mundo.

Se o ser humano, como defendia o psicólogo norte-americano Abraham Maslow, tem inclinação para a excelência por natureza, então é preciso analisar o papel desempenhado pela cultura e pela educação. “Será possível que estejamos condicionados por uma espécie de seleção cultural que nos condena à imbecilidade?”, questiona o escritor italiano Pino Aprile no seu livro Elogio do Imbecil. Conclui que sim e que existe uma razão para todos os sistemas sociais advogarem a mediania: “A inteligência é como a areia que se introduz nas engrenagens: pode obstruir os mecanismos.” O gênio é subversivo, não apenas por discutir a norma em vez de a aplicar, mas também por blo­quear, através da sua atuação, o percurso habitual de qualquer sistema burocrático. Por isso, segundo o autor, “o poder de uma organização social humana será tanto maior quanto maior for a quantidade de inteligência que conseguiu destruir”.

Há sistemas políticos que o fazem de uma forma mais óbvia do que outros. No Camboja de Pol Pot, os khmers vermelhos matavam qualquer indivíduo que não tivesse calos nas mãos, sinal de que poderia ser um intelectual e pensar pela própria cabeça. Outras culturas gabam-se de fomentar o individualismo e a meritocracia, mito que os Estados Unidos, por exemplo, sempre procuraram vender. Era também o ideal do liberalismo inglês do século XIX: se uma única pessoa quiser empreender algo diferente do que fazem os restantes mortais, tem o mesmo direito de escolher o caminho do que o conjunto maioritário, dizia o filósofo inglês John Stuart Mill, na obra Sobre a Liberdade.

Todavia, o mais frequente é que a imposição da mediocridade e a perseguição da excelência continuem a ser exercidas de forma insidiosa e subtil nas sociedades democráticas, e isso desde a mais tenra infância. O indivíduo me­díocre representa uma joia para o sistema, pois é o consumidor ideal, fácil de manipular, e não questiona a autoridade nem as normas.

Talvez por esse motivo, o modelo educacional dominante não se dá geralmente ao trabalho de fomentar a excelência, a criatividade ou a iniciativa. As crianças usam o mesmo uniforme, preenchem as mesmas fichas e quase não tomam apontamentos; acompanham a lição num livro, igual para todos. Não interessa se uma delas é ótima na matemática e odeia línguas, ou se tem talento para desenhar mas não se interessa por álgebra. Têm todas de fazer o mesmo: adaptar-se sem se destacar demasiado, não causar conflitos. O que se espera delas é que sejam “normais”.


terça-feira, 11 de junho de 2013

Estado e Religião são monstros que se equivalem.




Em resposta ao artigo do Instituto Misses Brasil: Religião e Libertarianismo

Walter Block, é muita ingenuidade da sua parte este pensamento de que "O inimigo do meu meu inimigo é meu amigo". O inimigo do meu inimigo fatalmente será meu único inimigo ao final.

Ayn Rand tinha total razão ao propor uma agressiva rejeição a Deus.

Estado e religião são dois monstros que se equivalem. Igualmente inimigos da liberdade civil e da iniciativa econômica.  Ao destruir um você terá que lidar com o outro fortalecido pela ausência do primeiro. O ideal seria estimular que ambos se destruíssem ou se enfraquecessem ao ponto de serem abatidos politicamente.

Desde a Revolução Francesa, o estado vem querendo tomar o lugar da igreja e da religião na tarefa de arbitrador do que é certo e do que é errado na vida privada do cidadão. Por mais que o estado se esforce, o fato é que, no final, a população ainda reconhece a igreja, a religião e várias outras entidades privadas como as genuínas merecedoras de atenção enquanto que a classe politica é vista como salafrários e esbanjadores.

O fato de o estado comunista de Lênin e Stalin ter matado mais que a religião não compensa os séculos de opressão religiosa, seja qual fosse a doutrina religiosa vigente. E se o estado Soviético matou mais, se deve unicamente a conclusão que ambos tiveram de que a religião é uma concorrente do estado comunista na obtenção do controle máximo do povo.

O cristianismo, como todas as religiões, possui regras que não podem simplesmente ser descartadas para satisfazer o pensamento cultural da época. Eis ai o problema no que tange a liberdade civil.

São vários os exemplos que comprovam que um estado totalitário nada difere de um Teocrático. Os Talibãs são prova disso. Mas não é preciso ir até o exemplo dos Talibãs. Aqui mesmo no Brasil podemos encontrar exemplos contra a religião: Basta ver as leis e propostas que tem sido colocadas em votação aqui no Brasil pelas bancadas Teocráticas. Todas sem exceção ferem liberdades civis e se intrometem em debates puramente científicos e médicos.

Aqui alias no Brasil as distorções são tantas que corremos o risco de no fim das contas sermos devorados pela maior e mais temível das Quimeras: Um estado "Social Teocrata".



"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)