por Antonio Vargas
Como sabem, não sou formado em ciências políticas e nem tenho a pretensão de fazê-lo para não desautorizar aos que são competentes e especialistas na área. Porém, gostaria de trazer mais algumas reflexões sobre os que se passa no nosso cenário político atual.
Na quarta feira, eu escrevi o seguinte: "Tomara que os R$ 0,20 não seja uma esmola dada por eles para tentar calar o povo. Se essa era a primeira batalha, vencemos mas, ainda não podemos comemorar nada. Há muito a ser feito. Lembrem-se que ainda não acabou. Ainda não vencemos a verdadeira guerra." Mal eu sabia o que estava por vir. Para minha surpresa, a população brasileira começou a combater meu ceticismo. O povo continua indo as ruas para manifestar-se.
O grande problema é que as governanças viram que não eram somente os R$ 0,20 e, aí começaram a agir de forma covarde. O que aconteceu ontem no Rio de Janeiro foi um crime contra liberdade de expressão. Ontem, o dia 20 de junho de 2013 foi provado para todos nós o vício pelo poder, ganância, crime administrativo por má gestão, omissão com a população por interesses políticos partidários, enriquecimento ilícito, nepotismo e atentado contra os direitos humanos por parte de quem nos governa. Foi uma das retaliações políticas mais sórdidas que vi na vida por parte das governanças. Por parte do militarismo, foi um crime de guerra, uso desproporcional da força, arbitrariedade e autoritarismo no sentido mais radical da palavra. Tanto é verdade, que na primeira manifestação pacífica que fizeram após o retorno aos preços anteriores dos transportes, vieram agindo de covardia contra a população.
Claro que houve incidentes provocados por uma minoria na Praça XI e em demais locais foi ridículo, deplorável e não corresponde ao que a maioria da população pensa e age. Esta “ala radical” precisa ser punida sim para não sabotar e manchar esse momento histórico que estamos fazendo e vivendo. Essa ala radical precisa entender que se eles continuarem agindo assim dará mais motivo aos que estão no poder querer usar da força para manter a ordem e zelar pelo patrimônio público.
Contudo o despreparo militar é tão grande e evidente que os caras estavam ali quebrando tudo a menos de 1,5 km do Palácio Duque de Caxias que é o Quartel-General do Comando Militar do Leste (CML), do prédio da atual Prefeitura do Município do Rio de Janeiro e praticamente atrás do Primeiro Batalhão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Por que não cercaram os caras e começaram a brincar de “gato x rato” com ele pelas ruas que levam até a Lapa. Dainte dessa falta de estratégia e despreparo, os policiais começaram a agir de forma descontrolada contra pessoas inocentes que estavam ali somente manifestando o seu direito de se expressar. Pior ainda foi o que fizeram com cidadãos brasileiros e turistas que estavam nos bares nos arredores da Lapa onde começaram a jogar bombas nas pessoas que nem estavam participando dos ocorridos na Avenida Presidente Vargas. Pior foi ter jogado bombas no entorno do Circo Voador, com quase 800 pessoas lá dentro e o gás pimenta entrar no local. Prejudicou atodos os cidadãos que estavam ali num objetivo de se divertir somente. Pessoas que moram nos bairros que ficam nos arredores da Lapa (Glória, Catete, Flamengo e afins) tiveram que fechar as janelas para o gás não entrar em seus respectivos lares.
A imprensa diz ter imparcialidade porém isso não é verdade. A imprensa não está cumprindo o seu papel de divulgar a realidade dos fatos pois é comprada para divulgar o que as governaças querem. O espaço que ela dá para a parte pacífica e positiva da manifestação é infinitamente menor. Ela enfatiza cada vez mais a violência provocada por uma minoria que não representa esse movimento legítimo do povo. Ela faz isso justamente para criar uma tensão dentro do povo, tentar minar as forças das pessoas e induzindo de forma “sutil” a desistência de alguns.
Corremos algum risco amigos? Sim, corremos um risco de um Golpe Militar. Se isso acontecer, na verdade não estaremos perdendo a democracia porque nunca a tivemos, tendo em vista que somos obrigados a votar. O que perderemos na verdade será a obrigação de votar e a liberdade de expressão. Uma das análises sobre a Proclamação da “República” Federativa do Brasil é de que foi uma ação ordenada pelos militares em 1889. Um dos motivos foi eles não terem recebido os investimentos para as melhorias do Exército e da Marinha por parte do Império e, vendo o mesmo fazer gastos astronômicos com supérfluos; propuseram a queda do monarca. O famoso baile de Ilha Fiscal foi o estopim da virada. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Baile_da_Ilha_Fiscal). O nosso cenário político atual é bem similar, onde sabemos que as instituições militares estão quase falidas e o governo tem feito mal uso das verbas públicas, descaso e falta de investimento na educação e saúde, superfaturamento de obras por conta dos megaeventos esportivos (Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo 2014 e Jogos Olímpicos 2016) e decisões arbitrárias no que se refere a tudo que tange ao estado e município. Temos como principal exemplo os questionamentos sobre a continuidade da PMERJ.
Se houver um Golpe Militar, não será um movimento provocado e articulado pelos milicos mas, eles podem se aproveitar da situação para voltarem ao poder, ter o controle econômico do país para se reestruturarem economicamente as forças e, com isso, a população brasileira continuaria na mesma situação, ou seja, a verba pública não seria revertida para o povo. Se os militares assumirem o poder será por culpa dos civis.
Contudo, as corporações militares e os sistemas ditatoriais contam hoje com alguns inimigos que outrora não existiam que são as redes sociais, internet e as tecnologias que geram informação estando à disposição da população (Ipad, Ipod, celulares, tablets e etc). Eles não teriam como lutar contra isso e sabemos que em alguns países, manifestações populares foram feitas desta forma. As ditaduras antes ganhavam do povo pois detinham as informações com eles e agora, as informações verdadeiras estão disponíveis para todos.
A saída para o Brasil é a reforma política. Conforme escrevi em nota anterior http://shogunidades.blogspot.com.br/2013/06/coluna-do-vargas-brasil-o-pais-dos.html, o Brasil precisa acabar com a obrigatoriedade do voto, imunidade parlamentar, estabilidade do funcionalismo publico e acabar com o Direito Militar porque eles são cidadãos assim como todos nós e não podem ter direito diferenciado. Se não houver a reforma, creio que podemos até evoluir no que pleiteamos mas, não mudaremos da fato o nosso país do jeito que precisamos e queremos.
Antonio Vargas é psicólogo, músico e pajé
Em tempo: O TRE de Goiás oficializou ontem o PMB (Partido Militar Brasileiro) - (grifos nossos)
http://www.jusbrasil.com.br/diarios/55758312/tre-go-20-06-2013-pg-29
Art. 137 da CF de 1988: "O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa". (Grifos nossos)
Millor Fernandes:
Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.
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sexta-feira, 21 de junho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
Coluna do Vargas - Brasil: O país dos falsos heróis
Este artigo em hipótese alguma tem a pretensão de ser conclusivo. Meu objetivo é apenas mostrar minha descrença nas manifestações populares brasileiras, no sistema democrático em vigor e problemas correlacionados ao despreparo das instituições militares.
a) Sistema democrático
Prezados, usando a sapiência com serenidade digam-me: quando vivemos numa democracia? Se contarmos que o Brasil Império veio até 1889; que na Republica Velha que veio até 1930 aplicava-se o voto do cabresto; que Getúlio de um Golpe de Estado influenciados pelos ideias Nacionalistas que tinham como pilares o higienismo e eugenismo; que em 1964 houve o golpe militar que veio "terminar" em 1985, vejo que os brasileiros só tiveram o prazer de falarem o que pensam somente por 40 décadas não sequenciais.
Poder-se-ia chamar de país democrático, um povo que é obrigado a votar? A prova cabal de que nunca vivemos numa democracia é justamente este ponto meus amigos. Sim, pois se não votarmos, temos como punições previstas: pagamos uma multa, ou estar sujeitos a não conseguir tirar passaporte ou estarmos sob a possibilidade de trabalharmos nos dias eleitorais. Isso quer dizer que se não acreditarmos em nenhum dos "cidadãos" que aspiram nos gerir; nós, os pagadores de impostos, é que pagamos a conta de um jeito ou de outro.
Democracia no Brasil é uma alcunha de muito mal gosto. Para estarmos num estado democrático e laico, não podem haver três coisas básicas: imunidade parlamentar, estabilidade de emprego público e Direito Militar . Por que digo isso?
A imunidade parlamentar é um ferramenta importante para sistemas de ditaduras militares, onde os que estão no poder precisam de ter liberdade e autonomia de ação para agir contra toda e qualquer oposição ao estado, sem fazer qualquer prestação de contas a população. São punidos caso algum dos membros do governo cometam excessos aí sim faz-se as CPIs para definir o futuro do político intimado. Fica a pergunta: por que a imunidade parlamentar não caiu junto com a ditadura militar? Para eles continuarem no poder fazendo os mandos e desmandos para atenderem única e exclusivamente os interesses individuais e corporativistas dos políticos eleitos por nós.
A estabilidade do funcionalismo público foi criada para justamente aprovarem os cidadãos civis que estariam aptos a trabalharem junto ao órgãos do Governo Federal, Estadual e Municipal. Para trabalharem nesses locais, precisam estar aprovados em concursos públicos. Se é assim, por que constatamos que há nepotismo nos órgãos públicos? Será que são aprovados os melhores colocados ou os que possuem parentes nos órgãos públicos? Em última análise, a estabilidade de cargos públicos foram criadas para empregar as famílias dos militares que estavam no poder com a finalidade de não ter oposição de pensamento na máquina pública. O pensamento em vigor é: "aos amigos tudo, aos inimigos a lei".
Direito Militar fica a pergunta: quais são os direitos e deveres dos militares? Tenho certeza que muitos militares, que cometeram crimes e atentados contra a vida de cidadãos que se manifestavam contra ao que estava em vigor, não foram punidos e os que foram julgados estava sobre a tutela do Direito Militar. Por que eles continuam com poderes diferenciados dos civis? Eles são uma raça superior?

b) Despreparo Militar
Meus caros, essa segunda parte visa trazer mais dados históricos que são relevantes para entendermos a base do despreparo militar.
Hoje, enaltece-se um herói que é Duque de Caxias. Herói? Há artigos que falam que o Brasil na Guerra do Paraguay estava sendo derrotado. Tendo em vista que o Brasil tinha 42 anos como país independente, um país em construção e insalubre, onde o trabalho escravo estava no auge e a extensão territorial imensa; as instituições militares não receberam investimentos para sua melhoria. O nosso despreparo militar era tão evidente que para alguns historiadores o Brasil só venceu esta guerra por terem jogado corpos de milhares de soldados brasileiros mortos nas águas pluviais e, os soldados paraguaios ao consumirem a água contaminada começaram a morrer por conta de epidemia de Tifo e não das batalhas propriamente narradas. 19 anos depois o Brasil tornou-se uma república por ação dos militares.
Em 1910, com o apoio do Barão do Rio Branco, um grupo de militares brasileiros foram enviados a Alemanha para receberem instruções a serem implementadas no Exército Brasileiro. Esses militares receberam o apelido de os jovens turcos. Em função dos resultados da Primeira Guerra Mundial, esse grupo acabou não implementando a doutrina germânica aprendida. Daí veio a Missão Militar Francesa de 1920 onde começou o processo de modernização do Exército Brasileiro.
Como a população brasileira era insalubre, fraca, incapacitada para o mercado de trabalho da sociedade industrial e quase semi analfabeta; os militares foram os primeiros "cidadãos modelo" a serem produzidos pelo sistema.
Ainda sobre esta perspectiva, em 1930 Getúlio Vargas deu o golpe e assumiu o poder. Embora ele não assumisse isso publicamente com medo das sanções internacionais que poderia receber, era claro que comungava dos pensamentos nacionalistas que estavam sendo empregados na Itália, Portugal, Espanha e Alemanha.
Chegando a uma história mais perto da geração atual, veio a Ditadura Militar de1964 onde ainda sofremos consequências disto. Sendo assim as instituições militares nunca deixaram de estar no poder, nunca deixaram de ser autoritárias, nunca deixaram de confrontar com os civis brasileiros e nunca estiveram prontas para dialogar com o povo.
c) Descrença nas manifestações do povo brasileiro
Diante dos fatos apresentados nos tópicos anteriores digam-me: qual é o histórico que temos de manifestações populares?
As únicas manifestações populares que tem aceitação são as culturais como Carnaval, Festas Juninas (que estão ficando escassas) e esportiva no caso o futebol.
A primeira manifestação popular em que o povo não sofreu tanta retaliação foram os falsos heróis "caras pintadas". Muitos nem sabiam o que estavam fazendo lá e os reais motivos do pedido de impeachment. Por que será que não houve retaliações? Porque o principal motivo foi o Plano Collor ter mexido na grana da classe média que estava aplicada nas Cadernetas de Poupanças. Para os que não se recordam, diante a desvalorização da moeda, esse era o único fundo de aplicação onde perdia-se menos. Para os que não sabem, o Plano Collor foi inspirado no programa alemão pós guerra, que teve como objetivo, reestruturar a economia do país que estava devastada depois da guerra. Curiosamente, 65 anos depois do fim da Segunda Guerra, já era a terceira maior economia do mundo e a maior economia da comunidade européia antes do recente anúncio da Crise do Euro.
Quando vejo as atuais e recentes imagens da TV , vejo as mesmas cara de jovens que não sabem porque estão lutando assim como as de 1991. Jovens usando a camisa do "CHE" e se nomeando revolucionários. Consequentemente estes novos cidadãos perante a lei não dimensionam os seus atos. Nota-se no discurso deles, que alguém está os regendo. Esses pós-adolescentes não tem a bagagem histórica para entender o que estão fazendo. Está tudo muito orquestrado demais. Invadir os palácios governamentais ao mesmo tempo, em sincronia nas 4 maiores metrópolis do país justamente quando a imprensa internacional está voltada para cá, por conta de um mega-evento esportivo? Certamente, os revolucionários dos vinte centavos não pensariam nisso e estão sendo regidos por alguém que ainda não teve a coragem de se identificar.
Está claro e nítido que o discurso deles são enlatados e em harmonia com vários locais do Brasil. Só não vê quem não quer ver. Na minha opinião se eles fossem politizados de fato, teriam feito isso não por conta dos R$ 0,20 de aumento das passagens. Por que não fizeram nada para protestar pelo descaso saúde pública? Garanto que muitos não fizeram nada pois pagam uma bi tributação ao ter um plano de saúde e estão pouco se lixando para os muitos brasileiros que morrem nos hospitais públicos todos os dias. Por que não fizeram nada por conta do mal ensino no país? Garanto que muitos destes que estão a protestar nas ruas que fazem um abaixo assinado contra um professor que é exigente. Usando uma causa local do Rio de Janeiro, por que não fizeram isso quando foi colocado ao conhecimento público que o Governo do Estado e a Prefeitura do Município agiram de forma ilegal e arbitrária ao passarem por cima das determinações do IPHAN quanto ao tombamento do entorno do Maracanã e de outros locais históricos com o objetivo de favorecer as empresas do senhor Eike Batista? Eles se revoltam quando aumentam R$ 1,00 quando aumentam a cerveja que bebem?
Eu teria muitos outros porquês a fazer que justificam a minha dúvida da autenticidade desse movimento, no que se refere a sua ideologia.
Contudo, o direito de manifestar-se é legítimo, previsto em lei na nossa Constituição e acho isso bonito. Há muita coisa errada acontecendo e que de fato precisa ser argumentada e criticada. Sendo assim isso não dá o direito da Polícia Militar agredir preventivamente para calar o povo. Essa instrução militar de tratar o povo como fizeram na ditadura não é adequada, não pode ser legítima e precisa ser revista. A polícia não tem o mínimo preparo para lidar com o povo mas o nosso povo é muito mal educado em muitos quesitos pois não consegue respeitar as leis de boa convivência nos dias normais.
O mais interessante e curioso de tudo é que a atual Presidenta da República Federativa do Brasil e os Governadores e Prefeitos, que sem sempre utilizaram nos discursos das campanhas eleitorais de terem sido contra ou sofrido a Ditadura de 1964, hoje tentam aplicar uma em 2013.
Infelizmente, algumas verdades hão de ser ditas. O povo brasileiro não tem a educação, tradição e cultura para saber manifestar, sustentar e perseverar atrás dos seus ideais. O povo brasileiro não tem o espírito de coletividade. O povo brasileiro não tem o conhecimento da própria história para embasar o que pleiteia e por isso não conhece a sua força.
Esses jovens que estão nas ruas lutando nunca viveram numa ditadura como eu vivi. Nunca tiveram que ser subversivos porque ouviram uma música que estava proibida pela censura. Nasceram num mundo das relações digitais; da informação livre, rápida e imediatista. Eles clamam pelo direito de se manifestar mas não sabem o que é estar privado de falar o que pensa.
Conforme pontuei, creio que nunca fomos democráticos na prática e na essência. Pergunto: pelo que estamos lutando? Enquanto não mudarmos a nossa legislação no que se refere a imunidade parlamentar, estabilidade de cargos públicos, voto não obrigatório e direito militar, nada do que pleitearmos dará certo pois quem nos gere não tem sanções. Isto é a base da impunidade no Brasil que nos revolta tanto.
Há um ensinamento que tive de uma grande mestra: "Se queres ter a razão nunca use o argumento de força e sim a força do argumento". Portanto, nos ocorridos em questão, o povo tem o direito de manifestar e lutar pelos ideiais porém, perde a razão ao quebrar e incendiar o locais públicos. Se não mudarem a estratégia, vão continuar dando motivo aos policiais militares agirem sob a tutela da força e autoritarismo em nome de preservar a ordem e o patrimônio público.
Sendo assim, tenho poucas esperanças que esses últimos ocorridos surtem em algum resultado. Somos o país que produzimos falsos heróis porque os nossos supostos heróis nem sabem por qual história e causa lutam.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Coluna do Vargas: Santa Maria, Produtores em cheque?! Pontos para reflexão
Bom dia.Sem querer ser sensacionalista, acho que os ocorridos do último fim de semana em Santa Maria - RS precisam servir de reflexões para os produtores de eventos do underground brasileiro.
Como todos sabem, há tempos falo da qualidade e quantidade dos eventos do underground. Infelizmente, a grande marioria me interpretou até hoje como chato e polêmico e, em alguma situações, eu fui e ainda sou mal falado e boicotado por alguns produtores de eventos justamente por falar algumas verdades que as pessoas não querem ler e ouvir.
Vamos aos fatos: 231 mortos!
Pergunto: precisava chegar neste ponto?
E se este incidente tivesse acontecido num show de metal, do que seriamos acusados hoje?
Primeiro lugar, falaram que a culpa foi do show pirotécnico. O fator que desencadeou o incêndio foi o efeito sim porém, seriam dos artistas a culpa e dolo? Não. Por que? Não é dever do artista saber se a arquitetura, estrutura e engenharia do local tem suporte para tal procedimento. O artista não é o proprietário e/ou locatário do espaço ou estabelecimento. Portanto, não é ele quem contrata seguranças, firma de iluminação e som. Essas atribuições são dos produtores dos eventos.
Quando um produtor contrata uma banda, ele já sabe o que ela faz ainda mais no mundo de hoje onde a informação está disponível no mundo digital. Quem tinha que fornecer a informação do que deveria e poderia ser feito no palco era a produção do evento. Há algum documento falando sobre isso? Por certo não e, sendo assim, este fato é a maior prova de descaso dos produtores tanto com os artistas quanto com o público. A maioria dos produtores só estão preocupados com os seus próprios bolsos.
Se uma banda dizer nós não nos apesentaremos neste local pois este não apresenta condições de segurança e higiene para a realização do evento", com toda certeza ouvirá . " banda cheia de frescura e problemática", "se você não quiser tem quem queira" ou " quem está no rock e metal é para se fuder". Mentira? Ainda por cima, há produtores que não chamam bandas para tocar por alguns artistas não irem aos seus eventos. Há produtores que não sabem nem o que é mapa de palco.
Eu, particularmente, não participo de tantos eventos quanto gostaria pois trabalho muito inclusive aos fins de semana. Já fui boicotado por produtores do meu estado muitas vezes para agendar shows para minha banda. Com certeza, uma das coisas que em alguns momentos me desestimula ir a eventos é saber que o local não tem estrutura para funcionar. Contudo, sei que há musicistas e bandas que não participam dos eventos porque não querem compactuar com este tipo de mentalidade vigente.
Que esta tragédia sirva de lição e reflexão para o cenário underground brasileiro repensar a forma de fazer eventos. Fica um aviso para o público:
Público - Headbangers, protestar, somente, não basta. Temos que fiscalizar e denunciar juntos aos órgão competentes o que está de errado. (Procon, Corpo de bombeiros, Polícia, Vara da Criança e Adolescência e Órgãos da Saúde).
Produtores - Sei que muitos de vocês são headbangers e vocês sabem o que precisamos. Procurem se profissionalizar, estarem dentro das leis e tratar o público e bandas com mais profissionalismo, ética, respeito e carinho.
Artistas e bandas - Sejam mais criteriosos para escolherem eventos e produtores e, caso vejam faltas, pendências e irregularidades, não toquem.
Será que não seria este o motivo implícito do público não pagar por eventos de pequeno e médio porte?
Se este modelo que proponho é utópico eu não sei mas, por certo, se este sistema de autocobrança interna acontecer, a qualidade e quantidade dos eventos irão melhorar significativamente e, todos nós sairemos ganhando com isso.
Abraços
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Coluna do Antonio Vargas: Uma breve experiência no Metal Portugues
Prezados leitores
Após um grande inverno, resolvi escrever-lhes. Recentemente fiz uma viagem de caráter pessoal e familiar. Tirei férias depois de 14 anos ininterruptos de trabalho foi importante para poder descansar e reciclar energias. Sem contar que foi uma experiência importante e única conhecer minha segunda pátria. Conforme relatei aos amigos/irmãos mais próximos, eu vivi as minhas "Roots Bloody Roots" na cidade de minha avó materna. Experiência ímpar!
Voltando agora com força total, venho a compartilhar minha breve experiência no cenário underground em Portugal, no dia 22 de setembro de 2012.
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer de coração a receptividade dos amigos lusos Fernando Martins e Victor Matos da banda Web e, Rui Silva e Rui Alves (Raça) da banda Revolution Within, a anfitriã e organizadora do evento. Nesta data, a banda estava lançando o seu excelente cd.
Relatando o show para os leitores "brazucas", enalteço a organização do evento. Impecável! O local foi muito bem escolhido. O Hard Club é lugar excelente para eventos (https://www.facebook.com/HardClubPorto/info ). Evento realizado com maestria, bom equipamento, limpeza e, principalmente, cumpre os horários. Havia respeito dos organizadores do show para com as bandas e o público. O público interagiu de forma excepcional.
Quando cheguei ao local já tinham começado as apresentações de outras bandas e, sendo assim, não posso falar sobre estas. Contudo, a Web (Thrash Metal) fez um show excelente. A banda possui 2 cds World Wild Web(2003) e Deviance (2007) porém, o set list foi pautado no mais recente com as músicas: Life Agression, Mortal Soul, Resilient Casket, Awake, As We Crawl, (In)Sanity e Beautiful Obsession. A banda teve a atenção do público por todos os momentos, com um carisma grande principalmente do "front man" Fernando Martins e do guitarrista Victor Matos, uma figuraça! Executaram um thrash metal de primeira linha, com perfomance e técnica impecável. Seria injusto esquecer a atuação do excelente guitarrista Filipe Ferreira. O gajo toca muito, pah. Como dizemos no Brasil o show foi "fodástico". Para maiores informações segue o link www.webthrashmetal.com.
Depois de aproximadamente 20 minutos de intervalo, a banda Revolution Within sobe ao palco para lançar o cd " Straight from within". Simplesmente o show desta banda tem uma energia acima do normal. O "front man" Rui Alves (Raça) é muito carismático, com excelente perfomance. Isso sem contar a apresentação do baterista Rui Silva, que foi impecável. Toda a banda tem um trabalho muito interessante, perfeito entrosamento das cordas de Nuno (baixista), Adriano e Matador (guitars), chegando em alguns momentos soar como a Dew Scented. O set list estava baseado nos dois álbuns gravados, Collision (2009) e Straight from Within (2012). Eis aqui as músicas executadas com energia fora do normal: Dissparence, Pure Hate, Silence, Without Recognition, Revenge Now, Anger mode:On, Stand Tall, Straight from Within, Pull the Trigger, Bleed, Evil(ution), Surrounded by Evil e Unleash the anger. A sintonia com o público foi perfeita. Show memorável. A felicidade dos músicos por estar ali era inexplicável. (http://www.myspace.com/revolutionwithinpt)Momentos antes do show, estava conversando com os amigos e obtive algumas informações que servem de reflexões para o cenário underground brasileiro.
Caros leitores brasileiros (as), para informação de vocês Portugal tem hoje aproximadamente 11 milhões de habitantes. Há tempos atrás, segundo as informações que ouvi e entendi, o público lá andou desunido por alguns momentos. Tudo isto ocorreu por conta do radicalismo dos estilos. Quando eles perceberam que estavam afundando o navio, resolveram unir-se e estão construindo um cenário melhor. Há radicalismo e problemas? Sim como em qualquer lugar do mundo porém, conseguiram fazer um evento auto sustentável, com boa convivência entre os estilos, qualidade e respeito aos musicistas e ao público. Banheiros e bar limpos e, as pessoas que estavam trabalhando para o evento atendendo ao público com educação e simpatia.
Pergunto-vos: Por que será que na do República Federativa do Brasil, que tem uma população 22 vezes maior que Portugal, não consegue-se fazer eventos de pequeno e médio porte com este padrão em nenhum dos seus 27 estados federativos? Será que as bandas que fazem exigências mínimas para realizarem seus trabalhos precisam ser retaliadas pelos produtores de shows no Brasil? Será que mediante ao enorme celeiro musical que temos, não existem bandas autorais boas ao ponto de atrair público para incentivar e apoiar o metal brasileiro? Qual é o problema dos eventos começarem no horário marcado e divulgado?
Há bons produtores na cena brasileira? Sim mas eles são como uma agulha no meio de um palheiro. Contamos nos dedos de uma das mãos os que tem a capacidade, ética, profissionalismo, cultura e educação para trabalhar de forma adequada.
Espero que essas perguntas que faço nesse artigo sirvam-nos de reflexão para todo o "underground" brasileiro. Porém, eu os alerto: o que tive prazer de ver os gajos fazendo é justamente aquilo que reclamo, luto e acredito desde 1996 quando comecei as minhas atividades como musicista. Se em Portugal já conseguiram recuperar a "cena", eu cá não sei. Certamente o futuro nos dirá mas tenho certeza que se mantiverem esse padarão, eu vos afirmo que estão no caminho certo.
Já tive o desprazer de ver muitas bandas e musicistas talentosos desistirem de "ter" e "ser" banda por falta de oportunidades e respeito vindo dos espaços e organizadores de shows. Já vi muitas vezes o público deixar de pagar R$ 10,00 num ingresso para entrar no evento das bandas autorais brasileiras para ficar bebendo no boteco ao passo que pagam R$ 300,00 para as bandas gringas. Já vi muitas vezes produtores perderem finanças e bens pessoais porque tomaram prejuízos nos eventos que tentaram organizar porque o público não esteve presente. Conforme já disse em entrevista ao http://riometal.blogspot.com.br/ : "sem público na há receita, sem grana não há estrutura, sem locais para tocar e público que apoie as bandas autorais estas acabam se desmotivando e encerrando atividades." Essa equação é simples de resolver mas depende da boa vontade, união e consciência de todos que integram o metal brasileiro.
FORÇA E UNIÃO AO METAL NACIONAL BRASILEIRO PARA QUE POSSAMOS NOS REFORMULAR E RECONSTRUIR EM DEFINIVITO.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Coluna do Vargas: Aonde foi parar a grana do M.O.A?
Antonio Vargas é musico guitarrista da Banda Savant do RJ e colunista nesse blog:
Depois de tudo que ocorreu ficaram perguntas na minha mente e que não calaram e, venho por meio deste artigo, compartilhar com vocês questionamentos.
Há um pensamento de Maquiavel que diz algo assim: " Se não gostas de política o problema é seu pois os que te governam gostam. "
Partindo desta premissa e, conversando com alguns raros produtores honestos do meio underground, faço um texto de perguntas e não de acusações ou respostas. Espero que este sirva de reflexão para todos.
Eis as questões primordiais:
a) Por que um prejuízo deste tamanho num evento que tinha tudo para dar certo?
b) Por que a Rede Globo chegou ao local tão rápido para divulgar o problema?
As personagens envolvidas na maior catástrofe do metal nacional: Negri Concerts (SP), Lamparina Produções (MA) e a CK Concerts.
Eis a pergunta: Quem saiu com os bolsos cheios desta situação?A produtora paulista nega que recebeu, a maranhense Lamparina foi malhada ao extremo e a CK ninguém sabia que existia. Esta última, além de não ser citada nas entrevistas, está envolvida com a política do seu estado vide este link. Http://robertoquirino.blogspot.com.br/2010/08/celiton-giordano-grava-seus-programas.html
Sendo assim meus caros fazer um evento no Maranhão não é demérito para ninguém. Poderia ser feito até no inferno desde que desse certo. Entendo que há de se louvar a coragem e tentativa de fazer algo grande mas, não é só de coragem que um evento é feito. Entristece-me a carência e inconformidade do público e que desejava que bandas não deveriam ter cancelado os shows. Muitas vezes os fãs no calor da paixão não conseguem compreender e aceitar o porque dos seus ídolos cancelarem datas de shows.
Por um outro lado, entendo que os músicos tem o direito de fazer valer os contratos. Quem vive de música, depende do cachê para pagar suas contas mensais (luz, aluguel e afins) ainda mais num país como o nosso cheio de tributações que não paga-se imposto somente para consumo de oxigênio. Enquanto houver banda pagando para tocar e se calando diante das merdas que as produções fazem com bandas e músicos com medo de retaliações, as coisas ficarão assim.
Headbangers o que há de se discutir agora não é "qual a merda que deu" ou "qual será a próxima que está por acontecer".
O que precisa-se pensar é: de onde viria a grana e aonde ela foi parar?
Vejamos os fatos. Para quem está acostumado a trabalhar com eventos sabe que para alugar um local com tamanho gigantesco como este nas regiões Sudeste e Sul é caríssimo, ok? Perfeito, sendo assim foram para o Maranhão.
Pergunto: de quem é 80% da extensão territorial deste estado? De qual família?
Se estamos num ano de eleições para prefeito e vereadores e, estes precisam de votos para se reelegerem e de grana para custear as suas campanhas eleitorais, para que fazer rum megaevento deste num estado que não tem a tradição de fazê-lo?
O público do nordeste merece shows de excelência? Sim e muito! Contudo temo dizer que todos os envolvidos, bandas e público, fomos envolvidos numa possível lavagem de dinheiro para campanha eleitoral. Sabem por que? Para que uma produtora como a C.K Concerts que não tem tradição de eventos de música e, que está envolvida com a política num ano de eleição, se meteria com esse tipo de evento? Gostaria de ressaltar que tive o trabalho de consultar alguns produtores com a finalidade de averiguar a procedência desta produtora.
Segundo ponto, geralmente, as prefeituras e as suas respectivas secretarias municipais de cultura e lazer, para eventos como estes liberam verbas públicas para a realização dos mesmos visando o retorno com o incentivo de turismo no local. Várias cidades do Brasil vivem e crescem assim como por exemplo:
a) Cabo Frio-RJ - cresceu muito realizando carnavais fora de época pois aquecia o comércio local com turismo que acontece para este evento.
b) Blumenau- SC - Se reconstruiu da enchente de 1984 da seguinte forma: isenção de IPTU por 15 anos (se não me engano), para os que reconstruiriam as suas casas no estilo alemão e, hoje, sediam a maior bier fest do mundo (Oktoberfest), isto dito por alguns alemães nativos.
Sendo assim, levanto a hipótese de que o M.O.A, além de ser a maior catástrofe do metal nacional, pode ter sido um evento onde houve lavagem de grana. Até aonde estou informado, a C.K é especializada em produção de comerciais para políticos e declara apoio e parece estar vinculada ao Partido Progressista (P.P) da bancada evangélica, que está em fusão com D.E.M e P.S.D.B, conforme publicado em matérias da televisão.
Não estou defendendo ou acusando, mas vejo que o problema é muito maior do que estamos vendo e pensando. Há possibilidades de estarmos sendo envolvidos em mais um escândalo de lavagem de grana. Portanto headbangers, a hora agora não é de brigarmos entre nós e sim nos unirmos contra o que está de fato errado. Se a Negri Concerts e Lamparina Produções alegam não estarem com a grana destinada a custear o evento, com quem está? Eis a pergunta que não quer calar!!!
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Antonio Vargas: Metal Open Air "Produtores não satisfeitos com o destrato que fazem com os músicos brasileiros, passam a fazer com os do exterior"
O problemas no metal open air Antonio Vargas.
Como se não bastasse à falta de respeito impar que estão fazendo com os headbangers e tudo o que fazem de errado no cenário underground brasileiro com as bandas nativas; estamos sujeitos a ter menos bandas de o exterior vir fazer shows no Brasil.
As pessoas que gerenciam eventos no nosso país precisam entender uma coisa: a merda que é feita por um respingará em todo mundo, público, cena e neles mesmos no futuro. O pior de tudo é que, depois, os mesmos virão a público dizer que os eventos de metal no Brasil não dão certo, alegando que o público não comparece aos shows das bandas nacionais. É uma verdade? Sim de fato o é e, este é o argumento que os produtores nacionais se utilizam para justificar a falta de receita e sustentabilidade dos eventos, o que não deixa de ter um fundamento.
HAIL!!
Nota: Após 5 horas de atraso e 11 bandas canceladas - a saber: Venom, Saxon, Atomica, Expose Your Hate, Ânsia de Vômito, Hangar, Headhunter DC, Obskure, Stress, Terra Prima e Unearthly -, o Metal Open Air finalmente começou com os canadenses do Exciter no palco.

As pessoas que gerenciam eventos no nosso país precisam entender uma coisa: a merda que é feita por um respingará em todo mundo, público, cena e neles mesmos no futuro. O pior de tudo é que, depois, os mesmos virão a público dizer que os eventos de metal no Brasil não dão certo, alegando que o público não comparece aos shows das bandas nacionais. É uma verdade? Sim de fato o é e, este é o argumento que os produtores nacionais se utilizam para justificar a falta de receita e sustentabilidade dos eventos, o que não deixa de ter um fundamento.
Contudo, isto ocorre por um problema cultural e comportamental. O público brasileiro condicionou-se a valorizar somente ao que há no exterior ao passo que tem muita banda brasileira fazendo trabalho de excelência. A própria carreira do Sepultura só ganhou maior notoriedade quando assinaram com a Roadrunner. Por valorizar somente o que vêm de fora das terras tupiniquins; produtores/organizadores tentam fazer um evento com atrações internacionais a cobrando das bandas nacionais “jabá” para abrirem os shows. Agora tentaram fazer um evento grandioso num país e que não tem a educação e tradição no que se refere a organização de eventos de qualquer seguimento.
Agora, não satisfeitos com o destrato que fazem com os músicos brasileiros, passam a fazer isso com do exterior, ou seja, a merda está expandindo horizontes chegando ao cenário internacional. Basta lembrar a merda que deu no último show do Iron Maiden aqui no Rio de Janeiro vide nota que publicada aqui no meu perfil.
Só que há um problema: lá fora os caras não tem a cultura do deixa para lá o que acontece de errado e trocam informações. Músico e o público são respeitados.
Até o presente momento, o que tenho de conhecimento é: Anthrax está no aeroporto de Guarulhos sem serem recepcionados pela produção (Nota do Blog: O Anthrax desembarcou às 11 da manhã no aeroporto de Guarulhos e não havia ninguém da produção do Metal Open Air esperando o grupo, como havia sido previamente combinado. O quinteto ficou no aeroporto até às duas da tarde, mas, aparentemente, conseguiu embarcar para São Luís e fará o seu show.); Saxon, Venon, Angra, Headhunter D.C, Hangar cancelaram apresentação. Korzus e Shaman (a principio) confirmaram presença.
Fica a pergunta: a grana dos pagantes será devolvida tendo em vista que algumas bandas não irão mais tocar? Headbangers, façam valer o seu direito de consumidor. É um direito e dever de todos fazer a lei ser cumprida. Sejam fiscais e aprendam a combater o que está errado com a lei escrita e não somente com palavras de baixo calão proferidas ao vento e nas redes sociais.
Nota: Após 5 horas de atraso e 11 bandas canceladas - a saber: Venom, Saxon, Atomica, Expose Your Hate, Ânsia de Vômito, Hangar, Headhunter DC, Obskure, Stress, Terra Prima e Unearthly -, o Metal Open Air finalmente começou com os canadenses do Exciter no palco.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
A Coluna de Antonio Vargas: BRASIL: O PAÍS DA IMPUNIDADE. UM BREVE PENSAMENTO!
Começa hoje mais uma coluna neste blog. Apresento-lhes a coluna de Antônio Vargas: Psicólogo, Professor e Musico.

Esse maldito ranço começa em nossa colonização. Deixo claro que não tenho nada contra os portugueses. Portugal, hoje é a minha segunda pátria, tenho muitos amigos e familiares lusitanos. Não quero ser injusto. Pode ser que esta forma de pensar esteja por todos os locais do mundo e, sendo assim, o que direi não restringe-se a forma luso-brasileira de pensar somente. Contudo, focarei os meus pensamentos na nossa realidade nacional.
O pensamento luso-brasileiro, por assim dizer, tem como conceito básico o seguinte: “Para os amigos tudo; aos inimigos a lei.” O curioso é que todos nós, de alguma forma, já fizemos isso pelo menos uma vez na vida. Mesmo sabendo que estamos agindo errado continuamos. Citarei alguns exemplos:
a) Os políticos defendem a sua curriola, ok? Quem nunca tentou minimizar os erros dos familiares?
b) Criticamos políticos porque não sonegam impostos, ok? Quem de nós nunca tentou burlar o imposto de renda?
c) Falamos que os governantes burlam as leis, certo? Porém, quem nunca pensou em fazer de tudo para não ser pego numa alfândega por ter extrapolado o limite de compras?
Resumindo: por que criticamos os outros e esquecemos que nos olhar no espelho? O génio psiquiatra Carl Gustav Jung tem uma frase ótima que diz: “Quem não olha para o próprio rabo só vê o diabo nos outros.” É a mais pura verdade! Tanto o é que, classificamos como amigos os indivíduos que são nossa imagem semelhança; os que ouvem as besteiras que temos para dizer e os que batem palmas para todos os nossos atos. Ou seja, chamamos de amigos os que são “puxa saco”. Isso acontece em todas as esferas: políticas, religiosas, pessoais, sexuais e etc. Agora, quem não faz nada disso, vira inimigo, é retaliado e é penalizado. Quem não segue a cartilha é chamado de “ovelha negra”. Inimigos são àqueles que dizem não para nossas vaidades.
Eu não poderia deixar de lembrar os que tentam justificar seus erros com os de terceiros. A forma de pensar pautada nos precedentes abertos, o que não deixa de ser lamentável.
Com isso caros leitores, foi sob a tutela destes pensamentos citados acima que foi construída de pensar básica de toda sociedade brasileira. Poderíamos citar vários exemplos do cotidiano, da história brasileira, do cenário político e etc, que se encaixam perfeitamente nesse formato.
Poderíamos encaixar esse pensamento até mesmo no cenário artístico e underground brasileiro, não é mesmo? Sim, tanto é que temos que ficar tomando cuidado com o que falamos para não sermos retaliados depois. Isso é democracia?
Infelizmente, muitas pessoas classificam como amigos os que dizem àquilo que as pessoas querem ouvir para satisfazerem os egos. As pessoas bradam por democracia mas aplicam a ditadura.
Herdamos um pensamento político nocivo. Basta olhar o mundo e observar. Respondam a minha pergunta: qual foi o país, colonizado por Portugal, que faz parte do grupo de países desenvolvidos? Angola? Moçambique? Por favor, não me venham dizer que será o Brasil que quebrará esta regra. Por mais ufanistas que sejamos, sabemos que fomos sucateados para os interesses estrangeiros e que os nossos colégios públicos formam semi-analfabetos. Caso desejem, leiam mais sobre a história do Brasil sem se prender aos conteúdos lecionados no ensino médio e fundamental. Nos últimos tempos, vários bons livros foram publicados e que valerá à pena lerem para conhecerem, de fato, a nossa verdadeira história e com isso entenderam o que acontece hoje.
Defino que somos um produto histórico desempenhando o papel de vítima, vilão e cúmplice ao mesmo tempo. Nenhum de nós respeitamos as leis por completo, não fiscalizamos e não denunciamos o que acontece de errado. Somos omissos, pessimistas e coniventes com o mundo que aí está.
Se você quer que algo mude, muda-te deixando suas vaidades de lado para ser menos individualista e mais coletivo. Temos que abandonar o pensamento provinciano e sermos mais universais.
A IMPUNIDADE SÓ EXISTE POR CAUSA DO EGOÍSMO HUMANO.
Grato.
Antonio Vargas é Psicólogo, professor e musico.
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"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)















