Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Chester Bennigton e o sexto fosso de malebolge

Resultado de imagem para chester bennington cantando
Chester Bennigton, mais uma alma torturada que não aguentou essa agonia que é viver. 

Há exatos um mês da chocante morte de Cris Cornell (Soundgarden, Audioslave) após suicidar-se por enformamento após consumir uma alta dosagem de antidepressivos e tranquilizantes o rock mundial precisa novamente passar por um trauma com o trágico fim de Chertes Bennigton, vocalista do Linkin Park. A banda que no inicio dos anos 2000 foi um sucesso estrondoso mundial e, à sua maneira, mantiveram a chama acesa numa época em que o Rock havia sido declarado morto.

Você tem todo o direito de não admirar ou torcer o nariz para o trabalho de Chester ou de sua banda. Assim como eu não gosto e sempre fiz piadas os chamando de "metal nutella". Mas é inegável que o Linkin Park foi a porta de entrada para o rock de muitos jovens que hoje estão curtindo os mesmos artistas que você.

E se você há exatos um mês atras estava lamentando a morte de Cris Cornell, porque a morte de Chester, que sou o mesmo método que Cornell para por um fim a sua vida agora lhe parece engraçado e digno de piadas?

Pessoas que lamentaram a morte de Chris Cornell fazendo piadas ou atacando a morte de Chester Bennigton. O inferno imaginado por Dante Alighieri tem um lugar especial dedicado a vocês: O sexto fosso de Malebolge:


"Os hipócritas estão vestidos com roupas brilhantes, atraentes, porém pesadas como o chumbo. Este é o peso que não sentiram na consciência ao fazerem maldades. No inferno, sentem o peso de seu falso brilho" 

Lá estarão vocês, os justiceiros sociais e todos os outros falsos moralistas.

Mas então você riu da morte de ambos. Deixe eu te dizer que isso não melhora em nada a situação e papel de idiota que está fazendo. É triste a postura dos próprios bangers ou rockeiros. Ninguém começa a ouvir rock/metal pra ser popular na escola, pra ser 'cool'. O rock é desde sua origem a música dos rejeitados, dos renegados, dos problemáticos dos que se sentem excluídos ou dos que veem algo errado no mundo ao seu redor. Abençoados sejam aqueles que entraram nesse meio de vida por uma herança que se passa de pai ou mãe pra filho, mas esses são à exceção da regra.

Nós somos 'Nietzscherianos', para nós todos "Deus está morto" e não há esperança. Não é a toa que tantos de nós se foram de forma precoce porque não souberam lidar com seus demônios. O Rock é a musica que nos apaziguá, nos desconecta do mundo e as vezes da vida de merda que vivemos. Só nos resta a irmandade. Ou deveria restar.

O "rock morreu", sentenciaram muitos anos atrás. Sim ele morreu, suicidou-se. Se entupiu de antidepressivos, teve uma overdose de heroína, cheirou cocaína até cair, se enforcou, morreu afogado no próprio vômito, deu um tiro na própria cara. Se matou após ver tantos de seus seguidores se tornando exatamente a imagem daquilo que ele nunca quis ser e nem se adaptar.

Ver "nossa gente" sacaneando a morte de "um dos nossos". É extremamente deprimente e repugnante.

Suicídio é uma tragédia que faz com que os familiares se sintam assassinos de seu ente. Você se considera insignificante, dispensável um estorvo aos seus familiares e acredita piamente que por fim a sua vida vai ser melhor para todos eles.

Mas talvez eu entenda vocês. É uma característica muito comum nas pessoas que vi fazendo piadas sobre a morte de Chester e de tantos outros, é que são todas pessoas sabidamente rancorosas, amargas tidas pelo seu meio como frustradas exatamente como eu era. Talvez vocês também precisem de ajuda.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O dia após a comoção


Ontem assistimos a uma série de iniciativas generosas dos clubes brasileiros em relação à Chapecoense. Hoje ainda restando velar os corpos das vitimas do desastre a emoção começa a dar lugar à razão, ao bom senso e infelizmente a desconfiança.

Bom senso do Atlético Mineiro que pede para não jogar o último jogo contra a Chapecoense por óbvia inviabilidade emocional e técnica.

A razão da Comenbol que irá decidir no dia 21 de dezembro se acata ao pedido do Atletico Nacional de dar o título da Sulamericana à Chape. Essa decisão por mais bela que seja tem consequências. Como campeã a Chape estaria classificada para a fase de grupos da Libertadores e disputaria a Recopa contra o próprio Atletico Nacional.

A desconfiança após a proposta dos clubes brasileiros de isentar a Chapecoense de rebaixamento que precisa ser analisada pela CBF e leva a algumas questões. Será que se a Chapecoense terminar entre os quatro últimos o clube que terminar em 16º lugar aceitará ser rebaixado no lugar da equipe catarinense e não tentará entrar na justiça?

Lembrando que historicamente clubes e dirigentes sempre tiveram o mal habito de descumprir acordos, vide Eurico Miranda em 87 que traiu o clube dos 13 e aceitou a mudança de regras da Copa União no meio da competição pela CBF, o Sport Recife que entrou no mesmo ano na justiça para ter reconhecido um titulo que, moralmente, não é seu de direito.

O Gama que entrou na justiça para evitar um rebaixamento e criou toda a zona que resultou na Copa João Havelange. E todas as viradas de mesa que ocorreram.

E se o galo se recusa a jogar e algum esperto resolve usar regulamento pra tirar pontos dele? Alguém confia em dirigentes? A desconfiança e a cautela são justificáveis.

A prioridade em principio é em ajudar financeiramente o clube e as famílias das vitimas que precisarão ser minimamente indenizadas. É hora de cuidar de quem ficou.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Coluna do Vargas: Santa Maria, Produtores em cheque?! Pontos para reflexão

 Bom dia.

Sem querer ser sensacionalista, acho que os ocorridos do último fim de semana em Santa Maria - RS precisam servir de reflexões para os produtores de eventos do underground brasileiro.

Como todos sabem, há tempos falo da qualidade e quantidade dos eventos do underground. Infelizmente, a grande marioria me interpretou até hoje como chato e polêmico e, em alguma situações, eu fui e ainda sou mal falado e boicotado por alguns produtores de eventos justamente por falar algumas verdades que as pessoas não querem ler e ouvir.

Vamos aos fatos: 231 mortos! 

Pergunto: precisava chegar neste ponto?

E se este incidente tivesse acontecido num show de metal, do que seriamos acusados hoje?

Primeiro lugar, falaram que a culpa foi do show pirotécnico. O fator que desencadeou o incêndio foi o efeito sim porém, seriam dos artistas a culpa e dolo? Não. Por que? Não é dever do artista saber se a arquitetura, estrutura e engenharia do local tem suporte para tal procedimento. O artista não é o proprietário e/ou locatário do espaço ou estabelecimento. Portanto, não é ele quem contrata seguranças, firma de iluminação e som. Essas atribuições são dos produtores dos eventos.

Quando um produtor contrata uma banda, ele já sabe o que ela faz ainda mais no mundo de hoje onde a informação está disponível no mundo digital. Quem tinha que fornecer a informação do que deveria e poderia ser feito no palco era a produção do evento. Há algum documento falando sobre isso? Por certo não e, sendo assim, este fato é a maior prova de descaso dos produtores tanto com os artistas quanto com o público. A maioria dos produtores só estão preocupados com os seus próprios bolsos. 

Se uma banda dizer nós não nos apesentaremos neste local pois este não apresenta condições de segurança e higiene para a realização do evento", com toda certeza ouvirá . " banda cheia de frescura e problemática", "se você não quiser tem quem queira" ou " quem está no rock e metal é para se fuder". Mentira? Ainda por cima, há produtores que não chamam bandas para tocar por alguns artistas não irem aos seus eventos. Há produtores que não sabem nem o que é mapa de palco.

Eu, particularmente, não participo de tantos eventos quanto gostaria pois trabalho muito inclusive aos fins de semana. Já fui boicotado por produtores do meu estado muitas vezes para agendar shows para minha banda. Com certeza, uma das coisas que em alguns momentos me desestimula ir a eventos é saber que o local não tem estrutura para funcionar. Contudo, sei que há musicistas e bandas que não participam dos eventos porque não querem compactuar com este tipo de mentalidade vigente.

Que esta tragédia sirva de lição e reflexão para o cenário underground brasileiro repensar a forma de fazer eventos. Fica um aviso para o público:

Público - Headbangers, protestar, somente, não basta. Temos que fiscalizar e denunciar juntos aos órgão competentes o que está de errado. (Procon, Corpo de bombeiros, Polícia, Vara da Criança e Adolescência e Órgãos da Saúde).

Produtores - Sei que muitos de vocês são headbangers e vocês sabem o que precisamos. Procurem se profissionalizar, estarem dentro das leis e tratar o público e bandas com mais profissionalismo, ética, respeito e carinho.

Artistas e bandas - Sejam mais criteriosos para escolherem eventos e produtores e, caso vejam faltas, pendências e irregularidades, não toquem.  

Será que não seria este o motivo implícito do público não pagar por eventos de pequeno e médio porte?

Se este modelo que proponho é utópico eu não sei mas, por certo, se este sistema de autocobrança interna acontecer, a qualidade e quantidade dos eventos irão melhorar significativamente e, todos nós sairemos ganhando com isso.

Abraços


domingo, 27 de janeiro de 2013

A tragédia de Santa Maria ou "A corda arrebenta sempre do lado mais fraco"


E a "imprensa" brasileira já elegeu os culpados dos 232 (ou mais) mortos em Santa Maria: Os seguranças. Até o Milton Neves está comparando os seguranças com policiamento de estádio.

O desabamento do prédio no RJ: O operários foram indiciados junto com os maiores responsáveis. O explosão dos botijões no restaurante: O funcionário que lidava com aquele equipamento foi responsabilizado a prefeitura que liberou tirou o seu da reta; a tragédia de xerém, petrópolis, Teresópolis : os moradores foram responsabilizados por morarem ali os prefeitos que permitiram aquilo por anos tiraram o da reta; Tragédia da boate: A culpa é dos seguranças...

O incêndio ocorreria do mesmo jeito, pessoas morreriam do mesmo jeito, porque a boate estava ILEGAL e não tinha saídas de emergência suficientes pra escoar tanta gente.

Alvará de boate incendiada estava vencido desde agosto, diz bombeiro.

O que eu quero dizer com isso é que sempre focam as responsabilidades naqueles que deveriam ser apenas a cereja do bolo e normalmente são os envolvidos (é vitimas também) com menor grau de instrução e poder econômico.

Na Argentina (que tanta gente gosta de criticar) quando ocorreu uma tragédia semelhante a essa de Santa Maria, mudaram toda a lei que regulamenta este tipo de negócio. Quero ver aqui o que vai mudar, se vão apenas responsabilizar os seguranças. Seguranças só seguem ordens, vários ali morreram por apenas segui-las. Pra mim está claro que os maiores culpados são os donos da boate + quem permitiu a apresentação com pirotecnia + quem liberou a casa com alvará vencido e até infelizmente quem fez a apresentação.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Zeca Pagodinho: Quando um artista faz marketing?


Tenho lido hoje muita coisa na minha time line. Facebook (O novo ninho de asnos) principalmente.

Como publicitário, para melhor orienta-los, irei ensinar a vocês o que é Marketing:

Artista mandar dinheiro para ajudar desabrigado é marketing.
Artista ir visitar local de tragédia e tirar foto com alguns voluntários é marketing
Artista fazer matéria em seu programa, para vender coitadismo e assistencialismo barato nas tardes de sábado. É marketing.
Artista consagrado enfiar o pé na lama (mesmo que num puta quadriciclo) para ajudar quem precisa. Não é marketing. É pura solidariedade.

Não sou fã do Zeca Pagodinho, mas tenho profundo respeito por sua musica e sua arte. Agora passei a ter respeito por seu caráter.

Zeca não precisa de votos
Zeca não precisa vender Cd's nem de audiência.
Zeca não precisa aparecer.

Gostaria muito que artistas e produtores culturais do seguimento que eu ouço, e defendo, tivessem o mesmo culhão. Muitos além de não terem, fazem piada ou tratam com desdém, talvez por ser um cantor de samba. Aquele radicalismo nosso que já comentei outras vezes.

Já outros que precisam do seu voto, precisam vender imagem para se manterem no poder estão de férias na França...

Avaliem e comparem



Mais sobre a tragédia em Xerém > Lista dos locais de recolhimento de doações para desabrigados


PS: Aviso desde já que não me responsabilizo por carapuças e mal entendidos sobre o que escrevi. Aprendam a conviver com opiniões discordantes sem julgarem que estão lhe dando indiretas.

E 2013 começa com o pé na porta: Chuva no RJ deixa 255 desalojados. Vamos ajudar

2013 parece ter entrado com o pé na porta. Logo na primeira semana após dias de calor "ensurdecedor" veio a chuva e com ela uma calamidade que todos já temíamos.

A chuva que teve início na madrugada desta quinta-feira (3) já deixou 255 pessoas desalojadas no estado do Rio de Janeiro, de acordo com a Defesa Civil. Em Duque de Caxias, 150 pessoas estão fora de suas casas, atingidas pelo temporal, no começo desta tarde. O prefeito do município, Alexandre Cardoso (PSB), decretou por volta de 12h estado de emergência em Xerém, uma das localidades do município da Baixada Fluminense, onde uma pessoa morreu.

É preciso ajudar. Então manterei este post atualizado informando locais para envio de doações e mantimentos. Se você souber de algum local decente e honesto onde haja recolhimento de donativos aos desabrigados nos informe pelos comentários.

Duque de Caxias:

FEUDUC - A FEUDUC está arrecadando doações para os desabrigados de Xerém.
Pra quem está no 
Gramacho Duque De Caxias ou bairros próximos, leve lá sua doação. Mais informações com o Osnir Conrado de Souza
 ou telefone 3025-1025.

Secretaria de Assistência Social -  Av. Brigadeiro Lima e Silva nº 1618, 25 de Agosto.
Tel: 2672-6652

SEPE - Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, núcleo Duque de Caxias Rua Conde de Porto Alegre, 131 (ao lado do Laboratório Sérgio Franco). 25 de Agosto. Tel: 2671-1709

Motoclube Toca do Rato Rua Belmonte, 34 - Pq. Fluminese
Tel: 3134-5324

Igreja Metodista Wesleyana Central de Mantiquira.
Estrada Rio D'Ouro n° 11 - Mantiquira - Xerém.
Tel: 2679-1605

Catedral de Santo Antônio e a Igreja Nossa Senhora das Graças em Xerém também estão recolhendo

Não contem com o desgovernador do estado, que deve estar em Paris curtindo férias. Vamos nos ajudar.

Mais em breve.




terça-feira, 17 de julho de 2012

Em site oficial de campanha Paes exalta a sí próprio como herói em tragédias




Por mais surreal que pareça essa frase está página do Facebook da campanha de reeleição do Eduardo Paes.

Era só o que me faltava. Como é que é? Agora Eduardo Paes está se achando o Superman?

A cidade do Rio de Janeiro precisa de um prefeito e de um governador exatamente para EVITAR, com fiscalização e politica pública séria, que essas tragédias ocorram.

Quando elas ocorrem o senhor tem é que ficar calado junto com seu amiguinho Cabral olhando lá do canto os BOMBEIROS e a DEFESA CÍVIL salvar vidas e limpar a sua sujeira!!!

Atualizado dia 21/07/2012 - Após a polêmica o site de Paes retirou do ar a imagem.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Danilo Gentilli explica a tragédia do desabamento dos prédios no centro do Rio


"Para isso que aconteceu no Rio de Janeiro acontecer em outro pais o que tem que acontecer? O cara tem que se alistar na Al-Qaeda, estudar 5 anos de aviação, tem que falsificar passaporte, enganar a cia e o FBI e sequestrar um avião. No Brasil não, basta eleger um imbecil, que ele dará alvará de construção para qualquer estelionatário".

Sem mais comentários.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Má fiscalização, descaso e corrupção. A receita ideal para tragédias.

Mais uma tragédia no Centro do Rio. Essa talvez não tão anunciada e nem tão óbvia. Será?


A questão é que o Centro do Rio é muito antigo e a maioria dos prédios não tem fiscalização. E quando ela existe sabemos a propina rola solta para liberar alvarás, certificados e aliviar das multas.

É um filme repetido. Coincidências a parte, recentemente houve uma obra da CEG na Rua Treze de Maio. A maioria dos prédios antigos estão na mira das grandes construtoras fico no aguardo para saber qual será o fim deste terreno e se algo for re-erguido lá qual será a construtora.

Os governantes dessa cidade só atraem desgraça. Sérgio Cabral Cabral está em Paris, eu suponho...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Associação de Moradores Denúncia Sérgio Cabral e Júlio Lopes por não cumprimento de Processo


Reproduzo na íntegra denúncia publicada no site da AMAST: Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa



A VERDADE SOBRE OS BONDES, PROVADA COM DOCUMENTOS



PROCESSO 0364100-05.2008.8.19.0001 NA 3ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA:

Liminar em 17/11/2008: ordenou a recuperação completa do sistema, conforme Plano Estadual de Transportes, incluindo a devolução dos 14 bondes tradicionais, recuperação das estações, cabos aéreos, via permanente de trilhos e gradil sobre os arcos da Lapa. Multa diária de R$ 50.000,00 por descumprimento.

Sentença em 24/08/2009: confirmou a liminar, fixou prazos para cumprimento, proibiu que fossem feitas intervenções irregulares no sistema de bondes e condenou o Estado e a Companhia Estadual de Transportes e Logística (CENTRAL) por danos coletivos.
Acórdão na Apelação em 10/11/2010: confirmou a liminar e a sentença, que foram mantidas.

Todas as decisões acima comportavam cumprimento imediato, por força do art. 520, VII do Código de Processo Civil. RESPONSABILIZAMOS PUBLICAMENTE PELA DESOBEDIÊNCIA ÀS ORDENS DA JUSTIÇA: O Governador Sérgio Cabral e o Secretário Júlio Lopes (nunca cumpriram a ordem judicial); Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (nunca pediu à justiça a execução da multa ou as providências necessárias para que a decisão fosse cumprida).


PROCESSO TCE-RJ nº 109.637-5/2005:

Sessão de Julgamento em 18/08/2009: Conselheiros do TCE-RJ julgaram ilegal o contrato firmado entre a CENTRAL (Cia. Estadual de Transportes e Logística) e a T’TRANS – Trans Sistemas de Transportes e Logística, por irregularidades nos valores praticados e falta de transparência nas justificativas dos preços.
Foram declarados ilegais tanto o contrato principal quanto seus aditivos (Contrato 006/ASJUR/2005 tendo como objeto o fornecimento de bens e a modernização de 14 bondes, firmado em 14/07/2005, no valor de R$ 14.096.913,99).
Foi aplicada multa ao Presidente da Central à época, Albuíno Cunha de Azeredo, e ao Diretor de Administração de Finanças da CENTRAL à época;
Determinou-se a expedição de ofício ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, para apuração de eventuais crimes ou atos de improbidade;

APESAR DESSE JULGAMENTO, NÃO SE TEM NOTÍCIA DE RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL OU CRIMINAL DOS ENVOLVIDOS PELOS DANOS AO ERÁRIO. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que tomou conhecimento dessa decisão e, na qualidade de representante dos interesses da coletividade, nada fez, seja contra os agentes públicos envolvidos, seja contra a empresa T’ TRANS, que foi a maior beneficiada nessa transação questionável.

ANÁLISE E CONCLUSÃO DO CREA-RJ (CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA DO RJ) SOBRE O ACIDENTE DE 16/08/2009:
Relatório da CAPA – Comissão de Avaliação e Prevenção de Acidentes, em 21/02/2010: após o acidente que matou a Profa. Andréa de Jesus Rezende, em 16/08/2009, foram realizadas audiências públicas no CREA e na ALERJ, nas quais os referidos órgãos ficaram cientes das denúncias apresentadas pela AMAST, notadamente quanto aos repetidos acidentes e incidentes ocorridos após a implementação dos bondes submetidos à modificação tecnológica pela empresa T’TRANS, com anuência do Governo do Estado e cumplicidade da Secretaria de Transportes.
O CREA avaliou os aspectos éticos e técnicos do ocorrido, concluindo pela existência de Grave erro no projeto elaborado pela T’TRANS, omissão da Prefeitura do RJ quanto à ordenação do trânsito em Santa Teresa, recomendando a retirada de circulação dos novos bondes, submetidos à transformação tecnológica denunciada exaustivamente pela AMAST quanto ao custo, ao caráter experimental, ao fracasso e à insegurança dos veículos.

REQUERIMENTOS DA AMAST E DA POPULAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO:
Pedido de providências, em 25/08/2009, no sentido de cobrar do Governo do Estado, a manutenção dos dois bondes tradicionais (não submetidos à alteração tecnológica), que estavam em situação de penúria e ofereciam riscos à população.
Mutirão Virtual, em 29/06/2011, para cobrar explicações do Ministério Público sobre a omissão em pedir à justiça a execução, isto é, o cumprimento das decisões judiciais, a imposição da multa determinada pela justiça e outras providências cabíveis. O MP-RJ recebeu centenas de mensagens por meio de sua Ouvidoria. Só no Facebook, um dos muitos canais de divulgação da mobilização, 104 pessoas confirmaram ter enviado mensagem ao MP. NENHUMA SATISFAÇÃO FOI DADA AOS MORADORES QUE MANDARAM MENSAGENS PARA O REFERIDO ÓRGÃO. NENHUMA PROVIDÊNCIA FOI TOMADA, NO SENTIDO DE EXECUTAR AS DECISÕES DA JUSTIÇA.

Além dessas providências, foram feitas reuniões presenciais com o Promotor responsável pelo caso, e tudo o que ouvimos foram promessas e teses jurídicas.
Em 24/08/2011 o Conselho Nacional do Ministério Público abriu processo, a pedido de uma moradora de Santa Teresa, para investigar a omissão do MP-RJ em pedir o cumprimento da sentença. Os andamentos do processo podem ser consultados no site do CNMP, pelo número 0.00.000.000906/2011-95.


Atualizado 30/08 às 00:30

Marcelo Delfino disse...
Não seria o caso de impeachment do governador, por prevaricação? Mas é claro que isso não vai dar em nada. Quanto aos mortos, infelizmente vale aquela frase cruel: morreu, fedeu.


Comentário: É bem por ai Marcelo, nada deve acontecer, principalmente enquanto as organizações Globo, com a conivência de "bandeirantes", "Record" e "O Dia", continuarem blindando Cabral.

Tragédia do Bondinho: Associação de moradores de Santa Teresa critica o poder público em carta

Acidente com bonde superlotado era "tragédia anunciada", segundo documento.

O acidente com um bonde que matou cinco pessoas e feriu 57 na tarde de sábado (27), “não é uma fatalidade, mas uma tragédia anunciada”, afirma a Amast (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), em carta aberta divulgada no próprio site neste domingo (28). Com palavras de indignação, a diretoria da Amast defende que o desastre é resultado de negligência na manutenção dos bondes e ataca representantes do poder público.
"Mais do que o abandono de um bem tombado, que, quando convém, tem a imagem utilizada para ilustrar interesses politiqueiros de divulgação da cidade, estamos diante de uma situação criminosa, na medida em que pessoas morrem ou sofrem lesões corporais de natureza grave, que certamente poderiam ser evitadas se o governador e o secretário [de Transporte, Júlio Lopes] cumprissem a decisão judicial que, há mais de dois anos ordenou a recuperação integral do sistema de bondes, com a devolução dos 14 bondes tradicionais em perfeitas condições de operação".

De acordo com a associação, os problemas dos bondes como manutenção e superlotação foram denunciados diversas vezes ao poder público.

"O Crea [Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia], em relatório da Capa (Comissão de Prevenção de Acidentes) divulgado publicamente, recomendou que os bondes modificados não fossem colocados em circulação devido à falha grave na localização do sistema de freios. A recomendação foi solenemente ignorada pelo governo do Estado, Secretaria de Transportes e Central Logística (empresa que administra o sistema de bondes)".

Ainda segundo a associação, no dia do aniversário do bonde, na próxima quinta-feira (1º de setembro), a comemoração já seria substituída por protesto em forma de luto, para lembrar as mortes da professora Andréa de Jesus e, recentemente, do turista Francês Charles Damien.

A Amast conclui a carta culpando o governador Sérgio Cabral, o secretário Júlio Lopes e o Ministério Público.

"Pelas razões acima e por todos os outros motivos que até as pedras centenárias das ladeiras de Santa Teresa conhecem, reputamos como principais culpados as autoridades aqui mencionadas, com especial destaque para:

1. O governador Sérgio Cabral, que com sua habitual desfaçatez, suscitou à época do acidente que vitimou a professora Andréa de Jesus Rezende, uma possível municipalização dos bondes, com o único propósito de desviar o foco da imprensa quanto à raiz do problema, haja vista que nenhuma palavra voltou a ser dita sobre o assunto nos últimos dois anos.

2. O secretário Júlio Lopes, pela malversação da verba pública que deveria ter sido aplicada na recuperação dos 14 bondinhos tradicionais, e que foi aplicada na aventura tecnológica fracassada empreendida pela empresa T’TRANS, que resultou na criação de aberrações com aparência de bonde porém repletas de problemas de projeto que até hoje não foram superados.

3. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela omissão em requerer à Justiça a execução provisória das decisões que ordenaram a recuperação integral do sistema de bondes de Santa Teresa, mesmo após o esgotamento dos principais recursos em que o Estado saiu-se perdedor".

O governo do Estado e o Ministério Público não haviam se manifestado oficialmente sobre a carta da associação até a publicação desta reportagem.

sábado, 27 de agosto de 2011

Bonde de Santa Teresa tomba, mata cinco e fere 27 passageiros, segundo bombeiros

Fonte: R7

Um dos bondinhos de Santa Teresa, no centro do Rio, tombou na tarde deste sábado (27) próximo ao Largo do Curvelo, matando pelo menos cinco passageiros e ferindo outros 27, segundo informações dos bombeiros e da Polícia Militar.

A secretaria municipal de Saúde confirmou que 27 pessoas deram entrada no hospital Souza Aguiar, no centro, alguns em estado grave e que passam por cirurgia.

De acordo com os bombeiros, dos cinco mortos, três são homens e dois são mulheres. Quatro morreram ainda no local e um morreu no hospital, que seria o condutor do bondinho.

O acidente aconteceu por volta das 16h na rua Joaquim Murtinho, próximo à esquina com a rua Francisco Muratori.

De acordo com testemunhas, o bonde desceu desgovernado pela rua Almirante Alexandrino no sentido dos Arcos da Lapa quando descarrilou, bateu em um poste e atingiu um segundo poste. Com o impacto do choque, vários passageiros ficaram presos entre o veículo e o poste.

Comentário: Vamos aguardar mais informações. Mas afirmo que o acidente é fruto da politica de transportes do governo do Rio.

(Atualizado às 20:00) Após o acidente soube que o secretário de Transportes Júlio Lopes esteve no local. Após insinuar que a tragédia teria ocorrido por má educação da população (como sempre a turma do Lalau tirando o seu da reta) recebeu o tratamento mais que merecido dos moradores: Vaias e gritos de "assassino". É justo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Chuvas: Falta seriedade ao Governo do Estado do Rio


Fonte: Caos Carioca


Governo do Rio anunciou que desistiu da ideia de construir 2,500 unidades de moradia popular no terreno do presidio da Frei Caneca.

Após as chuvas de Abril de 2010, que paralisaram o Rio e deixaram um rastro de destruição e mortes ao redor da cidade o Prefeito Eduardo Paes e o Governador Sérgio Cabral anunciaram que as 2,500 habitações populares à serem construídas no terreno do antigo presidio serviriam para remover moradores das áreas de risco da região. No Morro dos Prazeres por exemplo, mais de 30 pessoas morreram por causa de deslizamentos.

A justificativa para a desistência seria a valorização de até 35% do terreno após a pacificação das favelas ao redor.

E agora na surdina o projeto é engavetado. Afinal de contas, quem é que lembra das chuvas de Abril quando temos um psicopata ocupando as capas dos jornais da cidade?

Mais uma vez vemos que o Governo não é sério quanto as suas promessas e intenções.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Massacre no Rio - Algumas considerações

Pelo visto a culpa da chacina vai cair na conta dos que foram contra ao desarmamento. Mas não houve nenhum questionamento sobre o comércio ilegal de armas de fogo.

Vejamos, a arma e a munição que atirador comprou eram legais, ele foi em uma loja e simplesmente comprou essas armas?

Alguém criticou as medidas que combatem a venda ilegal de armas?

Sugeriu penas pesadas para policiais e militares que fornecem armas ilegalmente?

Alguem exigiu que o governo federal coloque o exército para vigiar as fronteiras do país?

Não vi nada disso.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Prefeitura de Teresópolis impede trabalho de equipes da Cruz Vermelha


Seis dias depois da tragédia e ainda com centenas de pessoas ilhadas e precisando de socorro, um incidente está atrapalhando os trabalhos de assistência aos desabrigados de Teresópolis na manhã desta segunda-feira.

De um lado, donativos que chegam às toneladas de todo o País; de outro, a falta de entrosamento entre a prefeitura de Teresópolis e organizações que tentam fazê-los chegar de modo mais eficiente a quem precisa, como a Cruz Vermelha e a Igreja Católica, cuja iniciativa, segundo voluntários, está sofrendo obstrução por parte do poder público. Até médicos foram impedidos de trabalhar. Enquanto isso, milhares de desabrigados ainda têm dificuldades para conseguir água, alimentos e artigos básicos para sua sobrevivência.

Membros da Cruz Vermelha e voluntários que trabalham na cidade acusam a prefeitura de Teresópolis de suspender a assistência que vinha sendo prestada pelo grupo à população da cidade. A prefeitura, no entanto, diz que está trabalhando em parceria com a organização humanitária e que, juntas, estão empenhadas em ajudar a quem precisa. "Este é o objetivo: trabalhar em conjunto em prol da população e das pessoas atingidas pelo forte temporal que assolou a Região Serrana", diz a nota. O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlacek, negou que houvesse qualquer problema de entendimento.

A assistente social da Cruz Vermelha, Eliane Moraes Leite, tem outra versão. Ela diz que a prefeitura teria decidido no domingo que a Cruz Vermelha não poderia mais atuar no atendimento médico dos desabrigados. Ela conta que na manhã desta segunda-feira guardas municipais da cidade teriam ido à base onde a entidade está trabalhando, no bairro de Bom Retiro, para impedir a saída de equipes médicas e operacionais.

- Hoje de manhã cheguei para trabalhar e pessoas da prefeitura, sem nenhuma documentação, chegaram aqui para nos proibir de trabalhar. Conseguimos três grande galpões para a gente se organizar, cedidos por empresários da cidade porque o Ginásio Pedrão não suportava mais receber donativos. Mais de cem profissionais, entre médicos, enfermeiros e voluntários estavam aqui dando apoio às atividades - contou Eliane.

De acordo com o médico Martius de Oliveira, voluntário da Cruz Vermelha, duas equipes da entidade que atuavam na área de Granja Florestal, nas imediações da localidade de Posse, teria sido obrigados pela prefeitura a interromper as atividades e retornar.

- É uma situação constrangedora. Hoje cedo chegaram aqui à base da Cruz Vermelha e colocaram todo mundo para fora e fecharam os portões - relatou o médico.

É absurdo!

Pelo visto o repentino interesse da Prefeitura de Teresópolis em resolver sozinha o problema que não teve capacidade e competência de impedir, se deu pelo fato de o Governo Federal já ter destinado uma verba para começar a erguer a cidade em Teresópolis.

Dane-se as vítimas, o que importa é a verba.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ilair e Beethoven: Uma mulher e seu cão


Naquele dia, as nuvens carregadas não traduziam a gravidade da chuva que ainda iria acontecer. Mas havia um vento incomum. Da mesma forma como incomum era o alvoroço dos pássaros, mudando freneticamente de uma árvore pra outra. Prenúncio do quê? Sei lá, pensava ela, enquanto olhava rua abaixo, pra ver se avistava o irmão no prédio ali em frente.

A casa em que morava Dona Ilair, tinha poucos cômodos. Apesar disso, ela a considerava sua fortaleza. Sem reboco nas paredes, era fruto de um longo período de trabalho. Quase uma vida inteira. O seu canto, depois da separação. Móveis simples, fogão de quatro bocas, geladeira duplex, mesa, cadeira e sofá. Tudo comprado em lojas populares, mas tudo muito limpo e arrumado.

De especial mesmo, só a companhia do viralata Beethoven. Tradução irretocável de fidelidade canina, ele não se recolhia antes de sua dona, nunca. E tinha direito a um tapete especial, ao lado da cama dela. Não era um cão desses de madame, mas tinha lá suas regalias. Os dois se completavam. Dependiam um do outro. Como a orquestra depende do maestro e este da partitura.

De repente, o céu fechado desabou. O que os homens do tempo chamam de “cabeça d’água” caiu sobre aquela região com a força de um tsunami. Água morro abaixo, em um volume nunca antes visto, levando tudo.

Ilair olhou em volta e sentiu medo. A água levando árvores, pedras, carros, destruindo casas. A fortaleza dela ameaçada. Pensou no que tinha de maior valor. A vida, concluiu. E a companhia do Beethoven. Não teve dúvidas, elegeu a lage como o local mais seguro para ela e seu cão. Subiu, a tempo de ver parte da sua fortaleza ruir.

O que se deu a seguir era o prenúncio do fim. A casa desabando, como o mundo ao redor. Ela abraçada ao Beethoven. Vizinhos desesperados lhe lançam uma corda. Ela agarra. Passa a corda em volta do corpo, dá um nó. Abraça o Beethoven e salta. Um salto desesperado de vida ou morte.

A escolha seguinte seria pior ainda. A força que lhe restava não garantiria a vida dos dois. Ilair e Beethoven se olham uma última vez. Ela agarrada a ele. A correnteza engole os dois. Por um instante nenhum deles estava a salvo. Ela ressurge e ele se vai, levado pela força d’água.

Ilair se agarra à corda como quem se agarra à vida. A força dos vizinhos e a vontade de continuar viva vencem a sinfonia trágica da natureza. Ela é salva. Entretanto, a vida nunca mais será a mesma. Naquele dia, naquela chuva, Beethoven decidiu recolher-se antes. Para sempre.

Ficção, de Maranhão Viegas, para a história real de Dona Ilair.

Esse conto escrito de forma tão profunda e suave por Maranhão Viegas deu ao cãozinho Beethoven um final épico. Que me permitiu ver essa tragédia por um ângulo mais reconfortante.

Dona Ilair tentou salvar seu cão, e poderia ter morrido junto com ele por este gesto. Quem sabe o cãozinho "percebeu" que seria melhor que ela o soltasse; para que dona Ilair pudesse salvar a si própria e a mordeu? Quem sabe no final, Beethoven ao invés de vitima inocente, que é, por não ter culpa da ação ilógica da homem. Possa ter sido tão herói quanto dona Ilair, que tentou salva-lo ou seus vizinhos que a salvaram?

Prefiro pensar desta forma.

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)