Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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terça-feira, 21 de maio de 2019

THANOS, O VILÃO DO BAIXO LEBLON



Thanos é o vilão do momento. A essa altura do sucesso do filme Vingadores e de todo o rebuliço nos últimos anos com os filmes da Marvel Studios, ele não só não precisa de apresentações, como (acho que posso dizer sem medo de errar por excesso) entrou para o hall dos maiores vilões do cinema. Está entre os maiores porque, de certa forma, ele é mais real do que pensamos, vejamos por quê.
O que o move é o seu desejo de equilibrar o universo. Thanos considera que as criaturas que vivem nos mundos habitados (estamos falando de uma narrativa criada para os quadrinhos, não esqueçamos) destroem seus recursos, povoam de forma desordenada levando até ao próprio extermínio, ele acredita que todo o universo vai deixar de existir se algo não for feito. E ele faz. Reúne as Joias do Infinito e com elas reequilibra as coisas dizimando metade de todos os seres do universo, pois acredita que, reduzindo as populações pela metade, a que sobrar ficará grata por ter mais terras e possibilidades de sobrevivência. Ele se vê como alguém inevitável e acredita que está fazendo o bem.
O problema é que ele desconsidera alguns fatores relevantes para pôr seu plano utópico em prática: a resistência desses povos para preservar os seus, o desejo de lutar para desfazer tudo e trazer de volta quem perderam e ainda, desconsidera as condições populacionais que permitiram a esses mundos evoluírem. Sua visão malthusiana faz com que ele não perceba que com metade das populações, perde-se também metade da força produtiva, metade da mão-de-obra e metade dos consumidores, isso gera escassez, carestia e uma vida muito pior do que antes e os sobreviventes lutarão para restaurar o que tinham porque, por pior que pudesse parecer, era o seu mundo.
Não satisfeito com a rebelião, por achar que foram ingratos, que a lembrança do mundo como era faz com que não aceitem o futuro maravilhoso e perfeito que os aguardam, Thanos toma a decisão drástica de destruir todos e então criar novos habitantes para esses mundos, criar os povos ideais, que não possuem quaisquer lembranças do mundo anterior e que serão gratos pelo porvir nessa realidade idílica, a materialização do Éden. No fundo, ele não é mal, ele só quer equilibrar a realidade e finalizado seu projeto – não importando quantos morrerão para que esse equilíbrio chegue – irá para o seu jardim, cuidar de sua vida, sua horta e viver em paz.
Olhando assim, parece coisa de quadrinhos, esse vilão que tem o plano perfeito, mas que destruirá tudo e todos, que precisa ser detido e todos torcemos para que os heróis vençam esse mal absoluto, todos queremos que no fim, seu projeto de poder falhe, ninguém em sã consciência apoiaria um ser assim. Ninguém fica ao lado do vilão. Não fica?
Fica. O desejo de Thanos, a reengenharia social, o alarmismo como justificativa à criação da sociedade perfeita amparando o Homem Ideal, o Homem do Futuro, não é um discurso inventado, muito pelo contrário, ele foi largamente (e ainda é) aplicado desde o início do Século XX, sempre promovido por líderes abnegados que lutavam por uma causa nobre e em nome desse futuro glorioso e utópico. Esse plano de Thanos já foi chamado de vários nomes: Revolução Bolchevique, Nazismo, Fascismo, Revolução Cultural, Revolução Cubana, mais recentemente, Bolivarianismo e Thanos já teve diversos nomes também: Lênin, Trotsky, Hitler, Mussolini, Mao, Fidel e mais recentemente, Maduro.
E o mais assustador disso tudo é que diferentemente do que esperaríamos que fosse o comportamento das pessoas diante de uma personagem assim, muitas apoiam os Thanos da vida real. Os mesmos que aplaudem o Capitão América quando este grita “Vingadores, avante” para derrotar o grande vilão, esse símbolo do mal no mundo (ou nos mundos), são os mesmos que apoiam os tiranos reais, são os mesmos que, a despeito de todas as mortes e genocídios promovidos por esses déspotas, ainda há aqueles que bradam com orgulho seus ideais e ainda sonham com o grande líder cor violeta que irá dizimar todos os que impedem que o futuro glorioso chegue. Os mesmos que aplaudem os Vingadores, lutam para colocar no poder um Thanos para chamar de seu e que provavelmente emergirá nas hortinhas orgânicas ou bares de cerveja artesanal da Vila Madalena ou do Baixo Leblon, com sua pele arroxeada e um coque samurai.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O MESTRE E A MARGARIDA – BASTA ME CHAMAR DE LÚCIFER




Depois de um longo hiato – provocado por razões profissionais (e algumas pessoais) – caro leitor deste humilde colunista, estou de volta com muitas obras para falar e muita música para indicar na já cativa coluna: Livros Para Ouvir.

Como os leitores desse blog sabem, essa coluna se propõe a mostrar livros que inspiraram canções de rock ‘n roll, gênero que me agrada e faz parte da minha formação cultural na origem e a obra abordada hoje é um clássico que inspirou uma das maiores bandas de rock do mundo e que é tema de um dos maiores clássicos desse gênero tão controverso. A banda? Rolling Stones. A canção? Simpathy for the Devil. O livro? O Mestre e a Margarida.

Escrito pelo autor ucraniano, Mikhail Bulgákov, o livro é considerado a maior obra da literatura russa no século XX e levou doze anos para ficar pronto, além de só ter sido publicado em 1966. Considerado satânico, foi proibido em vários países durante muitos anos, inclusive na então URSS por conta de seu conteúdo extremamente crítico ao regime comunista – do qual o autor era crítico ferrenho e opositor.

E toda essa polêmica foi causada a partir do próprio enredo. Nele, Lúcifer (sob a alcunha de Woland, um mago) chega à Moscou junto com um estranho séquito de demônios: Koroviev, Azazello e Behemoth, um gato que anda sobre duas patas e joga xadrez e provoca um grande estrago na vida dos habitantes da cidade durante a sua estadia. Em paralelo a isso, é narrado o enredo de um livro, cuja a história se passa em Jerusalém, no dia da crucificação de Jesus mostrando o diálogo inusitado entre Jesus e Pilatos.

Tendo o romance entre o Mestre e a Margarida, ele um escritor frustrado e autor do romance em questão, que tem sua obra recusada pelo governo para ser publicada; ela, uma jovem rica, casada e infeliz como pano de fundo para a narrativa, o texto é uma impactante crítica ao regime soviético (sem contar que durante muitos anos foi considerado uma obra satânica). E essa crítica é feita através da passagem de Woland (o Diabo em pessoa).

Através das mortes e punições promovidas por Woland, o autor do livro expõe toda a hipocrisia e problemas provocados pelo regime de Stalin. Ao levar a plateia do teatro ao extremo ridículo de brigar por pedaços de papel ou fazer com que mulheres saíssem nuas pelas ruas da capital russa, Bulgákov – através da personagem – mostra o quanto era gananciosa e sem escrúpulos a população do país. Passagens como o coral que começa a cantar sem vontade e sem se controlar ou o funcionário público que desaparece e sua roupa continua executando a sua tarefa mostram como era nocivo à sociedade a repetição de comportamentos forçada e a burocracia estatal.

O próprio personagem do Mestre é uma espécie de alter ego do autor. Por sua oposição ao regime stalinista, Bulgákov teve suas obras cerceadas pelo governo e colocado em ostracismo (por stalin apreciar suas peças, ele não foi morto pelo regime) pedindo ao ditador para sair do país para que pudesse publicar suas obras. Assim é com o Mestre (seu nome não é citado). Seu livro é recusado e ele entra em depressão, indo parar num hospício ao se ver sem sua amada, Margarida – inspirada na terceira esposa do autor – e sem o reconhecimento da sua obra.
Um livro que explora bastante o realismo fantástico, algo pouco comum na literatura russa de então, a obra deve ser apreciada tanto por sua narrativa inventiva e dinâmica quanto por sua crítica a um regime nefasto que dizimou milhões de pessoas durante as décadas em que foi mantido naquele e em outros países. Sua narrativa foi tão importante para a literatura mundial que não só os Rolling Stones foram inspirados pelo romance, até mesmo nomes de bandas, como o caso da banda de Black Metal, Behemoth, nome esse inspirado no gato infernal. Um abraço e até a próxima.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

REVOLUÇÃO DOS BICHOS – QUANDO ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS


Por: Kleryston Negreiros

Uma frase marcou essas duas últimas semanas e foi dita por Emílio Odebrecht em sua delação premiada. Ele disse (parafraseando o General Golbery) que Lula era um bom vivant, que gostava do que é luxuoso e refinado. Fiquei com essa frase na cabeça e lembrei de mais uma obra de Orwell (tão premonitório), mais precisamente seu final: Revolução dos Bichos, inspiração do décimo álbum da banda Pink Floyd (Animals) e dessa semana na série Livros Para Ouvir.

Publicado em 1945, a obra é uma fábula de contornos políticos e que critica regimes totalitários em geral e duramente o de Stálin e o comunismo em particular. No livro, os porcos Napoleão e Bola de Neve – respectivamente Stálin e Trotsky – lideram os demais animais da fazenda onde vivem numa revolução que expulsa os humanos. Tendo sete diretrizes de teor igualitário (1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo; 2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo; 3. Nenhum animal usará roupas; 4. Nenhum animal dormirá em cama; 5. Nenhum animal beberá álcool; 6. Nenhum animal matará outro animal; 7. Todos os animais são iguais) no começo, com o passar do tempo, descamba para uma ditadura totalitária controlada por Napoleão – tendo, inclusive, ordenado a morte do Bola de Neve – e os demais porcos, seus aliados e mantendo os outros animais na mesma condição de miséria e dominação, num estado pior do que na época dos humanos enquanto eles passam a viver no luxo e conforto da sede da fazenda, descumprindo as próprias ordens.

No fim da narrativa, os porcos já estão negociando com os humanos, mudam as diretrizes para apenas uma (o título da coluna) e – como é percebido pelos outros animais – passam a andar em duas patas, vestir-se com as roupas dos humanos e a negociar com eles. A última cena do livro descreve a semelhança entre os porcos e humanos, não sendo possível diferenciá-los uns dos outros.


E foi nisso que pensei ao ouvir a fala do patriarca da empresa. Lula e o PT são os porcos da narrativa. Eles passaram trinta anos defendo a ética, alegando uma luta pelos trabalhadores e mais pobres, defendendo os interesses dos mais fracos contra os patrões, grandes vilões do país e responsáveis pela miséria do povo. Foram eles que se levantaram nos anos de 1970 para falar em nome de todos os operários e em nome de cada trabalhador desse país que lutava para sustentar suas famílias. E muitos acreditaram nele. Eu acreditei nele. Cresci vivendo o sonho do grande partido que lutava pelos mais pobres e sendo eu filho de retirantes aqui no Rio de Janeiro, fui seduzido por eles. Como eu, muitos acreditaram e lutaram por esse sonho. Nós, os crédulos, pobres sonhadores, aqueles que buscavam uma vida mais digna, éramos os animais da fazenda, a grande massa de manobra, os idiotas úteis (como diria o Velho Major, porco que inspirou Napoleão e baseado em Lênin).


E assim como os porcos, eles traíram aqueles que diziam defender. O mesmo que levantava a voz contra empresários e patrões sentava à mesa deles para se regalar com eles. Lula, o homem mais impoluto do Brasil, que se dizia o grande defensor dos trabalhadores, traía a todos desde sempre. Vendeu companheiros de luta que acreditaram nele, recebia uma mesada vultosa daqueles que jurara combater e com o passar dos anos, ficou cada vez mais difícil diferenciá-lo dos donos de empreiteiras, banqueiros ou megaempresários. Assim como Napoleão, foi capaz até de mandar matar aqueles que se puseram no caminho do seu projeto de poder. E como os porcos, ele hoje age como se seguisse o lema da fazenda: “Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”. Coloca-se acima da lei e sai por aí soltando bravatas e desafiando a justiça. A sua megalomania é paralela ao do personagem principal do romance de Orwell, sua gana por poder é incontrolável e diabólica e assim como os porcos do livro, é capaz de chafurdar na lama e na sarjeta para conseguir chegar onde quer.

Pink Floyd - Pigs (Three different Ones)


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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

ECOS DE FAUSTO E A HECATOMBE BRAISLEIRA


Por Kleryston Negreiros

O que você seria capaz de fazer para ter o que deseja? Até onde iria? E o que desperta seu desejo? Poder, conhecimento, riqueza, o amor de uma bela mulher? Ou tudo isso junto? Esse é o questionamento que faço hoje, recorrendo à Goethe e sua obra-prima, Fausto, ao ver os últimos acontecimentos no Brasil, mais precisamente na política brasileira. Sou acompanhado nessa reflexão das bandas Agalloch (e sua Faustian Echoes) e Moonspell (com as canções Mephisto e Herr Speiegelmann), músicas essas inspiradas na obra para falar da obra e do que pensei a respeito.

Na obra, Deus e o Diabo apostam para ver se é possível corromper a alma do homem mais virtuoso da Terra. Esse homem é Fausto. Sábio, senhor de diversas ciências e de notório e vasto conhecimento, ele não se satisfaz com o conhecimento que possui e deseja fervorosamente mais conhecimento e melhor aparência, haja vista que já é um idoso e o tempo e a mocidade não são mais seus companheiros.

E para ter o que ele quer, mais tempo para conhecer mais e mais, para dominar mais ainda tudo que a humanidade produziu, Fausto faz um pacto com o mal, vende sua alma a Mefistófeles, demônio que lhe proporciona uma nova juventude para mais aprender. Para saciar seu desejo, Fausto é capaz de perder sua alma, para alcançar aquilo que deseja fervorosamente, ele se corrompe e se deixa seduzir pelo mal.

Mesmo ao se apaixonar por uma jovem virtuosa e fervorosa, que tem sua vida destruída por se envolver com o protagonista, Fausto não busca a redenção. Mesmo que a jovem, aos pés da morte entregando sua alma a Deus, Fausto não abre mão daquilo que tanto desejou, mesmo que isso o leve ao inferno. Não importa, ele conseguiu seu intento, mesmo custando sua alma.

E foi isso que pensei ao acompanhar as últimas notícias sobre a Lava-jato. Ao ver os nomes e a quanto tempo caciques, governantes, principais líderes políticos e todos os ex-presidentes vivos desde a redemocratização (não excluindo o atual) estão envolvidos com um esquema complexo em bem detalhado perpetrado por esses e a empresa Odebrecht desde a década de 1970 e principalmente desde a redemocratização.
Penso em Fausto quando percebo que nomes diversos e com variadas biografias, que provavelmente tiveram formação moral sólida (como o Alckmin, católico notório e praticante) ou outros nem tão devotos assim, foram capazes de vender seu nome, suas reputações, abriram mão de seus princípios por um desejo de poder, por um projeto de controlar vidas e enriquecer o máximo possível.

Penso na família Odebrecht, que buscou a riqueza desmedida e incalculável e para isso corrompeu duas gerações, pais e filhos, aliou-se aos tipos mais espúrios e canalhas, criaram um complexo sistema de roubo e negociatas ilegais em nome do desejo decrescimento da empresa, de poder e de caminho livre para o seu plano de prosperidade e eternização do seu patrimônio.

E quando penso em Margarida, aquela que teve sua vida destruída, que perdeu mãe, irmão, a própria vida, por conta do desejo desenfreado de Fausto. Margarida somos todos nós. Todos aqueles que tiveram suas vidas destruídas ou dificultadas devido aos serviços não prestados ou prestados precariamente, por todo o dinheiro desviado que poderia ajudar a quem realmente precisa, por todos os acachapantes impostos que nos arrancam quase tudo, como Mefisto arrancou a alma de Fausto, e impede que o país cresça, que as pessoas possam buscar uma melhora honesta e digna para si e faz com que sejamos jogados à nossa própria sorte.

Emílio e Marcelo Odebrecht venderam sua alma em nome de riqueza e prestígio. Lula, Dilma, FHC, Sarney e todos os demais que se corromperam, venderam suas almas em nome de um poder perpétuo. Assim como Fausto, foram às portas do Inferno em nome de seus desejos mais mundanos. Ao oposto de Jó, deixaram-se corromper pelo Mal que há entre nós. E nós, os indivíduo que batalhamos por nossa sobrevivência, que não abrimos mão de nossas almas e consciências, que esperamos a redenção no fim, assistimos assustados à hecatombe que assolou o país e o sacrifício da nação no altar da corrupção.


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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

terça-feira, 4 de abril de 2017

LINGUAGEM – A TRANSCEDÊNCIA DA REALIDADE

Por Kleryston Negreiros
Faz alguns meses, um episódio acontecido comigo em sala de aula ficou retinindo em meu pensamento e me levou a algumas ideias sobre o modo como as pessoas vêm interpretando os fatos e as palavras.

A situação foi a seguinte: numa aula de produção de texto, uma professora de Língua Portuguesa pediu para ser ouvinte. Como a uma colega e está iniciando a carreira, não vi problema em deixá-la assistir. Num dado momento, a mesma puxou uma discussão e fez uma relação entre abandono do filho pelo pai com aborto, usando inclusive o termo “aborto paterno” (o que é uma expressão vazia de sentido e lógica). Quando atentei para a incoerência da afirmação dela e como o termo era nonsense – apelando para a etimologia da palavra – escuto dessa professora a seguinte frase: vamos deixar de lado a etimologia e focar no drama social.

Num primeiro instante fiquei escandalizado com essa afirmação, mas logo após o episódio e refletido sobre ele vi total coerência e sentido no que ela disse. Não que sua afirmação estivesse correta, não estava, a coerência que vi foi contextual. Ela, uma jovem recém-formada num curso de licenciatura em Letras numa universidade pública do Rio de Janeiro, não seria diferente que ela pensasse assim. Considerando o cânone em instituições públicas e privadas desse país, é natural que ela ignore deliberadamente, para justificar uma ideologia e seu argumento caber num discurso social sem sentido, deturpe certos preceitos e sentidos reais das palavras. E que preceitos são esses? É o que quero dividir com os leitores desse blog.

O processo de linguagem é a transcendência da realidade. É através dela que descrevemos o mundo natural e real e o levamos para o mundo das abstrações, o que permitiu nossa evolução, já é sabido, inclusive, que a crença de que o pensamento origina a linguagem está errado, na verdade, a linguagem é que forma o pensamento e quanto maior o domínio do indivíduo sobre ela, maior sua capacidade de reflexão e pensamentos complexos.

E isso já era reconhecido ainda na Idade Média, quando foi desenvolvido o Trivium. Já nessa época, quem se propunha a estudar as artes liberais, tinha que estudar a lógica (aplicada a linguagem primeiramente) para depois aprender a gramática e aí a retórica. Esse encadeamento fazia com que o falante tivesse um profundo entendimento da língua latina (a corrente e erudita) e a sua língua nativa e, por conseguinte, um profundo entendimento do mundo que o cercava.

Porém, isso se perdeu no tempo e o que ocorreu foi que a cada século, principalmente a partir do XIX e maciçamente no XX, a lógica foi sendo retirada cada vez mais do estudo de linguagens e de maneira deliberada houve o empobrecimento do ensino de idiomas, que acarretou o fenômeno que temos hoje: a total incompreensão de conceitos básicos, a nulidade em estabelecer uma simples relação de causa e efeito ou mesmo compreender o sentido mais simples ou uma regra óbvia de gramática. E por que isso aconteceu?

Bem, foi algo deliberado. Qualquer estudante mediano de Letras aprende na graduação que a primeira forma de dominação é a da linguagem, o Império Romano, ao dominar um povo, a primeira coisa que fazia era impor o Latim como língua oficial e proibia o uso da língua local. Além disso, formava pelotões com nativos de regiões distintas ou fazia com que soldados servissem a quilômetros de suas terras. A língua é o mais poderoso agente de dominação.

E qualquer tiranete que queira impor sua doutrina ou seu reinado absolutista precisa primeiramente fazer com que as pessoas pensem como ele quer e a forma mais adequada para isso é através do domínio do ensino da língua materna. Domine a palavra e você domina todo um povo. Tanto isso é pertinente que Orwell, em seu romance 1984, criou a Novilíngua.

Pois bem, e onde quero chegar com tudo isso. A verdade é que o ensino de línguas aqui é feito para que cada vez mais as pessoas percam a capacidade de discernir. Ao adotar pensadores que descontruíram conceitos de certo ou errado e foram transformados em gurus do estudo linguístico- o exemplo mais forte, para ficar só nos brasileiros, cito Marcos Bagno, professor da UnB que defende que a Norma Padrão da Língua é na verdade uma forma de prestígio que oprime o falante menos abastado – que vendem a ideia de que há uma liberdade quase anárquica e que o estudo não deve oprimir o falante, que ele só vai se emancipar se o seu falar for respeitado.

Esse relativismo linguístico (que é visto em outras áreas do conhecimento) permitiu que palavras fossem criadas esvaziadas de qualquer sentido, permitindo-se assim jogar qualquer sentido nelas que convenha ao discurso vigente ou que sentidos novos fossem atribuídos a palavras já usuais criando, assim, uma aleivosia dissonante de sentidos e criando confusão e pouca ou nenhuma compreensão do que é dito ou escrito.

E quem ganha com essa torre de Babel linguística é aquele que usa a confusão para vender um discurso fazendo com que os poucos que ainda têm alguma compreensão do que é dito fiquem atordoados com a incapacidade de correlações, assustados como os termos político-econômicos perdem seu sentido ao serem adotados por essas paragens e até mesmo se desesperam ao ver pessoas algumas vezes esclarecidas sendo incapazes de perceber a lógica ou a relação de causa e efeito entre os fatos.

E tudo isso me veio à cabeça e percebi, como disse acima, que fazia todo o sentido a frase de minha colega. Ela é uma professora que foi instruída em sua graduação por professores que forma antes adestrados nesse pensar tortuoso, que por sua vez, foram também formados pelos que vieram antes deles por duas, três gerações de docentes remontando quase meio século de ensino acadêmico enviesado. E ela é fruto disso. O pior. Ela será a professora do seu filho, como tantos outros que saem anualmente das universidades desse país.

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Kleryston Negreiros é professor e administra o blog Professor, Me Indica um Livro? 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Bonded By Books: Estimulando a Leitura com Troca de Livros.

Saudações, meus caros!

Estou aqui, com esse texto, iniciando as atividades na coluna Bonded By Books, do Shogunidades, esse grande blog que tem como algumas vertentes, a liberdade de expressão e o incentivo a tomarmos iniciativa em prol da melhoria de nossa qualidade de vida geral, em sociedade. Então, por que não começarmos agregando novos valores ao camarote dos conhecimentos literários?

Uma vez li uma frase que dizia algo como “Os melhores livros são aqueles que levam o leitor para outros livros, e para muito além”. Concordo com essa frase, pois vejo todos os homens como seres curiosos por natureza, e, como tais, ao ler um livro interessante, procuram outros livros dos quais vários ramos de conhecimento são derivados. Claro que me refiro a parcela da população que lê e gosta disso.

Favorecendo esse sentimento e a possibilidade de renovar nossa estante, trago aqui uma indicação de um site que favorece muito essa renovação. Trata-se do site Livralivro.

Esse site se resume, simplesmente, a um site de troca de livros. Mas como funciona?

Todos temos em casa livros que não queremos ler mais, seja por que não gostamos ou por que já lemos, e não temos vontade de ler novamente ou guardar. Para que deixarmos esses livros alimentando as traças, largados em algum canto esquecido? Pois então, esses mesmos livros, podem agradar e servir de maneira útil para outras pessoas que os querem ler. Em contrapartida, também conseguimos adquirir novos livros para expandirmos nosso conhecimento.

Funciona da seguinte forma:

Primeiramente, você precisa fazer o cadastro no site, que funciona, de certa forma, semelhante a uma rede social. O site, inclusive, aceita o login e senha do Facebook.

Após o cadastro ter sido efetuado, o usuário deverá fazer duas listas: a referente aos livros procurados e a referente aos livros disponíveis.

Basta procurar no site os livros que você tem, e que deseja trocar, e selecionar a opção “Tenho para trocar”. Esses livros farão parte da sua lista de livros disponíveis e outras pessoas poderão requisitá-lo. Quanto mais livros você tiver disponíveis, maiores serão as chances de alguém requisitar. Podem ser incluídos livros didáticos e importados também.

Quando alguém faz a requisição de um livro seu, você deverá enviar o livro para o endereço cadastrado pela pessoa, arcando somente com os custos do frete. Após o livro chegar ao seu destino, o site disponibilizará 1 (um) ponto em sua conta. E com esse ponto, você poderá pedir um livro disponível de qualquer pessoa do site. Depois é só aguardar o livro chegar em sua casa.

A idéia é simples e inteligente, fomentando o hábito de leitura em nosso povo, que é tão carente dele, por vários motivos.

Sou membro da rede Livralivro há uns dois meses e já fiz umas 4 ou 5 trocas. O processo, às vezes pode se mostrar um pouco demorado, isso por que o site estipula datas limites pra pessoa aceitar a troca e enviar o livro, de maneira a dar uma certa flexibilidade de tempo para todos.

Enfim, acho ideal para quem tem muitos livros parados e deseja novos livros pra ler, sem ter que gastar muito dinheiro em livrarias.

Recomendo muito a leitura das normas e regulamento do site, pois ele é bem rigoroso com relação ao estado físico dos livros, o que deve ser muito bem esclarecido para todos os usuários, pois não são permitidos livros muito velhos, rasgados, rabiscados, etc. Claro que pequenas intempéries, que não prejudiquem a leitura, são aceitas; contanto que elas sejam comunicadas a quem irá receber o livro.

Segue aqui um vídeo que explica os primeiros passos para trocar seus livros.


Qualquer dúvida, estamos aí!


Fontes e perfis do Livralivro nas redes sociais:

Site Livralivro
Blog Livralivro
Página do Facebook
Perfil do Twitter

Crédito da primeira imagem do post: TipThePlanet 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Meia Entrada deveria acabar

Já que o assunto voltou a tona após a indignação de muitos torcedores com o valor extorsivo de 100 R$ que vem sedo praticado nos jogos realizados o Maracanã, re-edito esse artigo de agosto de 2011.

Pulicado em 01/08/2011.


A Meia Entrada é uma farsa.


O direito à Meia entrada é uma aberração econômica que somente prejudica aqueles que respeitam a lei...

Primeiro é preciso analisar que conceder um desconto de 50% acaba com a margem de lucro de qualquer empresário. Forçar um desconto desse tamanho e querer que o empresário ainda tenha uma margem de lucro é algo justo? A opção é elevar o preço ao ponto que mesmo a meia entrada tenha algum retorno lucrativo. Ou seja, o empresário coloca uma margem de lucro muito alta a fim de conseguir ter lucratividade inclusive com a meia entrada.

Na maioria dos países ao redor do mundo não existe meia entrada. No máximo existe um desconto que não chega perto dos 50% que são oferecidos no Brasil.

Alem do superdesconto há uma facilidade incrível de conseguir uma carteira de estudante. Por menos de 30 reais qualquer pessoa consegue comprar uma carteira de estudante falsificada. Visto que um ingresso de show pode sair com desconto de 350 reais (pista prime no show do paul McCartney) é evidente que há uma massa de pessoas que recorre a esse “beneficio” ilegal.
E como acabar com isso? Mais fiscalização? A meu ver não. O direito a meia entrada deveria ser profundamente revisto e alterado. Primeiro quanto ao valor do desconto, que deveria ser mais flexível, variando de 20 a 50% de acordo com o prestador de serviço.
E vou além. Filmes como Transformers, Exterminador do Futuro e eventos como Rock in Rio, Paul McCartney. Nenhum desses deveria contar com desconto obrigatório à estudantes. No máximo entendo que maiores de 65 anos tenham algum beneficio obrigatório. Esses eventos não deveriam ser subsidiados (por aqueles que pagam a inteira) porque são eventos econômicos. Ou alguém ai acha que a Meia Entrada para assistir ao UFC Rio é um beneficio à cultura de qualquer pessoa?
Quando muito deveriam restringir o beneficio a filmes nacionais, teatro, museus e exposições. E o direito ao desconto de estudantes deveria também ser limitado por idade. O cidadão que paga 40 mil reais para cursar um MBA tem direito a meia entrada, e eu que não ganho isso por ano tenho que pagar preço inteiro, qual o sentido?

Do jeito que está, hoje quem paga o ingresso inteiro esta pagando o dobro. Ou seja, quem respeita a lei é o prejudicado, e quem desrespeita a lei paga o preço justo. Isso é certo?
Comentário: Meia entrada é um convite do sistema para você se sujar falsificando carteira de estudante para pagar um preço justo.

Se a ideia é garantir o acesso à cultura, então que se restrinja o desconto à produções nacionais de teatro e cinema (em sua maioria financiadas com dinheiro público vindo da lei Rouanet), além de passeios culturais como exposições e museus.

Se o governo não tem competência para fiscalizar e nem é capaz de definir regras lógicas para o desconto de 50%. Então é melhor que a meia entrada acabe definitivamente!


Extraído e Adaptado do: http://www.caoscarioca.com.br/

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Regis Tadeu: Ignorância e falta de educação são as marcas de uma geração de adolescentes

Ler o artigo na íntegra: Yahoo OMG!

Infelizmente, a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para sacar que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade dentro de casa. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.

E há outro problema, tão sério quanto este: a superficialidade imediatista que vê sendo imposta a todos nós diariamente pelos meios de comunicação. Em um País que teoricamente prima pela “diversidade”, cada vez mais somos esbofeteados por estratégias de marketing desenfreadas, que tentam nos obrigar a tomar a cerveja “X”, vestir a roupa “Y” e comprar o carro “Z” para que ninguém se sinta... diferente! É o fim da picada!

Precisamos acabar com este papo de que “povo não gosta de cultura e arte”, que vem nivelando a programação das emissoras de TV e rádio a níveis abaixo do rasteiro. Temos que acabar com esta conversa de que “tudo é arte”, disseminada por pseudointelectuais de padaria, que defendem a ideia de que as classes menos favorecidas intelectualmente produzam a sua própria “cultura” e deixem de olhar para o passado ou para outras vertentes de informação e conhecimento. Para estes palhaços com pinta de sociólogos da PUC, tudo bem que isto resulte nos “Naldos”, “Lek Leks” e “quadradinhos de oito” da vida, pois é “cultura de um povo”. Cultura uma ova!

Comentário: Bravo! Eu não teria dito isso melhor. Burrice e falta de educação não faz distinção de ricos e pobres. Conheci filhos de gente rica que faziam os vermes do meu intestino parecerem mais civilizados. E conheço filhos de gente humilde muito bem educados. O mesmo também ocorre ao contrário.

sábado, 16 de março de 2013

Filme “Death Metal Angola” fala de guerra e heavy metal



Nem só de Kuduro, vive a Angola. Como em qualquer outro país onde são escassos os recursos a grandes estúdios de gravação, a instrumentos musicais acessíveis e a meios de divulgação nos canais convencionais, há uma comunidade que, através da colaboração mútua, do faça-você-mesmo e do desejo de se expressar através da música, mantém acesa a chama. Hardcore, metal, rock e todas as subdivisões desses gêneros: há tudo isso em Angola, e é disso que trata “Death Metal Angola“, documentário de Jeremy Xido sobre a cena underground do rock angolano.

Filme “Death Metal Angola” fala de guerra e heavy metal

Sinopse:
Após anos em guerra, a Angola se tornou o centro do Heavy Metal no continente africano. O estilo Death Metal tem sido o mais adotado pela população, que afirma que a música ajuda a lidar com os traumas da guerra. Baseado nesta situação, o filme Death Metal Angola conta a história de dois angolanos que vivem em um orfanato, e organizam o primeiro festival nacional de rock do país.


O filme estreou em dezembro no Dubai International Film Festival

Assista ao Trailer do documentário:


Outras matérias





Fonte: Full Rock e Africo Poética


domingo, 3 de março de 2013

"Che Guevara não gostava de rock" - Relatos históricos sobre a proibição e Censura ao rock: PT 2

Publicado Originalmente em 01/09/11


"Aqueles que escolherem o próprio caminho" (como deixar o cabelo crescer e ouvir música imperialista ianque) serão denunciados como "dejetos" e "delinquentes".

Continuando a série onde apresento casos históricos de censura prévia ou Proibição completa do Rock em diversos países com sistemas políticos diferentes.
Ontem contei o caso mais notório de censura à artistas do Rock e derivados chegando até ao pop. Ocorrido nos anos 80 nos EUA. justamente o berço do Rock 'n Roll.

Se ontem meti o malho nas senhoras donas de casa aterrorizadas com musicas que falavam de masturbação, sexo e violência (na cabeça delas) e preocupadas com o fim dos valores da família cristã Americana de direita. Hoje vou desmistificar a relação entre o Rock e a Esquerda Socialista/Comunista.

Não sei exatamente o porque; mas há entre os jovens, e muitos tios velhos marxistas, uma falsa ilusão de que o Rock e o socialismo caminham juntos. Erro crasso.

Há um total desconhecimento, proposital ou não, acerca dos fatos que torna injusta uma analise histórica. Ainda hoje jovens e revolucionários maconheiros de DCE misturam o idealismo do Rock com a cegueira quase religiosa das utopias marxistas.

O que dizer dos roqueiros paga-pau do Socialismo e do Comunismo que desfilam orgulhosos com camisas estampando a clássica foto de Che Guevara? Músicos como Santana Rage Against the Machine gostam de associar sua imagem à de Che. Mal sabem eles (ou fingem que não) que Cuba proibiu o rock entre 64 e 66, declarando os Beatles, por exemplo, agentes do imperialismo capitalista.

Será que ainda o fariam se soubessem que a primeira ordem oficial de Che ao tomar a cidade de Santa Clara foi banir a bebida, o jogo e os bailes como "frivolidades burguesas"? O próprio neto de Che, Canek Sánchez Guevara, não escapou da perseguição. O guitarrista sofreu nas garras do regime policialesco que seu avô ajudou a criar, e preferiu fugir de Cuba. Homossexuais também foram vítimas de perseguição e acabaram em campos de trabalho forçado. Em meados dos anos 60, o crime de se parecer com um "roqueiro" ou ter um comportamento efeminado fez com que a polícia secreta cubana retirasse das ruas e parques de Cuba milhares de jovens e os jogassem em campos de concentração que tinham os dizeres "O Trabalho Fará de Você um Homem" em seu portão principal, bem como homens com metralhadoras localizados estrategicamente em torres de observação.

Nota: Ato semelhante ocorreu no Brasil em 1957 quando Jânio Quadros, ainda governador de São Paulo, proibiu todos o bailes de rock no estado. Como curiosidade Jânio então presidente do Brasil em 1961 condecorou o ministro da Indústria e Comércio de Cuba, Ernesto "Che" Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Numa tentativa de aproximação com os países socialistas. Jânio não pode ser considerado socialista, mas sim um populista com forte atração pelo socialismo.
Aí você me diz: Ah, mas o Che era amigo de Johnn Lennon

Todos conhecem essa foto:


Pois eu te digo, é mentiraaaa...


Aí você me questiona de enovo - Ah mas o Audiolave já tocou em Cuba. E eu te pergunto. Audioslave? A banda do Tom Morello? Aquele cara que viaja com o Rage Against the Machine exigindo (em contrato) voar de primeira classe? (A esquerda adora dizer que luta pela extinção da desigualdade socioeconômica, mas não renuncia as extravagâncias que, segundo ela própria, geram a desigualdade socioeconômica assim como não abre mão de bens de consumo produzidos graças e unicamente ao capitalismo).

Che e Fidel mandaram também fuzilar gays. Faz pouco tempo que Fidel "reconheceu o erro" - como se isso trouxesse as vidas dessas pessoas de volta -. Isso por acaso te responde por que o Audioslave tocou em Cuba?

Já ouviu falar em hipocrisia?

Então meu pequeno "comuna", entenda. Che Guevara não gostava de rock, se fosse vivo e fizesse parte do governo do seu país ele, no mínimo, mandaria você para a prisão por cultuar os valores do imperialismo Yankee.

Gorki Aguila com a camiseta que "homenageia" a Revolução Cubana de 1959; o ano do erro, diz a estampa

Quer usar uma camisa com a cara de alguem ligado a Cuba? Use uma com a foto do cubano Gorki Águila. Não sabe quem ele é? é obvio que não seu petista de bunda. E agradeça isso ao seu ídolo Fidel Castro.

Gorki Águila é um músico anarco-punk cubano dissidente, e vocalista da banda Porno para Ricardo conhecida por suas críticas ao governo autoritário de Fidel Castro.

Em 2003, Águila foi preso por porte de drogas depois que uma policial disfarçada de fã recebeu dele anfetaminas (Mas a esquerda não é a favor da liberação das drogas?). Águila argumentou que o episódio não passou de uma armadilha e uma tentativa de silenciá-lo. Solto depois de cumprir sua pena, Águila se tornou ainda mais crítico ao governo cubano, suas músicas se tornaram ainda mais politizadas. Em uma entrevista para a CNN em 2007, Águila afirmou que o "Comunismo é uma falha. Um erro total. Por favor, Esquerdistas do mundo - melhorem seu capitalismo". Em uma entrevista com anarquistas cubanos exilados o "Porno Para Ricardo" descreveu o anarquismo como sendo "muito sedutor".

Em Agosto de 2008, Águila foi preso pela polícia cubana pela acusação de "periculosidade" que permite que pessoas sejam detidas diante da intenção de cometer crimes. A condenação implica uma pena de um a quatro anos de prisão. Acusações de "estado de periculosidade" são comumente aplicados a pessoas alcoolizadas e comportamento antissocial.

Gorki sendo preso

Gorki Águila participou recentemente do documentário "Habana Blues", sobre a nova música independente e alternativa de Cuba.

Lá nos EUA durante os anos 80 éramos (e ainda somos) pervertidos. Poderíamos ser processados ter um selinho escroto nas capas dos CDs e até presos. Já em Cuba somos agentes do imperialismo e acabamos presos. Roqueiro só se f...

"Camaradas" Censuraram o Rock

Na União Soviética e no Leste Europeu não havia proibição oficial. Bandas locais eram permitidas, mas tinham de passar por censores. Discos de bandas estrangeiras simplesmente não eram lançados, mas o mercado negro proliferava.

A Hungria viu surgirem bandas cultuadas como Omega e Illes, enquanto a Tchecoslováquia ficou famosa pela Plastic People of the Universe que se tornou ícone na luta contra a ocupação Soviética.

Na China, o veto ao rock fez parte da Revolução Cultural (66-69). Entre os países islâmicos, a Indonésia proibiu o rock durante três décadas (60-90) e o Paquistão entre os 77 e 88. No Afeganistão sob o talibã, qualquer tipo de música, exceto seus cânticos devocionais, foi proscrito entre 94 e 2001.

O Heavy metal, dado a extremismo, é ainda mais rechaçado em países islâmicos como o Irã; onde artistas do gênero são expulsos de seu país.

Direita e esquerda, já tiveram, ou ainda tem, problemas com o rock; por seu DNA contestador e transgressor. De fato o único sistema em que o Rock se identifica é o Anarquismo, talvez o Libertarismo também se adaptasse perfeitamente.

Em contra partida na Europa o metal tem sido usado por grupos fascistas extremistas e neonazistas; o NSBM: National Socialist Black Metal. para difundir suas ideias de racismo, xenofobia e intolerância. Mas isto é outro assunto.

Aos fãs de Rock comunistas e socialistas sugiro que façam "Rock Socialista", sem Rock. Pois rock é coisa de Yankee imperialista. Ou continuem ignorando este fato e sejam felizes com sua total incoerência.

Encerro este post dedicando uma frase de Paul Stanley aos defensores de utopias Marxistas Petistas, proibicionistas em geral e sonhadores derivados :

"Não importa o que façamos, cada um terá uma visão diferente. É fantástico como as pessoas sempre têm idéias melhores... para elas. Só que elas precisam saber se suas idéias são melhores para todo mundo." (Paul Stanley)







Fontes:

Sites
Blogs
http://abibliadorock.blogspot.com/2011/07/vocacao-politica.html
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=260


Mais sobre: Censurado! - Relatos históricos sobre a proibição e Censura do rock: Parte 1
 http://shogunidades.blogspot.com.br/2011/08/rock-proibidao-relatos-historicos-sobre.html


 - Em 12/04/13 - Tivemos este Artigo publicado no Site Whiplash
Che Guevara, Cuba, China: a proibição e Censura ao rock
ttp://whiplash.net/materias/biografias/177334.html

sábado, 2 de março de 2013

Censurado! - Relatos históricos sobre a proibição e Censura do rock: Parte 1 - PMRC


Postado originalmente em: 29 de agosto de 2011


Ao longo da história o Rock já sofreu tentativas de proibições ou censura prévia em vários países, inclusive, em seu país de origem. O caso mais famoso e notório de tentativas de censura ocorreu nos Estados Unidos.

A história da Parents Music Resource Center (PMRC): Quando a direita americana tentou proibir o Rock.


Na metade dos anos Oitenta, surgiu uma guerra contra o Rock e Heavy Metal, o pivô disso tudo foi uma organização chamada PMRC. Formada por esposas de influentes políticos de Washington, esse grupo causou uma verdadeira polêmica no mundo da música.

Seriedade e responsabilidade ou apenas uma ideia sem fundamentos criada por mulheres sem muito conteúdo e sem ter nada melhor para fazer e de políticos emergentes em busca de um trampolim nas suas carreiras?

Vamos à história:


Em uma manhã de Dezembro de 1984, Tipper Gore, esposa do, então senador Al Gore ouvia junto com sua filha a trilha sonora do filme “Purple Rain”. Uma das músicas contida nesta compilação era “Darling Nikki”, do músico Prince e ao ouvir a canção, Gore ficou chocada com as referências a masturbação que esta continha. Ela então começou a assistir diversos vídeos de rock com sua filha, incluindo “Hot for Teacher” do Van Halen, “Rock You Like a Hurricane” do SCORPIONS e “Looks that Kill” do Motley Crüe.

Ela falou com várias de suas amigas para alertá-las sobre o fato, destacando-se Susan Baker, Pan Howar e Sally Nevius, esposas, respectivamente, do Secretário do Tesouro, James Baker, do Corretor Imobiliário de Washington, Raymond Howar e do presidente do Conselho Civil de Washington, John Nevius. Juntas elas formaram a PMRC (Parents Music Resource Center), cujo objetivo era alertar o público sobre “a crescente tendência na música a respeito das letras que são sexualmente explícitas, excessivamente violentas, ou glorificam o uso de drogas e álcool”.

Resumindo: A moçoila, hoje uma tia, não tinha nada mais pra fazer além de ver clipes do Prince e pensar em masturbação. Safada!

A PMRC atribuía ao Rock o aumento das taxas de estupro e suicídio. Argumentavam que há uma estreita ligação entre o conteúdo das músicas e o suicídio de jovens. Para provar isso, usaram as músicas “Suicide Solution”, de Ozzy Osbourne, “Don’t fear the reaper”, do Blue Oster Cult e “Shoot to Thrill”, do AC/DC.

“Suicide Solution” foi composta em homenagem a Bon Scott, que morreu devido ao excesso de bebida, “solução”, na música, se refere à solução líquida, no caso, a bebida alcoólica. “Don’t Fear the Reaper” aparentemente apenas fala sobre não temer a morte. “Shoot to Thrill” demonstra ser uma música sobre mulheres e sexo; atirar é usado apenas como metáfora. Essas interpretações errôneas demonstram a ”seriedade” da PMRC.

A ofensiva das "Desperate housewives" da direita.

A primeira ação da PMRC foi mandar uma carta oficial à RIAA (Recording Industry Association of America), assinada por 20 esposas de influentes políticos e homens de negócio de Washington. A carta sugeria que a indústria musical adotasse medidas voluntárias para desenvolver diretrizes e/ou um sistema de avaliação similar àqueles do sistema de classificação de filmes da MPAA. Obviamente ouve resistência da RIAA, e, com o intento de pressioná-los, era necessário que a PMRC buscasse destaque na mídia. Para isso o grupo publicou na Washington Post uma lista com seis exigências de Tipper Gore e Susan Baker.

1 – Imprimir Letras nas capas dos álbuns.

2 – Manter capas explícitas embaixo das prateleiras.

3 – Estabelecer um sistema de classificação similar àquele dos filmes.

4 – Estabelecer um sistema de classificação para vídeos.

5 – Reavaliar o contrato de músicos que empregam violência e conteúdo sexual explícito nos palcos.

6 – Estabelecer uma vigilância da mídia por cidadãos e gravadoras, que pressionaria meios radiodifusores a não levar ao ar “talentos-questionáveis”.

Esses fatos levaram à remoção de músicas e revistas de Rock de lojas americanas, incluindo o Wal-mart, J.C. Penney, Sears e Fred Meyer.

Em agosto de 1985, 19 gravadoras aceitaram colocar a etiqueta “Parental Advisory: Explicity Lyrics” (Aviso aos pais, letras explícitas) nos álbuns para alertar sobre o conteúdo das letras. Porém antes que os rótulos pudessem ser colocados, o senado concordou em realizar uma audiência do então chamado “porn-rock”. Isto começou no dia 19 de setembro, quando representante da PMRC, três músicos, e os senadores Paula Hawkins e Al Gore testemunharam ante o Comitê do Senado sobre Comércio, Ciência e Transporte sobre “o assunto relacionado ao conteúdo de certas gravações sonoras e sugestões que embalagens de gravações sejam rotuladas para fornecer um aviso a potenciais consumidores de sexualidade explícita ou outro conteúdo potencialmente ofensivo”.

A defesa

Os músicos Frank Zappa, John Denver e Dee Snider, vocalista do Twisted Sister, depuseram contra a PMRC. A bancada da PMRC esperava que Denver, músico de Folk Rock, ficasse do lado deles, mas ele testemunhou contra a censura, dizendo ser “fortemente contra a censura de qualquer tipo em nossa sociedade ou em qualquer lugar do mundo”, isso lhe deu destaque na audição.

Frank Zappa e Dee Snider defenderam suas músicas e criticaram fortemente a PMRC. Segue um trecho das criticas de Zappa.

Frank Zappa

“A proposta da PMRC é uma peça de estupidez concebida de forma doente que falha em fornecer reais benefícios às crianças, infringe as liberdades civis das pessoas que não são crianças, e promete manter a corte ocupada por anos, lidando com os problemas de interpretação e de execução ao molde da proposta.”

“O estabelecimento de um sistema de classificação, voluntário ou de outra forma, abre a porta para uma exibição sem fim de controles de qualidade morais baseadas em ‘Coisas que certos Cristãos não gostam’. O que acontece se a próxima leva de esposas de Washington exige um grande ‘J’ amarelo em todo material escrito e interpretado por judeus, a fim de salvar crianças indefesas da exposição à ‘oculta doutrina Sionista’?”

“A PMRC forjou uma besta mítica, e forma uma tramóia por exigir ‘normas de procedimento do consumidor’ para impedi-lo de convidar suas crianças para dentro de suas paredes de açúcar (N.T.: Música de Sheena Easton, que ficou na lista das “Quinze Imundas”; paredes de açúcar seria uma referência às bordas da vagina). O próximo passo é a adoção de uma ‘idade legal, de acordo com a PMRC, para compreensão da excitação vaginal?’ Muitas pessoas nessa sala iriam orgulhosamente apoiar tal legislação, mas, antes de eles começarem a traçar suas idéias, eu os incito a considerar estes fatos:”
(1) Não há evidência científica conclusiva para apoiar a idéia que a exposição a qualquer tipo de música ira causar o ouvinte a cometer um crime ou condenar sua alma ao inferno.

(2) Masturbação não é ilegal. Se não é ilegal fazê-lo, porque seria ilegal cantar sobre isso?

(3) Nenhuma evidência médica de palmas cabeludas, verrugas ou cegueira têm sido ligada à masturbação ou excitação vaginal, nem tem sido provado que ouvir referências a qualquer um dos assuntos transforma o ouvinte em uma deficiência social.

(4) A execução de uma legislação antimasturbação poderia se provar custosa e consumidora de tempo.

(5) Não há espaço o suficiente em prisões para prender todas as crianças que o fazem.

“A proposta da PMRC é mais ofensiva em seu ‘tom moral’. Ela parece forçar um conjunto de valores religiosos implícitos em suas vítimas. O Irã tem um governo religioso. Bom para eles. Eu gosto de ter a capital dos Estados Unidos em Washington, D.C., apesar dos recentes esforços para movê-la para Lynchburg, VA.”

Dee Snider: A respeito da acusação da música “Under the Blade” fazer referência ao sadomasoquismo, servidão e estupro.

“A Sra. Gore disse que uma de minhas músicas, ‘Under the Blade’, encoraja ao sadomasoquismo, servidão e estupro. As letras que ela citou não têm absolutamente nada relacionado com estes assuntos. Ao contrário, as letras em questão são sobre cirurgia e o medo que ela causa nas pessoas. Como o criador de ‘Under the Blade’, eu posso dizer categoricamente que... o único sadomasoquismo, servidão e estupro nesta música estão na cabeça da Sra. Gore.” - Comentario do blog: Tomou heim papuda? sua safadenha... -

A respeito da música “We’re Not Gonna Take it” ser classificado como incitante de violência e ser incluída na lista das “Quinze Imundas”

“Você notará nas letras na sua frente que não há absolutamente violência de qualquer tipo cantada sobre ou implícita em qualquer lugar na canção. Agora, me ocorre que a PMRC pode haver confundido nosso vídeo para a música com o significado das letras.”

“Não é segredo que os vídeos freqüentemente descrevem histórias completamente não relacionadas com as letras da música que eles acompanham. O vídeo para ‘We’re not gonna take it’ foi simplesmente feito para ser um desenho com atores humanos representando variações dos desenhos de ‘Papa-léguas e Coiote’, cada acrobacia foi selecionado de minha extensa coleção de desenhos.”


A respeito da acusação de garotos usarem camisetas do Twisted Sister com desenhos de mulheres algemadas e em posições de sadomasoquismo. 

“Isso é uma mentira completa. Nós não apenas nunca vendemos uma camiseta desse tipo; nós temos sempre levados grandes dores para nos mantermos limpos de sexismo em nosso merchandising, álbuns, palcos, show e vida pessoal. Além disso, nós temos sempre promovido a crença de que o rock ‘n’ roll não deveria ser sexista, mas deveria satisfazer a homens e mulher igualmente.”


“Eu sinto que uma acusação desse tipo é irresponsável, danosa à nossa reputação, e caluniosa. Eu desafio a Sra. Gore a produzir tal camiseta para dar razão à sua crítica. Eu estou cansado de encontrar garotos na rua que me dizem que não podem tocar nossos álbuns mais por causa das informações enganosas têm sido fornecidas a seus pais pela PMRC na TV e nos jornais.”

“A beleza da literatura, poesia, e música é que eles deixam espaço para sua audiência colocar sua própria imaginação, experiências, e sonhos em palavras. Os exemplos que eu citei antes mostraram clara evidência da música do Twisted Sister sendo mal-interpretada e injustamente julgada por adultos supostamente bem informados.”

No dia 1º de Novembro, de 1985, antes de a audiência acabar a RIAA aceitou colocar o adesivo “Parental Advisory: Explicit Lyrics” nos álbuns. Os rótulos eram genéricos, diferentemente da idéia original de se colocar um rótulo para cada tipo de letra explícita.

- Um fato curioso foi o de que o álbum “Jazz from Hell”, de Frank Zappa, mesmo sendo um álbum completamente instrumental, recebeu o adesivo.

- Houve várias reações a essa etiqueta, que ficou conhecida como “Tipper Sticker”, que traduzido ficaria aproximadamente como “Adesivo Tipper”, em referência a Tipper Gore, algumas lojas evitavam vender álbuns e outras limitavam a venda.

- Em 1987 foi fundado "Pais a Favor do Rock e o Rap", um grupo de direitos civis para protestar contra o PMRC.

Muitos políticos fazem suas carreiras criando verdadeiras cruzadas contra algum inimigo da sociedade geralmente oculto ou quem sabe um "inimigo da família", "da moral e dos bons costumes".

Nessa cruzada, Al Gore e sua esposa perderam , mas anos depois ele criou outro monstro para usar de trampolim e obteve grande sucesso. Mas isso é outra história...


"Proibido para menores"

Filme baseado nos fatos ocorridos no ano de 1986, quando três músicos que não tinham nada em comum: Frank Zappa (Griffin Dunne), John Denver (Tim Guinnee) e Dee Snider (Twisted Sister) resolveram enfrentar os tribunais para salvar o rock da censura. Contra eles estava o Centro Musical dos Pais, uma associação de esposas de senadores lideradas por Tipper Gore (Mariel Hemingway), que queriam censurar certas canções para proteger os filhos do que elas consideravam letras explícitas demais para a juventude americana. O filme mostra o modo utilizado para proibir o rock nos EUA

Dee Snider interpretou a sí mesmo no filme.


Encerro este post com uma frase do próprio Dee Snider: "O verdadeiro propósito do Heavy Metal é libertar os jovens do poder opressivo dos pais, dos políticos e dos religiosos".

Wikipedia

sexta-feira, 1 de março de 2013

Maturidade e nível intelectual se define pela roupa?



A mais nova pérola que li recentemente é que "homem adulto" usando camisa de banda soa ridículo, como se este individuo tivesse parado no tempo. Essa opinião tem sua importância a ponto de ser destrinchada; pois é algo que passa pela mente de muitas, muitas pessoas.

Infelizmente no Brasil até algumas pessoas que possuem informação e cultura podem ter a mente bem quadrada e conservadora. Para essas pessoas talvez o heavy metal seja apenas uma fase de um adolescente - e em muitos casos é mesmo - porém, ignora-se o fato de nem toda pessoa vive de fases passageiras ou de modismos. Heavy metal na maioria dos casos é um estilo de vida, uma filosofia pessoal.

Na mente tacanha de muitas pessoas você não pode constituir uma família  ter um emprego e principalmente ser bem sucedido se você ainda usa camisa de banda. Se tiver cabelo comprido e tatuagem, acabou, será um hippie fracassado ou mendigo.

São pessoas que costumam definir maturidade alheia pelo aquilo que os outros vestem. São cínicas a ponto de dizer que usar uma camisa de banda é carência e necessidade de auto afirmação. Se dizem independentes e preferem pessoas que sejam ao invés de pessoas que pareçam ser. Não sei não, mas querer alardear que é independente me parece também um sinal de carência.

Essas pessoas tem seus preconceitos tão enraizados a ponto de confundir adolescentes - que não importa a qual tribo pertençam sempre fazem merda - com pessoas adultas, muitas delas empregadas, formadas, pais de família e porque não bem sucedidas em carreiras dentro ou fora do rock/metal - Isso claro se você não for aqueles tipos de pensamento provinciano que acham quase uma heresia alguém sobreviver bem fazendo o que gosta, principalmente tocando/produzindo metal.

Talvez essas pessoas ignorem, ou desconheçam, o fato de que o Heavy metal é um gênero musical e movimento cultural mundial com mais de 40 anos de existência. Muitos dos seus fundadores hoje estão com seus 50/60 anos. A tendência é de se tornar cada vez mais normal pessoas com mais de 30/40 anos adotando este comportamento visual.

Não se chega a uma idade dessas impune, isso também ocorrerá com o heavy metal.

Balls to the Wall!

Já eu com meus 34 anos, mais da metade de minhas camisas são de banda ou camisas pretas; cerca de 10% são camisas de futebol e o que restar é de camisas comuns ou roupa de trabalho. Sinto muito se pareço ridículo ou desesperado para chamar atenção. Só sei que pagar as minhas contas e comprar minhas roupas ninguém quer.

Prefiro mil vezes usar minha camisa do Exodus que uma polo com aquele cavalo gigantesco no peito ou roupas estampando a logo da marca da confecção que cobra caríssimo apenas por aquele bordadinho safado que os boyzinhos da faculdade usam em suas chopadas. Quem é o ridículo mesmo?

Se for pra ser ridículo, que eu seja como ele:


AMEM!


Mais sobre:
- Opinião: Cultura Musical, Metal no Brasil, Comportamento + Consciência Politicahttp://shogunidades.blogspot.com.br/2011/02/opiniao-cultura-musical-metal-no-brasil.html

- Foto atual de ex-ídolo do metal nacional gera polêmica entre headbangers http://shogunidades.blogspot.com.br/2012/03/foto-atual-de-ex-idolo-do-metal.html

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)