Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Chester Bennigton e o sexto fosso de malebolge

Resultado de imagem para chester bennington cantando
Chester Bennigton, mais uma alma torturada que não aguentou essa agonia que é viver. 

Há exatos um mês da chocante morte de Cris Cornell (Soundgarden, Audioslave) após suicidar-se por enformamento após consumir uma alta dosagem de antidepressivos e tranquilizantes o rock mundial precisa novamente passar por um trauma com o trágico fim de Chertes Bennigton, vocalista do Linkin Park. A banda que no inicio dos anos 2000 foi um sucesso estrondoso mundial e, à sua maneira, mantiveram a chama acesa numa época em que o Rock havia sido declarado morto.

Você tem todo o direito de não admirar ou torcer o nariz para o trabalho de Chester ou de sua banda. Assim como eu não gosto e sempre fiz piadas os chamando de "metal nutella". Mas é inegável que o Linkin Park foi a porta de entrada para o rock de muitos jovens que hoje estão curtindo os mesmos artistas que você.

E se você há exatos um mês atras estava lamentando a morte de Cris Cornell, porque a morte de Chester, que sou o mesmo método que Cornell para por um fim a sua vida agora lhe parece engraçado e digno de piadas?

Pessoas que lamentaram a morte de Chris Cornell fazendo piadas ou atacando a morte de Chester Bennigton. O inferno imaginado por Dante Alighieri tem um lugar especial dedicado a vocês: O sexto fosso de Malebolge:


"Os hipócritas estão vestidos com roupas brilhantes, atraentes, porém pesadas como o chumbo. Este é o peso que não sentiram na consciência ao fazerem maldades. No inferno, sentem o peso de seu falso brilho" 

Lá estarão vocês, os justiceiros sociais e todos os outros falsos moralistas.

Mas então você riu da morte de ambos. Deixe eu te dizer que isso não melhora em nada a situação e papel de idiota que está fazendo. É triste a postura dos próprios bangers ou rockeiros. Ninguém começa a ouvir rock/metal pra ser popular na escola, pra ser 'cool'. O rock é desde sua origem a música dos rejeitados, dos renegados, dos problemáticos dos que se sentem excluídos ou dos que veem algo errado no mundo ao seu redor. Abençoados sejam aqueles que entraram nesse meio de vida por uma herança que se passa de pai ou mãe pra filho, mas esses são à exceção da regra.

Nós somos 'Nietzscherianos', para nós todos "Deus está morto" e não há esperança. Não é a toa que tantos de nós se foram de forma precoce porque não souberam lidar com seus demônios. O Rock é a musica que nos apaziguá, nos desconecta do mundo e as vezes da vida de merda que vivemos. Só nos resta a irmandade. Ou deveria restar.

O "rock morreu", sentenciaram muitos anos atrás. Sim ele morreu, suicidou-se. Se entupiu de antidepressivos, teve uma overdose de heroína, cheirou cocaína até cair, se enforcou, morreu afogado no próprio vômito, deu um tiro na própria cara. Se matou após ver tantos de seus seguidores se tornando exatamente a imagem daquilo que ele nunca quis ser e nem se adaptar.

Ver "nossa gente" sacaneando a morte de "um dos nossos". É extremamente deprimente e repugnante.

Suicídio é uma tragédia que faz com que os familiares se sintam assassinos de seu ente. Você se considera insignificante, dispensável um estorvo aos seus familiares e acredita piamente que por fim a sua vida vai ser melhor para todos eles.

Mas talvez eu entenda vocês. É uma característica muito comum nas pessoas que vi fazendo piadas sobre a morte de Chester e de tantos outros, é que são todas pessoas sabidamente rancorosas, amargas tidas pelo seu meio como frustradas exatamente como eu era. Talvez vocês também precisem de ajuda.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Last in Line - antiga banda de Ronnie James Dio lança primeiro álbum


Em 1983, depois de já ter passado pelo Elf, Rainbow e Black Sabbath, Ronnis James Dio decidiu partir para a carreira solo e para isso juntou músicos de competência clara para tocar seus clássicos e novas composições: Vivan Campbell na guitarra, Jimmy Bain no baixo e Vinny Appice na bateria, a formação que gravou o debut Holy Diver (1983);  Claude Schnell entrou como tecladista para o álbum seguinte, The Last In Line (1984) e essa formação se manteve ainda em Sacred Heart (1985) e The Dio E.P. (1986).

Aos poucos a formação da banda de Dio foi mudando e após a morte do vocalista, em 2010, os membros "originais" resolveram se juntar ao vocalista Andrew Freeman para tocar covers do Dio ao vivo sob o nome de Last in Line.

LAST IN LINE

Antes do lançamento do primeiro disco Heavy Crown, Schnell abandonou o grupo fazendo com que a formação "mais" original, a que gravou Holy Diver, é que entrasse em estúdio com a produção de Jeff Pilson (ex-baixista de Dio também). O futuro da banda ainda é incerto devido ao repentino falecimento de Jimmy Bain em meio à divulgação disco novo em uma turnê com o Def Leppard.

Musicalmente, Heavy Crown obviamente tenta resgatar aquela sonoridade clássica dos primeiros discos de Dio, e isso fica evidente em faixas como Devil In Me, com aqueles riffs característicos de Campbell. Martyr faz o papel daquelas composições mais rápidas à lá We Rock.

Algumas outras boas canções como I Am Revolution, Starmaker e Orange Glow fazem o disco soar bom (apenas isso) de maneira geral; mas dada a expectativa criada em torno da ex-banda de Dio se reunir, acaba sendo um pouco decepcionante ao término das 12 faixas. Talvez se o disco fosse mais curto, com 8 ou 9 canções, a audição seria mais prazerosa.


6.0

Full Metal Jacket: Resenha de "Lugnet" -... Viva a Suécia!

Nas minhas pesquisas por bandas que ainda não conheço sempre que vejo que o grupo nasceu na Suécia eu já sei que as chances de me desagradar serão pequenas, independendo até do gênero. A Suécia tem uma cena forte de bandas de metal extremo melódicas e até mesmo de hard rock e melodic hard rock, porém o que o Lugnet pratica é um hard rock setentista, aquele som vintage que está em certa moda no meio do rock/heavy metal.

Formado por Roger Solander (vocais), Marcus Holten (guitarra), Fredrik Jansson (bateria), Lennart Zethzon (baixo) e Danne Jansson (guitarra), o Lugnet soltou o seu disco de estreia, autointitulado, e o disco é uma pedrada onde a banda toda mostra muito talento, tanto na execução como na composição.

lugnet


São 8 faixas pesadas que vão do hard rock básico e passam pelo blues, que é o mais próximo que tem de uma balada, como é o caso da linda Tears in the Sky. Os riffs rápidos de All The Way abrem o disco de forma impressionante; Sails lembra alguma coisa do Thin Lizzy (com mais peso). Em Veins os teclados pavimentam o terreno para uma das canções com mais feeling do álbum.

A segunda metade do trabalho tem a rápida It Ain't Easy, a roqueira Gypsy Dice (uma das melhores do disco), a pesadaça In the Still of the Water e o encerramento com a longa e viajante Into the Light, pouco mais de 10 minutos onde a banda passeia por um pouco de tudo que mostrou nas canções anteriores.


Excelente.

8.5

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"O rock é racista" é o novo "o rock é do diabo"


Demonizar todo um gênero parece ser a nova tática daqueles tipos que acham que o dia 31 de outubro deveria se chamar de dia do Saci. Em nome de um nacionalismo e culturalismo provinciano.



A revista on-line Medium publicou um artigo o qual deixo o link para a "apreciação" ou enjoo de quem se propor ler.

Algo que intensifica os ataques a todo um gênero musical por conta da repercussão a atitude de um ato de um de seus ídolos nos EUA. Ato devidamente execrado pelo meio, embora causando enorme polêmica e reflexão por fatores comuns à cena do Metal mundial, no que se refere a intrigas e brigas de backstage e até interpretação errônea ou equivocada da cultura e história Americana. Inclusive comentei sobre isso no meu ultimo post.

O fato é que o autor ao comentar uma entrevista passada do compositor e cantor, Seu jorge, no post começa se apresentando como um ex-roqueiro agora já amadurecido, e mais alguns jargões tendenciosos e cheios de preconceito implícito típicos de um militante esquerdista. Afinal para ele crescer e amadurecer só foi possível após deixar de ouvir metal. - Para mim o amadurecimento veio quando passei a ter que pagar minhas contas - tudo para no final fazer apologia à musica que acha que preserva a "negritude" e a cultura do negro.

É o mesmo pensamento de quem acha que filho de pobre em comunidade só deve ter curso musical que o leve a aprender a "bater lata".

Eu espero que leiam se tiverem algum estômago para que minha conclusão a seguir faça o sentido esperado.

Notem que em qualquer debate onde o esquerdista estiver ele vai querer dar as cartas, ele vai querer que sigamos pelas regras dele. Ocorre que TODO esquerdista, toda pessoa que possui ideias coletivistas se considera acima do bem do mal, se julga intelectualmente, e mesmo moralmente superior

O texto inteiro é uma enorme cagação de regras. Como não tenho a menor preocupação com a estética posso usar esse termo, pois ele é o que melhor define como a imprensa comum e a especializada vem atuando.

Voltando ao chorume em forma de texto opinativo. No ponto em que o autor questiona a proporção de negros no rock nacional, nós podemos afirmar usando a lógica que que se negros são uma minoria, então o rock está representado em número compatível com essa minoria na cena mais mainstream. Já que o Rock nacional no seu auge foi o mais puro e comercial mainstream.

Mas se olharmos pro underground, ontem e hoje, os negros e pardos estão muito mais representados no público e nas bandas. Aqueles que estão na rua e nos points e vêem isso. Então o lugar do negro é no rock sim. Ele está no lugar certo, no underground longe do mainstream, longe do politicamente correto (o novo mainstream) representando sua "negritude" fazendo o que lhe convém como bem quer e tocando um som criado por negros, e não o que alguns hipsters engajados que provavelmente só visitaram um morro pra fazer trabalho de faculdade ou para comprar baseado, acha que ele deve fazer. (agora estou me dando ao luxo de fazer os meus julgamentos com base nos meus preconceitos - e nunca disse que não os tinha).

Lamentavelmente a merda que o Phill Anselmo fez esta servindo para levantar esse tipo agenda esquerdista que quer propagar como o rock deve ser, e o lugar onde o negro deve ou não estar.

Não faltam exemplo de negros que fogem do lugar comum pretendido por intelectuais branquinhos de DCE cheios de boas intenções. essas ovelhas desgarradas são costumeiramente execrados. Cito como exemplo o jovem Fernando Holyday do MBL (Movimento Brasil Livre) que frequentemente sofre ataques da militância que supostamente diz defender os direitos de pessoas como ele. Vejam artistas como o Lobão, sempre polêmico. Sempre do "lado errado" da história.

Ninguém aqui é tolo o bastante de dizer que não há correntes racistas e nazistas dentro rock. Existem e são frequentemente rechaçados. Da mesma forma que existem correntes do rock que defendem comunismo, mesmo ignorando suas mortes contabilizadas em centenas de milhões ao longo da história; da mesma forma que o Rock e metal possui bandas nazistas, de esquerda, conservadoras, libertárias, anarquistas, satanistas, religiosas. Eu entendi depois de tantos anos que essa sempre foi a verdadeira diversidade a que o rock se propôs a difundir.

O rock e principalmente o metal por origem sempre tiveram o intuito de desagradar as convenções e verdades absolutas do mundo. Se o rock e o metal tivessem que possuir alguma ideologia politica esta deveria ser o anarquismo, mas o rock pode ser QUALQUER COISA que um musico e um ouvinte quem tocar ou ouvir. Mas ele sempre irá desagradar o mainstream social e as convenções impostas.



"O rock é racista" é o novo "o rock é do diabo". Só prova que os defensores da moral e dos bons costumes mudaram de vestimenta, de cara, nome e de discurso. Mas o pensamento inquisidor, desqualificador e cagador de regras continua lá.

Dizem por ai que o Diabo é o pai do Rock, outros dizem que ele é o pai da mentira. Do rock, pra mim o pai é Little Richard (negro, alias). Já se ele é o pai da mentira, a mãe com certeza é a esquerda.

Eu já sinto saudades quando eram os crentes mais fervorosos que se sentiam incomodados com minhas camisas de banda. Espero que as pessoas do meio metálico não acreditem nesse conto do vigário esquerdista.

domingo, 24 de janeiro de 2016

O novo hard n' blues de Londres: The Temperance Movement

O The Temperance Movement chegou ao seu segundo disco, White Bear, agora em janeiro de 2016, quase três anos após seu debut homônimo de 2013, que mostra mais uma banda apostando na nostalgia da sonoridade psicodélica dos anos 60 e 70 e na mistura do blues com o hard rock. Prato cheio para quem gosta desse tipo de som e também parece quem gosta de southern rock, embora a banda seja de Londres, na Inglaterra.

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A banda foi formada em 2011 e hoje conta com o vocalista Phil Campbell, o guitarrista Paul Sayer, o baixista Nick Fyffe (que já tocou no Jamiroquai) e pelo baterista Damon Wilson, que trazem um som coeso e com cara de experiente; nada em White Bear soa como uma banda praticamente novata. A mistura de belas melodias vocais com a timbragem antiga e o blues fazem desse um disco gostoso de ouvir do início ao fim.

Three Bullets e Get Yourself Free mostram a que a banda veio. A Pleasant Peace I Feel é uma balada que explora a psicodelia da banda enquanto Modern Massacre traz algo mais agressivo (sem sair do gênero praticado pelo grupo). Battle Lines é suingada e ótima, uma das melhores do trabalho. A faixa título não fica atrás e é uma das mais southern aqui presentes.

Destaque ainda para The Sun and Moon Roll Around Too Soon, uma das mais gostosas do disco, e pelo encerramento com a lindíssima balada I Hope I'm Not Losing My Mind. É muito bom perceber que, em meio a um dos piores momentos da história do rock no mainstream, ainda há bandas como o The Temperance, ou o The Black Keys, o Blues Pills ou o The Vintage Caravan honrando o passado sem soar datado e com cara de novidade.

Nota 8.0

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Som da semana: estreia solo de Abbath, tributo ao Metallica e despedida de David Bowie

FotorCreateda

O  ex-vocalista e guitarrista do Immortal, Abbath Doom Occulta (me amarro nesses nomes) se aventura em seu primeiro disco solo, autointitulado, após deixar a banda; mas não espere nada diferente de sua ex-banda. É o mesmo tipo de black metal e, sinceramente, é muito foda. Particularmente não sou um apreciador do gênero, mas o Immortal é uma banda que sempre gostei. O grande destaque do disco é Root of the Mountain, que alterna momentos mais lentos com outros mais rápidos, mas completamente cadenciada. To War é excelente e tem alguns riffs mais thrash e death metal por aqui e ali; Winter Bane e Fenrir Hunts são outras que merecem uma boa ouvida a todo volume.




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Tributo ao Metallica
Eu tenho um cansaço natural com discos tributo talvez porque uma minoria me agradou de verdade; acho que já vi muito mais discos bons de uma banda que decide gravar um disco de covers do que várias bandas interpretando o som de uma em um disco só. Aqui é meio diferente, em A Tribute to Metallica - Master of Puppets são 8 bandas interpretando somente um disco do Metallica, o clássico Master of Puppets. Destaques: Ensiferum em Battery, Tankard em Damage Inc., Bullet For My Valentine em Welcome Home (Sanitarium) e o Trivium em uma estupenda versão da faixa que dá nome ao disco. Já as outras 4 bandas não me agradaram e infelizmente o Mastodon está entre elas; sua versão de Orion me pareceu muito despretensiosa e deveras mal produzida. O Afflicted assassinou Leper Messiah com um timbre de guitarra horrível. John Garcia em That Thing That Should Not Me e Chimaira com Disposable Heroes não foram um total decepção mas também não fizeram nada demais.


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David Bowie

Agora que já passaram-se alguns dias de sua morte já posso postar algo relacionado a isso sem que as pessoas pensem que é "coisa do momento" ou "oportunismo"; eu já havia me manifestado que não gostei nem um pouco de Blackstar, o último disco do cantor lançado dois dias antes de sua morte. Reescutei o álbum para traçar essas linhas com o pensamento de que o cara já sabia que iria morrer e que, como disse seu produtor Tony Visconti, queria fazer um álbum de despedida. Consegui compreender toda a melancolia que envolve as 6 faixas, mas continuei não gostando do disco como um todo. Faço exceção à faixa Lazarus, que ao ouvir a letra e assistir ao vídeo fica perceptível a mensagem que Bowie quis passar para quem gosta de sua música e é um troço simplesmente emocionante a partir do momento em que você se toca sobre todas as mensagens - já não tão - subliminares da letra, uma verdadeira carta de despedida. O resto do álbum definitivamente não me agradou.
(não sei por qual motivo o link para o clipe original não podia ser postado)




segunda-feira, 23 de março de 2015

Kleryston Negreiros: Roqueiros e músicos do Brasil desconhecem a história de sua musica




A ideia básica do movimento punk, quando surgiu em NY no início dos anos de 1970 era "do it yourself". Traduzindo: faça você mesmo. Na verdade não era algo pensado e sim uma postura de uma geração entediada e que se via distante de seus ídolos no rock. Percebiam o distanciamento com a imprensa e não conseguiam espaço no mainstream pra fazer sua arte.

Eram caras comuns, do subúrbio, que trabalhavam e na maioria das vezes não podiam pagar um curso de música na Juliard ou entrar pra Rolling Stone. Então adotaram uma postura. Começaram a produzir os próprios fanzines, os próprios shows e peças, fazer saraus e financiar os próprios livros, fazer a própria música dentro do que cada um podia ou queria. Isso revolucionou o rock em particular e a música em geral. Eles exerceram seu direito individual de vencer por seus próprios méritos. Adotaram valores que hostilizavam o Estado, o status quo e quando tentaram associá-los ao comunismo (no caso do New York Dolls), estes oportunistas eram rechaçados.

E por que falo isso? Pra essa molecada que coloca uma blusa dos Ramones na cara pra protestar no meio de black blocks. Pra moleques que usam uma camisa do Ratos de Porão e se acham os "militantes revolucionários", os "filhos da revolução, burgueses sem religião". Cantam que 'País é esse?' como hino de batalha.

Crianças, façam o dever de casa. Estudem o gênero que curtem. Aqui no Brasil, devido a época em que chegou o punk, foi associado aos conflitos de classe do ABC, punk foi associado como de esquerda, mas nessa época, quem não apoiava os militares era automaticamente de esquerda. Hoje isso não tem sentido.

Portanto, jovens, antes de pagarem pau pra idiotas como os do Dead Fish ou o Teco Seropédica, conheçam a história do punk em particular e do rock em geral e verão que a postura destes sempre foram liberais/libertárias, contra o Estado interventor, contra vitimismos e mimimis e defendendo a autonomia de criar os próprios caminhos de maneira livre e individual.

[Nota do Blog] Defensores da esquerda parecem ignorar também que na União Soviética e no Leste Europeu não havia uma proibição oficial mas o gênero era mal visto pelo estado. Bandas locais eram permitidas, mas tinham de passar por censores. Discos de bandas estrangeiras simplesmente não eram lançados, mas o mercado negro proliferava.

Na Hungria viu surgirem bandas cultuadas como Omega e Illes, enquanto a Tchecoslováquia ficou famosa pela Plastic People of the Universe que se tornou ícone na luta contra a ocupação Soviética.

Na China, o veto ao rock fez parte da Revolução Cultural (66-69). Entre os países islâmicos, a Indonésia proibiu o rock durante três décadas (60-90) e o Paquistão entre os 77 e 88. No Afeganistão sob o talibã, qualquer tipo de música, exceto seus cânticos devocionais, foi proscrito entre 94 e 2001.

Che Guevara, ícone mór dessa gente teve como a primeira de suas ordens oficiais, ao tomar a cidade de Santa Clara, banir a bebida, o jogo e os bailes de rock como "frivolidades burguesas"? O próprio neto de Che, Canek Sánchez Guevara, não escapou da perseguição. O guitarrista sofreu nas garras do regime policialesco que seu avô ajudou a criar, e preferiu fugir de Cuba. O Heavy metal, dado a extremismo, é ainda mais rechaçado em países islâmicos como o Irã; onde artistas do gênero são expulsos de seu país.

Direita e esquerda, já tiveram, ou ainda tem, problemas com o rock; por seu DNA contestador e transgressor. De fato o único sistema em que o Rock se identifica é o Anarquismo, talvez o Libertarismo também se adaptasse perfeitamente. Metade dos Ramones eram conservadores assim como hoje são Dave Mustaine e Ted Nugent. Você não os vê segregando seu público conforme a orientação politica.

Aos fãs de Rock comunistas e socialistas sugiro que façam "Rock Socialista", sem Rock. Pois rock é coisa de Yankee imperialista. Ou continuem ignorando este fato e sejam felizes com sua total incoerência.[NT]


Mais sobre: "Che Guevara não gostava de rock" - Relatos históricos sobre a proibição e Censura ao rock: PT 2
http://shogunidades.blogspot.com.br/2011/08/che-guevara-nao-gostava-de-rock-relatos.html

Relatos históricos sobre a proibição e Censura do rock: Parte 1
 http://shogunidades.blogspot.com.br/2011/08/rock-proibidao-relatos-historicos-sobre.html

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Os melhores do ano de 2014 do Metal/Rock escolhidos pela equipe do Shogunidades

2014

A equipe e os colaboradores do Shogunidades escolheu os melhores discos do ano de 2014, como fazemos tradicionalmente desde 2010. Falar sobre a qualidade dos lançamentos do metal/rock nos últimos já está se tornando clichê e as votações tem se tornado cada vez mais difíceis, embora o vencedor deste ano tenha nadado de braçada na votação. Um dos motivos que mais me alegram nessa seleção é a inédita variedade de gêneros representados nesta lista final.




Na décima quarta posição temos um triplo empate:

14 - Machine Head - Bloodstone & Diamonds
(Groove metal, Thrash metal, Metalcore)



"Blodstone & Diamonds" do Machine Head era um dos discos mais esperados do ano e por este motivo seu lançamento acabou dividindo muitas opiniões. Não foram poucos os que acharam o disco a decepção do ano e também não foram poucos os que o adoraram. Por isso ele acabou na 14ª quarta posição empatado com outros dois discos:

Opeth - "Pale Communion"
(Metal Progressivo/Doom)

Transatlantic - “Kaleidoscope”
(Rock progressivo)



13 - Flying Colors “Second Nature”
(Rock pregressivo, Hard rock)

O Flying Colors chegou ao seu segundo disco. Outro supergrupo que tem o baterista Mike Portnoy em sua formação, junto com Steve Morse (guitarra), Neal Morse (teclados), Dave LaRue (baixo) e o vocalista Casey McPherson. A intenção era juntar uma galera barra pesada do rock progressivo com um vocalista de pop/rock para conseguir o meio termo entre as coisas. O debut de 2012 já foi um dos grandes trabalhos daquele ano e a banda repete a dose agora. Destaques: Open Up Your Eyes, Mask Machine e A Place In Your World. [Carlos Henrique - Colaborador e editor do blog: That Rock music blog]


12 - Slash Featuring Myles Kennedy & The Conspirators - “World on Fire”
(Hard rock)


Slash está em uma ótima fase. Após o aclamado Apocalyptic Love (2012), o ex-guitarrista do Guns n’ Roses vem com World on Fire, novamente acompanhado pelo vocalista Myles Kennedy e pela banda de apoio The Conspirators. Eu sou um crítico forte em relação a discos com uma grande quantidade de faixas, mas abro uma exceção ao Slash; no disco anterior foram 15 faixas e neste novo são 17! E em nenhum momento a peteca cai ou bate um cansaço e vontade de ouvir outra coisa. A criatividade do cara está em alta com grandes riffs, solos e melodias, e Myles se destacou com belos refrãos e uma apresentação correta em todo o disco, como na incrível Too Far Gone. Destaques: World on Fire, Automatic Overdrive, Bent to Fly, 30 Years to Life, Safari Inn e Shadow Life. [Carlos Henrique - Colaborador e editor do blog: That Rock music blog]


11 - Accept - "Blind Rage"
(Heavy Metal, Tradicional, Power)


O Accept, desde de "Blood of Nations" vem numa produção de petardos invejável. Que tiram quaisquer resquícios de saudades até do mais fanático fã da era de Udo Dirkschneider nos vocais. Eu particularmente não sinto saudades. [MV Shogun]

10 - Ratos de Porão - "Século Sinistro"
(Punk, Hardcore)
Quer saber a quantas anda o mundo nos últimos cinco anos? Ouve o novo do Ratos, melhor do que qualquer site de notícias [Rafael Cavalcanti]


9 - Mastodon - "Once More ‘Round the Sun”
(Metal Progressivo, Stoner, Sludge)

Esses caras do Mastodon... acho que não resta dúvida alguma que eles são uma das cinco maiores bandas da atualidade. A cada disco que lançam a qualidade é ainda maior. Vira até clichê falar dos caras. Seu StonerProg continua com o selo máximo de qualidade. Sem mais. Destaques: The Motherload, Tread Lightly, High Road e Chimes at Midnight. [Carlos Henrique - Colaborador e editor do blog: That Rock music blog]

8 - Grand Magus - "Triumph And Power"
(Heavy/Doom)



7 - Overkill - "White Devil Armory"
(Thrash metal)

O Overkill vem mantendo a sua média de bons discos. "White Devil Armory" é Thrash metal impiedosamente tocado do inicio ao fim, sem delongas e sem firulas com mais uma atuação impecável de seu vocalista, Bobby Blitz. "Armorist" é uma das musicas do ano! [MV. Shogun]

6 - Project46 - "Que Seja Feita a Nossa Vontade"
(Metalcore, hardcore, death)
A banda paulistana segue sem freio em um segundo trabalho de tirar o chapéu. [Rafael Cavalcanti]



5 - Cavalera Conspiracy - "Pandemonium"
(Metalcore, Death, Thrash metal)

Max & Igor continuam desafiadores em um álbum sem concessões à melodia ou estéticas mais rebuscadas [Rafael Cavalcanti]


4 - Killer Be Killed - "Killer Be Killed"
Varios (Metalcore, Thrash metal)

Confesso que na primeira ouvida achei o disco meio confuso, por duas razões: primeiro o lance de ter três caras dividindo os vocais, de início me senti um pouco perdido; segundo porque o álbum apresenta em alguns momentos uma modernidade que eu não esperava. Sinceramente, quando foi anunciado o projeto, para mim viria uma das coisas mais brutais que o metal produziria este ano, e de repente me deparei com melodias que soam como as atuais bandas do chamado metalcore americano.
Foi uma estreia com o pé direito. Dificilmente veremos esses caras tocando ao vivo ou fazendo longas turnês (talvez um show aqui, outro ali...), mas fica a esperança de que isso não acabe neste primeiro álbum (como aconteceu com o Nailbomb, de Max, por exemplo, mas isso é outra história).[Carlos Henrique]


3 - SepticFlesh - Titan
(Death Metal, Technical Death metal)


Os caras simplesmente lançam um disco duplo de qualidade, técnica e peso tão absurdos. Que seria uma ofensa eles não estarem nessa lista.




2 - Exodus - Blood In, Blood Out
(Thrash metal)


Talvez a surpresa do ano. O nem tanto. Muito se falou sobre a saída do bom vocalista Rob Dukes (que deu nova cara e injetou sangue novo e adrenalina nas apresentações da banda ao vivo) e do retorno de Steve Zetro Souza, que tinha saído da banda de maneira não muito amigável. [MV. Shogun]

Disparado o melhor álbum e melhor surpresa de 2014 já que não sou fã do vocal do Zetro. Mas eu gosto do vocal do Mustaine, quero ter razão como, né? Então vá lá! [Rafael Cavalcante]



E o campeão:

1 - Behemoth - The Satanist
(Black, Death metal)

O trio liderado por Adam ‘Nergal’ Darski (vocal e guitarra), que é acompanhado por Tomasz ‘Orion’ Wróblewski (baixo e voz) e Zbigniew Robert ‘Inferno’ Prominski (bateria), retorna com um trabalho inédito cerca de cinco anos após “Evangelion”, de 2009; durante esse tempo a banda foi pega de guarda baixa com um diagnóstico de leucemia no líder Nergal, que o fez passar por um forte tratamento até a sua cura, o que serviu de grande inspiração para a composição deste álbum.

Extremamente bem composto e com uma produção excelente, “The Satanist” dá uma aula de brutalidade sem precisar se render à clichês para soar extremo e impactante.





O metal extremo tem um público grande e fiel e um número tão grande quanto de bandas que são aguardadas com discos novos ano após ano. Do mainstream (se é que podemos usar este termo em um gênero como esse) ao underground, 2014 prometeu, e cumpriu, mais uma vez com uma chuva de grandes lançamentos em todos os subgêneros da música extrema.

No calendário do metal extremo, 2014 é o ano do Behemoth! [Carlos Henrique]


Quase chegaram:

Judas Priest - Redeemer of Souls
Prostitute Disfigurement - From Crotch To Crown
Vallenfyre - Splinters
Midnight - No Mercy for Mayhem
Hirax - Immortal Legacy
AC/DC - Rock Or Bust
Blues Pills - Blues Pills
Hatriot - "Dawn of the New Centurion"
Autopsy - "Tourniquets, Hacksaws & Graves"
Evergrey - Hymns for the Broken
Primal Fear - Delivering the Black

As decepções do ano

Arch enemy - War eternal
In Flames - sirens charm
Iced Earth – Plagues of Babylon
Judas Priest – Redeemer of Souls

As listas de cada um:

MV Shogun [Editor do blog]

1 Exodus - Blood In, Blood Out (2014)
2 Behemoth - The Satanist (2014)
3 Accept - Blind Rage (2014)
4 Overkill - White Devil Armory (2014)
5 Hatriot - Dawn Of The New Centurion (2014)
6 Project46 - Que Seja Feita A Nossa Vontade (2014)
7 Outloud - Let's Get Serious (2014)
8 Cavalera Conspiracy - Pandemonium (2014)
9 Primal Fear - Delivering the Black (2014)
10 Evergrey - Hymns for the Broken (2014)

Quase

Machine Head - Bloodstone & Diamonds (2014)
Sanctuary - The Year The Sun Died (2014)
The Haunted - Exit Wounds (2014)
Agressor - Demise Of Life (2014)
Korzus - Legion (2014)

As decepções: Iced Earth, Arch Enemy, In Flames
Rafael Cavalcanti

1. Exodus - "Blood In Blood Out" 
2. Behemoth - "The Satanist"
3. Obituary - "Inked In Blood"
4. Project 46 - "Que Seja Feita a Nossa
Vontade"
5. Madball - "Hardcore Lives!"
6. Cavalera Conspiracy - Pandemonium
7. Autopsy - "Tourniquets, Hacksaws &
Graves"
8. Triptykon - "Melana Chamasta"
9. Ratos de Porão - "Século Sinistro"
10. Cannibal Corpse - "A Skeleton Domain"

quase:
Killer Be Killed
Hatriot - "Dawn of the New Centurion"
The Haunted

Decepções do ano: 
Machine Head com "Bloodstone & Diamonds"
At The Gates - "At War With Reality"

Carlos Henrique

1: “The Satanist” – Behemoth
2: “Kaleidoscope” – Transatlantic
3: “Bloodstone & Diamonds” – Machine Head
4: “Pandemonium” – Cavalera Conspiracy
5: “Pale Communion” – Opeth
6: “Once More ‘Round the Sun” – Mastodon
7: “Voyage” – The Vintage Caravan ****
8: “World on Fire” – Slash Featuring Myles Kennedy & The
Conspirators
9: “Second Nature” – Flying Colors
10: “Blues Pills” – Blues Pills 

**** esse disco foi lançado na Islândia em 2012, mas somente
em 2014 a Nuclear Blast remixou e lançou “no mundo todo”. Se isso burlar as regras, considere o primeiro das menções o substituindo na lista principal.

As 5 menções:
“Killer be Killed” – Killer be Killed
“For the Journey” – Threshold
“Cantigas de Roda” – Raimundos
“ShutUp&Jam!” – Ted Nugent
“Circus Pandemonium” – A.C.T.

Surpresa positiva do ano: “The Hunting Party” – Linkin Park.
Jamais imaginei que destacaria um disco desses caras numa lista de melhores do ano minha.

Surpresa negativa do ano: “Siren Charms” – In Flames. Eu sempre curti todas as mudanças de sonoridade dos caras, mas dessa vez não rolou.

Léo Spellman

1 - Blues Pills - Blues Pills
2 - Rival Sons - Great Western Valkyrie
3 - Behemoth - The Satanist
4 - Exodus - Blood In, Blood Out
5 - Black Label Society - Catacombs Of The Black Vatican
6 - Killer Be Killed – Killer Be Killed 
7 - Grand Magus - Triumph And Power
8 - Project46 - Que Seja Feita A Nossa Vontade 
9 - AC/DC - Rock Or Bust 
10 - Mastodon - Once More´Round The Sun

Menções Honrosas:
- Triptykon - Melana Chasmata
- Unisonic - Light Of Dawn 
- Hatriot - Dawn Of The New Centurion
- Gus G - I Am The Fire

Revelações:
- Blues Pills - Blues Pills
- Crobot - Something Supernatural 

Decepções: 
1 - Pink Floyd - The Endless River

Rodrigo Almeida

1 - Behemoth - The Satanist
2 - The Oath - The Oath
3 - Mastodon - Once More Round The Sun
4 - Hirax - Immortal Legacy
5 - Septic Flesh - Titan
6 - Midnight - No Mercy for Mayhem
7 - Miasthenia - Legados do Inframundo
8 - Speedbreaker - Built For Speed
9 - Ratos de Porão - Século Sinistro
10 - Autopsy - Tourniquets...

Menções Honrosas:
1) Orange Goblin - Back From the Abyss
2) Cemitério - Cemitério
3) Korzus - Legion
4) Necrobiotic - Death Metal Machine
5)Soturnus - of Everything that Hurts...

Augusto Mendes

1. Behemoth - The Satanist
2. Septic Flesh - Titan
3. At The Gates - At War WIth Reality 
4. Vallenfyre - Splinters
5. Prostitute Disfigurement - From Crotch To Crown
6. Illdisposed - With the Lost Souls on Our Side
7. Opeth - Pale Communion 
8. Orange Goblin - Back From The Abyss
9. Wolfmother - New Crown
10. Overkill - White Devil Armory 

Mençoes honrosas:

Bloodbath - Grand Morbid Funeral 
Diocletian - Gesundrian
Machine Head - Bloodstone & Diamonds
Accept - Blind Rage
Mastodon - Once More 'Round The Sun

As decepções: 

Exodus - Blood In, Blood Out
In Flames - Siren Charms (Bosta x100)
Decapitated - Blood Mantra (Duas faixas salvam)


Pablo Rodrigo:

1 Exodus - Blood In, Blood Out 
2 Behemoth - The Satanist 
3 Overkill - White Devil Armory 
4 Machine Head - Bloodstone
5 Korzus - Legion 
6 Valenfyre - Splinters
7 Accept - Blind Rage
8 Hirax - Immortal Legacy
9 Septic Flesh - Titan
10 Hatriot - Dawn Of New Centurion


domingo, 21 de dezembro de 2014

Um debate sobre as incoerências e idiotices de roqueiros no Brasil.


- "Quanto mais eu estudo sobre política menos contato eu quero com rockeiros, punks, skatistas, hardcores, carecas e headbangers... Todos tem um dom natural à idiotia util".

Esse mini-desabafo postado no facebook, gerou alguns debates interessantes em paralelo sobre esse tópico e outros assuntos que foram surgindo entre amigos e colaboradores já tradicionais deste blog. Onde destaco alguns dos principais pensamentos  - lembrando que todos são fãs e ouvintes de rock de longa data, portanto tem lenha pra queimar:

Thiago Araújo: Tem muito clichê nesse meio. Alguns dizem que a postura de contestar, de enfrentar problemas que existem nas sociedades são necessariamente ideais de esquerda. Essa coisa de chocar os pais foi muito longe e trouxe consequências catastróficas.

Hoje existe quem ache que nós, que gostamos do Rock/Metal sem ter ideias socialistas/comunistas somos a incoerência. Esses são os mesmos que concluíram que como o Metal teve suas bases nas regiões onde viviam os trabalhadores industriais da Inglaterra, que necessariamente o movimento seria de esquerda. Ora, pois, para ser trabalhador precisa ser de esquerda? E no caso de cobrar condições decentes de trabalho, isso se torna uma luta automática contra o capitalismo?

Outro clichê já citado é a luta anticapitalismo, para substituir por regimes que historicamente trouxeram miséria e genocídios. Vide todos os países do bloco socialista e os arremedos de países que ainda hoje insistem nisso.

Mais um clichê é falar mal de religião. Aí o que o sujeito conhece sobre o tema? No máximo a inquisição. Nada mais que isso. Se houvesse uma diversidade, se falassem tão mal do Islã quanto do Cristianismo eu até entenderia. Mas não: tem que embarcar na onda, tem que repetir o que todo mundo diz.
É natural que quem esteja acostumado a ter o monopólio das opiniões e da militância se surpreenda e não aceite o surgimento de opiniões divergentes...

Luciano Geronimo: Pior: no que se refere a conhecer a inquisição se o cara é incapaz de apontar a principal diferença entre a inquisição medieval e a inquisição da era das navegações ele ACHA que sabe, mas é um completo asno. E o que eu mais vejo nos mimimis de inquisição é gente dizendo que a inquisição espanhola matou milhões na idade média, inclusive Giordano Bruno. Sendo a Espanha NÃO EXISTIA na idade média.

- To aqui lembrando do papel de otário que fiz defendendo a campanha de financiamento do Carlos Lopes pro disco do Dorsal em 2012.

Mas eu já devia ter desconfiado que daria merda quando ele disse que "financiamento coletivo" era "fazer o socialismo".

Usou os otários dos fãs pra custear o disco, deu certo. E depois de lançado fez uma grana o lançando de novo por um selo. Mesmo prometendo que ninguém mais além dos financiadores teriam o disco. Que aliás é uma merda.

Eu até esqueço o papel de otário que fiz e gargalho de rir com o item 4 desse desabafo:

http://whiplash.net/materias/news_838/155770-dorsalatlantica.html

Thiago Araújo Mais um socialista do Leblon... Este sujeito pode ser resumido em duas palavras: ressentimento e inveja. Não que a banda dele não tenha importância para o cenário brasileiro. Tem. Mas dá sempre a entender que os que alcançaram sucesso comercial o conseguiram por terem mais sorte, mais contatos e mais dinheiro. Ao mesmo tempo que dá a entender que queria o mesmo, nas entrelinhas condena quem conseguiu. O mais grotesco dessa história foi ele culpar os fãs por não poder lançar um disco, já que eles não o ajudavam a financiar. Aí essa história do crowdfunding acabou vingando de tanto que ele choramingou.

Kleryston Negreiros Cara, há anos tenho desprezo pelo Carlos e o Dorsal com esse mimimi. Quando o mercado se abriu pras bandas brasileiras, as que adotaram o inglês ou, no caso do Korsus, foi mais competente, teve espaço e deslanchou na carreira, que é do meio sabe quais as bem sucedidas. O Dorsal, apesar do pioneirismo, ficaram parados no tempo, o primeiro álbum em inglês deles saiu quando já havia bandas brasileiras consolidadas lá foram. Foram incompetentes e o preço a pagar por isso é a derrota. Simples assim.

Luciano Vândalo: Eu não ajudei com nenhum centavo [Luciano Vândalo talvez seja o maior fã de Dorsal Atlântica existente na terra]

Rodrigo Almeida: Eu "cantei" essa pedra na época... Cara, na época do financiamento mesmo, já tinha alguns lugares para a venda do cd e claro que não eram pessoas que financiaram. É fácil ser socialista morando no Leblon.
Luis Felipe Mattos Também me senti um idiota. Financiei um disco merda, esperando ser um disco de thrash, quando na verdade era um disco de esquerda, com apoio a Dilma!

Lembrando que recentemente a Plebe Rude repudiou o uso de suas musicas nas manifestações contra Dilma. Só esqueceram de dizer de onde saiu o financiamento para seu DVD, uma dica: com patrocínio da Petrobrás e do Governo Federal. Basta olhar o encarte. Mas nesse ponto nem há tanta incoerência assim, besta são os manifestantes que usaram as musicas da banda esquecendo-se que os Seabra sempre foram de esquerda.

- Uma das coisas mais engraçadas de roqueiros é que eles dizem adotar um estilo único contra os padrões, mas se você for num show você não consegue diferenciar as pessoas, pois TODOS ESTÃO IGUAIS.

Se você ousa ir a um evento fora do padrão "anti-padrão" você será olhado com desdém, como se valesse menos que nada. Como se sua presença afrontasse todos os ritos e dogmas daquele evento. Não importa se você está vindo direto do trabalho e não teve tempo de trocar de roupas. Você não vale nada!
Carlos Henrique Roqueiro é uma raça chata pra caralho... Molecada pré-25 anos, então, piorou. Falo isso no trabalho a galera fica sem entender, porque eu ouço o som... Mas uma coisa é gostar da música, outra é ser babaca como talvez uns 80% desse povo. (e sobre o seu outro post envolvendo roqueiro x política: está certíssimo, é tudo devoto de Tom Morello)

Não aposentei minhas camisas pretas, detesto roupa colorida - exceto camisa de futebol - porém trato minhas camisas como peças de uma coleção que acumulei com o passar dos anos, mas uso bem menos.

Não vou nem mencionar o recente fiasco do underground brasileiro com festival Zombie Ritual em SC, onde teve gente no facebook dizendo que as bandas deveriam ter tocado de graça. Na cabeça dessa gente musico tem que tocar de graça. Será que esses trabalham de graça?

Pertencer a "coletivos" de qualquer espécie acabam matando a individualidade e a liberdade de pensar. Nisso roqueiros, punks, hardcores, headbangers e carecas são todos iguais.

A verdade é que como lembrou o amigo Roger Pousada: "O rock é universal". E ele pode ser qualquer coisa. De esquerda, de direita, anarquista, ateu, cristão, satânico. Eu prefiro selecionar o que ouço e não dou moral a artista que defende liberdade seletiva.

Outra verdade é que se posicionar tem suas consequências. Uma delas é a obrigação de ser coerente com suas palavras e atos. Pra isso ter um mínimo de conhecimento pra fundamentar suas ideias, ou ideais é fundamental.

Mais: "Che Guevara não gostava de rock" - Relatos históricos sobre a proibição e Censura ao rock: PT 2
http://shogunidades.blogspot.com.br/2011/08/che-guevara-nao-gostava-de-rock-relatos.html

Mais sobre: Censurado! - Relatos históricos sobre a proibição e Censura do rock: Parte 1
 http://shogunidades.blogspot.com.br/2011/08/rock-proibidao-relatos-historicos-sobre.html

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Bonded By Books: Metallica: All That Matters - Uma biografia jornalística

Tenho que admitir que não sou grande leitor de biografias e autobiografias. No meu histórico posso colocar menos de cinco lidas. Digo isso pra deixar claro que minha opinião não é a opinião de um especialista na área, mas, mesmo assim, tive vontade de falar sobre essa biografia em especial.

Terminei de ler esses dias e tenho que dizer que fiquei bem satisfeito. O livro é de leitura simples e direta. Achei uma biografia bem jornalística, digamos, por que o formato de escrita lembra bem textos e notícias de jornais.


All That Matters foi escrita pelo pesquisador e especialista em entrevistas Paul Stenning. Paul já escreveu mais de 20 livros, incluindo a biografia do Robert Pattinson, o que não é uma referência que considero muito louvável, mas vamos lá... Ele já escreveu diversas outras biografias, incluindo do Guns N’ Roses, AC\DC e Iron Maiden.

O livro é bem interessante. Eu nunca havia lido nada sobre o Metallica e achei rica a quantidade de informações fornecidas no livro, porém senti que careceu um pouco de pessoalidade, mas isso pode ser comum em biografias escritas por pessoas “de fora”. A preferência seria que fosse uma autobiografia. Mas mesmo assim recomendo a leitura.

O livro começa retratando de maneira sucinta e clara a infância e adolescência de James e Lars, cada um em sua realidade (que eram radicalmente diferentes); e, depois, conforme os outros membros foram brotando na história da banda, também é feita a breve descrição sobre a infância e adolescência dos mesmos.

Bem complicada a origem da banda. Os caras enfrentaram uma barra, grandes dificuldades no início da carreira. É muito admirável que eles tenham conseguido passar por tudo que passaram, das dificuldades financeiras à trágica morte de Cliff Burton, que foi um dos momentos mais tristes do livro, para mim.

A abordagem a respeito da criação de cada álbum da banda também é bem interessante. Paul ressalta a importância e o jeito de agir de cada produtor como um dos fatores da mudança de estilo que a banda tomou, diversas vezes, ao longo de sua carreira e também no amadurecimento musical e pessoal de cada um.

Outra coisa que tenho pra criticar nessa biografia foi um certo comedimento e, por que não, uma certa censura sobre determinados aspectos da vida da banda. Paul é um tanto reticente e deixa bem nas entrelinhas o envolvimento da banda com drogas, apenas comentando eventualmente e deixando subentendido. Talvez isso tenha acontecido justamente por que o livro foi escrito por uma pessoa “de fora” e não por uma pessoa que realmente estava dentro da banda.

O que aproxima os relatos do livro da intimidade da banda são os depoimentos de ex-membros, membros atuais da banda, ex-namoradas, produtores, amigos próximos, etc.

Vale a pena a leitura. É uma boa fonte de informação sobre a origem da banda, o movimento musical da época e um pouco sobre o estilo, mas não esperem nada muito denso ou profundo.

terça-feira, 11 de março de 2014

Sobre a possibilidade de o Rio de Janeiro ter 3 Rádios Rock



Acompanhando a nova polêmica entre a "comunidade rock" do Rio pelo Facebook. Eu comentei em um tópico que sou um eterno mal agradecido por não me sentir satisfeito com a volta da Rádio Cidade. Mas eu deveria estender isso a todos os demais.

O fato é, que após tantos anos sem nenhuma opção, devemos agradecer por termos a possibilidade de escolhermos entre três rádios que toquem rock no Rio de Janeiro.

E a discussão sobre qual é a melhor é estúpida, pra não dizer desnecessária

A matemática é simples: A Kiss FM é Classic Rock, se alguém espera ouvir novidades nela eu começo a duvidar de sua capacidade cognitiva. Das ativas é, até agora, a que mais me agradou e já se tornou opção para quando eu me enjoar da minha lista de mp3.

A Rádio Cidade deveria ser aquela que iria tocar as novidades, as bandas mais conhecidas a partir dos anos 2000, e portanto ser a esperança de quem quer ouvir as novidades e bandas independentes mas não vai. Porque ela é rádio POP/rock (notem que o pop está em caixa alta). A ouvi por 10 minutos e me mostrou que não mudou nada. Certamente não será uma opção para mim.

A terceira rádio seria a possibilidade do retorno da Fluminense que toda a velharada, inclusive eu venera pelo seu passado, que ainda vai funcionar. Lembro que por volta de 2003/2004 (Se não me falha a memoria) a Fluminense tentou voltar na AM, e não deu certo por tentar se manter exatamente fiel ao quera nos seus áureos tempos. Infelizmente os tempos mudaram e até mesmo o estilo de locução mudou. Não funcionou. Torçamos para que ela consiga sobreviver comercialmente com a sua proposta, eu particularmente acho muito difícil.

Conversando com o amigo e especialista em rádio Marcelo Delfino ele de deixou clara que as esperanças do pessoal da antiga sobre a volta da Fluminense FM devem ser frustradas:

"A Fluminense FM não voltará enquanto Alexandre Torres Amora estiver dirigindo o Grupo Fluminense. O máximo que acontecerá é colocarem alguns programas à noite na Fluminense AM. Como o Maldita 3.0, que já estreou. E se algum dia a Fluminense AM for para o FM, é provável que coloquem nela a Fluminense Light que habitou os 94,9 antes da Band News."

Mesmo com essa noticia desanimadora, para um público que por anos, quando tinha uma opção de escolha, era uma rádio que tocava apenas rock jabá com o pior do rock nacional recente alavancando coisas lamentáveis como o 'Detonautas' do ainda mais lamentável Tico Santa Cruz [foto] e clássicos batidos.

Temos que agradecer sim, por temos uma opção a mais, que com todos os defeitos que possui é uma opção para quem quer conhecer realmente as raízes do rock.

Os cariocas e Fluminenses [assim que a Kiss conseguir expandir o alcance de seu sinal] que não contavam com nenhuma Rádio Rock agora contam com duas. Fato que naturalmente irá criar uma concorrência - e como capitalista, adoro concorrência - quem vai sair ganhando é o público.

Cada um que escolha a sua rádio, e seja feliz.

PS: Aproveito para comemorar pois este é o nosso post de número 777. Nada mais simbólico que tratar deste assunto.

Relacionados: 
Blog Rockalogy - A disputa entre capital simbólico e capital comercial, “A Rádio Rock” X “A Maldita” como metáfora para o atual cenário do Rock
http://rockalogy.blogspot.com.br/2012/02/disputa-entre-capital-simbolico-e.html

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Headbanger - O que você está disposto a fazer para mudar algo no seu mundo? (Prepare-se para a guerra de verdade II)



Diego Frazão Torquato tocando violino no funeral do seu professor. O professor foi responsável por tirar crianças da violência por meio da música no Rio de Janeiro.


Diego Frazão Torquato, conhecido como Diego do Violino morreu em 2010. Desde muito pequeno, Diego conviveu com doenças, como a meningite. Segundo aqueles que conviveram com o menino, apesar da saúde fraca e da dura vida convivendo com a violência cotidiana disso, não perdeu o entusiasmo para a música. Diego ficou internacionalmente conhecido por esta foto em que chorou ao tocar no funeral de seu professor. Diego participou das oficinas do grupo em Parada de Lucas e se tornou a estrela da orquestra de cordas do Afroreggae. Sem dúvidas a musica teve um papel importante na vida desse menino e, não fosse sua saúde fraca, quem sabe até onde ele poderia chegar?

Esse professor se pudesse de alguma forma ter acesso a um video do compacto dos melhores momentos de sua pós vida, certamente ficaria feliz ao ver essa imagem. Ao ver a diferença que fez na vida de alguém.

Nos dias de hoje, com tanto acesso a tecnologia é fácil baixar musica, conhecer novos artistas e bandas antigas pouco conhecidas. Mas para tudo na vida é preciso de um inicio. Ninguem vira fã do Cannibal Corpse por si só. É preciso que alguém apresente o artista. Eu não tenho dúvida que muitos de nós compartilhamos com outras pessoas nossa musica e temos prazer em ceder material para aqueles que nada tem para ouvir em casa ou simplesmente pouco conhece sobre Metal/Rock. Posso afirmar que eu já "converti" muita gente "pro nosso lado" e já salvei muita criança do mal gosto musical dos pais.

Entre os bangers eu sempre vejo muita reclamação, até fundamentada, sobre o tipo de musica e cultura absorvida entre os mais pobres. Até quem vive nessas comunidades se sente incomodado. Já vi até figura do underground carioca reclamando não só do mal gosto comportamental, mas defendendo até um "clareamento étnico" dentro do underground carioca. Isso num estado em que a imensa maioria da população é mestiça (Como essa declaração deplorável tem alguns anos eu torço que para essa ideia tenha mudado).
O ponto que eu quero chegar é que eu gostaria muito de ver músicos de nossos gênero agindo mais com as mãos na massa ensinando musica, do que reclamando e digitando nas redes sociais sobre o mal gosto alheio. Seria muito interessante se pessoas que saibam tocar, cedessem um pouquinho do seu tempo indo ensinar musica para crianças sem acesso a boa musica, que, por questões culturais e imposição midiática - Eu afirmo que o Funk, o Pagode, o Brega e toda musica de qualidade duvidosa é imposta ao pobre e favelado. Faz alguns anos o "funk" tornou-se a camisa-de-força do povo pobre usando um termo que li pela internet e achei muito apropriado. O povo carioca virou refém do "funk" carioca. E falo isso com propriedade por experiência própria. Até o samba, virou de certa forma, refém dos funqueiros e dos trejeitos do R&B americano - Já o favelado, este não está na favela porque quer. É porque ele não consegue comprar um apartamento (dizem que hoje ele consegue). Da mesma forma a "musica brega" e todos os seus derivados - inclusive o "funk" carioca - escravizam o povo, num semi-fascismo cultural, comandado por empresários do entretenimento dos mais diversos, desde os do interior do país até os das grandes corporações de mídia do Sudeste.

Eu tenho profundo ódio de projetos culturais que se limitem a apenas ensinar filho de pobre a "bater lata", como se pobre a favelado não tivesse capacidade para aprender outra coisa ou se interessar por outros gêneros musicais. Mas tenho mais raiva ainda de quem tem conhecimento e se nega a ensinar, ou compartilhar.

Sempre se reclama da falta de espaços para tocar, da ausência de publico nos eventos. Sempre reclama do mal gosto alheio, da falta de educação alheia. Eu te pergunto, você estaria disposto a dar um pouco do seu tempo (in)útil indo dar aulas de musica? A melhor forma de mudar toda uma cultura é passando cultura. A melhor forma de aumentar o público interessado é aumentando pessoas interessadas em consumir cultural e economicamente dessa cultura. Por que não subir um morro pra dar aula de Heavy Metal para filho de favelado? Por que não ensinar nossa musica, nossa cultura e nossos valores?

Eu já disse uma vez que o Heavy Metal surgiu na feia e cinzenta cidade de Birminghan, em um bairro operário, por filhos de operários. (De novo, não estou convocando ninguém a se filiar ao PCO, nunca, Jamais ever!). Heavy metal é por essência, som dos excluídos. Mas será que estamos fazendo jus às nossas raízes?

Talvez usar um pouco do seu tempo (in)útil passando conhecimento e arte faça mais a diferença que apoiar idiotas (in)uteis que vestem uma máscara e saem por ai quebrando o que vê pela frente.


O que você está disposto a fazer para mudar algo, nem que seja a vida de um único menino? Eu infelizmente não sei tocar, nem tenho muito conhecimento técnico para passar, mas no pouco que sei; e no muito material que tenho, se um dia na minha cremação (já deixo avisado que quero ser cremado) se existir uma criança chorando por mim, por tudo de positivo que eu pude passar pra ele. Minha vida inútil, teria valido a pena. Pelo menos eu "socializo minha empada cultural".


Então que tal levantar seu traseiro sujo e ir passar cultura a alguma criança? Que tal melhorar o mundo ajudando a formar pessoas melhores pra ele?


Faça como Jack Black, porra!





Também publicado no site Whiplash http://whiplash.net/materias/opinioes/192616.html




"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)