Millor Fernandes:


Jornalismo, por princípio, é oposição – oposição a tudo, inclusive à oposição. Ninguém deve ficar acima de qualquer suspeita; para o jornalista, não existem santos.

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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Nordic Union - hard rock melódico de alta qualidade!

O Nordic Union é a junção dos músicos Ronnie Atkins (vocal, Pretty Maids), Erik Martensson (guitarra, baixo, teclado, membro do W.E.T. e Eclipse) e Magnus Ulfstedt (bateria, também do Eclipse) para formarem uma banda de "melodic hard rock", mais conhecido como AOR.

O resultado está no debut lançado recentemente, intitulado apenas Nordic Union. O nome provavelmente vem do fato dos músicos serem divididos entre suecos e dinamarqueses.

NORDIC_UNION_COVER

A faixa de abertura, The War Has Begun, é uma das melhores; extremamente empolgante e no segundo refrão você já está cantando junto. A pegada se mantem em Hypocrisy e Wide Awake.

A bela balada Every Heartbeat dá uma acalmada nos ânimos. 21 Guns é ótima e é mais rockão, direta. Falling tem melodias açucaradas, prato cheio para os fãs do gênero, assim como Point of No Return, que apesar de tudo tem um riff mais heavy metal.

A principal característica deste disco é que ele não perde o ritmo em momento algum. Não tem uma sequência de faixas ruins e fracas que quebram o andamento. Se você for fã do gênero pode ouvir do começo ao fim. Prova disso é a última faixa, Go, que é uma das melhores de todo o trabalho.

Ótimo.

8.0

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Last in Line - antiga banda de Ronnie James Dio lança primeiro álbum


Em 1983, depois de já ter passado pelo Elf, Rainbow e Black Sabbath, Ronnis James Dio decidiu partir para a carreira solo e para isso juntou músicos de competência clara para tocar seus clássicos e novas composições: Vivan Campbell na guitarra, Jimmy Bain no baixo e Vinny Appice na bateria, a formação que gravou o debut Holy Diver (1983);  Claude Schnell entrou como tecladista para o álbum seguinte, The Last In Line (1984) e essa formação se manteve ainda em Sacred Heart (1985) The Dio E.P. (1986).

Aos poucos a formação da banda de Dio foi mudando e após a morte do vocalista, em 2010, os membros "originais" resolveram se juntar ao vocalista Andrew Freeman para tocar covers do Dio ao vivo sob o nome de Last in Line.

LAST IN LINE

Antes do lançamento do primeiro disco Heavy Crown, Schnell abandonou o grupo fazendo com que a formação "mais" original, a que gravou Holy Diver, é que entrasse em estúdio com a produção de Jeff Pilson (ex-baixista de Dio também). O futuro da banda ainda é incerto devido ao repentino falecimento de Jimmy Bain em meio à divulgação disco novo em uma turnê com o Def Leppard.

Musicalmente, Heavy Crown obviamente tenta resgatar aquela sonoridade clássica dos primeiros discos de Dio, e isso fica evidente em faixas como Devil In Me, com aqueles riffs característicos de Campbell. Martyr faz o papel daquelas composições mais rápidas à lá We Rock.

Algumas outras boas canções como I Am RevolutionStarmaker Orange Glow fazem o disco soar bom (apenas isso) de maneira geral; mas dada a expectativa criada em torno da ex-banda de Dio se reunir, acaba sendo um pouco decepcionante ao término das 12 faixas. Talvez se o disco fosse mais curto, com 8 ou 9 canções, a audição seria mais prazerosa.


6.0

Full Metal Jacket: Resenha de "Lugnet" -... Viva a Suécia!

Nas minhas pesquisas por bandas que ainda não conheço sempre que vejo que o grupo nasceu na Suécia eu já sei que as chances de me desagradar serão pequenas, independendo até do gênero. A Suécia tem uma cena forte de bandas de metal extremo melódicas e até mesmo de hard rock e melodic hard rock, porém o que o Lugnet pratica é um hard rock setentista, aquele som vintage que está em certa moda no meio do rock/heavy metal.

Formado por Roger Solander (vocais), Marcus Holten (guitarra), Fredrik Jansson (bateria), Lennart Zethzon (baixo) e Danne Jansson (guitarra), o Lugnet soltou o seu disco de estreia, autointitulado, e o disco é uma pedrada onde a banda toda mostra muito talento, tanto na execução como na composição.

lugnet


São 8 faixas pesadas que vão do hard rock básico e passam pelo blues, que é o mais próximo que tem de uma balada, como é o caso da linda Tears in the Sky. Os riffs rápidos de All The Way abrem o disco de forma impressionante; Sails lembra alguma coisa do Thin Lizzy (com mais peso). Em Veins os teclados pavimentam o terreno para uma das canções com mais feeling do álbum.

A segunda metade do trabalho tem a rápida It Ain't Easy, a roqueira Gypsy Dice (uma das melhores do disco), a pesadaça In the Still of the Water e o encerramento com a longa e viajante Into the Light, pouco mais de 10 minutos onde a banda passeia por um pouco de tudo que mostrou nas canções anteriores.


Excelente.

8.5

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

DeWolff - Mais uma banda que resgata o passado com brilhantismo

Recentemente escrevi sobre o disco novo da banda The Temperance Movement, White Bear, e comentei como é bom ver bandas como essa ou como o Black Keys, o Blues Pills ou o Vintage Caravan, que soam modernas e atuais e ao mesmo tempo prestam uma bela homenagem à sonoridade psicodélica dos anos 60. E o grupo holandês DeWollf é mais uma grata surpresa nesse sentido. Eu não conhecia a banda e olhando em seu website vi que Roux-Ga-Roux já é o sétimo trabalho da banda, entre eps e discos ao vivo desde 2008, o que é um número considerável.

de

A mistura de psicodelia, blues, hard rock e timbres sessentistas/setentistas nunca vai soar de mais para este que vos escreve.

Eu não passei impune ao órgão de Baby's Got a Temper, à introdução suingada de What's the Measure of a Man, ao blues de Black Cat Woman ou ao simples e eficiente solo de Easy Money. E dá-lhe fuzz e blues Outros temas como Love Dimension ainda destacam-se pelos belos vocais de apoio ou pelos longos improvisos blueseiros como Tired of Loving You.

Se está na moda tentar resgatar o rock psicodélico dos anos 60, eu espero que seja uma moda dessas bem duradouras. O DeWolff é formado por Pablo Van de Poel (vocal e guitarra), Luka Van de Poel (bateria) e Robin Piso (teclados, vocais).

Nota 8.5

domingo, 10 de janeiro de 2016

Primal Fear: resenha de "Rulebreaker"

Uma das banda mais constantes do heavy metal, o Primal Fear chega ao seu 11° disco em 18 anos. Uma marca importante considerando que os intervalos entre lançamentos estão cada vez maiores desde os anos 90 em todos os gêneros do rock, incluindo o heavy metal. 


O nome do álbum é Rulebreaker, e tem o lançamento previsto para fins de janeiro. A banda liderada por Mat Sinner (baixista e produtor do disco) e Ralf Scheepers (vocal) continua praticando aquele power/speed metal característico, cheio de riffs pesados, grooves empolgantes e melodias interessantes, tanto do ponto de vista melódico quanto do aspecto técnico. As duas faixas que abrem o álbum são o perfeito exemplo de tudo isso: Angels of Mercy e The End is Near.

Bullet & Tears tem riffs pesadíssimos; a faixa-título tem um refrão memorável e belos fraseados de guitarra, já dá para arriscar que nasce um novo clássico da banda; In Metal We Trust tem todas as características para se tornar um dos pontos altos do show: tem a parte da galera cantar junto, tem solos de guitarra dobrados, tem o solo de bateria antecedendo o último grande refrão e tudo o mais.
Um dos maiores destaques do trabalho é  We Walk Without Fear, um épico de pouco mais de 11 minutos com bela performance de todos os músicos em uma canção que passeia por uma verdadeira montanha russa de emoções: tem as partes pesadas, rápidas, lentas, dedilhadas, trechos com teclados e o final com belas melodias de guitarra.

The Sky Is Burning é a balada do álbum, tem uma pegada diferente do usual da banda e tem um excelente refrão.

A banda conta ainda com o baterista Francesco Jovino (que substituiu o brasileiro Aquiles Priester) e os guitarristas Tom Naumann e Magnus Karlsson.

Excelente trabalho.

Nota 8.5


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Full Metal Jacket: Anthrax - "For All Kings" é o melhor em muito tempo

Cinco anos após o excelente Worship Music, que trouxe o vocalista Joey Belladonna de volta à banda, o Anthrax reaparece no mercado fonográfico com For All Kings, seu melhor trabalho em muitos, muitos anos.

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Repaginado com uma nova formação, agora com o guitarrista solo Jon Donais no lugar de Rob Caggiano, acompanhando o guitarrista Scott Ian, o baixista Frank Bello e o baterista Charlie Benante, a banda apresenta um trabalho sólido e constante, sendo bom por inteiro e não alternando bons momentos com outros "nem tanto" como os discos lançados no meio dos anos 90 e na primeira década de 2000. Por outro lado, chega a ser estranho pensar que este é apenas o quarto disco do Anthrax lançado de 1998 até hoje. Já são quase 20 anos!

Se Worship Music serviu para mostrar que a banda "estava de volta" no sentido de lançar um grande disco, For All Kings veio para consolidar isso.

Riffs, bases e grooves animais, cozinha matadora e um vocalista que sabe colocar sua voz nos tons e momentos certos fazem desse disco um trabalho fácil de ser apreciado do início ao fim.

'You Gotta Believe' abre o trabalho com seus mais de 7 minutos de bateção de cabeça. Monster at the End dá uma desacelerada e prepara o caminho para a grooveada faixa-título.

Suzerain é pesada e melódica, Belladonna conseguiu colocar boas melodias vocais; 'This Battle Chose Us' soa mais tradicional enquanto 'Zero Tolerance' fecha o disco com uma porrada no ouvido.
A excelente 'Evil Twin', com riffs certeiros, teve sua letra inspirada nos ataques à sede da revista Charlie Hebdo, na França.

Valeu a espera, o Anthrax soltou um grande disco que consolida de vez a nova "velha" formação de um dos grandes do thrash metal mundial.

Nota 8.0



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Full Metal Jacket - Axel Rudi Pell: 2016 começou, "Game of Sins" é bom

O primeiro disco vazado de 2016, ainda no final de 2015, foi o do guitar hero alemão Axel Rudi Pell que chega ao seu 16° álbum solo, Game of Sins.

axelrudipellgameofsins



Desnecessário pontuar a qualidade do cara como guitarrista, que neste disco é acompanhado pelo vocalista Johnny Gioeli, tecladista Ferdy Doernberg, baixista Volker Krawczac e pelo já lendário baterista Bobby Rondinelli (que já passou por Black Sabbath e Rainbow).

Após a intro Lenta Fortuna, segue a excelente Fire, uma perfeita e explosiva faixa de abertura, cheia de riffs pesados e um refrão de arena. Perfeito o caminho aberto para a ótima e old school Sons in the Night com sua letra à lá "Sons of Anarchy". Essa dobradinha na abertura caiu muito bem e pavimentou para a épica faixa-título, quase 9 minutos muito bem trabalhados e empolgantes.

Um disco do Axel Rudi Pell sem baladas não soa bem. Por isso não existe... e aqui elas estão representadas com a bela 'Lost in Love', além de 'Till the World Says Goodbye' e 'Forever Free', que se não chegam a ser baladas propriamente ditas, possuem aquele elemento obscuro, pesado e lento.

'Falling Star, The King of Fools' e 'Breaking the Rules' são três excelentes porradas, com ótimos riffs e que se destacam também pela performance do vocalista Johnny Gioeli.

O disco termina com um ótimo cover de 'All Along the Watchtower', clássico de Bob Dylan/Jimi Hendrix.

Axel vem mantendo um bom nível em seus discos e Game of Sins é um ótimo sucessor para Into the Storm, outro bom trabalho lançado há 2 anos.

Nota 7.5

sábado, 7 de novembro de 2015

TREMENDAS TRIVIALIDADES - A GRANDEZA DO COTIDIANO




Acredito que para uma completa formação intelectual e maior entendimento do mundo as pessoas devem mergulhar nas palavras dos grandes escritores. A Literatura é fonte de conhecimento e intimidade com a alma humana e por isso, nesse tempos tortuosos, mais do que nunca devemos retomar a sabedoria dos grandes autores. Portanto, passarei a trazer aqui para o blog resenhas de obras e autores relevantes que ajudarão na formação intelectual dos apreciadores dessas paragens e para inaugurar essa empreitada, trago Chesterton a vocês.


Nossa formação nunca está completa ao sairmos da faculdade. No meu caso, por exemplo, ainda passo pelo processo de aprendizado, haja vista que muitos autores ainda estou por conhecer, alguns grandes nomes ainda me são estranhos  por não terem sido citados enquanto graduando. E acaba sendo um duplo prazer quando me deparo com alguns desses gigantes desconhecidos. Duplo porque me alegra descobrir novos nomes (mesmo que sejam antigos) que se soma ao prazer de ler mais um bom livro. Portanto, foi isso que senti ao descobrir recentemente o escritor britânico G. K. Chesterton.

Confesso que não o conhecia até bem pouco tempo, mas, graças às redes sociais, tomei conhecimento de seu nome e me interessei por seus aforismos. Essa curiosidade acabou me levando a uma singela obra que, de tão simples torna-se grandiosa. O livro chama-se Tremendas Trivialidades.

Chesterton foi um escritor que viveu na virada do Século XIX para o XX e, além de romances, publicou crônicas nos principais jornais ingleses. É disso que se compõe o livro: crônicas. É uma compilação delas, publicadas numa coluna homônima à obra em que ele fala de situações banais, cotidianas, porém, com um olhar único que revela toda a grandiosidade da vida através do prisma da vida cotidiana.

Partindo de situações como um passeio ao campo ou um acidente de bonde, o autor faz reflexões profundas sobre a condição humana, sua relação com Deus ou a brevidade da vida. Entretanto, não pensem que os textos são rebuscados, prolixos ou de difícil compreensão. O que encanta em Chesterton é justamente a simplicidade com que ele nos traz esses temas, a forma como o texto flui de maneira suave levando a ideias mais complexas, mas sem o travamento de um texto intrincado.

E simplicidade de texto não quer dizer texto simplório. A obra é composta de crônicas que se destinavam ao inglês comum, que compra o jornal a caminho do Trabalho ou lê na hora do almoço. É para esse leitor que Chesterton escreve o que torna o livro mais interessante já que os temas, além de atemporais, comunicam-se com o homem simples tanto quanto com o homem erudito.

Essa foi minha (tardia) descoberta. Pretendo explorar seus textos e trazer mais dele para vocês. No mais, fiquem com Tremendas Trivialidade e vejam como a rotina nossa de cada dia pode nos reservar lições profundas sobre a vida e sobre nós mesmos. Até a próxima.

Kajotha77@gmail.com
@kajotha

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Iron Maiden: The Book of Souls faz a espera valer a pena

Uma coisa já é praticamente consenso: The Book of Souls é o melhor trabalho do Maiden desde Brave New World (2000).

O fato é que os anos passam e as bandas antigas ficam cada vez mais tempo sem lançar álbuns novos de estúdio – a indústria fonográfica mudou radicalmente nos últimos 20 anos e o fato de shows terem passado a ser a maior fonte de renda de uma banda ajudou nisso -, e os fãs do Iron Maiden aguardam ansiosos há cinco anos, desde The Final Frontier, por um novo trabalho do sexteto britânico.

O recente diagnóstico de câncer na língua do vocalista Bruce Dickinson assustou a todos, que temeram não só pela saúde do baixinho, mas como por um atraso longo na gravação e lançamento. Porém, a doença foi descoberta após as gravações – o que faz admirarmos ainda mais a performance vocal de Bruce no disco.

Mas eis que após a recuperação do vocalista, o Iron Maiden lançou finalmente The Book of Souls, com produção do “sétimo membro” Kevin Shirley, e gravado em Paris, no mesmo estúdio onde fizeram o já clássico e citado Brave New World.

A capa com o Eddie simples e um fundo preto chamou atenção dos fãs.


If Eternity Should Fail, composição de Bruce, é a abertura. Diferente do que se espera do Iron Maiden, uma introdução climática, com Bruce cantando sozinho, até que depois de um minuto e meio a velha Donzela surge com seus riffs cavalgados e guitarras “gêmeas”. Um refrão que com certeza será cantado por estádios lotados pelo mundo todo. Destaco também Nicko McBrain, um dos bateristas mais reconhecíveis da história. Ele tem o som dele, o tom dele e você sabe exatamente que é ele tocando com no máximo duas batidas. Trabalha para a canção e ao mesmo tempo se destaca.

Speed of Light foi escolhida para primeiro single e não é de se estranhar, uma das faixas mais curtas e diretas do disco; tem boas influências do hard rock setentista nos riffs (um quêzinho de Blackmore aqui e ali). Típica canção que vai entrar para o hall dos clássicos compostos em parceria do vocalista com Adrian Smith, um dos três donos das seis cordas do grupo.

The Great Unknown é a primeira faixa que o baixista – e CEO da banda - Steve Harris assina a aparecer. Parceria com Smith e lembra os tempos de A Matter of Life and Death (2006). Outro refrão que vai soar bem ao vivo e belos solos. É de praxe em todo disco do Maiden ter o grande épico do baixista – e aqui ele vem logo na quarta faixa, com The Red and the Black, que já inicia com acordes de baixo (que se repetem no final) e não há dúvidas que será uma das que marcarão presença no novo set list da banda. Tem tudo para levantar a plateia com seu ôoo-ôoo-ôoo. A sequência de solos é arrebatadora e uma das guitarras seguindo o vocal de Bruce pela canção deu um algo a mais na faixa.

When the River Runs Deep parece ter saído direto da fase Somewhere in Time (1986) e Seventh Son of a Seventh Son (1988), mais uma composição de Adrian Smith – aliás, já deu para perceber que o cara é um dos destaques aqui. Direta, rápida, pesada e com mais riffs setentistas no meio. Tem cara daquelas canções que Steve Harris colocará no show logo depois de algum grande épico para dar aquela agitada no público. O primeiro CD termina com a faixa-título com seus mais de dez minutos de duração. Dramática, tensa, é praticamente dividida em duas partes: a primeira mais teatral e enternecedora, enquanto a segunda parte é o típico Maiden de solos e bases rápidas com Bruce cantando até a alma no final. Ponto para Janick Gers, parte do trio de guitarristas, que assina a canção com Harris.

O segundo CD vem com outra típica composição de Smith/Dickinson: Death or Glory. Uma paulada de respeito, com esse título Manowarzístico e um refrão onde Bruce me faz ter a certeza de que ele é o maior vocalista de heavy metal de todos os tempos. Não é a canção onde ele alcança os maiores tons nem nada disso, é apenas pelo simples encaixe de melodias e performance vocal, aliados a idade do vocalista (é só parar para pensar em como estavam as vozes de outros grandes nomes do heavy metal aos 57 anos). Agora é a vez de Janick Gers aparecer novamente em parceria com Harris para Shadows of the Valley; impossível não lembrar de “Wasted Years” na introdução. Curiosamente, apesar dessa lembrança dos “Golden years”, a faixa como um todo me lembrou o álbum Dance of Death (2003). É boa.

Tears of a Clown é aquela que homenageia Robin Willians (comediante americano que se matou devido à depressão) que não é bem uma homenagem a Robin Williams. A situação de um comediante ter depressão e acabar cometendo suicídio por isso inspirou a composição de Smith e Harris (que dupla!). Musicalmente é uma das canções mais interessantes de toda a discografia do Iron Maiden por explorar um território de tempos mais quebrados e um ritmo lento. O Maiden vem constantemente sendo classificado como uma banda mais progressiva nos últimos 20 anos devido às canções mais longas com longas introduções, que já viraram características da banda. Mas foi com essa canção, a mais curta aqui, que o Iron Maiden realmente abraçou o prog. O refrão dramático com mais uma performance matadora de Bruce – ao mesmo tempo que lembra “Coming Home”, de The Final Frontier (2010), lembra também algo da carreira solo de Bruce – coroa a faixa.

Vamos chegando ao fim dessa grande obra dramática que é The Book of Souls. É como se fosse a trilha sonora de um filme. Eu até agora não consegui escutar as faixas aleatoriamente. Quando começo escutar a primeira vou até a última e uma hora e meia passam como num piscar de olhos. The Man of Sorrows é uma parceria de Dave Murray, mais um dos guitarristas, que raramente assina alguma música nos discos da banda, com Steve Harris. É uma pseudo-balada, que evolui de belas melodias de guitarra e vocal no início para uma levada trágica (no sentido dramático da coisa) que vai até o fim.

E por fim, talvez a mais aguardada, Empire of the Clouds. O álbum começa e termina com composições de Bruce Dickinson sozinho. Com mais de 18 minutos de duração era a mais esperada pelos fãs a ser ouvida, justamente pelo seu tamanho, que já é a maior faixa gravada pelo Iron Maiden. Há quem esperasse algo na linha de “Rime of the Ancient Mariner” (de Powerslave, 1984), mas o que veio surpreendeu a muitos: pianos tocados pelo próprio Bruce dominam a faixa até cerca dos 4 minutos, quando o resto da banda entra de vez. As melodias vocais são incríveis e daquelas que já ficam na cabeça de primeira. A letra é tocante e a interpretação magnânima. O instrumental não deixa a peteca cair em momento nenhum. Seja nas partes lentas, rápidas, nas partes mais progressivas ou épicas. Seria um deleite assistir essa canção ao vivo, mas duvido muito que seja incluída no set list. Encerramento digno de um trabalho sem igual na história da banda.

A capa com o Eddie original foi criado por Mark Wilkinson e chamou atenção pela simplicidade. Nada de grandes desenhos. Apenas Eddie e um fundo preto. Um belo contraste com o disco que é uma verdadeira viagem de grandes emoções.

Nota 9.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Killer be Killed: estreia em grande estilo do novo supergrupo do metal

Supergrupos sempre chamam a atenção mesmo antes de ter qualquer canção divulgada, e não foi diferente com o Killer be Killed, um projeto que começou a ser formado em 2011 e tem 4 nomes fortes do metal americano dos últimos 15 anos entre seus integrantes. Sim, apesar de ter o (ícone) brasileiro Max Cavalera (vocal e guitarra) em sua formação, não podemos esquecer que o mesmo vive nos Estados Unidos há décadas, lá montou o Soulfly e de lá também comanda sua carreira. Os outros parceiros de crime são Greg Puciato, vocalista do ótimo The Dillinger Escape Plan, Troy Sanders, baixista e vocalista do já grandioso Mastodon e Dave Elitch, baterista de um talento e abrangência enormes, tendo tocado em grupos que vão do The Mars Volta (a principal) até as bandas de apoio de Justin Timberlake e Miley Cyrus. Depois de passarem o mês de setembro de 2013 gravando o primeiro trabalho, agora em 2014 chega as lojas o debut Killer be Killed.



Confesso que na primeira ouvida achei o disco meio confuso, por duas razões: primeiro o lance de ter três caras dividindo os vocais, de início me senti um pouco perdido; segundo porque o álbum apresenta em alguns momentos uma modernidade que eu não esperava. Sinceramente, quando foi anunciado o projeto, para mim viria uma das coisas mais brutais que o metal produziria este ano, e de repente me deparei com melodias que soam como as atuais bandas do chamado metalcore americano. Não foi algo negativo, mas sim uma surpresa.

Porém, a cada audição o disco torna-se melhor e mais compreensível. Quando Max entra na jogada instantaneamente a canção ganha a veia que eu esperava ouvir desde o início. Max é definitivamente a conexão do Killer be Killed com o lado mais brutal, enquanto Troy Sanders é responsável pelos momentos mais tensos e Greg Puciato cuida das partes mais melódicas. A parte técnica e instrumental é muito boa, e meu destaque pessoal vai para o baterista Dave Elitch, que é dono de um groove sensacional – e formou uma cozinha matadora com Troy Sanders. Killer be Killed é repleto de momentos que lembram cada uma das bandas principais dos quatro envolvidos, e segurar essa onda toda instrumentalmente – e por diversas vezes esses estilos todos dentro de uma única faixa – foi de uma competência tremenda, como na sensacional Face Down, por exemplo.



Se o começo do álbum é dedicado às canções mais melódicas, da metade para o fim é só desgraceira: Fire To Your Flag, IED, Dust Into Darkness e a lenta e raivosa Forbidden Fire (destaque para o brasileiro) são as melhores do lado mais agressivo da banda, enquanto Wings of Feather and Wax e Melting on My Arrow representam melhor o, se é que podemos chamar assim, lado mais acessível.

Foi uma estreia com o pé direito. Dificilmente veremos esses caras tocando ao vivo ou fazendo longas turnês (talvez um show aqui, outro ali...), mas fica a esperança de que isso não acabe neste primeiro álbum (como aconteceu com o Nailbomb, de Max, por exemplo, mas isso é outra história).
A produção ficou a cargo de Josh Wilbur, e o petardo sai pela Nuclear Blast no mês de maio.

Nota: 8.0

1."Wings of Feather and Wax"  3:40
2."Face Down"  4:35
3."Melting of My Marrow"  4:38
4."Snakes of Jehova"  4:01
5."Curb Crusher"  3:31
6."Save The Robots"  4:11
7."Fire To Your Flag"  2:31
8."I.E.D."  4:35
9."Dust Into Darkness"  3:57
10."Twelve Labors"  4:29
11."Forbidden Fire"  5:38

sábado, 16 de julho de 2011

Recomendação Musical: Grip Inc.


O Grip Inc. foi uma banda de groove metal e um projeto paralelo do baterista Dave Lombardo (Slayer). A banda foi formada em 1993, e tem contrato com a SPV Records. A banda já terminou suas atividades, já que Dave voltou para o Slayer e o vocalista Gus Chambers faleceu.




Em 1993, Lombardo formou o Grip Inc. junto com o guitarrista do Voodoocult Waldemar Sorychta. A dupla recrutou o baixista Jason Viebrooks e vocalista Gus Chambers para completar a banda, lançando seu disco de estréia em 1995. Intitulado "Power of Inner Strength", o álbum foi distribuído através da gravadora Metal Blade Records.

Por todo seu período de atuação o Grip Inc. sempre teve sérios problemas com baixistas, o que os levou a "fechar" o núcleo Lombardo/Sorychta/Chambers e contratar baixistas para tours e gravações.

A banda sempre se destacou pela sua sonoridade inusitada, bem diferente do que 99% das outras bandas da época faziam, se por um lado essa é uma atitude sempre saudável e bem vinda, por outro lado essa atitude fechou muitas portas para a banda, pois a maioria esmagadora do público metal simplesmente não conseguia/queria entender a proposta do som do Grip Inc.

Devido aos vários projetos e compromissos de Lombardo e Sorychta a carreira do Grip Inc. sempre foi bem inconstante, o que se agravou mais ainda com a volta de Lombardo ao Slayer em 2002. Após isso a banda ainda lançou o disco "Incorporated" em 2004, e entrou em um hiato indefinido.

Em 2007 Sorychta montou o Enemy Of The Sun, o que aumentou ainda mais as especulações sobre a carreira do Grip Inc. E a morte de Gus Chambers, que se suicidou no dia 13/10 aos 52 anos de idade, em 2008 pôs um fim definitivo à carreira da banda.

Discografia

Power of Inner Strength e Solidify use esta senha: darconio
Para os demais use esta: hmc

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ouvi : "The Final Frontier" do Iron Maiden e...


Estou na primeira tentativa de audição do novo disco do Iron Maiden "The Final Frontier" e já posso afirmar antes de ouvir todo: que gostei! É bem melhor que os dois anteriores.

Já aos os outros eu dei notas entre: 5 (Dance of Death) e "inaudível, só vale pela capa. Compre um poster." (A matter of life and death).

TFF tem essa linha prog bem mais acentuada mesmo. "The Talisman" é bem legal.

O ponto negativo é que o inicio do disco não empolga. A primeira musica é razoável para baixo. "Satellite 15...The Final Frontier" não é digna de abrir um disco, ainda mais um disco do Maiden.

Ao ouvir pela segunda vez a "El dorado" consegui gostar dela.

O ponto positivo: É que já tenho uma preferida: "Starblind". É a nova infinite Dreams!

"The Man Who Would Be King" me agradou de cara.

Como um critico chato eu acho que no geral falta um pouco de "Punch". Talvez pelo começo fraco.

Falta uma "Rainmaker". O tipo de musica que tem punch! E que faz um disco inteiro razoável valer a pena pela sua presença. Por exemplo: Dance of Death (que pra mim é chato) só vale a pena e quase mereceu um 6 por causa dela.

Mas esse novo disco está acima de razoável, ele é bom beirando o legal, talvez por isso não precise uma "Rainmaker" para me agradar.

Acho que fui mais elogioso do que gostaria. Nota: 7

"Se a prudência da reserva e decoro indica o silenciar em algumas circunstâncias, em outras, uma prudência de uma ordem maior pode justificar a atitude de dizer o que pensamos." - (Edmund Burke)